Gauchão série A2 – Brasil-Pel 2 x 2 14 de Julho de Livramento (Estádio Bento Freitas)

Eu nem havia saído do campus da UFPel e o Brasil já estava perdendo. Fui mesmo assim. Como torcedor Xavante, já estou bem acostumado a sair perdendo. E com essa experiência eu sabia que o 1 a 0 adverso não seria o placar final.

Cheguei ao estádio. A bola já estava rolando há 15 minutos. Em pouco tempo percebi todo o contexto do jogo: o Brasil havia presenteado o adversário com um gol e agora estava tentando empatar na base do abafa. Era um time nervoso, que errava muitos passes. O 14 de Julho, pelo contrário, se defendia muito bem. Outro ponto a destacar é a perfeição do sistema defensivo em deixar os atacantes em condição de impedimento. Incomodou demais o ataque Xavante. O primeiro tempo foi isto, resumidamente, gurizada: ataque (pouco eficiente e nervoso) contra defesa.

Na segunda etapa, o Brasil voltou um pouco melhor, mas nada muito animador. Porém, o Xavante teria uma grande chance de empatar caso o pênalti fosse marcado. Willian Kozlowski foi empurrado dentro da área. Aliás, nem reclamo muito de penalidades, mas essa foi de concurso. Admito: proferi algumas palavras à mãe do juiz da partida, o Sr. Paulo Gutierrez. Um pouco mais tarde, um balde de água fria na torcida presente. Depois de outro erro bisonho, o 14 de Julho contra-atacou com muita velocidade e Foletti mandou um grande chute – à la Raul Meireles no último jogo entre Chelsea e Benfica. Golaço!

Bah! Apesar de estar acostumado a sair perdendo, eu não acreditava mais no empate. Naquele momento não cometi a insanidade de acreditar numa virada. Ao vermos a forma como a partida estava ocorrendo, ficava claro que seria muito complicado o Xavante marcar gols. Agora com os dois tentos do 14 de Julho, bah, a missão ficou quase impossível.

O rubro-negro de Livramento tinha os três pontos na mão. Bastava seguir se defendendo como antes. E pronto. Porém, entrou em cena o goleiro Yai, do 14. Cerca de 10 minutos após o segundo gol adverso, o Brasil chegou ao empate com Tiago Saletti. Alex Goiano cobrou falta, mandou um forte chute; o arqueiro Yai não conseguiu defender, deu rebote, e a bola sobrou para Saletti empurrar ao fundo do gol. Pouco tempo mais tarde, em outra falta, agora cobrada por Dione, Yai espalmou e Willian Kozlwoski colocou a pelota para dentro do gol. Empate Xavante! O inacreditável aconteceu.

Willian Kozlowski ao empatar a partida. Foto: Carlos Insaurriaga.

Depois disso, eu acreditava na virada. Todos acreditavam. Para melhorar, o nervosismo passou ao time de Livramento. O Brasil estava rondando a área adversária de uma forma impressionante. Escanteios, chutes e faltas a todo o momento. A torcida estava inflamada! Empurrava os jogadores. Era aquele momento do jogo em que até as crianças de colo participavam. “E vâmo e vâmo e vâmo!”, e o time seguia em frente. Apesar de toda a pressão, o 14 conseguiu assegurar o empate. Ao Brasil, ficou o sentimento de que poderia ser melhor, mas, ao mesmo tempo, o reconhecimento pela entrega. A torcida aplaudiu o time. É aquela velha história: sabemos que não temos o melhor elenco do mundo, mas queremos empenho. Isso nós temos, felizmente.

Estamos juntos! Charge de André Macedo.

Com o empate, o Brasil se manteve em segundo lugar da chave 1, com 18 pontos. O próximo compromisso será contra o líder Guarany de Camaquã, no próximo domingo (15), às 19h30.

FICHA:

Brasil: Júlio Cézar; Wender, Uillian Nicoleti(Marquinhos), André Ribeiro e Willian Ribeiro(Tiago Saletti); Rodrigo Dias, Dione, Willian Koslowsky e Alex Goiano; Juninho(Berg) e Javier. Técnico: Luizinho Vieira.

14 de Julho: Yai; Léo Korte, Vando, Nunes e André Silva; Michel, Moisés, João Fernando e Folétti(Léo Paulista); Chipp e Hilton(Vagner). Técnico: Júlio Fuentes.

Gols: Hilton e Foletti (14 de Julho); Tiago Saletti e Willian Kozlowsky (Brasil).

Cartões Amarelos: Uillian Nicoletti e André Ribeiro (Brasil); Vando, Nunes, Moisés, Chipp, Vagner e Hilton (14 de Julho).

Cartões Vermelhos: Chipp (14 de Julho); Tiago Saletti (Brasil).

Arbitragem: Paulo Gutierrez, auxiliado por Vinicius Palau e Rodrigo Tedesco.

“Xavante eu sô, rubro-negroô”,

Pedro Henrique Costa Krüger

Publicado em 14 de Julho, Brasil de Pelotas, Divisão de Acesso 2012. ligação permanente.

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