Gauchão Série A2 – Brasil de Farroupilha 3 x 1 SER Panambi (Estádio das Castanheiras)

A Sociedade Esportiva Recreativa e Cultural Brasil de Farroupilha, o Brasilzinho, recebeu a Sociedade Esportiva Recreativa Panambi no estádio das Castanheiras. A tradicional equipe da serra – terra da Miss Brasil Priscila Machado, namorada do Cesar Cielo (chega do momento fofoca) – busca retornar à primeirona, competição que não disputa desde 1999. E a partida foi bastante tranquila para a equipe da casa, que garantiu a vitória no primeiro tempo, aproveitando as fragilidades defensivas costumeiras da verde-e-branca do Vale das Borboletas.

A SER Panambi entrou em campo com três zagueiros (Faccin, João Carlos e Flávio). Bebeto afirmou que a ideia do 3-5-2 (na verdade, mais um 3-5-1-1) era para “acelerar a saída de bola”. Para mim, esta parecia uma iniciativa do treinador a fim de corrigir as mazelas defensivas da equipe Panambiense, não soando muito coerente colocar defensores para melhorar a saída de jogo. Com a expulsão de Renato, Cristiano e Zé Anderson ficaram exclusivamente responsáveis pela armação. André Tereza permanece em sua posição no jogo anterior, mais recuado, entre os meias e a zaga. O curioso foi a preferência por Leandro Gaúcho no lugar de Toto. Pelo lado do tradicional Brasil de Farroupilha, destaque para o atacante Hyantony, com passagens recentes por Esportivo, Brasil de Pelotas, Porto Alegre e Canoas (na má fase do Canoas). Outro destaque é para Everaldo, que jogou no Atlético Mineiro vice-campeão nacional em 1999.

No início da partida, a SER Panambi segurou a pressão do ataque do Brasil de Farroupilha, que entrou com uma formação 4-4-2. O esquema defensivo da equipe panambiense mantinha a zaga compactada, e dificultava a penetração do ataque adversário. No entanto, permitia que a equipe de Farroupilha trocasse passes a partir do campo ofensivo da verde-e-branca, com apenas Dario e Zé Anderson a espreita de um ‘lançamento-balão’. A principal estratégia da equipe panambiense era parar o jogo faltosamente, seis nos primeiros 10 minutos de partida.

No entanto, como todos sabem, a SER possui sérios problemas com a bola aérea. E eis o perigo de fornecer faltas sortidas (de longe, de perto, de lado, de frente…) a favor do adversário. Aos dez minutos, em uma falta ‘despretensiosa’ (coisa que não existe na verdade, já que toda a jogada é feita com a pretensão do gol), Anderson cabeceia e vence o goleiro Daniel, que novamente ficou indeciso ao sair do gol. 1 a 0 equipe equipe

O gol não alterou o paradigma do jogo. A SER não tinha a pretendida saída veloz da defesa para o ataque, e o Brasil continuava a atacar. A primeira jogada de perigo da verde-e-branca foi aquela tradicional: pela esquerda, envolvendo uma troca de passes entre Jonatã e Zé Anderson, que finalizou de cabeça para boa defesa do goleiro William aos 17 minutos. O Brasil atacava sem lado específico: ora Rodrigo Vareta subia com perigo pela direita, ora Dudu articulava caindo pela meia-esquerda. A zaga panambiense permanecia com problemas defensivos, apesar dos três zagueiros. Como em confrontos anteriores, faltava aos jogadores de defesa qualidade e atenção – o aumento foi apenas quantitativo, e não qualitativo. E aos 24 minutos Faccin perdeu a bola à la Bolivar e Hyantony marcou o segundo do Brasil.

A metade final do primeiro tempo reservou emoções titilantes para a torcida panambiense. Aos 27 minutos Dudu (bom jogador do Brasil de Farroupilha) carimbou a pelota na trave e, aos 31, Tiago Soler obrigou o goleiro Daniel a defesa difícil. A torcida de Farroupilha já se sentia injustiçada pelo ‘placar magro’. Leandro Gaúcho fazia uma partida terrível, cuja maior colaboração era fazer faltas por não conseguir dividir de maneira limpa. Os três zagueiros desempenhavam papel temerário, sem saída de jogo, parecendo temer a sensação da bola em seus pés, mandando-a assim aleatoriamente para o alto. Cristiano não conseguia suprir a ausência de Renato, Dario ficou isolado na frente e quase não tocou na pelota. Nem mesmo Zé Anderson desenvolveu bom futebol, sintoma de que algo está muito errado.

No intervalo Bebeto afirmou que era sua responsabilidade pelo esquema falho (outra pílula de humildade do treinador da SER) e colocou Toto no lugar de Leandro Gaúcho. Cleberson também entra e a verde-e-branca volta a atuar no 4-4-1-1. A substituição deu um pouco mais de ânimo a equipe, que emparelhou o jogo e passou a pressionar o Brasil de Farroupilha, que recuara, apostando na velocidade de Dudu para puxar o contra-ataque. Zé Anderson e Cristiano passaram a ter maior liberdade de movimentação, já que Toto e Cleberson deram maior segurança na maração da meia.

Entretanto, a opção tática do Brasil de Farroupilha funcionou. Como a SER Panambi não conseguia converter a pressão em chances de gol, a bola permanecia perigosamente na intermediária defensiva do Brasil. Em um passe errado, Cris passou para Dudu, que puxou o contra-ataque que culminou com o gol de Hyantony, aos 11 minutos, 3 a 0 para a equipe da casa. Dois minutos depois, Tiago Soler do Brasil foi expulso por falta sobre Zé Anderson, que começou a apostar na individualidade para chegar ao gol.

Com um homem a menos, o Brasil ‘ensebou’ a partida, rifando a bola e valorizando as paradas de jogo, colocando o zagueiro Wilson no lugar de Tiago Renz. A SER movimentava-se pelo campo ofensivo, colocou o atacante Jean, mas continuava sem objetividade, tanto que o goleiro William apenas esperava o chute, sem efetivamente defendê-lo. Hyantony e Dudu continuavam a oferecer perigo nos poucos contra-ataques realizados pela equipe da casa.

Aos 36 minutos, André Tereza sofreu pênalti a favor da SER Panambi. Zé Anderson cobrou o pênalti e converteu (com cavadinha e batendo no travessão, como Zidane na final de 2006), descontando, 3 a 1. Aos 43 minutos, o episódio mais legal da partida: Toto e o dirigente da equipe do Brasil de Farroupilha trocaram ofensas e Toto acabou sendo expulso. O dirigente do Farroupilha entrou em campo e ficou perambulando e xingando os jogadores da SER Panambi. Hilário. Se o árbitro for um bom escritor deve render uma súmula legal. Aos 47 minutos a partida acabou: 3 a 1 para o Brasil de Farroupilha.

Eu continuo afirmando: as dificuldades defensivas estão acabando com a SER. A equipe do meio para a frente é boa, poderia ter feito mais do que apenas um gol hoje, ainda que meio bobo, meio injusto, mas poderia, especialmente no segundo tempo. O problema é a zaga. Três zagueiros é só um número, não é qualidade extra na defesa. Os ‘beques’ locais são insuficientes, e não há o que o treinador possa fazer, não se ensina o ruim a ser bom. O erro de Bebeto é sacrificar a equipe em prol de uma defesa que continua sua saga de erros, e isso ficou muito claro hoje. Retirar um homem de meio como Toto e Cleberson com certeza restringe a qualidade da equipe da intermediária para a frente. Se não há bons zagueiros na equipe, vamos admitir sofrer um gol por partida, contudo, temos que ter a consciência de que deve-se fazer dois.

Divirto-me muito com o relatório disciplinar das súmulas, e acho que é uma boa maneira de saber o que ocorreu sob a ótica da arbitragem. Eis a da partida contra o Glória (está de forma original e, respeitando o estatuto de documento oficial, nada foi alterado. Desculpe os erros e a caixa-alta).

“EXPULSEI AOS 90 MINUTOS O SR. RENATO GONÇALVES Nº8 DA SER PANAMBI, POR APÓS DA MARCAÇÃO DE GOL PROFERIU AS SEGUINTES PALAVRAS VE SE AJEITA AGORA VOCE E MAL INTENCIONADO

APÓS A EXPULSÃO SAIU DIZENDO PARA TOMAR NO CU E CHAMANDO DE LADRÃO E NOS ACRESCIMOS INAVADIU O CANMPO PARA TENTAR GANHAR TEMPO  E TEVE QUE SER CONTIDO PELA BRIGADA

CABE RELATAR QUE AO INTERVALO INAVADIU O CAMPO O DIRETOR SR: ALENCAR PARA RECLAMAR DO ASSISTENTENº2 DA NÃO MARCAÇÃO DE UMA FALTA TAMBEM NA PORTA DE  TRAS DO VESTIARIO HOUVE CHUTES POR PARTE DO ZELADOR DA EQUIPE DO SER PANAMBI TIVEMOS QUE CHAMAR A BRIGADA MILITAR EXPULSEIO FISITERAPETA SR: ROBERT HANDT POR TENTAR ME INTIMIDAR NO INTERVALO”

Algumas pessoas pediram que colocasse a escalação das equipes, então aí vai:

Panambi: Daniel, Du (Jean 29′), Faccin , João Carlos, Flávio (Cleberson, int.), Jonatã, Zé Anderson, Leandro Gaúcho (Toto, int.), Dario, Cristiano, André Tereza.

Brasil de Farroupilha: William Lago, Rodrigo Vareta, Anderson, Everaldo, Tiago Soler, Cris, Jean Silva, Tiago Renz (Wilson, 17′), Hyantony, Dudu, Tiago Rodrigues (Jean Michel, 24′).

Vamos verde-e-branca! Ainda há chances de classificar-nos!

Vinícius Fontana

Publicado em Brasil de Farroupilha, Divisão de Acesso 2012, Ser Panambi. ligação permanente.

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