Grêmio 0x2 LAJEADENSE – Estádio Olímpico

Inventem um novo dicionário, por favor, que essa língua não possui verbetes suficientes para expressar o que canta meu coração.

Nunca duvidei da vitória. Um GALHOFEIRO de primeira, passei semanas, meses, quase UM ANO prometendo o dia em que o milagre, enfim, chegaria. Por isso ignorei o 8×0 que ainda retumba em minha memória. Por isso, sem vergonha, saí correndo na parada ao ver o ônibus que transportava meus protegidos. Por isso me fardei e encarei o ônibus lotado de gremistas me olhando com desprezo. Por isso briguei com os brigadianos e funcionários do Grêmio que não nos deixavam nos locomover livremente na arquibancada (Estatuto do torcedor só existe pra clube grande).

Nada ali fazia sentido. A festa para os galáticos tricolores estava preparada, a imprensa da capital apostava em dementes 6×0, a torcida local comparecia em peso. E eu, ao chegar, me deparava com apenas 4 pessoas que compartilhavam do meu sonho. Uma delas, um inocente garoto de 7 anos, que ao me ver já proclamou, sem pestanejar, que, apesar da concessão alviazul temporária  era, na verdade, tão gremista quanto todos aqueles que estavam ali, prontos para DILACERAR meu coração.

Mal sabiam eles que nosso plano infalível já estava traçado há SÉCULOS. Poderiam passar dias insistindo com suas triangulações movidas a euros, seus chutes de fora da área, seus cruzamentos inócuos e todo o resto de artimanhas que insistiram tentar por todo o primeiro tempo e, com menos intensidade, no segundo. Nada mudaria o que os discípulos de Jorjão escreveram com balas Flópi no livro do destino.

Como em 2011, apenas duas flechadas repentinas. Nos acréscimos do primeiro tempo, um gol de cabeça de Ramos, agora capitão, que deixa sua marca em toda contenda com a dupla coxinha da capital. E, no início do segundo, o tiro de misericórdia de Tatá, o malabarista, após jogada de NEGRO JANDSON iniciada com um erro ridículo daquele que acreditam ser a salvação do mundo por dar carrinhos e cotoveladas.

Poderiam expulsar 4, 5, 6, 7 jogadores, como fizeram, com aval do árbitro parcial como sempre. Poderiam expulsar os reservas, a comissão técnica e até os 200 torcedores que, com o tempo, chegaram ao estádio para fazer meu grito soar mais forte. Poderiam exterminar a Fruki e todos os 71 mil lajeadenses. Enquanto houvesse uma alma alviazul de pé, nada nos derrotaria. E, ela chamando-se Fernando Miguel e vestindo amarelo, nada defloraria nossa meta. E, assim, a história se fez.

Ainda acordando rouco e destroçado do que pensava ser o meu sonho mais delirante, o mesmo garoto do início dessa história sentou ao meu lado. Com os dois gols, alguns minutos de conversa e alguns adesivos do escudo mais lindo do mundo ofertados, o pequeno germânico soltou, sem pestanejar: “Não quero mais ser do Grêmio. Agora, sou só Lajeadense”.

É disso que se trata. De destino, de futuro e  merecimento. Pra vocês, era apenas mais uma partida; para nós, a afirmação de nossa existência, colocada em jogo. É por isso que nos últimos cinco confrontos contra os belos vestidos de azul e preto os colonos alemães venceram dois e empataram três. É por isso que ninguém, nunca mais, nos olhará de cima a baixo com desdém. É por isso que, diga a grande mídia o que quiser, enquanto houver uma criança de coração alviazul, seremos imortais.

Continuem com os euros, os contratos astrônomicos, os desfiles de moda, a especulação imobiliária e o merchandising. Deixem o futebol e a paixão para quem sabe vivê-los de verdade.

Pobre de quem não torce pelo Clube Esportivo Lajeadense.

GRÊMIO 0X2 LAJEADENSE
Local
: Estádio Olímpico, em Porto Alegre.
Grêmio: Victor; Mário Fernandes, Saimon, Douglas Grolli, Julio Cesar; Fernando (Marquinhos), Léo Gago, Marco Antônio (Yuri Mamute) e Douglas; Miralles (Leandro) e Kleber. Técnico: Caio Júnior.
Lajeadense: Fernando; Bindé, Micael, Gabriel e Baroni; Rudiero, Ramos, Willian e Bruninho; Jandson (Adriano) e Tatá (Jean). Técnico: Ben Hur Pereira.
Gols: Ramos (45 min./1º) e Tatá (1 min./2º).
Cartões amarelos: Fernando e Yuri Mamute (Grêmio) e Tatá, Bruninho e Fernando (Lajeadense).
Cartão vermelho: Bruninho (Lajeadense).
Arbitragem: Márcio Chagas da Silva, auxiliado por Júlio Cesar dos Santos e Marcelo Oliveira e Silva.
Placar Moral: 0x17, mesmo o Lajeadense tendo uma atuação no máximo nota 6.

Bebendo Fruki no paraíso,

Guilherme Daroit

Publicado em Gauchão 2012, Lajeadense com as tags , , , , . ligação permanente.

0 Respostas a Grêmio 0x2 LAJEADENSE – Estádio Olímpico

  1. tiagozilli diz:

    Paguem 300.000,00 reais a um cara chamado kleber, seus palhaços. O bem venceu.

  2. Gladiador que deu um passse A LA XAVI pro Jandson no segundo gol

  3. Rodrigofff diz:

    ah meu, leio isso e queria ter nascido em lajeado pra pelo menos de vez enquanto poder dar essa trovada.

  4. Só no Olímpico mesmo…
    Quero ver na Arena!

  5. Sagu diz:

    esse é o blog mais afudê que já vi na vida!
    o melhor futebol, mais puro e verdadeiro,
    amo esse meu Lajeadense!!

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