Há males que vem pra bem – ou a saída de Lisca do Noia e a chegada de Paulo Porto

Pior pessoa (Foto: Bruno Colombo)

Na manhã do último sábado, o técnico Lisca deixou o Novo Hamburgo e assumiu a casamata do Juventude, vaga desde a demissão de Luis Carlos Martins. O treinador, assim, terá a difícil missão de classificar o Papo aos mata-matas da Série D em quatro jogos. Para sua vaga no Estádio do Vale foi contratado Paulo Porto, técnico campeão da Taça Piratini pelo Caxias.

Lisca deixa o comando anilado com duas vitórias, dois empates e uma derrota em jogos oficiais, todos válidos pela Taça Farroupilha, quando o clube falhou a classificação ao mata-mata. Uma campanha regular, mas que não esconde a herança maldita que deixou ao Noia e pouco o credencia para levar o Ju às glórias no DILMÃO 2012.

Má preparação para a Copa FGF

Como abordado aqui anteriormente, a montagem do elenco do Noia para a Copinha ficou a cargo, quase que exclusivamente pela maior parte do tempo, de Lisca. E o que se viu foi a formação de um elenco fraco, recheado de bruxinhos do treinador.

Nos amistosos e jogos-treinos realizados, o zagueiro Eduardo Brock, o lateral-esquerdo Márcio, o volante Felipe e o meia Luis Carlos não corresponderam; o lateral-direito Diego Marder se lesionou e pode ter o contrato rescindido; e o centroavante Hyantony, de boa participação, foi negociado com o futebol português. Entre os que se salvaram, o experiente goleiro André Sangalli, o zagueiro Renan e o atacante Sato.

Além dos citados acima, duas contratações inexplicáveis: Claiton e Diogo, ambos ex-Internacional. O volante, cuja melhor fase da carreira foi no biênio 2007-08 no Atlético/PR, sequer entrou em campo em 2011 devido a lesões e jogou apenas 105 minutos no Gauchão, pelo Pelotas. Por que DIABOS um volante limitado, veterano e caro é contratado para ser titular, enquanto que o discurso da direção é revelar jogadores?

E qual a prerrogativa para a contratação de Diogo, que não se firmou num Internacional com CIDIMAR, Jeferson Feijão e Edu Silva? Que não se firmou em lugar algum? Que foi rebaixado pelo Bonsucesso no PANDEIRÃO? Pra quê gastar dinheiro com uma NABA que nunca jogou um OVO na vida, enquanto que o Noia tem garotos promissores, como Ângelo e Wander?

Pior bípede (Foto: Bruno Colombo)

O desempenho deplorável no empate contra o Indepediente (ARG), nas vitórias contra Sindicato dos Atletas do RS e Igrejinha e na derrota para o Juventude acendeu a luz amarela no Estádio do Vale. E o próprio Lisca declarou ao Jornal NH: ‘Se a intenção é brigar pelo título, temos muito para melhorar, mas se o objetivo é revelar atletas, estamos no caminho certo’.

Não é lindo quando o maior responsável pela bosta toda dá o diagnóstico certo?

Paulo Porto é o cara?

O novo comandante anilado fez sua carreira no futebol do interior do Rio Grande do Sul. Ficou conhecido Brasil afora ao levar o Caxias ao título da Taça Piratini, justamente contra o Anilado. No entanto, foi demitido antes da decisão da Taça Farroupilha. Nosso cancheiro grená, Tiago Zilli, concordou com a decisão à época, comentando o desgaste dele com o grupo e sua falta de cancha para a disputada da Série C do Brasileiro, principal objetivo do Bepe esse ano.

Com pouquíssimo tempo pra colocar o cabaré em ordem, Paulo Porto logo foi a campo (Foto: Bruno Colombo)

Assim sendo, fui atrás da opinião de outros cancheiros que tiveram seus times comandados por Paulo Porto. A melhor impressão vem de Maurício Brum, que viu Porto a frente do seu São Luiz em 2011: ‘Após a chegada dele, continuei achando o time muito ruim, mas virou absurdamente mais sólido – saímos de uma campanha hecatômbica no 1º turno para uma improvável classificação no 2º. Como o time era praticamente o mesmo em relação ao turno anterior, acho que teve enormes méritos do treinador pela mudança de postura’.

Já o xavante Pedro Henrique e o VACARIENSE (?) Gabriel Dutra tem ressalvas em suas lembranças quanto ao trabalho do técnico. Para o primeiro, seu trabalho na Série C de 2009 foi bom, mas pecou por recuar o time no jogo decisivo contra o América/MG, fora de casa, perdendo a classificação. Para o segundo, apesar do bom time, não conseguiu levar o Glória longe na Segundona Gaúcha de 2010.

Em comum à opinião de todos, a simpatia no trato com a imprensa e torcida, algo que Lisca não tinha nem um pouco, arranjando confusão até em amistoso. Porto pode ser um técnico suficiente para triunfar na Copinha, mas terá que rebolar com a herança maldita deixada por Lisca e remontar parte do elenco durante o torneio caso queira levantar o caneco.

Muita lição, pouco aprendizado

Enquanto não presenciamos a volta triunfal de Gilmar ALEX FERGUSON Iser, que venceria o Barcelona utilizando seu 3-5-2 com Duda na ala-esquerda, Polaco na meia-cancha e Flaviano no ataque, trocamos as rodas no Trensurb com ele em movimento.

O Anilado se preparou mal para a Copinha. Deixou o comando do futebol acéfalo por meses e perdeu muito tempo contratando jogadores caros que não resolverão e tão pouco formarão a base para o Gauchão do ano que vem. Algo que deveria ter sido aprendido com os erros de 2011, mas que deverá ser, obrigatoriamente, corrigindo em curtíssimo prazo por Paulo Porto, a fim de devolver o Noia às glórias – se esse for realmente o objetivo.

Tomando uma Spritzbier em homenagem à saída de Lisca,
Zezinho 

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8 Respostas a Há males que vem pra bem – ou a saída de Lisca do Noia e a chegada de Paulo Porto

  1. Franco Garibaldi diz:

    Não preciso dizer mais nada sobre a contratação de Lisca pelo Juventude.

  2. Fiquei triste pela saída do Lisca do NH (ns)

    Saudações capilés.

  3. Paul diz:

    O motivo de contratarem o Clayton eu não sei, mas é certo que foi ele quem levou o Diogo de arrasto: seguido eles jogam bola da meia-noite à uma da manhã ali no HD Farrapos, com o Diego e mais alguns outros ex-colorados.
    Ou seja, tudo BRUXARIA.

  4. pedrohckruger diz:

    Fui entrevistado *o* haha

    Muito bom texto, Zezinho.

  5. Weber diz:

    Socorro!

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