No Noroeste do Rio Grande pulsa um coração jalde-negro

Segue o EXCELENTE relato que recebemos no todacancha@impedimento.org de um índio jalde-negro do noroeste, lá do antigo Pouso dos Três Passos, e que julgamos ser BASILAR dividir com vocês. O remetente Vinicius Araújo, um trespassense de quatro costados, montará guarda em mais um posto avançado dos cancheiros gaudérios. 

Três Passos Atlético Clube

Sou de Três Passos, região noroeste do Estado (na microrregião Celeiro). Cidade de porte pequeno/médio, com 25 mil habitantes. Terra do meu glorioso Três Passos Atlético Clube, mais conhecido nos rincões desse Rio Grande pelo codinome TAC. Traja amarelo e preto e, não por acaso, é um clube que vive de superação, de entrega, de abnegação, bem ao estilo de outros jalde-negros espalhados por essa região platina.

Minha identificação com o TAC nasceu desde o primeiro minuto de vida. Em 1987, ano em que fui trazido ao mundo, meu pai assumia a presidência do Três Passos, após uma longa parada de 14 anos. Desse ano, até 1992, meu pai só não foi atleta ou técnico do TAC. De resto, exerceu todas as funções, sejam elas administrativas ou operacionais (marcar com cal o campo, colocar e retirar redes, arrumar alojamento para jogadores, levar comida para os atletas). Após dois anos de recesso, meu pai assumiu novamente a presidência e meu irmão jogou nos juniores e no profissional do TAC, em 1994 e 1995.

Mais uma longa parada, de dez anos, até chegar 2005, quando o Três Passos e a Região Celeiro novamente voltaram a brilhar no cenário estadual: Três Passos e o seu velho rival, o Tupy de Crissiumal, retomavam suas atividades e reeditavam, após mais de 12 anos, o clássico TA-TU (o maior clássico regional. O que, para nós, e somente para nós, é o que realmente importa). Eu, com meus já bem alcançados 17 anos, ao invés de disputar uma vaga nos juvenis, virei assessor de imprensa (pois sei mesmo é enganar com as letras). Meu pai virou presidente de honra e meu irmão, mesmo de longe, apenas torcedor.

Desde 2005, estamos lutando com forças que surgem não sei de onde para nos mantermos vivos no futebol “profissional” do Rio Grande do Sul. Desde lá, sou colaborador, dentro do possível, com notícias e propagação do clube pela internet e pela região.

Los jalde-negros do Yucumã, em chamas.

Sou taqueano de sangue e coração. Se existe paixão no futebol, aqui em Três Passos mora a mais verdadeira de todas.

Meu amigo, temos a pior estrutura de clube do interior gaúcho. Se alguém me provar do contrário, posso até me render. Nosso estádio é municipal e de uma precariedade que, muitas vezes, nos envergonha. Não temos sede social, não temos sede administrativa, não temos títulos de expressão, não temos banda, não temos trapo, não temos organizadas, estamos amargando em 2012 a terceira divisão do futebol gaúcho.

De que vivemos então?, deverá ser a pergunta. Vivemos do inexplicável, do indecifrável, do improvável. Nos sustentamos pela paixão que nutrimos por nossa cidade e nosso tradicional representante. Vivemos de vitórias memoráveis em partidas, não em campeonatos. De atuações formidáves em superação, de gritos e de aplausos de torcedores comuns, simples, trabalhadores, sofredores. Vivemos pela camisa aurinegra, vivemos para ter espasmos de alegria, vivemos da verdadeira essência do futebol. Vivemos de pouco, mas somos o pouco que sustenta e forma o único e verdadeiro patrimônio do Três Passos Atlético Clube: sua torcida e sua paixão.

Em 2006, criei com meu pai a Rádio Tertúlia WEB (www.tertuliaweb.com.br). Em 2009, também com meu pai, reerguemos o Jornal Observador, semanário que circula em 6 municípios de nossa região desde então.

Pois bem. Talvez tenha me estendido demais, mas acho que valeu a pena. Gostaria apenas de mostrar o quanto amo esse meu time e o quanto torço para que consiga conquistas verdadeiras nos anos vindouros, sejam elas em campo, sejam elas em grandeza de estrutura e clube de futebol.

Um povo torcedor visto muitas vezes com pouco caso pelos tradicionais do centro/sul/metropolitano do Estado, mas que luta para honrar as melhores tradições desse Rio Grande guapo.

Diretamente da terra de Wianey Carlet, o Vidente,

Vini Araújo (@viniaraujo87)

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11 Respostas a No Noroeste do Rio Grande pulsa um coração jalde-negro

  1. Ranieri diz:

    Lembro de ter assistido, na infância, levado pelo meu pai, ao jogo Elite F.C. x TAC, em Santo Ângelo. Foi a primeira vez que fui a um estádio de futebol. É a lembrança mais antiga que tenho do esporte bretão.

  2. Maurício Klaser diz:

    “Meu amigo, temos a pior estrutura de clube do interior gaúcho. Se alguém me provar do contrário, posso até me render. Nosso estádio é municipal e de uma precariedade que, muitas vezes, nos envergonha. Não temos sede social, não temos sede administrativa, não temos títulos de expressão, não temos banda, não temos trapo, não temos organizadas, estamos amargando em 2012 a terceira divisão do futebol gaúcho.”

    Beijos OAS-AG

  3. Vini Araujo diz:

    Agradeço aos amigos, desde já, pela postagem. Espero que seja a primeira de muitas. abraços

  4. Mauro Podolak diz:

    Pois é meu querido. A luta é quase inglória, mas como disses-te, vivemos de poucas colheitas.
    Torcer de longe é pior ainda, mas continuo acreditando. Nada de Evandro Brito este ano, por favor. abraços,

  5. Ranieri diz:

    Retificação…
    Não era Elite F.C. e sim C.D. (ELITE CLUBE DESPORTIVO – Campeão Gaúcho da 2º divisão em 1958), que junto com o Grêmio Esportivo Santoangelense e o Tamoyo Futebol Clube formaram a SER Santo Ângelo.

    Abraço

  6. arbo diz:

    eu falei q dava um post!
    vida longa por aqui!

  7. beretta diz:

    Sensacional demais. Isso que eu chamo de ESPÍRITO CANCHEIRO.

    VAMO!

  8. Natan diz:

    Sensacional Vinícius!

    Que seja o primeiro de vários belos textos, meu vizinho é torcedor do TAC. Se por um acaso rolar TAC X Aimoré na Segundona vamos combinar uma gelada em Três Passos ou aqui em São Léo mesmo.

    Abraços!

  9. Priscilla diz:

    Durante o último Carnaval, em Montevideo, eu e a família pegamos um táxi todo decorado, dirigido por um fanático do Penharol. Empolgado com as cores, meu pai puxou a carteirinha de torcedor do TAC para exibir o amarelo e negro trespassense também!

  10. Franco Garibaldi diz:

    Que sirva de LIBELO para que cada vez mais cancheiros espalhados por aí se juntem ao TODA CANCHA pra não deixar morrer o futebol do interior, por mais que a federação, imprensa e, pasmem, os próprios dirigentes coniventes dos clubes queiram (e estejam conseguindo).

  11. Antunes diz:

    Jalde-negro é só o Bagé. Vocês são auri-negros.

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