A Cancha: Estádio Bento Freitas – G.E. Brasil

Foi inaugurado em 23 maio de 1943. Desde então, o XAVANTE manda seus jogos no estádio Bento COLOSSO Freitas. Vitórias memoráveis, derrotas sufocantes e muita, mas muita festa!

“VAMU INVADI!”

Estádio Bento Freitas. Foto: Pedro Henrique C. Krüger.

BENTO FREITAS

O nome do estádio é uma homenagem ao presidente do Grêmio Esportivo Brasil, Bento Mendes de Freitas, pois ele foi um dos maiores responsáveis pela construção da casa Xavante. A decisão foi tomada pelo conselho do G.E.B., por unanimidade, em 10 de maio de 1956.

PELA TORCIDA. À TORCIDA.

Bento Mendes de Freitas, além de inúmeras pessoas que o apoiavam, deu início à construção do estádio. Anos mais tarde, em 1978, o Brasil precisou ampliar o estádio para jogar o campeonato brasileiro. E quem faria isso? A torcida, é claro.

Pedra fundamental – Bento Freitas. Foto: Colecionador Xavante.

Todos sabem que o Brasil, de Pelotas, apenas tem a força que tem em razão de sua fanática torcida – falange que, para o padrão futebolístico moderno, não deveria existir, pois o clube não conquista títulos e é do interior, enfim. E essa força, que vem das arquibancadas, construiu as próprias arquibancadas, além do estádio, do gramado, da tela… O estádio Xavante é o resultado do trabalho, fanatismo e paixão de advogados, garis, professores, pedreiros, estudantes, doutores… Xavantes!

Bento Mendes de Freitas conquistou o terreno e deu início às obras. Em 78, a ampliação do estádio feita pela massa. Atualmente, a associação Cresce, Xavante! – grupo de torcedores que trabalha para o crescimento rubro-negro – trocou a tela e deu vida à drenagem do gramado da Baixada – gramado este que foi trocado em 2004… também pela torcida.

Placar Edição 385 – 16/09/1977. Foto: Colecionador Xavante.

Não é o mais novo estádio do mundo tampouco o mais moderno, mas carrega uma mística especial, vinda do povo. A Baixada é a minha segunda casa, mas às vezes penso que, na verdade, é a única casa que realmente tenho. Pois sei que foi feita por mim, porque sou também um torcedor Xavante.

“Se pudesse e não parecesse um incômodo ou impertinência, estaria no Bento Freitas esta tarde. Foi lá que tive as mais profundas experiências de um estádio de futebol. Já os vi de todos os tamanhos e os senti. Wembley é o mais solene, grandeza como a do Maracanã não há outra; em Turim cravaram no meu coração o Delle Alpi de Maradona e Caniggia; o Sarriá ainda dói, e o estádio do Everton, em Liverpool, será sempre a minha maior vergonha. Mas o Bento Freitas é uma experiência de elevação, dor e alegria, de superação dos indivíduos convertidos numa massa se movendo para cima e para baixo, para os lados, ao som dos trompetes e dos tambores, com todos os gestos, como na noite do jogo contra o Flamengo, ou tantas outras, bem menos glamurosas, mas de febre alta e tensão de pele. É isso, não há estádio mais humano!”

(Ruy Carlos Ostermann)

FAÇANHAS VISTAS NA BAIXADA

Foram muitas, mas, para mim, estas são as mais arrepiantes.

– O seletivo de 1977

A cidade de Pelotas ganhou uma vaga para a disputa do campeonato brasileiro de 1977. Ficaria com a vaga o clube que conseguisse um estádio para 25 mil pessoas, mas a decisão foi feita num seletivo. “O melhor de quatro pontos”. O primeiro Bra-Pel foi no Bento Freitas e o E.C. Pelotas venceu por 1 a 0. O segundo clássico foi na Boca do Lobo e a vitória foi rubro-negra, também por 1 a 0.

A última partida foi no Bento Freitas. O Brasil chegou ao gol que deu direito à vaga com Tadeu Silva. Aos 43 minutos do segundo tempo, o E.C. Pelotas teve um pênalti. Caso fizesse, conquistaria o direito de disputar o brasileiro. Foi para a cobrança Torino, jogador “criado” na base Xavante. Ele chutou a bola para fora – uns dizem que ele errou, algo normal; outros afirmar que o seu coração rubro-negro se manifestou. Fico com a segunda opção.

– As vitórias sobre o poderoso Flamengo

Na década de 80, o rubro-negro do Rio de Janeiro possuía um elenco invejável, mas nem todas as suas estrelas foram suficientes para evitar as vinte mil vozes que gritavam sem parar num estádio localizado no sul do sul do Brasil.

G.E. Brasil 1 x 0 C.R. Flamengo (Campeonato brasileiro 1984)

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G.E. Brasil 2 x 0 C.R. Flamengo (Campeonato brasileiro 1985)

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– G.E. Brasil 3 x 1 Marcílio Dias-SC (Série C 2008)

Muitos devem estar pensando “por que esse jogo é importante?”. Talvez não seja lembrado dessa forma pela maioria dos Xavantes, mas, para mim, foi um dos maiores jogos que vi. Não pelo futebol – com toda aquela chuva nem teve direito –, mas por tudo o que ocorreu. Marcou para mim. São partidas “simples” que representam tudo. E nunca uma televisão me fará sentir todo aquele frio enquanto recebia toda aquela água que parecia infinita. Jogo lindo. Uma partida vencida na raça. Vencida à la Xavante.

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Detalhe: aos 0:41 do vídeo acima, os dois que estão com capa de chuva VERDE são eu e meu pai. haha

O ESTÁDIO QUE VELOU OS SEUS ÍDOLOS

Foi um dos piores dias de minha vida. Após o acidente com o ônibus Xavante, em Canguçu, houve o velório dos três mortos na tragédia. Foi feito na Baixada. Algo que nunca esquecerei. Arrepia-me lembrar dos gritos de “Milar, Milar”, “Régis, Régis” e “Giovani, Giovani”.

Foto: Agência/Agencia Estado

Seis gazebos brancos são tudo o que não se espera ver no meio de um campo de futebol, ainda mais se sob eles estiverem esquifes, coroas de flores e gente chorando. A imagem causa comoção por si, mas toma uma intensidade desmedida se esse estádio for o Bento Freitas, os chorosos forem os Xavantes, um dos corpos presentes for o de um ídolo do presente, e outros dois crias da casa, gente que neste campo cresceu, jogou, e agora se despede da vida.

(Trecho retirado do livro “A noite que não acabou”, escrito pelos jornalistas Nauro Jr. e Eduardo Cecconi. Página 151. Editora Livraria Mundial, 2009)

CLAUDIO MILAR

Não há como falar de estádio Bento Freitas sem falar de Claudio Milar. O que ele fez nesta terra está marcado e enraizado na Baixada. A torcida Xavante tem um verdadeiro ídolo, algo que poucos clubes podem se vangloriar.

Imagem e boneco de Claudio Milar na gruta que existe no Bento Freitas. Nunca esquecido pelos rubro-negros. Foto: Pedro Henrique C. Krüger.

Em suas partidas e cortes nas laterais das áreas adversárias, Milar conquistou a massa Xavante. Com os seus gols e flechadas, deixou na memória de todo rubro-negro o seu amor pelo clube da Baixada. Nunca nos esqueceremos do castelhano.

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FOTOS DO BENTO FREITAS (feitas por Pedro Henrique C. Krüger

Clique aqui e veja.

FICHA

Atualmente o estádio Xavante ocupa uma extensão de 29.730m², sendo que 23.254m² é de área construída, incluindo 4 bilheterias, 7 portões de acesso, 6 lanchonetes, 17 banheiros e 13 cabines de imprensa. Para os atletas profissionais são 3 vestiários, sala de musculação, sala do Depto Médico, refeitório e alojamento com 10 dormitórios, sala de áudio e vídeo e de lazer. Além disso, a casa do Brasil também abriga todas as dependências dos setores administrativos e executivos do clube, e a sede do Depto Amador rubro-negro, que possui secretaria e vestiários independentes, mais uma cancha de areia e um salão de festas. Sob o pavilhão social, o estádio ainda acomoda o ‘Salão de Honra’. Um espaço decorado com as conquistas Xavantes, que é utilizado para as reuniões do Conselho Deliberativo e para realização de eventos institucionais – informações do site oficial do G.E. Brasil.

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2 Respostas a A Cancha: Estádio Bento Freitas – G.E. Brasil

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  2. Guilherme diz:

    Nem sou pelotense, mas o melhor estádio de Pelotas sem dúvida é a Boca do Lobo, maior e com uma localização privilegiada

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