As horas teimam em não passar

“O primeiro nome, pouso dos três passos.

Batismo cedido pela água potável do lugar

Quem um dia, ali, lavou a alma e o cansaço

Por certo, em algum outro momento irá retornar.”

A fina flor da música missioneira e costeira. Os filhos dessa terra cantam, às margens do Rio Uruguai, esse verdadeiro hino para nosostros: Pouso dos Três Passos.

Acordeon: Renan Simon; violão: Saulo Gabriel Rebelatto; violão e voz: Athaulpa Maicá; e voz: Claudio Schneider.

Rua Ruy Barbosa s/nº, sexta-feira. Operários em ritmo acelerado nos últimos retoques; atletas derramando até a última gota de suor no gramado; uma gurizada identificada como a verdadeira FEBRE AMARELA se mexendo pelas ruas e criando ideias para o alento total; a diretoria formatando as escalas de trabalho; a imprensa organizando suas informações e equipamentos. Realmente falta pouco, mas a inquietação nos teima em afirmar o contrário.

Aldair afiando o TACO, antes da estreia.

O retrato descrito parece alucinante, porém, as horas parecem tardar a passar. Os instantes vagam lentamente. O único que parece estar satisfeito com essa vagarosa chegada do domingo trata-se do palco do espetáculo. A velha cancha três-passense, que já foi Eurico Lara e hoje é reconhecida por todos como Luiz de Medeiros, cunhada na baixada de nosso centro urbano, um verdadeiro ABRE-ALAS do Bairro Frei Olímpio, é quem mais se delicia com esses momentos pré-estreia, pois todas as atenções estão sendo dedicadas a ela, que na maior parte dos anos encontra-se abandonada à própria sorte, desde sempre.

Medeirão recebe os últimos retoques neste sábado.

Estamos a poucas horas do embate mais aguardado nos últimos tempos por essas paragens. Se o clássico é TA-TU, a ONÇA que traja preto e amarelo é que vem se preparando, de forma maliciosa e matreira, para dar o bote inicial neste domingo.

O treinador Leco agradece pela inexistência de qualquer contusão que pudesse atrapalhar o trabalho de preparação. Méritos para toda a comissão técnica, principalmente ao preparador físico Alexandre Chitolina. A promessa é de entrega total dos onze bravos guerreiros que adentrarão o gramado, recebendo o incentivo de cada um dos três-passenses dispostos a incendiar o MEDEIRÃO.

Treino tático em campo reduzido na tarde desta sexta-feira.

A importância do jogo para a equipe jalde-negra é inegável. Além de buscar a redenção em um clássico regional, o rival crissiumalense estreou fazendo sua parte contra o Bagé e conquistando os primeiros três pontos. Como adversários diretos pelas primeiras colocações da chave, até mesmo as GRAMÍNEAS da velha cancha sabem que não há outro resultado que interesse ao time dos três passos senão a vitória, inclusive aquela de meio a zero.

Fabio Buda testa para as redes. Esperança maior de gols para os PAIS taqueanos neste domingo.

Seis anos se passaram para que sentíssemos de novo a sensação única de uma rivalidade. O momento de relembrarmos craques de outrora e de começarmos uma nova história.

TA-TU. TAC e Tupy. Três Passos e Crissiumal. Duas cidades que se entrelaçam na história, pois a segunda surgiu da primeira. Filhos de uma moldaram suas trajetórias na outra, e vice-versa. Até mesmo uma associação de crissiumalenses que vivem em Três Passos foi formada. As semelhanças e afinidades são latentes, mas é dentro de campo que as DIFERENÇAS sempre foram muito bem estabelecidas. São grandes duelos desde o final da década de 60 do século passado. Tempos gloriosos onde os taqueanos foram campeões dessa mesmíssima TERCEIRA DIVISÃO sendo representados por Strauss, Bastos, João Marques, Chibo, Vilmarzinho e outros tantos; e o Tupy alcançava um vice-campeonato com os irmãos Lauro e Arno Hinterholz (tios de certo Danrlei de Deus), além de Mali, Taperinha, Carlos Villy Grün, Chico, Aroldo Meneghel e outros mais.

Um clássico que reviveu no final dos anos 80 e início dos 90, com centroavantes que honravam essa profissão e eram decisivos na hora certa: Pedrali e Chimbinha no índio rubro-negro; Jorjão, Erico e Valduíno, na esquadra aurinegra.

Em 2005 e 2006 a atual geração teve um breve gostinho de rever esses embates. Dois anos em que a SUPREMACIA rubro-negra foi incontestável: em seis jogos, três vitórias do Tupy, dois empates e apenas uma derrota, em pênalti cobrado pelo centroavante Castro e quase defendido por Alessandro, o mesmo arqueiro que estará defendendo o Tupy nesse final de semana. O último duelo entre as equipes data de 30 de abril de 2006, em Crissiumal, com vitória dos mandantes por 3 a 1. 2012, portanto, sem vacilos, é a chance derradeira do IMPERECÍVEL Três Passos Atlético Clube dar a volta por cima.

O Índio Guerreiro vem em busca de mais um bom resultado, com apoio de seu fanático torcedor. Foto: Clecio Ruwer/Guia Crissiumal.

O sol se põe na capital da Região Celeiro. O ar refresca. A noite desce e a madrugada virá tranquila.

Quando o amarelo do sol domingueiro se restabelecer, com o mate sorvido nas primeiras réstias, a MÚSICA MISSIONEIRA dando o compasso para os preparativos da carne assada e, finalmente, após as brasas arderem nas churrasqueiras entre as tantas confraternizações paternais, estarão as bandeiras jalde-negras sendo DESFRALDADAS, havendo apenas um único destino para que se encontrem. Às 15 horas, pontualmente, a fumaceira será estabelecida, os corações pulsarão e nada mais haverá de ser considerado no espectro da baixada.

Vai ser a hora do BAFO NA NUCA do bandeirinha, do alambrado sendo retorcido, da garganta funcionando sem parar, da charanga pulsando e da fé sendo clamada.

A velha cancha, palco de nossas ilusões e devaneios em tons jalde-negros.

Que o TAC seja PELEADOR e GUAPO como sempre. E que estejamos vivos após os 90 minutos para contar aos quatro cantos dessa terra quem manda nesse chão.

Não te mixa TAC véio!

Detalhes do Clássico do Yucumã:

Data: 12/08/2012 / Início: 15 horas.

Local: Estádio Municipal Luiz de Medeiros, em Três Passos.

Ingressos antecipados: R$ 10,00

Abertura dos portões: 13h45min.

Torcida visitante: espaço reservado no lado oposto às arquibancadas.

TAC: Luli; Douglas, Japa, Darzone e Jonatan; Tiago Coelho, Dudu, Aldair e Thiago Saraçol; Cléberson e Fabio Buda. Técnico: Leco.

Tupy: Alessandro; Sampaio, Flávio, Caçapa e Sander; Diego Salini, Amaral, Marcelo Castelli, Vandré e Volpini; Magno Chimbinha. Técnico: Paulo Henrique Marques.

No apito: Marcos Sacon.

Nas bandeiras: Janvie Baroni e Michel Romani.

As fotos não creditadas na legenda são de Vini Araujo/Jornal Observador.

Da terra de ATAHUALPA MAICÁ e CLAUDIO SCHNEIDER…

Vini Araújo

@viniaraujo87

Publicado em Divisão de Acesso 2012, Terceirona, Três Passos, Tupy de Crissiumal com as tags , , , , , , , , , . ligação permanente.

4 Respostas a As horas teimam em não passar

  1. Vini Araujo diz:

    Vamo meu TAC!!!

  2. Perfeito o texto amigo Vini. Também não vejo a hora chegar. Que tenhamos um grande jogo. Abraço e até amanhã.

  3. Grande texto para um grande clássico!

  4. Daroit diz:

    o jorjão jogou no tac? :~~~~~~~~~~ munido dessa informação, passa a ser um dos meus clubes de coração e vou tatuar um SE FODE, TUPY no SUVACO.

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