Caiu a casa lajeadense

A péssima campanha do Lajeadense na Taça Farroupilha, em grande parte motivada pela inoperância de seu ataque e seu meio-campo ofensivo, além de um novo estádio nada convidativo ao apoio (isso fica pra um próximo post), acabou não apenas eliminando o clube da sequência do certame. Sem muito o que fazer até agosto, quando começa a Copa Hélio Dourado (de novo nome de gente ligada a Inter e Grêmio? uau, que inesperado), e, pelo conservadorismo da direção, sem dinheiro em caixa, a comissão técnica e praticamente todos os jogadores foram liberados para procurar novos clubes. Chegou ao fim o ciclo iniciado em 2010, na Segundona, um dos mais, se não O mais bem-sucedido da história alviazul.

Acabou. Foto: O Informativo do Vale.

Até agora, de realmente confirmado, deixaram Lajeado o grande treinador Ben Hur Pereira, o fisioterapeuta Bruno Petry, o eterno preparador físico Florindo Ghidini, presente em todos os grandes momentos do clube nos últimos 25 anos, e o que seja talvez o maior goleiro da história do clube, Fernando Miguel, emprestado até novembro para o Juventude, com opção de compra. Além deles, já haviam deixado o Alviazul rumo ao Acesso o zagueiro e ex-capitão Bruno Sá (pro maldito Guarani-VA), o zagueiro Gonçalves e o volante Tomazinho (Milan), e o atacante recém-formado na base Tiago Leonço (Glória).

Mas não para por aí. De todos os jogadores com contratos encerrados em abril, apenas o até então terceiro goleiro Paulo Henrique, Micael e Bindé devem receber ofertas de renovação. Os outros todos (Gallas, Charles, Baroni, Juca, Moacri, Ramos, Mateus Bolão, Tales, Willian, Juninho, Adriano, Osmar, Robert, Jandson e Jean Silva) deverão deixar o clube, ou por não terem agradado ou por terem recebido ofertas de outras equipes.

Entre os que ainda mantém vínculo com o clube até, pelo menos, o final do ano (Fernando, Celsinho, Gabriel, Rudiero e Bruninho), todos com grande cartaz no mercado, a tendência é repetir o que foi feito com o arqueiro, emprestando-os a clubes de maior expressão, que disputem alguma divisão do Campeonato Brasileiro. A idéia é manter os atletas em atividade, sem obrigá-los a parar por 3 meses, e também livrar o clube de seus altos salários. Depois, ou retornam para o Lajeadense, onde são muito benquistos por todos, ou têm os seus direitos federativos vendidos, gerando dividendos ao Alviazul.

No frigir dos ovos, restarão na folha de pagamento do departamento profissional do clube a partir de maio apenas o preparador de goleiros Cléber Sgarbi, o auxiliar-técnico e ex-capitão alviazul Serginho, e o gerente de futebol Luis Fernando Hannecker, além dos funcionários, jogadores e comissão técnica das categorias de base.

Deixarão saudades. Foto: O Informativo do Vale.

As medidas, radicais, fazem parte do esforço da direção do clube em diminuir a folha de pagamento dos atuais R$150 mil para menos de R$50 mil no segundo semestre.

Diferentemente de 2011, quando entrou na Copinha com um time candidato ao título, dessa vez a competição será utilizada como laboratório. Farão parte da equipe alviazul jogadores que se destacarem no Acesso, mais ou menos como foi feito com Jean Silva, Willian, Michel, Henrique e Juca no ano passado, e os garotos do time júnior, boa parte deles remanescentes da grande campanha do clube na última Taça BH, que finalmente receberão a chance de atuar pelo time de cima. Mais do que tudo, a Copinha se tornará um grande vestibular, no qual os aprovados ajudarão a compor o elenco para o próximo Gauchão.

Na teoria, tudo faz sentido. É bom para os profissionais, que continuarão evoluindo em suas carreiras em clubes de maior expressão, com competições mais atrativas, e é bom para o clube, que se livra de uma folha inchada para quase 8 meses sem retorno de renda. Mas, na prática, para nós, torcedores, têm sido dias de grande tristeza.

Embora a grande mídia não acredite e insista sempre em tocar na tecla contrária, o futebol do interior não é feito apenas de nômades, que ficam três meses em um clube e pulam pra outro, indefinidamente. Grande parte desses profissionais que hoje deixam o Lajeadense já passavam, pelo menos, dois anos no clube. Alguns, como Ghidini e os jovens da região Gabriel e Bolão, então, já frequentavam o Florestal há décadas. Mais do que atletas e técnicos contratados, todos eles já haviam se tornado amigos de todos, habituando-se à comunidade lajeadense, às suas tradições, ao dia-a-dia da cidade e de seus torcedores. Para quem vivia o ambiente do clube, é quase impossível acreditar que o sempre simpático, solícito e extremamente talentoso Ben Hur não havia nascido e vivido em Lajeado durante toda sua vida, que Rudiero não havia sido formado nas CARREIRAS alviazuis, que Fernando não era o goleiro do time há mais de 10 anos, entre tantos outros.

Vai ser duro, mas havemos todos de seguir em frente.

Escrevendo com lágrimas,

Guilherme Daroit

Publicado em Gauchão 2012, Lajeadense. ligação permanente.

2 Respostas a Caiu a casa lajeadense

  1. Bah, cara, que triste isso!

    Esse vácuo de 3 meses fode o interior gaúcho – e de demais estados, claro. Se por um lado engrandece a Segundona, por outro praticamente zera a adrenalina dos envolvidos. Não sabemos como os times se virarão para disputarem a Copinha.

    Também tenho medo quanto ao que acontecerá no Noia. Sou a favor de que se dispute a Copinha para valer. E que nós, torcedores, abracemos os clubes para torná-los sustáveis. Afinal, são nos momentos de fraqueza que os que amam se mostram presentes

  2. Sivinski diz:

    Show de bola o texto Daroit.
    Como o José falou: “são nos momentos de fraqueza que os que amam se mostram presentes”, vamo lá, q é vida que segue. Vamos seguir apoiando o alviazul.

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