Aos anilados, os farelos da cuca

Carlos Duarte discursa no início de 2010: todo ano, mesmo papo; todo ano, mesma morte na praia. Foto: Onze! Futebol

Desde o início da gestão de Carlos Duarte como presidente do Novo Hamburgo, em fins de 2009, o enredo tem sido o mesmo: contratação de medalhões e promessa de luta pelo título gaúcho e por vaga na Série D. E se é verdade que o Noia chegou a duas decisões de turnos em três anos, também é verdade que o clube se mostrou incapaz de voltar às competições nacionais.

Se em 2010 a vaga bateu na trave e em 2011 o centenário foi um fiasco, em 2012 o clube teve a vaga na Série D em suas mãos, contudo não a aproveitou alegando problemas financeiros. Mas, então, por que o discurso, repetido a cada Gauchão, de briga pela vaga à Série D, se quando o clube tem a oportunidade de disputá-la, foge da mesma tal qual o diabo foge da cruz?

Essa e outras questões são abordadas, tal como a gestão Carlos Duarte e o futuro do Noia, com eleições presidenciais se avizinhando e chapa prometendo esquentar, fazendo jus aos projeteis disparados no Santo Afonso.

Vaga, pra que te quero?

Tal logo terminou a partida contra o Cerâmica, o Novo Hamburgo sabia que a vaga à Série D ficara nas mãos do Veranópolis. Pois bem, é sabido na província de São Pedro do Rio Grande que o referido clube serrano fecha as portas no segundo semestre. Portanto, era previsível que o VEC passasse a vaga adiante, com o Anilado a herdando. Após os gringos se EBANCEBAREM com a ditacuja por duas semanas e meia, a rapariga caiu no colo dos alemães do Vale. Mas com apenas dois dias para dar a derradeira resposta, o Noia alegou incapacidade financeira e desistiu da vaga.

Segundo as informações oficiais, o clube não conseguiu arranjar os R$ 600 mil estimados necessários para a disputa da Série D, além do tempo diminuto para montar um elenco há menos de um mês do início do campeonato. No entanto, cabem alguns questionamentos:

– Por que o clube não alinhavou verbalmente patrocínios que viabilizassem a Série D, em caso de desistência do VEC?

– Por que dispensou todo o elenco antes da decisão oficial do clube serrano?

– Onde estão os CULHÕES de quem quer fazer do Anilado a quarta força do Rio Grande?

– Como que o Noia disputou a antiga e arcaica Série C entre 2004 e 2006, com muito menos recursos, e não pode disputar a Série D atualmente?

– Com a exposição de quem foi vice-campeão da Taça Piratini, teve uma das revelações do campeonato (Clayton) e um dos artilheiros (Juba), não era mais do que suficiente para que o empresariado da região investisse no Noia?

– E o senhor Carlos Duarte realmente queria a Série D ou só estava blefando?

Para a última pergunta, há quem garanta que o presidente usa tal discurso apenas para manter o grupo de jogadores mobilizado e captar recursos pro Gauchão. Diz-se que Duarte dá atenção somente às categorias de base, como a galinha dos ovos de ouro do Vale dos Sinos. Se é verdade, não sabemos, mas está faltando transparência e ‘aquilo’ roxo pro homem forte do Noia.

Instabilidade no comando técnico

No primeiro campeonato da gestão Duarte, o Noia entrou em campo comandado por Leandro Machado. Entretanto, após apenas 5 jogos, Machado foi demitido e Gilmar ALEX FERGUSON Iser foi contratado. Após o término do Gauchão, Gilmar Dal Pozzo foi o incumbido de comandar o time na Copa FGF. Porém a falta de bom futebol e de resultados convincentes o derrubaram ao final da primeira fase. Assim, Gilmar Iser, o ETERNO, foi recontratado.

Iser assumiu no final de 2010 e montou o time do centenário. No entanto, após uma má pré-temporada  e apenas dois jogos no Gauchão, o técnico foi defenestrado do KALIBU. Julinho Camargo, o BICHEIRO, assumiu a casamata, uma conta no Xis das Taquareiras, Xis do Nélson, Pica-Pau e no Fofinho e montou a maior máquina de empates que esse estado já viu. Tão logo o Noia encerrou sua participação, El Gordo foi militar em clubes menores.

Para Copa FGF, Itamar Schulle assumiu. E de sua careca brilhante e reluzente saiu o mais belo e consistente trabalho: semi-finalista da Copa FGF, vice-campeão da Taça Piratini, melhor campanha na 1º fase do Gauchão e apenas 4 derrotas em 8 meses. No entanto, após uma má explicada derrota pro Grêmio, El Careca é sacado e assume Lisca (pior pessoa), no comando até hoje.

Frio. Chuva. Sozinho. Pensando na vida. Saudades. Itamar Schulle foi quem ficou mais tempo no cargo. E quem, coincidentemente, fez o melhor trabalho. Foto: Bruno Colombo/ECNH

Corre pelas ruas de Novo Hamburgo, atualmente transformadas no Labirinto do Minotauro graças às obras do Trensurb, que o grande responsável pelas seis trocas no comando técnico anilado foi o próprio presidente Carlos Duarte, de pavio curto, contrariando seu braço direito Luizinho Valentim.

Para quem reza a cartilha da gestão e do trabalho a longo prazo, uma senhora incoerência.

Montagem do grupo pra Copa FGF nas mãos de Lisca: isso vai dar merda!

É sabido há decênios que treinador algum deve ser o principal incumbido da montagem de um elenco, seja ele Josep Guardiola, JESUS ou Vacaria. Pelo simples motivo que o gajo só contratará a pior espécie de jogador existente: o da CONFIANÇA do treinador.

Porque, meu amigo, pior que jogador ruim só jogador da confiança do treinador. O cabra não se machuca, é o primeiro nos testes físicos, joga onde o desgraçado mandar e…não rende porra nenhuma. Quem se lembra da relação promíscua de Abel Braga com Michel, no Internacional, e de Mano Menezes com Ramón e Patrício, no Grêmio, sabe bem disso.

Com Lisca assumindo as rédeas, o que vemos é o grupo do Noia pra Copa FGF sendo formado por um bando de PÉ-DE-RATO desconhecido bruxinho do treinador e que tira espaço da gurizada. Treinador, esse, que conseguiu arranjar confusão com arbitragem, imprensa e FREIRAS nos míseros 5 jogos em que comandou o Anilado no Gauchão. Não será esse ano que tiraremos a barriga da miséria.

Não obstante, fosse eu o homem do futebol anilado, teria EMPALADO Lisca no intervalo do jogo contra o Avenida, pelo Costelão. Necessitando da vitória contra o lanterna da chave, Lisca enta em campo com três zagueiros, dois volantes, dois laterais e três atacantes – sendo um deles o THURRAM. O cabra entrou sem um meia articulador sequer! Deixou o puto maravilha Clayton no banco, ao lado do imberbe Leandrinho, e colocou pra jogar uma NULIDADE no ataque. Tivemos 45 minutos desperdiçados porque não havia um bugre sequer pra gerir a posse de bola. Mais do que motivo pra demissão sumária.

No discurso, a base como futuro do Noia; na prática, balcão de negócios

Reformuladas em 2011, o Noia voltou a ter categorias juvenil e junior para disputas de torneios regionais e nacionais, visando formar jogadores que servissem o profissional no futuro, criando uma identidade com o clube e diminuindo os custos da formação do plantel.

Os resultados tem sido bons nas duas categorias, com o Anilado atingido as fases quentes das competições frequentemente, ainda que isso não esconda algumas falhas. No plantel sub-20, por exemplo, em 1,5 ano já passaram pelo comando quatro treinadores: Luvio Trevisan, Dias, Mabília e Da Silva. E um novo comandante chegará em breve.

Com 25% dos direitos econômicos vendidos por R$ 280 mil, transferido ao Palmeiras, Clayton é o único jogador da base anilada a se firmar na equipe profissional e ser negociado. Foto: Bruno Colombo/ECNH

A direção anilada fez questão de ressaltar que 1/3 do elenco do Gauchão de 2012 era formado por atletas oriundos da base. Porém, à exceção de Clayton, os demais sequer alinharam com a camisa anilada, sendo preterido por medalhões de rendimentos parcos. E ao invés desses jogadores serem aproveitados, eles tem sido negociados. Foi assim com o atacante Diego Testa, emprestado ao Grêmio durante a 2ª fase do Gauchão Sub-20, e com o volante João Afonso, emprestado ao Internacional.

Para o segundo semestre, o zagueiro Dimas e o meia Wander jogarão regularmente e formarão a base pro Gauchão do ano que vem ou ficarão pendurados feitos salames a espera do primeiro par de cruzeiros para levá-los embora?

Há vida sem Luizinho?

Desde 2005, o MIDAS anilado atende pela alcunha de Luizinho Valentim. Ele foi o responsável pelos melhores elencos montado pelo Noia. Mas ao fim do Gauchão de 2012, Luizinho deixou o clube pra tocar projetos pessoais.

Além disso, sucessores naturais, como Sandro Blum e Márcio Dias, também deixaram o clube. Maurício Andrade acabou assumindo a função de faz-tudo no Noia, até a chegada do novo gerente de futebol Eliseu Erhart. Em meio ano, o Noia perdeu três homens identificados com o manto anil, sendo um deles profundo conhecedor do mercado da bola, para deixar o futebol nas mãos de dois burocratas, dito especialistas. Conseguirá o Novo Hamburgo manter a qualidade de outrora?

Eleições: oposição promete vir forte

Carlos Duarte tem sido criticado internamente por ter afastado do clube figuras aliadas ao Noia, como mencionadas acima. Isso tem causado insatisfação no Conselho anilado, com apenas dois ex-presidentes comparecendo à festa de aniversário de 101 anos do clube. Nos bastidores, uma chapa de peso, comandada por Elio Splinder, surge como oposição.

Fato é que os últimos três grandes presidentes anilados colocaram dinheiro de seus negócios no clube: Rosalvo Johann, Bruno Fehse e Carlos Duarte. Um racha, por assim dizer, colocaria em risco a atual fonte de recursos. Por outro, possibilitaria ao clube o ressurgimento do debate interno e uma política que abrace as comunidades da cidade.

Se o clube tem fugido da peleia dentro de campo, que se faça a briga fora dele. Que a direção do Noia saia às ruas da cidade e leve o torcedor anilado ao Estádio do Vale. Que vá às Bancas, ao Kephas, à Roselândia, ao Santo Afonso, à Vila Kroeff, ao Centro, ao finado Santo Rosa, ao Rincão, à Rondônia, a Lomba Grande, às cidades limítrofes e leve o Noia consigo. Que transforme o clube da cidade em identidade novamente. Que faça o clube ser vivido por sua comunidade e não ser jogado ao leu por engravatados que não honram suas genitálias e só se preocupam com balancete financeiro, sem criar artimanhas para novas receitas.

Senão, ano após o ano, será anunciado novo banquete, e quando todos os grandões já engraxarem seus bigodes na hora do filé, aos anilados de fé restarão as migalhas de um trimestre sem futebol no Estádio do Vale.

Destinos dos jogadores anilados que disputaram o Gauchão 2012:

Pedro Silva – ABC
André Paulino – Chapecoense
Luis Henrique – Aimoré
Marlon – Criciúma
Russo – Arapongas
Chicão – Chapecoense
Clayton – Palmeiras
Preto – Vila Nova/GO
Juninho – Marília
Juba – Caxias
Paulinho Macaíba – CSA

Jogadores contratados para a Copa FGF 2012:

André Sangalli (goleiro, Caxias)
Diego Marder (lateral-direito, Canoas)
Brock (zagueiro, Canoas)
Renan (zagueiro, Caxias)
Márcio (lateral-esquerdo, Democrata/MG)
Felipe (volante, Santa Cruz/RS)
Luiz Carlos (meia, San José/BOL)
JALISSON (meia-atacante, Luverdense)
Sato (atacante, Caxias)

Ansiando pela revolução anilada,
Zezinho 

Publicado em Novo Hamburgo. ligação permanente.

16 Respostas a Aos anilados, os farelos da cuca

  1. Maurício Klaser diz:

    Uma direção que passa o RUSSO adiante não deve ser criticada

  2. Daniel diz:

    As trocas excessivas de comissão técnica vêm beirando o absurdo mesmo, ainda mais nas circunstâncias em que acontecem.

    Lembro que há alguns anos atrás (2005, por ali, quando quase subimos), o sonho do Noia era estar jogando a Série B no ano do seu centenário. Nesses pouco tempo atrás, o clube jogava a Série C com frequência e sempre montava bons times.

    Hoje, investe pesado no Gaúchão, trazendo nomes conhecidos, e abre mão da competição nacional. Qual é o plano?

  3. Cauê B diz:

    Thuram ficou. Prevejo muitos gols de cabeça nos minutos finais na FGF.

  4. Will diz:

    Oremos torcedores anilados. Todos os anos a embalagem do presente é maravilhosa, mas quando a gente abre não tem nada lá dentro. Quem sabe logo a gente pare de ficar imaginando “ah….como seria bom se….” e comece a realmente ganhar alguma coisa. Dá-lhe Nóia!!!

  5. Sandrilho diz:

    Demos um jeito de publicar o texto Jornal NH.

  6. Maurício Klaser diz:

    Agora falando SÉRIO depois de ler mesmo o texto rss

    Noia tem que repensar MUITO seu planejamento, cada vez mais abre mão dos seus garotos para trazer GORDOS, que não pesam demais na balança e nas contas. Nomes nomes nomes nomes e nada de grandes resultados, vamos bem no Gauchão, mas clube que quer crescer realmente tem que se aventurar nas séries nacionais.

    Duarte parece que fala em PROJETO SÉRIE D só para motivar a torcida no início do ano, quando na verdade só quer as cotas lindas do Gauchão e NADA MAIS

  7. Weber diz:

    Acho que a atual administração tem erros e acertos. Fico contente com os investimentos altos no patrimônio e na base. Bem ou mal, o clube vem revelando atletas de uma maneira como nunca conseguiu fazer e acho que logo isso dará retorno. O que me preocupa é a distancia que Carlos Duarte mantém de anilados históricos. Acho que agregar antigas lideranças é importantíssimo, até pelo fato disso trazer mais recursos e torcida. Espero realmente que tenhamos oposição na próxima eleição, mas que seja uma oposição saudável para o clube.
    DÁ-LHE NOIA E QUE VENHA A COPA RS!!!!

  8. Marcelo Alves diz:

    Belissimo texto, trata-se da realidade anilada nos ultimos anos…., muito bem colocado…

    Que saudade daquele NOVO HAMBURGO que era mais proximo de sua TORCIDA !, e com certeza este clube tem a sua torcida !

  9. Como mencionei no texto, comparo a gestão de Carlos Duarte às de Rosalvo Johann e Bruno Fehse. Só que ele pegou o clube saneado, tem investido muito, e os resultados não tem chegado ao mesmo nível de investimento. Além disso, vive-se uma euforia do Gauchão e um anti-clímax na Copinha.

    Poderíamos ter vencido as duas últimas Copinhas. Como o elenco que está sendo montado e comandado por Lisca, duvido muito.

    Pelo menos, Everton Cury parece estar voltando ao convívio do Noia. Se hoje estamos entre os grandes, devemos muito a ele

  10. Léo/NH diz:

    PERFEITO esse texto, fatos que aconteceram com o ECNH, espero que a oposição venha, e que vença quem possa fazer melhor pro ECNH, a base será boa ao clube, se esses jogadores da base sejam do clube, mas o que vejo é empresarios trazendo e comprando os meninos, por troca investem no clube, dae enche os olhos da torcida e o meninos saem e o dinheiro nao fica no clube

  11. Pingback: Há males que vem pra bem – ou a saída de Lisca do Noia e a chegada de Paulo Porto | Toda Cancha

  12. lucasecnh diz:

    ótimo texto . Aí fala o que eu penso em o nóia trazer a comunidade para o seu lado , não se ve um anuncio em dias de jogos , nada.

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