A gordinha no fim da festa

O primeiro passou, ficou horas conversando e foi embora. O segundo refletiu, foi chegando perto, mas desistiu cedo. O terceiro e o quarto olharam de longe por breves instantes. O quinto, ao ver, saiu correndo. O sexto, no fim da noite, acabou pegando. A história comum nas noites do Alternativo e da FACTORY sobre aquela guria peso pesado que o vivente acaba lambendo os beiços ao finalizar a vigésima garrafa de cerveja foi basicamente o que aconteceu com a tão falada vaga na série D do Brasileirão. Depois da desistência de Veranópolis, Novo Hamburgo, São José, Pelotas e Lajeadense, a dita acabou no colo do Cerâmica, como disse o próprio Décio Becker, presidente do clube de Gravataí.

Percebe-se, mais uma vez, o imenso abismo entre a dupla Gre-Nal e os clubes fora do eixo aqui na província. A FGF, através de seu excelentíssimo senhor presidente Francisco Noveletto, informou que cobriria custos e que a verba disponibilizada era suficiente para qualquer clube do Rio Grande do Sul assumir a vaga. Vencedor de fato, me parece que o Veranópolis não concordou muito com tal informação. Aliás, a tese vai por água abaixo quando vemos que o Zequinha, onde Chico é quase dono, também não quis assumir a bronca. O Cerâmica, por ter apoio de grandes empresas como GM, Sogil e Carlos Becker, metalúrgica do presidente, vai conseguir arcar com os custos da competição e decidiu participar. Caso fosse dependente da verba da federação, fecharia as portas na metade do ano, sem sombras de dúvida. Lembrando sempre que o problema anda atingindo clubes de outros estados também.

Jogo contra o Operário pela Série D de 2011, no Paraná: custos de deslocamentos entre cidades é outro problema dos clubes gaúchos.

A série D faz parte do planejamento do Cerâmica, clube que almeja o reconhecimento em nível nacional até meados de 2020, novamente palavras de Becker. Em 2011 participou da competição, amargurando um 37º lugar no geral, sendo último colocado no grupo A7, junto com Oeste (SP), Mirassol (SP), CENE (MS) e Operário (PR), na ordem de classificação do grupo. Para ter ideia da dificuldade de manutenção do clube, que não teve apoio da FGF, a média de público foi de 111 torcedores, a pior entre todos os times. Os outros dois participantes gaúchos foram Juventude e Cruzeiro, que ficaram em 6º (3.953 pessoas) e 38º (320 pessoas) lugares, respectivamente. Para o campeonato desse ano o clube promete mudanças, investindo em reforços e na categoria de base, com o intuito de chegar em bom nível no Gauchão de 2013. Aliado a esses investimentos está a contratação do técnico Ben Hur Pereira, ex-Lajeadense, que tem um grande potencial de trabalho e conhecimento do futebol gaúcho.

Cidinho veste a 10 do Cerâmica pela segunda vez na Série D: jogador é um dos destaques técnicos da equipe de Gravataí.

Em linhas gerais, podemos dizer que a gordinha está no colo do Cerâmica. Resta saber se o clube vai conseguir segurar ela nos braços ou vai romper os ligamentos do joelho na hora de levar pra cama. Nós, com toda certeza, desejamos que haja um belo casamento com final feliz.

Toco y me voy
Douglas Beretta

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3 Respostas a A gordinha no fim da festa

  1. Nunca uma vaga para qualquer competição foi tão bem descrita antes do título desse texto.

  2. Marcelo Alves diz:

    Pois e….e agora a CBF ira bancar toda a SERIE D idem como ja faz para a C…..em resumo…o CERAMICA foi inteligente em pegar a vaga, pois agora nao tera mais custos extras para disputar, diferente do PRESIDENTE BURRO E CAGAO do NOVO HAMBURGO Sr. carlos Duarte, baita borrao ! e o Noia perdeu esta mamata….., SAIA DO NOVO HAMBURGO CARLOS DUARTE !!!!….CAMPANHA FORA CARLOS DUARTE !

  3. Balejos diz:

    De fato tivemos uma REVIRAVOLTA nas condições de disputa da Série D. O anúncio da CBF de custear o deslocamento e a estadia das equipes deve ter caído como uma PIADA DE MAL GOSTO para os desistentes. E o debate sobre a situação foi reduzido, por alguns setores, a COVARDIA de quem abriu mão e ao HEROÍSMO ceramista. O tricolor de Gravataí tem mérito, mas os outros não puderam assumir a vaga por insuficiência financeira e desamparo da FGF e CBF (que não é séria). A redução do debate também é uma arma do poder.

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