99 anos do glorioso Santanense

O grande Santanense de 1993 (Foto: Filhos de Santana)

Pra começar, uma revelação. Antes de mais nada, devo confessar que este cancheiro santanense não nasceu em Sant’Ana do Livramento. Porém, desde minha chegada a esta bela Fronteira, me considero santanense. Vivi meus anos dourados por aqui e meu guri é nascido nesta terra abençoada.

Chegamos aqui em 1994, o ano do TETRA, e me deparei com um grande time disputando a 1ª Divisão Gaúcha, um time com o goleador do campeonato, um time vestido de vermelho e branco: o Grêmio Foot Ball Santanense. A cidade estava alvoroçada com o desempenho do Colorado no Gauchão de 93, onde participara do octogonal final, chegando em 7° e consagrando Mauro como goleador do certame com 19 gols. O estádio Honório Nunes ficava pequeno para assistir embates eletrizantes e para ver a dupla Grenal sendo acuada pelas arrancadas de Fábio de los Santos pela esquerda e pela presença do camisa 9 na área. Posso afirmar, portanto, que sou colorado SANTANENSE.

Por essa razão, este post é especial. Nesta última segunda-feira, 11 de junho de 2012, o Grêmio Santanense completou 99 anos de vida. E começa a pensar em seu centenário, dando esperança a sua torcida de uma possível volta aos gramados para celebrar um Gre-Qua como nos áureos anos 50 e 60 pelo Citadino. O Colorado da Vila Honório Nunes sempre teve essas idas e vindas. A última vez que entrou em campo foi no ano de 2002 e a cidade aguarda por uma volta pelo menos semelhante à última em 1985. Sob o comando do presidente Hélio Dutra e seu filho Luis Paulo, o Santanense começou de forma discreta e chegou às grandes campanhas da década de 90. A seguir um resumo da história desse glorioso clube, do Colorado da Vila Honório Nunes, do Santanense, do quase centenário Grêmio Foot Ball Santanense.

A fundação

O século 20 entrava na sua segunda década. O ano de 1913. O mundo voltava os olhos para uma grande crise na Europa, semelhante a que acontece hoje. O idealismo imperava no mundo e esse movimento levou um grupo de jovens santanenses, que costumavam se reunir na Barbearia do Ladário, na Rivadávia Corrêa, nas proximidades da hoje Praça General Osório, de propriedade da família de Zeferino Rosa a lançar a pedra fundamental de uma agremiação esportiva, o Grêmio Foot Ball Santanense.

 Os fundadores

João Jacinto Costa, que depois seria cônsul do Brasil na cidade uruguaia de Paisandu, trabalhava na como aprendiz de barbeiro na barbearia do seu irmão Ladário Costa, foi o mentor a idéia de fundar o clube e a compartilhou com seus amigos freqüentadores do local e que eram conhecidos como a turma da Zona de Taquarembó, região onde é hoje a praça General Osório. Na barbaria ocorreram as primeiras reuniões do grupo, que numa segunda-feira, no dia 11 de junho de 1913, fundaram o Grêmio Santanense. Os documentos da fundação e dos primeiros anos do velho Colorado, se perderam em um incêndio em 1919, na residência do então secretário do clube, Joaquim Sanz, que guardava toda a documentação relacionada ao clube. Muitos nomes de fundadores se perderam no tempo, mas os registros da primeira ata tiveram a assinatura de vários membros do grupo. Foi o caso dos irmãos João Jacinto Costa e Ladário Costa, Antônio Joaquim da Silveira, Virgilio Coelho, João Aparício Coelho, Bernardino Paixão Coelho, José Thomaz Gisler e seu irmão, Gestão Castro Gisler, Agripino Machado, Apelles Machado, Delmer Pereira Chaves, Mathias Reginaldo Fernandes, Valentim Mar Rosso, Julião Ribeiro. Os irmãos Dário Farias e Celso Farias, Reinécio Nascimento, Izidoro Cordeiro de Mello, Fernando Monteiro, Miguel Ferré, Péricles Dias Vianna, Atahualpa Dias Vianna, Vasquito Comba, João Manoel Silveira e Wolcamar Correa de Mello. Foram cerca de 20 pessoas presentes na reunião de fundação, sendo que a ata permaneceu aberta para que os demais membros do grupo pudessem assinar depois.

O maior título da história do Grêmio

A equipe que deu o único título gaúcho de Sant’Ana do Livramento era formada por; Brandão,Alfeu, Garnizé, Pepé, Mascaranhas, China, Sorro, Beca, Cabeça, Souza, Ton Mix, Merosini, Pasqualito e Pedro. O treinador era o uruguaio Diez e o presidente do clube era Silvio Cademartori

Na sede do clube em Honório Nunes está a maior glória do futebol santanense: a taça de Campeão Gaúcho de 1937, conquistada na vizinha Bagé. Ninguém por estas bandas chegou nem perto de tal feito. Desde a década de 30 o Santanense faz parte da seleta galeria dos Campeões do Rio Grande.

Grêmio Santanense e Riograndense chegaram à decisão do Campeonato Estadual daquele ano com campanhas espetaculares.  O primeiro jogo ocorreu em Rio Grande e o time da casa venceu por 2 X 0.

O Grêmio devolveu a derrota dias depois jogando em Pelotas , vencendo o Riograndense por 3 x 2, com gols de Deca, Souza e Beca. Empatados em número de vitórias as duas equipes voltaram a campo para uma terceira partida no Estádio do Avenida em Pelotas. Deste confronto não houve vencedor, pois apesar do Grêmio marcar três gols, com Pascoalito, Souza e Sorro, levou mais três.  Neste jogo o árbitro, conhecido por Chico, marcou um pênalti contra o Grêmio, quando o jogo estavam empatado em 2 x 2. O atacante Mariano converteu e colocou o Riograndense na frente.  A 4min do final da partida, o mesmo árbitro marcou outro pênalti, desta vez em favor do Grêmio. Sorro bateu e empatou a decisão. Esta penalidade gerou uma grande confusão com os jogadores do Riograndense que acabou saindo do estado para as ruas de Pelotas.

A decisão se estendeu para um quarto jogo. mas não mais em Pelotas, devido à briga generalizada no confronto anterior. A cidade escolhida desta vez foi Bagé. Nesta partida o Grêmio Santanense atropelou o adversário, vencendo por 4 x 0, com gols de Bido e do artilheiro Sorro, ambos com dois gols, sagrando-se campeão gaúcho daquele ano.

Homenagem na Câmara

As lágrimas do ex-Presidente Luis Paulo (Foto: Marcelo Pinto/ A Plateia)

Na noite do dia 11 de junho uma solenidade na Câmara de Vereadores de Sant’Ana do Livramento, marcou as comemorações dos 99 anos do Santanense. Na ocasião o ex-presidente Luis Paulo Dutra fez um discurso emocionado e contagiou a todos os presentes, entre eles colaboradores e torcedores do Colorado. Ideia do vereador socialista João Batista Conceição, a solenidade aconteceu no plenário presidente João Goulart. A grande expectativa de todos era por um possível anúncio da volta aos gramados. Por enquanto nada.

Por hora apenas a honra e as lembranças que permanecem inabaladas nos corações colorados, nos corações do Grande campeão gaúcho de 37.

Fontes: Arquivos Jornal A Plateia, Folha Divertida dos Esportes, de Raymundo Anselmi

Colaboração: Sidnei Silva

Diretamente da Fronteira,
Rafael Medeiros (@rdlmedeiros)

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11 Respostas a 99 anos do glorioso Santanense

  1. Franco Garibaldi diz:

    Que baita lembrança essa do Grêmio Santanense, Rafael! Lembro até hoje das arrancadas do MONSTRO DE SANTA FÉ, vulgo Fabio de los Santos.

    Tempos em que o Gauchão era mesmo um campeonato estadual…

  2. beretta diz:

    Que baita texto, parabéns aos envolvidos!

    Sensacional!

  3. daroit diz:

    baita texto, rafael. grande acerto da DIRECIÓN.

    ainda prefiro o ARMOUR e o 14, mas mantenho a simpatia pelo SANTANENSE.

    dale!

  4. Zezinho diz:

    Grande relato!

    Quando criança, quando fazia campeonatos de botão ou Gulliver, volta e meia esquecia de um time que disputava o Brasileirão e colocava o Grêmio Santanense, que ainda aparecia no cenário gaudério entre 1995 e 1997.

    Uma dúvida que tenho, até por temer que meu clube novamente chegue à essa situação: não poderiam os torcedores do Grêmio Santanense formarem um time? Eles jogarem com a camisa do Santanense? Ou fazer uma peneira entre os jovens da região? Mesmo que sem ganhar nada, só pelo amor. Não seria viável?

  5. Maurício Klaser diz:

    Em 1995 fui ver o Inter de Goyco contra o Grêmio Santanense em Livramento, maior jogo da vida (dormi em algum momento do segundo tempo, não era fácil ter 5 anos e ir no estádio)

  6. Parabéns ao SEGUNDO mais velho da cidade!

    Avante 14

  7. Neco Müller diz:

    Conheci a história deste clube ouvindo a estórias de meu avô, uruguaio, zagueiro por prazer e capataz de estância por profissão e da minha vó fanática que não perdia nenhum jogo. Na década de 70, assisti aos meus primeiros jogos que mostravam um clube vivo, com torcida, e que continuou a revelar jogadores da região, como mostra a foto, e em janeiro de 2010, fui junto ao Iuri e Mauricio e vi a nova realidade, clube abandonado, e sem demosntrar interesse em se organizar , procurar alternativas como fez o 14. Este tema é bem vindo e quem sabe todacancha e impedimento voltem a adotá-lo. Gracias
    .http://impedimento.org/2010/01/05/a-fortaleza-que-treme/

  8. Daniel Gremista diz:

    Avante 14 [2]

  9. Natan diz:

    Apesar de eu nutrir uma simpatia maior pelo 14 de Julho, faço coro a todos no que tange a falta que o Grêmio Santanense faz. Sobretudo, pelo fato de que a Metade Sul do estado estar cada vez menos representada no Gauchão.

  10. alkindargiordani diz:

    sou santanense de coração, radicado em Santo Angelo, mais antes de Santo Angelo, morei muito em tempo em Poa e Gravatai, e hoje estou em Santo Angelo/rs.

  11. Alexandre Maciel diz:

    O Ton Mix foi o mesmo que ganhou o gauchão pelo Rio Grande? Teria ele ganho por outro clube também?

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