Costelão 2012 – A Grande Final – Parte V

Pois bem meus caros, já é sexta feira nessa semana ENXUTA e eu declaro oficialmente que encerrei os trabalhos. De agora até domingo, todos os caminhos e pensamentos levam ao Centenário.
As escalações vão se definindo, desfalques aparecendo, substitutos sendo nomeados, táticas analisadas. Na verdade, isso já não mais importa. Se olharmos a teoria, o papel, o jogo de domingo seria desnecessário. O Internacional tem um time praticamente imbatível no papel, por estas plagas. Tem mais investimento, mais peças de reposição, mais visibilidade, mais, mais, mais… ok. Isso já não me importa mais.

Os primeiros jogos que assisti no estádio foram ainda na década de 80. Apesar das vacas magríssimas do futebol de Caxias do Sul naquela época, o PROGRAMA futebol me chamava a atenção. O Centenário me deixava de boca aberta. A altura do pavilhão, as cadeirinhas de fibra da social, as bandeirinhas de escanteio, as torres de iluminação. Tudo era especial naquele lugar.

O jogo no qual percebi que minha vida não existiria mais sem a engrenagem grená foi em um clássico contra o Juventude, em 1994. Era a entrega das faixas de campeão da série B. O Juventude estava na primeira divisão. Ainda assim o Caxias fez 3×1. O jogo, no papel, nada valia. Mas apesar de tudo, não precisávamos baixar a cabeça. A imagem de um gandula (do tempo que os gandulas eram meninos ali da Vila do Cemitério, escalados antes das partidas e faceiríssimos por estarem no gramado) correndo feliz pelo campo com uma bandeira feita à mão, apenas por ter provado pra todos que ele não era inferior a ninguém, independente de divisão, valeu por algumas décadas de estudo sobre a importância do futebol e algumas lições sobre o sentido da vida.

Em meados da década de 90 tentei ser jogador de futebol. Óbvio que não deu certo, mas isso me garantia três tardes por semana no coração do Estádio Centenário. A convivência com o dia a dia no Centenário me fez descobrir que eu não era o único naquela situação, de muito esforço e pouco foco na bola, mas muito no Caxias. Vários “atletas” estavam na mesma situação, se sem muito brilho no campo, mas muito orgulho ao vestir as rasgadas camisas que sobravam pra nós (alias, pensando agora, deve ser por isso que as coisas não andavam tão bem no futebol grená, hahaha). O ponto alto da minha “carreira” foi uma preliminar em uma úmida terça à noite, em 1996, quando entrei na lateral esquerda aos 25 minutos do segundo tempo, no Centenário. Primeira e única vez, acho que ali realizei um sonho do meu pai também. Parei no auge, como Pelé fez.

Ano 2000, Caxias campeão e tudo aquilo que todos sabem. O que de mais especial aconteceu sobre aquilo foram os pequenos momentos. Uma das poucas vezes que vi meu pai realmente emocionado, e ele proferiu a frase mais emblemática do que foi aquele triunfo: “Meu pai (vô desde que vos escreve) disse que um dia o Flamengo (antigo nome do Caxias) seria campeão.” Parece simples, mas é a perpetuação de uma crença que só a esperança que o futebol arranca de milhões de barbados planeta afora. Em um dia como outro qualquer daquele gelado inverno de 2000 em Caxias do Sul eu estava a caminho de um curso quando passei por uma rua onde uma legitima pelada acontecia. A gurizada, de cerca de 10 anos, estava em uma ferrenha discussão, que terminou com o mais fortinho (e provavelmente dono da bola) exclamando, vitorioso: “Nada disso, EU QUE VOU SER O PAULO TURRA E CHEGA!”. Nesse momento os até então 65 anos de existência grená foram justificados e certamente esse foi um dos momentos em que a humanidade venceu.

Assim como eu, milhares de outros que viveram esses momentos (eu sei que vocês estão aí) sabem que ter o clube do seu lado, viver ele e respirar ele ultrapassam todas as barreiras dessa chatice chamada realidade. A graça do futebol é a possibilidade da vitória do pequeno sobre o grande, do inesperado, da surpresa. O futebol é uma metáfora da vida, que, afinal, não é justa, mas pelo menos é imprevisível. E aí que está o sentido e a poesia das coisas.

É hora da superação. É hora do inesperado.
O Caxias não está por acaso nessa final. Está por merecimento e está para poder proporcionar para a nova geração novos momentos de singela alegria e orgulho, bem como um saudável sorriso de satisfação de Davi, que vê Golias como um comediante de sucesso, e nada mais.

Vivendo a final do Costelão 2012,
Tiago Zilli

Publicado em Caxias, Gauchão 2012. ligação permanente.

3 Respostas a Costelão 2012 – A Grande Final – Parte V

  1. Chico Luz diz:

    bah, que texto, Zilli. Força e sorte ao Cassias. Dá-lhe grená!

  2. Diogo diz:

    muito bom, melhor frase: como Pelé, parei no auge! hahahaha

  3. Ricardo diz:

    bah show de bola o texto cara, eh de se emocionar, vamos com tudo domingo, dale CAXIAS

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