Taça Farroupilha – Inter 2 x 1 Ypiranga (Estádio Beira-Rio)

Trajando amarelo, sentado na frente do portão 3 do Beira-Rio, eu matutava por alguns minutos sobre as chances do Ypiranga frente ao desafio de fugir do rebaixamento. A Taça Piratini, apesar do previsível fracasso, já havia sido um pontapé na esperança de qualquer torcedor. Modestamente, eu fazia parcos cálculos mentais enquanto sorvia uma Heineken guéla abaixo. Um empate contra o Inter, fora de casa, estaria de bom tamanho – pensava. Mas, segundos antes de ingressar no estádio, os fones de ouvido anunciaram que o Caxias acabara de perder um pênalti nos acréscimos, fato que consumou a vitória do Avenida – adversário na luta contra o rebaixamento -, em jogo realizado em Santa Cruz. Mais uma vez, a salvação do Ypiranga tornava necessários contornos dignos de uma narrativa épica.

Passei pelas catracas e implorei ao inesperado por uma vitória. Tudo ia mais ou menos bem: Vizotto fazendo grandes defesas, Anderson Santos tirando a bola com os braços de cima da linha, num ímpeto à la Luizito Suarez. Até que Oscar cobrou falta e abriu o placar. Antes, Bérgson já havia deixado o campo com lesão muscular. Mal havia recolocado os olhos no campo, após lamentar o gol colorado, quando Anderson Santos – é bom frisar, compõe boa dupla de zaga com Éder Gaúcho – testou a bola contra as redes e empatou o jogo. Festa canarinho e vaias para o Internacional na saída para o intervalo. No segundo tempo, entretanto, Damião chutou duas vezes para marcar o gol da vitória do Inter, logo aos 19 minutos. Depois disso, o jogo se arrastou lentamente, com algumas chances para cada lado e péssima arbitragem de Roger Goulart (errou insistentemente para os dois lados: não expulsou Bolatti, não marcou pênalti quando Anderson Santos salvou com a mão e ignorou falta dentro da área em Lucas Silva, já nos acréscimos). Leocir até arriscou, chegando a terminar com três atacantes em campo: Rodrigo Jesus, Tiago Duarte e Lucas Silva. Apesar da insistência, mais uma vez o Ypiranga deixava o campo sem pontuar.

Agora, os cálculos ficam por conta do técnico canarinho. Segundo ele, são necessárias três vitórias em casa (São José, Canoas e São Luiz) e, pelos menos, uma fora para escapar do rebaixamento. A campanha começa no domingo, no Colosso da Lagoa, contra o São José. Oremos.

Gurizada vestiu a amarelinha e foi vibrar com o Ypiranga no Beira-Rio

Equipes

O Ypiranga entrou em campo com sete modificações em relação ao time que estreou na Taça Piratini, contra o Caxias, no final de janeiro. Além disso, Leocir Dall´Astra fez seu primeiro jogo no comando técnico da equipe. Dos titulares que iniciaram o campeonato, apenas o goleiro Vizotto, o zagueiro Éder Gaúcho e o lateral Cléber Luis permanecem entre os onze. O meia Edinho, cumprindo suspensão, não jogou e fez falta na armação das jogadas. Vizotto, fato constante, foi o melhor em campo.

No time da capital, D´Alessandro, também machucado, foi poupado para a Libertadores. João Paulo jogou no seu lugar, mas não incomodou a defesa do Ypiranga. Bolatti, já com amarelo, fez falta dura ainda no primeiro tempo, impedindo contra-ataque. Merecia ter sido expulso. O péssimo árbitro Roger Goulart arregou e não mandou o argentino pra rua.

Torcidas

Éramos, no máximo, vinte bravos torcedores do Ypiranga nas arquibancadas do Beira-Rio. Desses, uns cinco tinham menos de dez anos de idade e deram pouca importância ao jogo.

Do lado do Inter, a presença também foi pequena. O público total foi de 5.792 torcedores.

Ficha

Inter: Muriel; Elton, Bolívar, Rodrigo Moledo e Kleber; Bolatti (Nei, no intervalo), Sandro Silva, Oscar e João Paulo (Dátolo, no intervalo); Dagoberto (Marcos Aurélio, 21′ do 2T) e Leandro Damião. Técnico: Dorival Júnior

Ypiranga: Vizotto; Jefferson, Anderson Santos, Éder Gaúcho (Mateus Magro, 11′ do 2T) e Cléber; Pansera (Lucas Silva, 26′ do 2T), Almeida, Evandro e Ederson; Tiago Duarte e Bergson (Rodrigo Jesus, 21′ do 1T). Técnico: Leocir Dall’Astra

Gols: Para o Inter, Oscar (29’ – 1T) e Leandro Damião (14’ – 2T) | Para o Ypiranga, Anderson Santos (32’ – 1T).

Cartões amarelos: Almeida, Jefferson, Pansera (Y), Bolatti, Dátolo, Elton (I).

Arbitragem: Roger Goulart, auxiliado por Sedenir Martins e Antônio César Padilha.

Com os dedos em riste clamando por um milagre,

Luiz Eduardo Kochhann

Publicado em Gauchão 2012, Ypiranga. ligação permanente.

Um comentário em Taça Farroupilha – Inter 2 x 1 Ypiranga (Estádio Beira-Rio)

  1. beretta diz:

    Que sensacional essa piazada usando a camisa do Ypiranga! Genial!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *