“Poca voia” que contagia

Não é sem motivo o texto dias depois do jogo do Juventude em Arapongas. Desde que entrei pro BANDO do Toda Cancha, nunca fiquei tão sem vontade de escrever sobre o time. E tudo porque de nada adiantou a troca na casamata verde. Independente do nome escolhido, o FURO no Jaconi parece ser BEM mais embaixo. A “poca voia” (pouca vontade, para os iletrados em qualquer dialeto gringo), característica principal desse grupo de jogadores, vai contagiando até os mais doentes torcedores, aqueles que utopicamente insistem em sonhar com algo melhor.

O Juventude foi até Arapongas na última segunda à noite encarar o homônimo time da casa. Antes da viagem, palavras de ordem do tipo “vamos encarar esse jogo como uma final”, “vida nova” e outras mesmices a que os torcedores em geral já estão acostumados a ouvir quando seu time está sendo engolido por uma DRAGA. Placar final: 2 a 0 pro Arapongas. Em campo, a mesma molenguice vista desde os amistosos preparatórios para a Série D. Aliás, vamos parar com os eufemismos: QUARTA divisão do futebol brasileiro. Ponto.

Outra coisa: ninguém, nem mesmo os que louvaram (?) a contratação do Lisca como novo treinador deveriam estar esperando grande coisa em termos de tática, mas sim, pelo menos, uma revolução anímica no grupo de jogadores, fazendo-os acordar para a vida e darem graças a Deus que nenhum ali precisa acordar de madrugada, encher a barriga com um copo de café preto, pegar um ônibus lotado e encarar (inclua aqui alguma atividade laboral braçal extenuante) por oito horas a fio. Provavelmente porque sequer fibra para isso alguns ali teriam.

É bom dizer que a contribuição de Lisca não foi grande coisa também. Mudou o sistema do 4-4-2 para o 3-5-2, recuando o então volante Rafael Pereira para sua posição original, além de sacar o lateral-esquerdo Alex Telles para a entrada do meia Alan pelo lado esquerdo do meio. No mais, tudo igual, apenas com a entrada de Diogo Oliveira para criar as jogadas. Além de alterar a defesa, único setor que, mal ou bem, só havia tomado dois gols até então, não acrescentou grande coisa na criação de jogadas para o ataque.

Resumo da ópera: restam três jogos para o Juventude na competição. Três jogos para manter-se vivo na QUARTONA e manter esperanças de seguir vivo até uma das vagas para a terceirona, hoje uma competição ao menos viável, tanto financeiramente como em calendário. Mirassol, que consegue estar pior que o Ju na classificação, neste próximo domingo e em casa; Brasil EM Pelotas no domingo seguinte e Metropolitano, no Jaconi, pra fechar a primeira fase.

Desde a última terça-feira, só se fala em calculadora, contas, projeções e o escambau. Na boa, quando a pauta geral passa a ser ARITMÉTICA, já era. Pergunto: de que adianta sonhar com NOVE pontos em nove a serem disputados ou (numa projeção otimista ao extremo) sete pontos – dando de “barbada” um empate em Pelotas no único jogo fora – se o time em campo não produz PORCARIA alguma? E não sou eu quem diz isso, mas os números até aqui, além do próprio time em campo a cada jogo. São míseros DOIS gols marcados, ambos de PÊNALTI!

Enfim, é o que resta ao Juventude. E a cada ano que passa, vem restando cada vez menos ao Juventude. Sinceramente, já pouco me importa o fato de no ano que vem, quando completará 100 anos, o clube estar sem série alguma. Me preocupa muito mais o fato de pouco ou nada estar sendo feito para levar o Ju de volta a um patamar minimamente digno, ano que vem ou nos próximos cinco ou dez anos. E, confirmadas as previsões realistas, que venha a copinha. Que virará copa do mundo, mais uma vez, em busca da vaga direta para a quarta divisão de 2013.

(fotos extraídas do site do Jornal Pioneiro, de Caxias do Sul)

Arrecadando apostilas do SESI/SENAI para distribuir para os jogadores do Juventude,

Franco Garibaldi (@francogaribaldi)

Publicado em Juventude, Série D com as tags , , , , , , . ligação permanente.

Um comentário em “Poca voia” que contagia

  1. Pingback: Série D – Juventude 4×0 Mirassol/SP (Estádio Alfredo Jaconi) | Toda Cancha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *