A Cancha: Estádio Aldo Dapuzzo – S.C São Paulo

Quero dar inicio a minha participação no blog, com uma breve apresentação. Sou o mais novo “cancheiro” por aqui. Me chamo Lucas, sou estudante de educação física, morador da cidade de Rio Grande e mais um grande apaixonado pelo pegado futebol do interior gaúcho.

Tenho a difícil missão de escrever sobre o Sport Club São Paulo.  Time pelo qual sou apaixonado e que ao longo desses 17 anos de vida já me fez sentir as mais diversas emoções possíveis e que ao longo do tempo serão descritas aqui. Nada melhor do que iniciar minha participação, falando do lugar onde é a casa do torcedor São-Paulino a muito tempo,e lugar que foi o palco de grandes batalhas que fizeram do “Sampa” um dos mais tradicionais clubes do futebol gaúcho.

O Estádio Aldo Dapuzzo, situado na Avenida Presidente Vargas, é  um dos mais antigos e estádios do Rio Grande do Sul .Hoje em dia, tem capacidade para aproximadamente 10 mil pessoas e está localizado no centro da mais antiga cidade do estado.  O “Dapuzzão”  como é conhecido pela torcida, é a casa do Leão do Parque, desde a criação do clube no ano de 1908.

Estádio Aldo Dapuzzo completamente lotado – São Paulo x Juventude. Copa Laci Ughini 2011. Foto: Jornal Agora.

História:

Na primeira década do século XX, época da criação do clube, o estádio era chamado de Estádio Waldemar Fetter. Porém, a partir da década de 80 passou a se chamar Estádio  Aldo Dapuzzo. A alteração no nome se deu graças a uma justa homenagem prestada ao patrono do clube, o Sr. Antônio Aldo Dapuzzo, que não mediu esforços para ajudar o S.C São Paulo a disputar competições nacionais, como os campeonatos Brasileiros da série A nos anos de 1979, 1980 e 1982. Se tornando assim, um dos 8 times gaúchos a participar da elite do campeonato Nacional.

Ainda no inicio de sua trajetória, anteriormente a década de 1940, havia um pavilhão construído em madeira que na época já era bastante acanhado para a sua grande torcida que passava a crescer cada vez mais dentro da cidade e ganhar força na região sul do estado.

Nesta década foram unidos esforços para a construção de um novo pavilhão social que, com a exceção de algumas modificações, que até hoje preserva seus traços originais.

Em 1954 o Estadio Waldemar Fetter, ganharia seu primeiro sistema de iluminação. Assim, acompanhando a maioria dos grandes clubes Brasileiros com relação a disputa de partidas a noite.

Já em 1961 são erguidas as arquibancadas de alvenaria da Rua América, que dariam lugar a mais 5 mil rubro verdes.  Arquibancadas estas que desde a década de 90 estão interditadas.

Outra grande ”façanha” da história do estádio da Linha do Parque certamente ocorreu quando o clube ganhou o direito de disputar a elite do Campeonato Brasileiro. De modo em que no ano de 1979 foi inaugurado um módulo de arquibancada em ferradura paralélo a rua 1º de Maio, que tem a capacidade para 8 mil rubro-verdes. Desde a interdição das arquibancadas da Rua América, a “ferradura” como é conhecida, juntamente com o pavilhão social, abriga toda a torcida do leão.

“Ferradura” tomada pela fanática torcida caturrita – São Paulo x Rio Grande. Foto: Jornal Agora/2008.

Em 17 de Dezembro de 1997 foi declarada a Lei n° 5.198 pelo então prefeito Wilson Mattos Branco,que  tornou o Aldo Dapuzzo, patrimônio Histórico e Cultural do Município, de forma que o imóvel não poderá mais ser vendido. Sendo assim a presença do clube permanece perpetuada na cidade do Rio Grande.

Hoje, o plano da nova Arena do Leão ainda está no papel, planejamento que tornaria a capacidade do estádio superior a 15 mil pessoas e faria com que o estádio fosse um dos maiores e mais modernos do interior do Rio Grande do Sul.

Jogos marcantes na Linha do Parque:

1. 23 de Março de 1980. São Paulo 0 x 0 Flamengo – Campeonato Brasileiro

O “galinho” Zico, comandante do esquadrão do rubro negro Carioca, sendo entrevistado em um Aldo Dapuzzo completamente lotado.

Com o maior público de sua história (aproximadamente 18 mil pessoas), o estádio Aldo Dapuzzo pulsava com a torcida verde e vermelha que explodia de emoção e êxtase. Não era para menos, frente ao São Paulo, estava o Flamengo de Zico e Junior, time que um ano depois se sagraria campeão da Libertadores da América e logo após do Mundial Interclubes, batendo o Liverpool por 3×0.

O rubro-negro carioca, viu o Leão do Parque comandado novamente pelo querido Ernesto Guedes, realizar um grande partida e perder grandes chances de sair com a vitória. No fim, o empate foi um resultado justo, porém, como era de se imaginar, frustrou bastante a torcida caturrita, que viu por muitos momentos a possibilidade de vitória sobre o poderoso Flamengo. Empate este, que foi muito comemorado pela imprensa carioca.

São Paulo: Sérgio, Carlão, Tadeu, Zé Augusto, Cláudio Radar, Astronauta, Paulo César, Doraci, Almir, Néia e Romário. Técnico: Ernesto Guedes

Flamengo: Raul, Rondinelli, Marinho, Júnior, Toninho Baiano, Zico, Adílio, Tita, Andrade, Carlos Henrique e Reinaldo. Técnico: Cláudio Coutinho

2. 4 de Agosto de 1985. São Paulo 1 x 1 Internacional – Copa Bento Gonçalves

O ano de 1985 para o S.C São Paulo foi muito especial. Convidado para participar da Copa Bento Gonçalves, que contou com 14 clubes do interior e da capital do estado, o Leão do Parque foi arrasador. A grande dificuldade começaria nas fases finais. Na semi-final, viria pela frente um confronto com o Grêmio, time que ainda contava com a base da equipe campeã mundial dois anos atrás no Japão.

No jogo de ida, em Porto Alegre, empate em 2×2. São Paulo teria de vencer no Aldo Dapuzzo uma semana depois. E com o apoio maciço de sua torcida, conseguiria uma vitória maiúscula por 2×0, indo assim para a final do torneio.

Agora, na grande final, era vez de enfrentar o poderoso Internacional. O dia era 13 de julho de 1985 e o São Paulo conseguiria uma vitória histórica, em pleno gigante da Beira Rio pelo placar de 1×0, precisando assim, de apenas um empate para levantar a taça.

No dia 4 de Agosto de 1985, o Aldo Dapuzzo receberia um dos maiores públicos de sua história. A festa já estava pronta, pois apenas um empate bastava para o time rubro-verde. Porém, esqueceram de avisar que do outro lado estava o tri campeão Brasileiro S.C Internacional. Assim, com uma grande equipe, o time da capital Gaúcha abriria o placar, resultado que levaria a partida para os pênaltis. Ao mesmo tempo que empatava, o colorado dava banho de água fria na torcida caturrita. Com contornos dramáticos, o São Paulo, como um verdadeiro LEÃO, conseguiria um empate, despachando o poderoso Inter, e se sagrando campeão da Copa Bento Gonçalves de 1985. A festa que começava no Aldo Dapuzzo, se expandia pelo resto da cidade. Naquele momento, o Rio Grande do Sul era colorido pelo vermelho e pelo verde da bandeira do São Paulo.

Vídeo com os gols das semi-finais e da final da Copa Bento Gonçalves de 1985.

3. 23 de Outubro de 2011. São Paulo x Cerâmica – Copa Laci Ughini

Em termos de importância, esta partida ficaria bem atrás das demais citadas, porém, em termos de emoção com toda certeza, não perderia em nada.

Eram quartas de finais da Copa Laci Ughini, após uma derrota por 1×0 em Gravataí, precisaria o São Paulo vencer por 2 gols de diferença para ir a próxima fase.

Então, o tão esperado dia chegaria. Era 23 de Outubro de 2011, dia de ENEM, e eu, como grande parte da torcida rubro-verde, fez o exame com a cabeça lá no Aldo Dapuzzo que receberia um público de 8 mil torcedores.

Com o inicio do jogo, e com a necessidade da vitória, o leão certamente iria pra cima. Tanto que por volta de 20 minutos do primeiro tempo, Alex Amado, em  bela jogada pela esquerda, coloca 1×0 no placar e faz a torcida explodir de alegria na Linha do Parque.

O primeiro tempo acabaria assim, enchendo de confiança a torcida caturrita que fazia uma bela festa nas arquibancadas. Porém, “quem não faz, leva”. E o Cerâmica, voltaria melhor para a segunda etapa, tanto que aos 20 minutos empataria o jogo, fazendo que por alguns minutos a tristeza tomasse conta do Aldo Dapuzzo. Daí então, em 25 minutos, o São Paulo teria que ser aguerrido como um leão e fazer dois gols na forte equipe do Cerâmica, recém classificada para a elite do futebol Gaúcho.

Um clima de confiança viria das arquibancadas, e contagiaria a equipe, que aos 25, passaria novamente a frente do placar com Mano Garcia, dando uma injeção de ânimo na torcida. A partir daí, 8 mil vozes cantavam juntas em um só grito de “vamos vamos São Paulo”. Porém, o tempo ia passando, e o tão esperado gol não saia.

Até que aos 30 minutos, Tonho Gil lança o contestado Alex ao gramado. Poucos minutos depois, em uma bola sobrada de fora da área, com um petardo de perna esquerda, Alex põe a bola no ângulo direito do goleiro, fazendo o Aldo Dapuzzo estremecer de emoção. A partir daí, foi só segurar o resultado e confirmar a classificação que foi muito comemorada pela massa rubro verde. Mais uma vez aquele velho ditado muito conhecido pelos rubro verdes se fez presente: “Se não for sofrido, não é São Paulo”.

“(…) O torcedor foi um show a parte. Para quem foi ao Estádio Aldo Dapuzzo pode acompanhar a expectativa, a ansiedade e a festa de aproximadamente cinco mil pessoas.Os Rubro-Verdes vestiram suas cores dando uma demonstração de amor e confiança no time. O sentimento destes torcedores foram se misturando ao longo da partida(…)” (texto: jornal agora)

 Reportagem da RBS TV sobre o confronto contra o Cerâmica.

Direto de Rio Grande,
Lucas Costa Linck

Publicado em São Paulo-RG, Série "A Cancha". ligação permanente.

2 Respostas a A Cancha: Estádio Aldo Dapuzzo – S.C São Paulo

  1. Zezinho diz:

    Baita relato, Lucas!

    Lembro de um Almanaque do Brasileirão, da Placar, em que elegia os piores estádios a sediarem partidas do Nacional. O Zé Alberto, da Gaúcha, em depoimento, elegeu o Aldo Dapuzzo como um dos piores. Ou seja: ORGULHO.

    Esse jogo da Copa RS não foi pelas oitavas? Lembro que o São Paulo enchia o estádio na Copinha e na Segundona. Públicos de darem inveja a qualquer clube do Interior. Lembro de 2000, quando vocês foram vice da Segundona, quando o Noia subiu. E o primeiro jogo de ambos na elite foi justamente um confronto direto: empate em 2×2 em Rio Grande, transmitido pela TV Com

  2. Grande estreia, Lucas!

    A Cada A Cancha que é postado, mais me coço pra finalizar de uma vez o do Jaconi!

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