Quando o torcedor vira refém do palhaço que veste sua camisa

Sim, já passaram quatro dias do fiasco. E só agora começo a me sentir apto a elaborar algumas linhas sem que todas elas estejam repletas de palavrões e desejos de que o ônibus do clube caia ribanceira abaixo de alguma curva na serra com os protagonistas do pastelão revisitado de 2008.

Athos, de referência técnica à símbolo do bundamolismo no Jaconi (fonte: Pioneiro.com)

Simplesmente nada se aproveita da TAMANCADA sofrida no Beira-Rio no último dia 10. Pra não ser injusto, salva-se apenas o jovem goleiro Follmann, que finalmente teve sua chance entre os profissionais – se é que podem ser chamado assim uma RENCA que sequer faz jus ao salário que recebe no final do mês – e infelizmente carregará em seu currículo esta mancha.

Após a partida, ainda no vestiário visitante, treinador e presidente do Juventude falaram o que o torcedor queria ouvir, porém as ações concretas que ocorreram na segunda-feira – dispensa de SETE (ironia do destino?) jogadores, sendo que apenas dois em campo na PATUSCADA – acabaram transformando toda aquela indignação em pirotecnia. É sabido que é inviável economicamente para um clube, ainda mais do interior, arcar com dispensas em massa, mas o corte ainda precisa ser mais fundo. Boatos dizem que ele virá ao final do que resta do Gauchão para o o clube. E antes da série D.

A digna recepção a um time sem vergonha na cara. Fonte: Pioneiro.com

A pergunta segue no ar: se o time foi de “mamãezinhas”, como singelamente definiu o presidente Demore, qual o adjetivo que deveria ser usado para definir quem o montou e quem quem o comandou na oportunidade?

Para finalizar, reitero aqui o que já escrevi, num tom obviamente mais áspero para os colegas do Toda Cancha após a partida, porém de forma que possa ser publicado: não há lugar para corpo mole no futebol, seja ele em que nível for. Nenhum jogador tem o direito de fazer seu torcedor passar vergonha. Nem de enlamear a imagem de seu clube em rede nacional.

Não exijo que meu clube vença sempre, até porque tenho noção do tamanho do Juventude, especialmente nos dias atuais. Mas posso assegurar a qualquer um que nem a vertiginosa queda de divisões do clube nos últimos anos me humilhou tanto como o jogo passado, a exemplo do que já havia ocorrido na final do Gauchão 2008. Só o que o torcedor quer é que quem esteja em campo, ao menos naqueles noventa minutos, desempenhe seu papel como se torcedor fosse. Ao menos em respeito ao torcedor que está no campo. Seja uma multidão, sejam algumas testemunhas.

E só o torcedor sofre a dor da humilhação. Fonte: Pioneiro.com

Não acredito que seja pedir demais. Mesmo nos tempos atuais. Caso contrário, infelizmente chegarei à conclusão de que Bill, centroavante justamente dispensado pelo Glória poucos dias atrás, é quem tem a razão.

Humilhado e desesperançoso com o futuro próximo,

Franco Garibaldi

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