Solidariedade aos amigos catarinenses

Pois é, gente boa, o título não está errado. Estamos na véspera do dia mais esperado desde que esse blog foi criado, uma final de Taça Piratini entre dois times fora do eixo Azenha-Praia de Belas, mas, amantes do futebol do interior que somos, não podemos deixar passar em branco a luta de nossos vizinhos JULIANOS de Lages e Tubarão nos últimos dias para, tal qual nós, defender a sobrevivência de suas paixões.

Em primeiro lugar, falaremos dos vizinhos da Vacaria, o Inter de Lages. Campeão catarinense em 1965, o colorado serrano sempre teve uma existência relativamente CONTURBADA, tendo trocado de nome por diversas vezes até chegar ao definitivo Esporte Clube Internacional, em 1949. Desde lá, além do seu único título estadual, o Inter também arrecadou dois vices em 1964 e 1974, e, em 1991, ostentou em suas fileiras o maior campeão brasileiro de todos os tempos, o volante e agora treinador Andrade, ex-Flmengo, Vasco e Roma. Porém, mesmo sediado em uma cidade relativamente grande, com mais de 140 mil habitantes, pouca coisa deu certo para o clube desde então. Após várias fracas campanhas e falta de apoio público e privado, o colorado passou a agonizar entre a segunda e a terceira divisões do futebol CATARINA, enquanto era APUNHALADO sem parar pelos poderosos locais.

Primeiro, em 1999, aproveitando-se da miséria do clube, então licenciado do futebol profissional há 4 anos, ex-dirigentes tiveram a pachorra de fundar um novo clube, com o mesmo nome e cores do original, ao invés de lutar pela volta do Inter de verdade. A iniciativa até teve um FUGAZ sucesso, com o “Inter genérico” garantindo o título da segunda catarinense em 2000 e a 5º colocação no ANITAGARIBALDÃO de 2001, mas, como tudo que é ARTIFICIAL, logo fechou as portas, em 2002, ao primeiro sinal de dificuldades.

Depois, em 2006, já reativado e após anos de batalhas judiciais, o verdadeiro Inter teve que ceder, de graça, a sua eterna sede social, conhecida como “Vermelhão”, para, PASMÉM, a Prefeitura de Lages(!), que resolveu construir lá a sua nova sede, obra que até hoje não saiu do papel, numa clara mostra do apoio que o poder público dá ao clube.

Estádio em Lages lotado para ver o Inter, como deve ser

Atualmente, o colorado serrano se encontra na terceira divisão catarinense de fato, que tal como aqui terá a infâmia de se chamar “Segundona”. E, como sempre, já começaram a circular pela cidade boatos de que empresários e a Prefeitura pretenderiam assassinar de vez o Inter para fundar um LAGES F.C. ou qualquer coisa assim sem alma nenhuma para representar a cidade no estadual de futebol, o que deixou RESSABIADA a nação colorada que teima em existir e amar o clube que cresceram apoiando. Por isso, está circulando na internet, com uma relativa grande exposição na mídia até, uma PETIÇÃO PÚBLICA – já com mais de 850 assinaturas – pela recuperação do Inter, e contra qualquer possibilidade de um time de empresários ou de um clube artificial para se tornar cabo político.

Se você, como nós, apóia o Inter de Lages e a batalha de seus fiéis torcedores, assine, e faremos de lá um exemplo da luta dos clubes de verdade contra empresários e políticos que só buscam a auto-promoção por meio do futebol, esse mal que tanto ASSOLA o interior atualmente:

-> http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=interlgs

O outro caso do post vem do Sul do estado, mais precisamente de Tubarão, terra do clube mais antigo em atividade em Santa Catarina, o Hercílio Luz. O Leão do Sul também foi o primeiro clube catarinense a participar de competições nacionais, além de ostentar em sua Sala de Troféus os dois estaduais que consquistou nos anos de 1957 e 1958, os primeiros de uma agremiação da Região Sul.

Esquadra hercilista de 1963, quando o Atlético nem sonhava em existir

O sucesso do clube que revelou Zenon para o mundo durou até o início da década de 90, quando acabou rebaixado pela primeira vez à segunda divisão, mais ou menos na mesma época em que o seu rival local, o Ferroviário, campeão estadual de 1970, fechou as portas por conta de suas dívidas, em 1992, e começou a salada de frutas. Dos restos mortais do Ferrão, então, nasceu o Tubarão Futebol Clube, mantendo os sócios, o patrimônio e tudo o que fosse possível do falecido.

Com o futebol tubaronense definhante, surgiu a “brilhante” idéia: o Hercílio abria mão de seu futebol profissional, se licenciando, a partir de 1994, por 10 anos, abrindo espaço para que o novo clube, que levava o nome da cidade e não tinha dívidas, pudesse concentrar todos os esforços e recursos locais. Além disso, também cedia o seu estádio, o Aníbal Torres Costa, o maior de Tubarão, para o novo clube, que em dois anos de vida já havia conquistado uma vaga na Primeira Divisão e não podia mandar os seus jogos no seu Domingos Gonzales, localizado a poucas quadras de distância, por seu tamanho diminuto . Em troca, o Peixe seria responsável por pagar todas as dívidas que assolavam o Leão e que, mais dia menos dia, acabariam por levá-lo ao mesmo fim do Ferroviário.

A coisa até funcionou por um tempo. O Tubarão FC, que com o tempo foi fazendo ainda mais melhorias no estádio, construindo novas arquibancadas e expandindo-o para 15 mil lugares, venceu três turnos do CATARINÃO em 1996, 1997 e 2001 e, essa vocês vão lembrar, chegou a disputar a Copa Sul em 2002 como um dos 4 representantes julianos. Porém, em 2005, também assolado por dívidas, o Tubarão FC também fechou as portas, devolvendo o estádio Aníbal Torres Costa ao Leão sem pagar as dívidas que havia prometido e, mais do que isso, perdendo o seu próprio estádio Domingos Gonzales para a Prefeitura.

Aproveitando-se da brecha, nasceu então mais um novo clube na cidade, o Cidade Azul, que depois se transformou em Clube Atlético Tubarão, que manteve as cores do Peixe e passou a atuar no estádio do quase homônimo, alugado até hoje praticamente de graça pela Prefeitura. Três anos depois, retornou ao futebol profissional também o Hercílio Luz, fazendo com que a cidade voltasse a ter dois clubes  de futebol, com ambos na segunda divisão.

No meio dessa SALSA toda, nos últimos anos nenhum clube tubaronense conseguiu o acesso ao CATARINÃO, o quelevou as brilhantes autoridades políticas e empresariais locais a “sugerirem” uma fusão entre os três clubes, realizando o sonho dos engravatados de um clube único na cidade para o qual ninguém iria querer torcer. A idéia deles é simples: O Hercílio e o Tubarão/Ferroviário, campeões estaduais e repletos de história, entram com a bunda, enquanto o Atlético Tubarão/Cidade Azul, com SEIS ANOS DE EXISTÊNCIA, entra com o pau, para formar um FC Tubarão insosso com as cores, a diretoria e tudo mais do clube caçula, que seria agigantado roubando o patrimônio do Hercílio, que deixaria novamente de existir.

Mais do que uma proposta, o processo é de total FRITURA do Leão do Sul, com os políticos locais, ansiosos por um cabo eleitoral do tamanho de um clube tubaronense na Primeira Divisão, executando um terrorismo psicológico na imprensa e na sociedade esportiva local, jogando a culpa pelo fracasso da cidade no esporte na existência do Hercílio Luz que, segundo esses dementes, só atrapalha a vida do Atlético que, só pra lembrar, tem OITENTA E SETE ANOS A MENOS que o Leão.

Quem se interessou pelo assunto, uma procura rápida no google possibilita um grande ARSENAL de textos sobre o assunto, PIPOCANTE em Tubarão nos últimos meses. Ficam aqui link pra duas entrevistas, apenas, feitas pelo O Esporte, o jornal das capas acima, demonstrando o nível em que a coisa está:

http://jornaloesporte.blogspot.com/2011/11/entrevista_26.html

http://jornaloesporte.blogspot.com/2011/12/entrevista_17.html

Porém, GRAÇAS A DEUS, o Hercílio parece ter aprendido com seus erros e, diferentemente da década de 90, está resistindo bravamente à mais essa tentativa de ASSASSINATO orquestrada pelos poderosos locais, tendo inclusive já oficializado o seu “não” a essa pataquada toda.

http://jornaloesporte.blogspot.com/2012/02/entrevista_11.html

http://jornaloesporte.blogspot.com/2012/02/uniaofusao.html

Interrompemos a nossa cobertura especial da final do PIRATINÃO, mas acredito que foi por um bom motivo. Aos torcedores do Inter de Lages e do Hercílio Luz, um grande abraço e um grito de apoio. Estamos com vocês!

PS: Lá, tal como cá, nada saiu na RBS.

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5 Respostas a Solidariedade aos amigos catarinenses

  1. Sagu diz:

    Buenacho, conheço o Hercílio e é uma das canchas mais bacanas que já vi.
    E o que acho pior de tudo não é nem a RBS ignorar, mas a Federação Catarinense de Futebol permitir uma palhaçada dessas.
    Enquanto o futebol brasileiro continuar essa máfia mercadológica que é, com jogadores sem camisa e empresários engravatados que quase tem orgasmos ao ouvir o som de moedinhas caindo, esse tipo de coisa vai seguir acontecendo.

  2. “PS: Lá, tal como cá, nada saiu na RBS.”

    É a frase que resume tudo. Baita assunto trazido à tona, Daroit.

    De quem já viveu algo parecido com a bizarra Associação Caxias, nos anos 70. Graças ao bom PAAAAAAI (by Inri Cristo) teve gente com cabeça e trouxe o Juventude de volta à ativa naquela época.

  3. Não vamos deixar o Inter morrer. Ano passado, mesmo na terceirinha, chegamos a colocar 2.800 pagantes num jogo (mais de 3 mil presentes) e fechamos com média, em casa, de 1700. O jogo com menor público do Inter em casa teve 800 pagantes. O melhor público dos outros times em casa não chegou a isso. E força ao bravo Hercílio (se não me engano, na foto de 1963, o penúltimo em pé é Walmir Louruz). Viva o futebol de verdade!

  4. Marcos Macaco diz:

    Todo apoio aos times de tradição e torcida apaixonada que precisam ter apoio maciço da comunidade e poder público locais, pois estamos falando de patrimônio histórico de uma cidade. As Federações estaduais são coniventes com a criação de novos clubes que são utilizados como vitrines e balcão de negócios, ignorando a verdadeira paixão de nós torcedores e que movem nossos clubes de coração. Como Pontepretano apoio esta causa e me uno ela pois a Federação Paulista, que eu chamo de “Paulistana” tem olhos apenas para os 4 de SP.

  5. Patrick diz:

    Ótimo que esteja repercutindo também entre nossos irmãos do lado de lá do rio Pelotas a iniciativa da torcida (e só dela) de tentar reerguer nosso amado Inter de Lages. Chega de time cabo eleitoral! Times sem alma não passam de projeto de marketing! A elite que nos aguarde: nós vamos voltar. E toda sorte ao bravo Hercílio Luz. Digam não à fusão!

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