Santo Ângelo 0 x 1 Juventus: SER ou não SER, eis a Segunda Divisão.

Muito se pode retirar de dizeres arrastados por caminhões que se esvaem no horizonte, escoltados por frases feitas, rimas ricas, de duplo sentido, ou carregadas de ditados cristalizados na cultura popular. Não é incomum que os olhos do transeunte capturem ser ou não ser, eis a questão, e antes de pensar a respeito já possa ensaiar um sorriso, que se pretende choro, com a também familiar é pra que digam quando eu passe, saiu igualzito ao pai. De fato, o mundo é rodoviário, cheio de sentidos e rasteiro. Num par de abrir-fechar de olhos foram disputadas dez rodadas da Divisão de Acesso. Nesse enredo, a SER Santo Ângelo é humana, precisa superar um dilema e, de lambuja, seguir o caminho de volta à primeira.

RODADA Nº DEZ

A noite do último domingo foi de clássico regional no Estádio da Zona Sul, e a lógica apontava o Quadricolor como favorito. Já na sexta-feira santa um bom agouro agitava a Capital das Missões, era a notícia de que um filho da terra acabara de enricar acertando solito no más os seis números da Dupla Sena. Como era de se esperar, o macanudo ainda não tinha aparecido. As dezenas foram seis, o jogo era no sétimo dia da semana, mas o domingo era de ressurreição e o adversário agonizava num calvário iluminado pela lanterna, sem vencer ninguém na competição. Sorte no jogo, azar no jogo. Será?

PARTE [1]

A partida foi marcada pelo nervosismo e por um equilíbrio que contrastava com a posição das equipes na tabela de classificação. O conjunto missioneiro era o ponteiro do grupo e o Verde-Rubro de Santa Rosa o último da chave. No entanto, se tratava de coisa muito séria, era um clássico regional, eram duas forças do noroeste do RS nas quatro linhas. Além disso, como nesse mundo nada é coincidência, o signore santa-rosense jogava para deixar a rabeira do nosso calcio para o rossoneiro castilhense, situação quase análoga a atual briga intestina pela ponta na velha bota (risos). A primeira etapa transcorreu com oportunidades para os dois lados, o diferencial foi uma bola no poste chutada pela SER. O clima da disputa ficou tenso, quando no final do primeiro tempo o árbitro mandou o zagueiro Rodrigo Ramos pro chuveiro mais cedo. O jogador foi penalizado por um arranca-rabo com um adversário. Estavam programados quatro minutos de acréscimo, mas logo depois de reiniciada a partida o homem de preto apontou o centro de campo. Muita reclamação dos missioneiros.

PARTE [2]

Na volta do intervalo o goleiro juventista recebeu cartão amarelo por fomentar a discórdia ao término da primeira parte. Com dez homens na cancha, a SER se organizou em duas linhas de quatro e deixou um solitário na frente. Por sua vez, os santa-rosenses aproveitaram a vantagem numérica e foram ao ataque. Depois de chances desperdiçadas pelos dois times, aos 42’ Adriano Paulista invadiu a área missioneira e foi derrubado, tiro livre da marca da cal! Mano Garcia foi encarregado da cobrança e converteu para os visitantes. A peleia seguiu e foi só confusão. Era gandula prometendo a autoridade do apito, chegadas ríspidas no gramado e o time visitante amorcegando o jogo. No último movimento, Ceccon cobrou falta sem precisão. Fim de jogo.

UM CRISTO ENTRE AS TRAVES?

O jogo se encaminhava para o final quando, em jogada na área pequena, Éder Ceccon chocou-se com o arqueiro verde-rubro. O encontro, num primeiro momento, pareceu ter conseqüências trágicas para o guarda-valas  santa-rosense Luciano que deitado no gramado era só treme-treme. E de tudo se pensou nesses instantes, ambulância e médico em campo, suspeita de convulsão ou crise epilética. Como por milagre da ressurreição, o dito voltou ao normal gozando de uma condição de jogo costumeira aos experientes. Não se pode ser leviano com a saúde alheia, mas a cena foi inusitadamente suspeitosa. E afinal, o Oscar vai pra quem mesmo?

SER Santo Ângelo com a corda esticada. Foto: Jornal das Missões.

A CAMPANHA (OU O TIME QUE NUNCA EMPATOU)

Na segunda posição da chave 2 com dezoito pontos, a SER tem seis vitórias e quatro derrotas. O time de Santo Ângelo não igualou nenhum jogo no certame. Além de voltar a ganhar em casa, o Quadricolor Missioneiro precisa somar pontos fora, até agora foram apenas três contra o próprio Juventus, em Santa Rosa. Na próxima rodada, quarta-feira, a SER será visitante contra o União Frederiquense, no Vermelhão da Colina. O time de Frederico Westphalen é o líder do grupo e o jogo vale a ponta. Ainda é jogada a primeira fase, no entanto o conjunto santo-angelense precisa mostrar até onde pode chegar na competição. O domingo pós-paixão foi de confusão, mas não se pode sonegar que faltou futebol para uma melhor sorte.

SANGUE NOVO NA TRINCHEIRA

Além da derrota em casa, a SER perdeu o seu artilheiro Eder Machado, por contusão pelas próximas duas semanas. Mesmo antes dessa baixa já estava acertada a chegada de reforços à Zona Sul, como o zagueiro Márcio Nunes, vindo do Esporte Clube Avenida, e o centroavante Sharlei, que disputou o Gauchão 2012 pelo São Luiz de Ijuí.

Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay,

Balejos

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Um comentário em Santo Ângelo 0 x 1 Juventus: SER ou não SER, eis a Segunda Divisão.

  1. zezinho diz:

    Luciano, maior goleiro anão que já esteve nesses pagos. Certamente subiu aos Céus durante o tempo em que caiu desacordado e voltou à vida para defender a meta do Juventus.

    Preciso conhecê-lo pessoalmente

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