E.C. Novo Hamburgo (2)1×1(3) S.E.R. Caxias – Estádio do Vale – Final da Taça Piratini – Gauchão 2012

Antes de abrir de fato a crônica da final da Taça Piratini de 2012, gostaria de recomendar uma leitura:Caxias vence primeiro turno e prova que o gauchão segue vivo, que foi a cobertura do portal Sul 21, assinada por Igor Natusch. Sei que fiz isso esses dias com o texto Not like a Rolling Stone“, do Impedimento.org, mas entendam que não consigo colocar no papel minhas idéias tão bem quanto esse povo. Acho que de alguma maneira eles lêem meus pensamentos. Enfim, segue o paragrafo introdutório, com o link pra leitura completa. É um texto Toda Cancha, com certeza.

“Não foram poucas as vezes em que o Gauchão viu-se jurado de morte. Após longas décadas nas quais carregou consigo a alma e a beleza do futebol do Rio Grande do Sul, o Campeonato Gaúcho viu-se relegado à margem, tratado como um incômodo para os dois grandes clubes da capital, que de qualquer modo sempre acabavam levando a taça para casa. Perdeu seu espaço nobre no calendário, forçado a esgueirar-se nos intervalos das competições nacionais e a sujeitar-se às conveniências da dupla Gre-Nal. De orgulho do nosso futebol, o Gauchão virou um incômodo, praticamente um moribundo, digno da complacência que destinamos aos que estão prestes a partir desta para melhor. Não faltaram – e não faltam – pessoas que apontassem para o buraco aberto na terra e dissessem ao Gauchão que não dava mais, que tinha chegado a hora de aceitar a própria morte e deitar na cova de uma vez por todas.” Leia mais

Do jogo:

O Caxias entrou em campo elétrico, embalado pela presente torcida. O equilibrado primeiro tempo começou a pender para o lado grená quando Vanderlei, aos 24 minutos, ACONCHEGOU a bola no peito, e com extrema elegância, colocou ela para dormir nas redes de Martini. Um a zero Caxias, que passou a ditar o ritmo do jogo, sempre esbarrando no ótimo time do vale dos sinos.

No prolongado intervalo ocasionado pela espera do retorno da ambulância (está tudo ok com o torcedor encaminhado ao hospital – algo relacionado a pressão alta ou maionese que desandou, não sei bem), o time de Novo Hamburgo reencontro o rumo que havia perdido após o gol.

Mendes, o cabeça enfaixada. Foto: Mauricio Concatto/O Caxiense.

A pressão inicial do segundo tempo premiou os donos da casa: no gol mais CANTADO da história do gauchão 2012, o MONSTRO Márcio Hahn colocou a bola na enfaixada cabeça de Mendes, que deslocou Paulo Sérgio. Êxtase dos calçadistas. A partir deste momento eu não vi mais o jogo, fui MEDITAR atrás das arquibancadas, não queria ser o próximo a ir pro hospital. Me falaram que o Novo Hamburgo seguiu na pressão, com ESTOCADAS esparsas do Caxias. Enfim, PÊNALTIS.

E pênaltis, Caxias e gauchão se cruzam novamente. MACAIBA corre, chuta e coloca caprichosamente para fora. Explosão da massa grená. Mateus, para não ficar pra trás, faz o mesmo e a fé é restaurada no torcida do Nóia. Pedro Silva e Michel convertem, e o DEUS Paulo Sérgio segura a bola chutada por Claiton, como um pai segura um filho. Umberto para o Caxias e Marlon para o Nóia convertem. Paraná faz e coloca a pressão na cachola enfaixada de Mendes, o carrasco dos serranos. Tal qual Roberto Baggio em 1994, a bola ganhou os céus, o sofrimento deu lugar a crença por dias melhores e as lágrimas abundaram, seja de alegria pelo objetivo alcançado, seja de tristeza pela certeza de ter visto o cavalo passar encilhado e não ter montado.

Como diria Mateus, do Caxias: Passa a conta e fecha a régua, Caxias campeão da Piratini e na Finalíssima do POLENTÃO BRUSTOLADÃO 2012.

Da massa:

A torcida da casa, ainda que tímida, compareceu e mostrou a que veio com seus BASTÕES INFLÁVEIS, principalmente após o empate do Nóia. Sobraram alguns espaços no pavilhão, mas tenho certeza que com uma rotina um pouco mais extensa de decisões e boas campanhas do Novo Hamburgo, serão preenchidos.

Foto: Ramiro Furquim/Sul21.

A torcida grená, como prometido, compareceu em excelente numero, deixando O ESPETÁCULO muito mais bonito. Incansáveis, embarrados e confiantes, foram premiados ao final da jornada com o título, a vaga na Copa do Brasil 2013 e muito chopp e marchinhas de carnaval no estádio Centenário, na bonita festa que durou até as 6 da manhã (hora que eu fui embora – ainda tinha muita gente lá).

Ficha técnica:

Novo Hamburgo 1  (2) X 1 (3) Caxias

Novo Hamburgo: Eduardo Martini; André Paulino, Alexandre e Luis Henrique; Marlon, Márcio Hahn (Pedro Silva), Pedrinho (Claiton), Zaqueu e Leandrinho (Paulinho Macaíba); Mendes e Juba. Técnico: Itamar Schulle

Caxias: Paulo Sérgio; Michel, Lacerda, Jean e Fabinho; Umberto, Mateus, Paraná e Wangler (Juninho); Caion (Rafael Santiago) e Vanderlei. Técnico: Paulo Porto

Local: Estádio do Vale, em Novo Hamburgo (RS)
Data: 29 de fevereiro de 2012, quarta-feira
Horário: 22h (de Brasília)
Árbitro: Leandro Vuaden
Auxiliares: Altemir Hausmann e Marcelo Barison
Cartões amarelos: Zaqueu, André Paulino, Claiton (Novo Hamburgo) e Michel, Mateus, Fabinho (Caxias)

Gols: Caxias: Vanderlei, aos 24 minutos do primeiro tempo. Novo Hamburgo: Mendes, aos 16 minutos do segundo tempo.

Enfim, agradeço a todos que tornaram essa jornada esportiva do primeiro turno do campeonato gaucho inesquecível. Provavelmente escreverei algo sobre a conquista do Caxias essa semana e posto aqui. Longa vida ao interior, longa vida ao futebol.

Tiago Zilli.

Publicado em Caxias, Gauchão 2012, Novo Hamburgo. ligação permanente.

9 Respostas a E.C. Novo Hamburgo (2)1×1(3) S.E.R. Caxias – Estádio do Vale – Final da Taça Piratini – Gauchão 2012

  1. Apesar da frustração, há de reconhecer que foi um baita jogo.

    Velho bordão que segue agora, mas se não esbanjou técnica, sobrou empenho.

    Pelo lado do Noia, há de se lamentar a ausência de um armador no jogo mais importante dos últimos anos do time.
    Depender do terrível Leandrinho não tem como.

    Fiquei comovido com a partida do Márcio Hahn. Jogou demais. Marcou muito e foi o responsável por organizar as jogadas no primeiro tempo. No segundo, cresceu de produção com a entrada do Clayton (que sobrou no jogo e fez um lançamento espetacular) e foi coroado com um passe para o gol de empate.

    Até agora fico pensando por que pararam de pressionar depois do empate, quando tinham tudo para virar o jogo. O medo de se expor acabou abrindo o caminho pros penaltis.

    E os penaltis, nesse jogo, foram longe de ser loteria.

    Ao menos perdeu para um time tr00, que lotou o seu espaço e durante todo o turno mostrou um futebol consistense.

    O foda é que uma chance como essa vai demorar muito para aparecer de novo.

  2. O foda é que uma chance como essa vai demorar muito para aparecer de novo. [2]

    Nóia mais uma vez perdeu uma chance de FAZER HISTÓRIA, mas o time não pode SE PERDER NO CAMPEONATO, a Série D é algo TOTALMENTE possível

  3. tiagozilli diz:

    Olha, pelo que apresentou ontem a REVANCHE no segundo turno pode acontecer, heinho?

  4. Jaime diz:

    Novo Hamburgo não virou pelo mesmo motivo que perdeu nos pênaltis: sobrou afobação e faltou perna.

    No primeiro tempo, especialmente depois do 1×0, o time correu alucinadamente, enquanto o Caxias segurava mais a bola e se postava melhor em campo. Na BLITZ de 15 minutos que resultou no empate, o Nóia correu alucinadamente de novo, e no resto do segundo continuou melhor, mas não tinha tanta força pra pressionar.

    Marcio Hahn saindo do jogo sem condições de ficar em pé depois de correr, brigar e jogar pra caralho foi o símbolo da noite anilada.

  5. Jaime diz:

    No final do segundo tempo, inclusive, o Caxias começava a tomar conta do jogo, enquanto o Novo Hamburgo se arrastava. Se tivesse prorrogação creio que o Caxias levava também.

  6. Weber diz:

    Não é mais Marcio Hahn, agora é Marcio Leão.

  7. Weber diz:

    Marcio, o Leão do Vale.

  8. Marcelo Alves diz:

    Vamos incomodar e bastante no segundo turno….VAMOS MEU NOIAAA !!!!…nada esta acabado….

  9. Chico Luz diz:

    uma coisa tem que ser dita: o Itamar Schulle tem um complexo de auto-boicote incrível.

    Ano passado, conta o Ju na semi da FGF, ele foi mudar o time justamente no jogo no Jaconi. Tomou 3 a 0 na cola.

    Quarta, sem Chicão, colocou mais um zagueiro e deixou a defesa totalmente perdida – o número de vezes que o ataque do Caxias entrou nas costas do Alexandre e Luís Henrique é a prova, e esse setor só melhorou depois da saída do Pedrinho.

    Outra: querem punir o Clayton, tudo bem. Mas façam isso em qualquer jogo, MENOS em uma final. Tu não pode prescindir de talento na decisão, e o Noia escolheu isso voluntariamente. Ou então que mantivessem o Juninho, sei lá, qualquer coisa – mas não inventar um fato novo na hora h.

    Ainda assim, o anilado jogou DEMAIS no segundo tempo, Márcio Hahn foi um monstro e o Caxias foi um merecido campeão.

    Que Gauchão sensacional.

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