Jogo-treino: Ypiranga x Chapecoense

Para começar o meu texto de estreia no Toda Cancha, volto ao dia 14 de Abril de 2012, quando o Ypiranga entrou, provavelmente, pela última vez no Estádio Olímpico Monumental para enfrentar os tricolores da capital. Consigo até sentir toda a tristeza que senti naquela tarde, pela humilhação de tomar 4 gols, pelo fim do sonho de ser a maior zebra do mundo depois do clássico Da-lias (Davis x Golias) e ser campeão do Gauchão e também um pouco por ser rebaixado no Campeonato Gaúcho, a maior parte desta tristeza eu já havia sentido quando a rádio do ônibus que me levava à Pelotas falou do empate do Lajeadense que virtualmente rebaixava o Canarinho, uma semana antes, mas, principalmente, porque teria de esperar mais um ano para voltar ao Colosso da Lagoa e ver as camisetas amarelas correndo naquele campo, era provável que naquele dia o ano para o Ypiranga havia acabado.

A última vez que Erechim tinha visto a bola rolar profissionalmente no segundo semestre havia sido em 2009, no ano em que o título do Interior garantiu a vaga na primeira edição da série D do Campeonato Brasileiro, e apesar da eliminação na primeira fase no certame nacional, o Ypiranga ainda ficou em segundo na Copinha deixando uma boa impressão do ano. Desde então as diretorias, comandadas pelo Instituto Barão do Rio Branco, fugiram da possibilidade de jogar a FGF “como o Diabo foge da cruz”. Com um início de ano como este, até sendo rebaixado, a probabilidade de disputar a Copinha me parecia muito reduzida. Além disso, estudar em Pelotas já me impedia de ir em vários jogos do Gauchão, e mesmo que o Ypiranga disputasse algo no segundo semestre não poderia ir na grande maioria dos jogos.

Mas o universo conspirou todo a meu favor, a direção decidiu por entrar na briga pela taça Hélio Dourado aos 52 minutos do segundo tempo (para nós a FGF foi um Márcio Chagas da Silva), e os professores decidiram entrar em greve na UFPel, me permitindo curtir uma pseudo-férias na minha amada Getúlio Vargas. Quando vi no Facebook que hoje haveria um amistoso contra o time que o Ypiranga mais jogou e mais perdeu, a Chapecoense, percebi a oportunidade de ver novamente as camisetas amarelas peleando no Colosso. Inscrevi-me no bonde da mãe e das tias que iriam à Erechim fazer compras e quando o relógio dizia que faltavam 15 minutos para as 3 horas cheguei ao maior templo do futebol de todo o norte do estado.

Ao sentar nas confortáveis cadeiras do estádio percebi que havia sido enganado. Não se tratava de um amistoso, mas sim de um jogo-treino. Os verde-amarelos jogavam de camisetas azuis, de treino, enquanto os verdes de Chapecó usavam um uniforme também de treino, mas exemplarmente verde e branco. Um detalhe que não alterou a minha felicidade por voltar a ver o Canarinho jogando. O que aumentou minha alegria foi ver toda a gurizada que compunha o banco do time de Erechim.

A decepção ficou na parte que nenhuma rádio transmitiu a partida, o que dificulta uma descrição completa da partida, principalmente pelo desconhecimento geral do nome de grande parte dos jogadores e nem o tempo exato em que os lances aconteceriam. Enfim, penso que logo nos primeiros lances um passe errado no meio campo propiciou que o Ypiranga encaixasse um contra-ataque de dois homens contra um, quando o derradeiro zagueiro cortou o passe para Lucas Precheski que acarretaria na abertura do placar. Depois disso, o domínio foi da Chapecoense, pelo menos em posse de bola. Apesar deste domínio, Precheski ainda perdeu grande chance de abrir o placar em uma cobrança de falta ensaiada. Exercendo sua superioridade a Chapecoense marcou, na metade do primeiro tempo, no rebote de uma boa defesa do goleiro Roger, com Esquerdinha. No primeiro tempo, de mais, só um inexplicável, mas tradicional, arranca-rabo após um lance mais ríspido no meio campo.

No segundo tempo a partida foi mais equilibrada e, com cobranças de falta de um lateral esquerdo de chuteiras amarelas, o Ypiranga chegava com perigo. E a Chapecoense voltou a marcar com Cristiano, sozinho dentro da área. Com o placar em 0 a 2 era hora de começar o laboratório. Vários jogadores da base entraram no time do Ypiranga fazendo o time melhorar. Com um domínio do jogo veio o gol de desconto, após bom cruzamento do já elogiado lateral esquerdo, para cabeceio de Tiago. Depois, na base de faltas inventadas por um juiz fraquíssimo que parecia disposto a ver a igualdade no placar, os canarinhos ensaiaram uma pressão, mas o jogo acabou num justo 1 a 2.

Sai do estádio triste por perder novamente para a Chapecoense, mas contente com a exibição do time e da maioria dos guris que entraram. O grupo não tem muita qualidade, mas pareceu ter o espírito de simplicidade e raça do treinador Leocir Dallastra, necessário para um triunfo na Copinha e, acrescido de algumas peças chaves, pode servir de esqueleto para brigar pelo acesso em 2013, grande objetivo do clube caso os maias não tenham razão sobre o fim do mundo.

A foto é do site da Associação Chapecoense de Futebol.

Álisson Giaretta

Publicado em Copa FGF 2012, Ypiranga. ligação permanente.

7 Respostas a Jogo-treino: Ypiranga x Chapecoense

  1. Franco Garibaldi diz:

    CHORA, mídia tradicional! Pra quem achava que relato de jogo-treino era exclusividade da dupla da capital, o Toda Cancha é a resposta!

    Baita contribuição, Giaretta!

  2. Maurício Klaser diz:

    E a VÉIA IMPENSA vem falar que faz matérias sobre penteados pq FALTA PAUTA
    Beijos ERRE BE ESSE

  3. luizkochhann diz:

    Era o Lucas Precheski MESMO? ele voltou?
    Não é possível…

    Valeu pela contribuição, Giaretta.
    Espaço estará sempre disponível.

  4. daroit diz:

    Ypiranga levou uma leva de podres do Lajeadense, levou Gonçalves (que até não é tão ruim, mas é mais porra louca que o Domingos), Marquinhos e trouxe de volta o Lucas. Eu teria medo.

    Pelo menos levaram o Ghidini também, maior preparador.

  5. luizkochhann diz:

    #4

    mas daroit, o caso do Precheski tá ficando emblemático.
    o cara chegou no começo do ano passado e foi mandado embora antes do fim do gauchão de TÃO ruim que era.

    não acredito que ele voltou.

  6. Lucas Prechelski, guardem bem esse nome… vamos jogar com Ele no comando do ataque canarinho, é o fim da várzea. Hoje mais 1atacante/centroavante de referência se lesionou, e entrou quem… Ele/Ele mesmo, e só pelos deuses do futebol… Ele fez 1gol e perdeu uns par/outros quantos… sei lá, mas ele conseguiu perder gols feitos(ou quase)… #sópeloypirangamesmopelofuteboltamofeio / #vamovamoypirangaaa

  7. * Comentário acima é sobre o jogo amistoso contra o Três Passos, hoje/sábado de tarde. O Ypiranga FC vence TAC por 3×1 em jogo prepatório pra copa RS. Gols de 10.Rodrigo Ribeiro, 17.Lucas Prechelski, 11.Marquinhos… para o Ypiranga FC. #vamovamoypirangaaa

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