Aos trancos e barrancos

Resumindo, é o seguinte: clube do interior alcança grande projeção nacional. Após longa estada na elite do futebol brasileiro, passa por um processo INSANO de decadência, culminando com seu rebaixamento, quase sem escalas para a série D. No primeiro ano na nova realidade, faz a melhor campanha na fase classificatória, porém morre logo no primeiro mata-mata e vira um clube sem série alguma. Com apenas duas chances de voltar ao inferno em 2012, obtém a vaga pela Copa RS e garante participação na série D. Participa do Gauchão de sangue doce, visando preparar a equipe pro segundo semestre, mas…

Corre, Raulen! A série C é logo ali... só que não. Fonte: www.juventude.com.br

Mas, pelo visto, não contou com o imponderável, característica bastante marcante do esporte praticado com botinas de travas, na relva por vezes escassa, e com o esférico de couro de boi (hoje, tudo é mais COLORIDO E ASSÉPTICO, mas o imponderável segue imponente e austero).

Desde minha última contribuição aqui no Toda Cancha, uma série de mudanças ocorreram no Jaconi, em especial após a SARANDA do Beira-Rio. Muitos pernetas se foram, embora o arremedo de treinador (na verdade, homem forte do patrocinador) seguisse no comando, basicamente amparado pela campanha obtida até então na Copa do Brasil.

Só que aquele mundo surreal vivido até então pelo Juventude também virou pó. Mesmo defendendo uma vantagem de dois gols obtida em Caxias do Sul, tomou uma CHAPULETADA da Portuguesa em São Paulo – time que viria a ser rebaixado no Paulistão poucos dias depois – o que só serviu para escancarar de vez que além da mediocridade técnica em campo, o trabalho de Alexandre Barroso também não se sustentava.

Marques, Demore e Ghiotti: "ma ton me rindo de que, tchó!" Fonte: www.juventude.com.br

Como num passe de mágica – e muito a contragosto -, Barroso voltou a ser diretor de futebol e o comando técnico ficou acéfalo. O presidente Raimundo Demore chegou a dizer, ao descartar alguns nomes, que procurava um “especialista em série D”, o que deixou alguns (pra não dizer A MIM) bastante intrigado, uma vez que a quarta divisão do Brasileiro não teve mais do que 3 ou 4 edições, se tanto.

Após tanta indefinição, chegou-se ao nome do “rei do acesso” que, com sorte, conduzirá o Papo do inferno absoluto (tanto é que clube algum no RS parece querer participar da competição) para o purgatório (como carinhosamente deve ser considerada a série C): é Luiz Carlos Martins, mais conhecido por seus trabalhos no interior paulista.

Apresentação do novo treinador ao grupo de jogadores. Fonte: www.juventude.com.br

No que diz respeito ao vestiário, chegaram o meia Cícero, vindo do Toledo/PR; o zagueiro Marco Tiago, do Pelotas; o lateral-direito Raulen, do Veranópolis, além do volante Alberto (Cruzeiro-RS), do goleiro Fernando (Lajeadense) e do volante Cléber Monteiro (Cartagena-ESP), que já haviam sido anunciados antes dos jogos contra a Portuguesa. E, sem sacanagem, o retorno do REI ZULU é algo para ser muito comemorado.

A volta do REI: maior reforço até o momento. Fonte: www.juventude.com.br

Espera-se que a vinda do novo treinador traga mais gente, em especial do interior paulista, dado o conhecimento do treinador naquela região. Apesar disso, mais dois jogadores foram apresentados – o zagueiro Evaldo e o lateral-esquerdo Gleidson, vindos de outras regiões, mas avalizados pelo novo treinador.

E assim segue a remontagem do Juventude para a série D nacional. Mais parecendo uma troca de pneu com o carro em movimento, é o que resta para um clube que, apesar das dificuldades inerentes a qualquer clube que despencasse tanto em tão pouco tempo, parece demorar a compreender a gravidade de avaliações equivocadas.

O caminho do Ju na D 2012.

Apelando mais pra reza do que confiando,

Franco Garibaldi

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