A dor de um até logo

 

Vista-se de preto, caro leitor. Os próximos dias serão de luto para todos aqueles que apreciam a magia que só o futebol do interior oferece. Da mesma forma que anunciamos, semanas atrás, o ressurgimento do folclórico Cachoeira FC aos campos do Rio Grande do Sul, temos o dever de noticiar a todos que o projeto de 2012 ruiu. No atual panorama do futebol gaúcho, onde inúmeros clubes giram em torno de dois, a volta do futebol profissional à cidade só se dará quando toda a comunidade cachoeirense abraçar seu time e fazer das dificuldades um esforço ainda maior para seguir em frente. E pensar que nem a prefeitura da cidade se moveu para ceder o estádio aos treinamentos…

Ao Cachoeira, tudo parecia em um conto de fadas. Eleição da nova diretoria, diminuição de suas dívidas, anúncio da volta aos gramados, apresentação, técnico, jogadores, primeiros treinamentos com bola. Claro, tudo com o apoio de uma empresa parceira que se prontificou a gerir o futebol do clube. Oras, dinheiro não cai do céu e muito menos dá em árvore. Impensável acreditar que o humilde Cachoeirinha, após quase quatro anos em descanso profundo, voltaria à cena capaz de se manter, de buscar seus próprios jogadores e ainda por cima almejar grandes resultados. A Federação Gaúcha, bem, será que ela conhece a história desse clube? Será que não seria mais útil a ela tentar fortalecer outras equipes do que se preocupar apenas com a Dupla?

Durou seis dias o acordo entre o Cachoeira e o grupo de empresários. Segundo a diretoria do time, não foi cumprido os valores firmados no contrato. Jogar toda a responsabilidade para cima dessa tal empresa parceira? Talvez seja injusto. Se até nos grandes times do Brasil é comum a ruptura entre clube-empresa, imagine o que sobra para clubes pequenos, sem o apoio da própria cidade, que tentam através de uma força hercúlea voltar a sonhar.

Os mais de 20 jogadores que já haviam iniciado os treinamentos foram liberados para procurar clube. O alvirrubro novamente terá de se voltar ao passado e rememorar os seus grandes momentos. Só assim encontrará forças para seguir lutando nesse mundo excludente que é o futebol. E enquanto os bumbos do Comando Pittbul seguirem fazendo a trilha sonora do Joaquim Vidal, ainda não será o momento de dizer adeus.

Eduardo Schiefelbein

Publicado em Cachoeira, Segunda Divisão 2012. ligação permanente.

12 Respostas a A dor de um até logo

  1. Eu sigo batendo na tecla de que é preciso que surja alguém pra varrer essa corja ligada à dupla grenal da FGF. Aparecer alguém que efetivamente pense no interior. Grêmio e Inter não precisam da federação para serem grandes, ao contrário dos clubes do interior.

    Ok, não é só culpa da FGF e seu presidente é eleito pelos clubes, não tá lá imposto por ninuém. Por isso, ou os clubes do interior resolvem mudar isso ou de nada adiantará ficar reclamando.

    Fora isso, só nos resta lamentar. Para sobreviver (ou renascer), nossos clubes ficam nas mãos de empresários, cujo único objetivo é levantar um troco levantando a lona de seu circo de cidade em cidade a cada ano que passa. Aí vemos que talvez seja esse justamente o interesse do dono das lojas de cd…

  2. Natan diz:

    #1

    Bah Franco, concordo contigo em gênero, número e grau, falta uma liderança pra chegar “chegando” e botar ordem na casa, parece que somente a dupla existe na paisagem clubística da FGF.

    Bah Eduardo, lamento muito pela desistência do Cachoeira, um polo importante de nosso estado como a terra do arroz não merece ficar longe das competições. Triste.

  3. Maurício Klaser diz:

    Gostaria de saber oq faz os presidentes dos clubes do Interior CONTINUAREM elegendo o Chiquinho.

  4. Vini Araujo diz:

    triste situação.. mas que seja um até breve! Força aos amigos de Cachoeira

  5. Sancho diz:

    Re 3

    Sabes onde são os encontros técnicos da entidade?

  6. daroit diz:

    Cara, que merda. Já passou da hora de a gente invadir a FGF e dar um golpe popular.

  7. Deborah Luisa diz:

    Franco,

    esse cara já existiu. O cara que vem do interior e pensa no interior já surgiu, já tentou concorrer a presidência da FGF, e por incrível que pareça, foi boicotado pelos próprios clubes do interior.

  8. Sancho diz:

    Quem, Deborah?

  9. #7

    Essa é a questão, Deborah. O problema começa dentro dos clubes, cujos representantes se vendem por uma viagem com a patroa para algum ponto do continente para um festerê com o Chico.

  10. Deborah Luisa diz:

    Não sei exatamente o ano, mas faz tempo. O Festugato, já falecido, queria concorrer a presidência da FGF, defendia o interior e foi boicotado pelos próprios clubes do interior.

  11. Franco Garibaldi diz:

    #10

    Verdade, Deborah, lembro disso também. Aliás, li ontem no twitter que a FGF já está anunciando seu próximo ~CONGRESSO TÉCNICO~, desta vez no Caribe. Por essas e outras que os clubes tomam ferro e seus dirigentes se calam.

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