Qual o mérito da entrega?

Nesse mês de Março fomos surpreendidos com duas goleadas sonoras da dupla Gre-Nal sobre dois bons times no Gauchão: Novo Hamburgo, 5×0 para o Grêmio, e Juventude, 7×0 para o Inter. Não apenas as goleadas foram inesperadas como também a maneira com que as equipes do Noia e do Juventude se postaram durante os 90 minutos. A derrota para um time titular da dupla não é o mais lamentável – longe disso, sabemos da diferença e é justamente isso que tentamos diminuir – mas a maneira como ocorreram nos faz refletir sobre outro ponto: o ato de entregar.

Itamar Schulle foi demitido com aproveitamento alto e sendo vice no primeiro turno.

Antes de tudo, sempre é bom lembrar que não estou acusando jogadores das equipes, treinadores ou dirigentes, só quero explicar o que fica parecendo para o torcedor comum, nesse caso que não torce pros dois times citados, mas que apoia sempre que pode. Na minha visão, nada mais foi do que dois jogos onde os jogadores não quiseram ganhar, pelo contrário, fizeram questão de perder. Ainda que a derrota fosse ruim, as grandes diferenças de gols fizeram um estrago muito maior tanto no Novo Hamburgo, que teve Itamar Schulle demitido com quase 72% de aproveitamento, quanto no Juventude, que teve sete jogadores e o preparador físico afastados. A pergunta que fica é básica: qual o mérito dos jogadores caso tenham, de fato, entregado o jogo?

Querendo nós ou não, hoje a maior mídia dos clubes gaúchos são os jogos contra os grandes de Porto Alegre que recebem grande cobertura no Rio Grande do Sul e no Brasil, seja no rádio, na televisão ou internet. Pensando nesse ponto, no justo momento onde o clube, os patrocinadores e os jogadores mais apareceriam em cenário gaúcho e nacional, o time decide que ali vai entregar, fazer o famoso “corpo mole”. Seja pelo motivo que for – boatos dão conta que os salários do Novo Hamburgo estão atrasados e que os jogadores do Juventude queriam derrubar o treinador Alexandre Barroso – não se deve entrar em campo com esse pensamento, muito menos num jogo tão importante e que pode ser o diferencial entre o destaque e o fundo do poço no campeonato. Repito: não digo que realmente aconteceu, mas é o que grande parte das duas torcidas tem certeza que aconteceu – e com a razão de suspeitar.

Diretor de futebol do Juventude, Luiz Ghiotti, ao oficializar os afastamentos.

A única coisa que posso fazer hoje é lamentar – e reclamar – da postura que os jogadores do Novo Hamburgo e Juventude tomaram nessas duas partidas. Essa é a hora de dar o 1% a mais dos 100%, é a hora de correr pelo ano todo e mostrar que sim, naqueles dois clubes existem jogadores com futuro, com talento e com orgulho de vestir a camiseta. A primeira final foi nossa, de todos que apoiam o interior, entre Caxias e Novo Hamburgo, por que não a segunda final e a decisão do Gauchão também não podem ser? Mesmo com a diferença de orçamentos e nível técnico entre a dupla e os demais, não é impossível. Basta realmente querer, trabalhar duro para isso e, é claro, evitar sempre esse tipo de atitude ao entrar em campo.

Se realmente entregaram, não vamos saber, mas que a dúvida afeta o psicológico do torcedor, isso afeta.

Toco y me voy
Douglas Beretta

Publicado em Gauchão 2012, Juventude, Novo Hamburgo com as tags , , . ligação permanente.

2 Respostas a Qual o mérito da entrega?

  1. Gustavo diz:

    e pau no cú do futebol murrinha!
    jogador que não entra pra ganhar, pra mim, não devia nem pisar no gramado.

  2. Os jogadores continuam fazendo isso porque sabem que quase sempre a corda arrebenta do lado do pofexô. Teve isso aqui em Minas ano passado, aquelas goleadas estranhíssimas do Cruzeiro no América de Tchó Tchó. Não existe um time do interior que mata CEM leões no campeonato chegar numa semifinal e tomar OITO GOLS EM CASA de um time da capital.

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