Gauchão Série A2 – SER Panambi 0 x 0 SER Santo Ângelo (Estádio João Marimon Júnior)

No duelo das “SER’s”, nada aconteceu. No jogo realizado no glorioso estádio João Marimon Júnior, em Panambi, mais conhecido pela alcunha de “Pirata”, ambas equipes buscavam reabilitar-se de dois resultados negativos e voltar a sonhar com a classificação. O que se presenciou foi uma partida sem grandes chances de ambos os lados, com muita movimentação, digna do 0 a 0 sem graça que resume a ópera.

A SER Panambi começou a partida com uma formação diferente do jogo anterior, com o ataque formado por Adão e André Tereza, posicionado mais recuado, quase na meia. Renato deixou a equipe por motivos que ainda não foram explicitados pela direção, porém o atleta deve jogar em outra equipe da segundona. Na minha opinião, uma pena, já que o atleta era um meia qualificado, até mesmo para compor elenco. Com uma meia montada com Toto, mais recuado, Zé Anderson munindo por Jonatã avançando pelo lado esquerdo, este servindo como ponte principal entre a defesa e a meia ofensiva, e Cristiano pela direita, com Cleberson mais recuado, o técnico Bebeto Rosa colocou o que parece ser o melhor dos esquemas ofensivos  para a verde-e-branca. No início do jogo, o Santo Ângelo atacava principalmente pelas laterais, com as boas incursões de Sander, que persistiram durante toda a primeira etapa. O problema para a equipe missioneira era a ineficiência de seus centro-avantes, que incrivelmente eram muito bem marcados pela dupla defensiva da verde-e-branca.

Os primeiros 20 minutos foram de maior pressão da equipe da casa, com ótimas trocas de passes entre Jonatã e Zé Anderson. Cristiano, sem ser alimentado pelo lado direito, visto que o lateral Du não conseguia apoiar com tanta qualidade, buscava o jogo pela esquerda, afunilando a meia e facilitando a marcação. Adão permanecia centralizado (e parado), esperando os cruzamentos que não chegavam, apesar do grande volume ofensivo. André Tereza buscava um pouco mais o jogo, mas sem grande qualidade. A SER Santo Ângelo fez uma marcação circunscrita à área, impedindo a penetração, forçando o ataque adversário a buscar a linha de fundo sob pressão, induzindo ao erro adversário, o que é compatível com o número de escanteios e bolas alçadas sem sucesso por parte da SER Panambi.

A partir dos 20 minutos, a equipe das missões resolveu equilibrar o jogo, atacando com Sander, alçando bolas na área, que raramente encontravam a cabeça dos atacantes. Com a partida equilibrada, Adão passou a sair mais da área, e até conseguiu bons lances, cavando faltas e triangulando, acionando também Cristiano. Contudo, a marcação do Santo Ângelo permaneceu boa, e nenhum lance de real perigo foi criado. No lado oposto do campo, pouca coisa aconteceu. Quando Sander não buscou a bola, muitas vezes a equipe missioneira recorreu ao chutão, deixando os meias Giovani Marabá e Bruno Flores isolados. Ao final do primeiro tempo, o jogo resumiu-se em posse de bola da SER Panambi, mas com pouca objetividade, e o Santo Ângelo apostando em um contra-ataque muitas vezes mal organizado, baseado mais no balão (que lembrava aqueles ‘lançamentos’ que o Muriel ‘tenta’ dar ao Leandro Damião) que na troca de passes em velocidade.

No segundo tempo, a SER Santo Ângelo buscou articular o jogo com seus meias e começou melhor. Aos dois minutos, Marabá recebeu a bola de Sander e deu um chute alto, mas uma das primeiras chances de gol do jogo. A equipe missioneira pressionava a zaga da equipe do Vale das Borboletas, no entanto, quase que surpreendentemente, a zaga tão criticada prevenia os lances de maior risco com notável eficiência.

Aos 13 minutos da segunda etapa Adão sai da partida (não fez grande jornada, mas movimentou-se melhor do que na partida anterior e saiu até aplaudido) para a entrada de Jean. A SER Santo Ângelo não deu bola para a mudança e continuou atacando. Em falta cobrada aos 19 minutos do segundo tempo, o goleiro Daniel da SER Panambi foi obrigado a realizar uma grande defesa. Logo depois, Sander, jogador de boa atuação da equipe missioneira, saiu lesionado.

Para tentar injetar novo ânimo no time panambiense, Bebeto Rosa sacou o lateral Du (que voltava de lesão) e colocou Aleson, jogador de meia. Logo depois Toto puxou um ataque perigoso, passando para Zé Anderson cruzar para Jean que quase marcou de cabeça, no lance mais perigoso do jogo para a SER Panambi até então. Cinco minutos depois Jean chuta de longe e o goleiro Marcio realiza a sua primeira defesa no jogo (32 do segundo tempo!!!!!!).

O final da partida não reservou muitas emoções extras. Com o volante Toto conduzindo os ataques da SER Panambi e Sharlei arriscando de longe para a equipe missioneira, sobrou movimentação mas faltaram chances mais reais de abrir o placar. No finalzinho do jogo houve um possível pênaliti a favor da SER Panambi que, sinceramente, jamais saberemos se foi ou não. Como sempre, houve uma pequena briga entre dirigentes da SER Panambi e a arbitragem. A torcida atirou cascas de banana e gritou palavrões ininteligíveis para o árbitro. Vamos esperar a súmula e ver quais serão as consequências.

O resultado de 0 a 0 ficou melhor para o Santo Ângelo do que para o Panambi, que até não jogou mal, e teve de positivo a organização defensiva, tão criticada em jornadas anteriores. O lado ruim para a verde-e-branca foi a má atuação de Cristiano (espero que não ocorra o mesmo que  Adão, que também estreou bem, mas nunca mais repetiu as mesmas atuações) e a possível lesão de Jonatã.

Acredito que a SER Santo Ângelo, campeão da ‘segundona’ de 1995, não deve voltar a divisão de elite, posição que não ocupa desde 2004. A equipe até é boa, contudo esperava um maior ímpeto por parte do time das missões. Talvez a concepção de que empate fora de casa contra um adversário, de certa forma, direto, possa ter esmorecido o espírito herdado de Sepé Tiaraju e contentado-se com um jogo moroso.

Preocupo-me com o futuro da SER Panambi. Agora a luta é para ficar na divisão de acesso. Ouço os dirigentes, incluindo o Dr. Aires, uma das pessoas mais compromissadas com o clube, reclamarem de orçamento, que os empresários da cidade não prestam atenção ao time, etc. Vale destacar que a SER Panambi possui um programa de sócios, e nos borderôs a receita ainda é superavitária – não em termos de salário, mas em despesas relativas às burocracias da própria FGF. A equipe já é reconhecida e adorada pelos panambienses, sendo que dificilmente há públicos irrisórios, independente da fase do clube. Permanecer na segundona é importantíssimo para manter a estrutura profissional e o interesse dos financiadores do clube. Não espero que a SER vire uma potência, mas ela deve continuar a cumprir sua missão de ponto de encontro comunitário e movimentação de capitais, além de criar paixões como neste orgulhoso panambiense.

Vamos lá gloriosa verde-e-branca do vale!

Vinícius Fontana

Publicado em Divisão de Acesso 2012, Santo Ângelo, Ser Panambi com as tags , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Gauchão Série A2 – SER Panambi 0 x 0 SER Santo Ângelo (Estádio João Marimon Júnior)

  1. Balejos diz:

    Vinícius, parabéns! Com a leitura do teu texto pude adentrar no João Marimon Júnior e, no espaço reservado a torcida visitante, acompanhar mais uma peleia pelo acesso. Até ontem as SER’s não tinham empatado nenhum jogo no certame, o que, parece, só poderia mudar no segundo encontro entre as duas. Fato histórico! (risos). Concordo contigo na análise e ando preocupado com a SER de Santo Ângelo. Abraço.

  2. Valeu Balejos! Eu gostaria muito de te dar uma pílula de otimismo, mas a SER Sto ângelo tb não me empolgou em nada. Espero que as equipes cresçam, só que parece que isso não deve ocorrer :/

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