Série D – Juventude 4×0 Mirassol/SP (Estádio Alfredo Jaconi)

(foto: www.juventude.com.br)

Colocando em prática um plano que já era arquitetado por Carlos Moraes, então treinador interino durante o hiato entre Martins e Lisca, este último resolveu chacoalhar o vestiário e injetar na equipe a JUVENTUDE que dá nome ao clube e que, aliada à identificação que a gurizada tem com ele, deixou pra trás a apatia escancarada na estreia do novo treinador menos de uma semana atrás.

Numa tacada só, Lisca promoveu a entrada (tardia) de CINCO jogadores que não vinham sendo aproveitados regularmente até então: Ramiro, Bressan, Fabrício (todos da base), Jardel e João Henrique. Além deles, Marcel foi finalmente efetivado com a 10 (devido à lesão de Diogo Oliveira, que o afasta do time para o restante da competição), Alex Telles retornou à lateral esquerda e Alan foi fixado na meia cancha.

Pais sorteados recebem suas camisas personalizadas das mãos dos jogadores

O jogo deste domingo, que contou com a entrega das camisas personalizadas aos pais sorteados na promoção do Dia dos Pais, marcava o reencontro com o Mirassol, time que eliminou um Juventude dono da melhor campanha da QUARTONA 2011 já no primeiro mata-mata da edição passada. A campanha de ambos neste ano mostra que muita coisa mudou. O time paulista visitou a serra gaúcha já pensando em 2013, testando alguns jogadores até então não utilizados para ver quem fica para a disputa do Paulistão. Mesmo assim, começou o jogo arriscando no ataque com Caion, ex-Caxias.

(foto: Jornal Pioneiro)

Mas foi só. A partir daí, o Juventude – como deveria ser para um time que ainda sonha com algo em 2012 – dominou as ações, mostrando muito mais empenho e capacidade de atacar do que vinha tendo. Com pouco mais de quinze minutos jogados, em uma rápida cobrança de falta (que até agora, como que emulando RANZOLIN em seus últimos tempos de narração, não se sabe se foi Zulu ou Marcel, cuja semelhança física se resume, talvez, ao branco dos olhos…), João Henrique recebeu livre na intermediária de ataque, driblou o goleiro e foi derrubado. Pênalti para o Ju!

Após uma sucessão de reclamações, empurra-empurra, entrada da Brigada Militar em campo (não, desta vez não houve RELHOS ao alcance da mão) e a expulsão do goleiro Thiago Passos, Marcel cobrou forte no canto e abriu o placar no Jaconi! Era o terceiro gol papo na competição, o terceiro de pênalti e o primeiro não marcado por Jonatas Belusso, que não fazia mais nada como titular fora isso e não fazia falta alguma ao time ontem. Isso porque João Henrique, mesmo sem marcar gols, era o destaque em campo.

Com um homem a menos, goleiro reserva em campo e atrás no placar, o Mirassol se abateu. Numa situação dessas, o Juventude de uma semana atrás se agarraria à vantagem e tentaria administrá-la improdutivamente, quem sabe até passando por apuros até o final da partida. Pois essa foi a diferença fundamental vista em campo ontem: não importava se o adversário tinha problemas, o Juventude queria mais. E buscou isso até o final, envolvendo o Mirassol na troca de passes. Antes do intervalo, Marcel e João Henrique carimbaram os ferros do time paulista, até que REI ZULU finalmente desencantou, aproveitando cruzamento da esquerda e cabeceando para fazer o 2 a 0 que praticamente definia a parada.

REI ZULU desencanta!

No segundo tempo, nada mudou no panorama. O Juventude seguia aproveitando a superioridade numérica e buscando o ataque. Logo antes de Rafael Pereira marcar seu golaço, aproveitando o rebote de uma cobrança de falta, aos 25 minutos, Marcel já havia metido outra bola na trave. Mas menos de dez minutos depois, aproveitou a roubada de bola na saída da defesa do Mirassol, driblou o zagueiro e fechou a conta do jogo em 4 a 0, que poderia ser ainda mais se uma QUARTA bola na trave, agora com Zulu, após o cruzamento de Rodrigo Dantas, encontrasse a rede.

Rafael Pereira chuta para marcar o terceiro gol

Finalmente um domingo feliz para a papada nesse segundo semestre. Mesmo que as chances de classificação sigam pequenas (um empate entre Metropolitano e Brasil teriam sido melhores para o Ju), que o próximo jogo, contra o Brasil em pleno Bento Freitas, seja uma pedreira de onde apenas um saia vivo (um empate faria os dois morrerem abraçados) e que o adversário de ontem não fosse o mais difícil de ser batido, no final das contas, tudo o que o torcedor quer é se ver representado em campo. E isso FINALMENTE aconteceu neste domingo.

Agora, tudo pode acontecer. Vencer o Brasil e seguir vivo até o outro domingo, contra o Metropolitano, novamente no Jaconi, ou empatar e até mesmo perder e ter que correr atrás de calendário para 2013. Desde que se veja em campo vontade de vencer, como se viu ontem, qualquer situação é melhor assimilada pelo torcedor. Até porque não há um time muito melhor do que outro nessa divisão. O que conta, como tudo na vida, é a vontade de mudar. De melhorar. De vencer.

Juventude: Follmann; Ramiro, Rafael Pereira (Diogo), Bressan e Alex Telles; Fabrício, Jardel, Alan (Francisco Alex) e Marcel (Rodrigo Dantas); João Henrique e Zulu. Técnico: Lisca.

Mirassol: Thiago Passos; Murilo Henrique, Augusto, Fábio Lima e Arnaldo; Abuda, Luciano Sorriso (Leandro Santos), Leomir e Ernani (Teco); André Cassaco e Caion (Marcel). Técnico: Ivan Baitello.

Gols: Marcel (2), Zulu e Rafael Pereira.

Cartões amarelos: Jardel, Alan, Bressan e Zulu (J); Leandro Santos e Leomir (M). Expulsão: Thiago Passos (M). 

Arbitragem: Rodrigo Carvalhaes de Miranda (RJ), auxiliado por Neuza Inês Back (SC) e Rudimar Bechi (SC).  

Público total: 3.890 torcedores.  

Como me disse certa vez aquele biscoito chinês, “a estagnação não dura pra sempre, entretanto, ela não acaba por si mesma”,

Franco Garibaldi (@francogaribaldi)

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10 Respostas a Série D – Juventude 4×0 Mirassol/SP (Estádio Alfredo Jaconi)

  1. Alexandre diz:

    Acompanho de longe e isso sempre nos passa uma imagem meio “falsa” da coisa, apesar das informações que a gente pega na internet e em sites como o Impedimento. Mas só quem vive o dia a dia e mais próximo sabe. Por isso, pergunto a vocês:

    Porque o Juventude não consegue subir? Se caiu da A pra D em 4 anos, claro que deve ter tido motivos muito fortes, como más administrações e coisas do tipo. Mas me parece que o ju ainda mantém uma estrutura imensa, se comparado a outros clubes do interior do país. Aqui em Minas por exemplo, não há um clube que tenha a estrutura que o Juventude dispõe. Talvez o BOA Esporte chegue próximo, mas é um time “artificial”, não empolga. Acho no mínimo estranho como um clube desses se mantenha com dificuldades na Série D. Não poderia estar disputando a B, no mínimo?
    O mesmo caso do Remo. Não entendo como um clube daquele tamanho ainda pene na Série D.
    Enfim… alguma explicação deve ter. E ainda torço pela recuperação dos mesmos.
    Abraço

  2. Franco Garibaldi diz:

    #1

    Cara, é complicado. Cair é muito mais fácil que subir. Acho que da D pra C, então, é mais complicado ainda, dada a fórmula de disputa.

    Os motivos da queda são tratados eventualmente aqui, tanto nos textos do Ju como sobre a situação dos gaúchos nas séries menores. Más administrações pesaram muito nisso, é verdade, assim como, no meu entender, o custo de se manter o clube numa primeira divisão de forma artificial (leia-se: sem ter condições financeiras para tal).

    Concordo que ao menos numa série B os clubes de Caxias deveriam estar. Estrutura eles têm, e falo principalmente pelo lado do Juventude. Durante o jogo de ontem, me peguei pensando sobre isso ao ver a condição do gramado, perfeita, melhor até que de clubes da série A. O estádio é muito bem cuidado. A condição para o trabalho da imprensa não deixa nada a desejar.

    Acredito que um retorno ao menos para o grupo dos 40 melhores do futebol brasileiro (série B) passe muito por uma boa administração e, fundamentalmente, grana. Só que é difícil encontrar investidores quando o espaço que se tem na mídia para quem não é Grêmio ou Inter é quase nulo, restrito praticamente à imprensa da cidade. Acaba ficando aquilo de “pra que vou investir se não terei retorno sequer de visibilidade de minha marca”?

    Acaba que o única parceria que acaba acontecendo é de empresários de futebol que, em troca de alguns jogadores já rodados e de qualidade duvidosa, acabam tomando conta das categorias de base para ter retorno. Ou seja, trazem “velhos” de condições duvidosas e levam a gurizada a preço de banana, para o empresário lucrar na frente. O próprio BMG faz uso disso, no próprio Juventude (embora se ouça falar que a parceria entre clube e banco já esteja ruindo).

    Abraço,
    Franco

  3. Natan Dalprá Rodrigues diz:

    Bah, é realmente triste que o Ju e o Xavante se engalfinhem por uma mísera vaga na próxima fase.

  4. Gustavo diz:

    #3

    Tá aí uma coisa que depende do ponto de vista, eu mesmo e diversas pessoas que conheço têm outra impressão sobre esse embate, algo mais alegre, digamos assim.

  5. Balejos diz:

    #1 e #2
    Acho muito pertinente essa discussão que vocês inciaram.

    Estava a refletir e cheguei numa questão: como mensurar o tamanho de um clube?

    Aparentemente, predomina uma corrente patrimonialista e que pode ser subdividida em dois grupos: no primeiro a instituição é medida pela capacidade de manutenção e, principalmente, expansão física. De fato, ter uma estrutura, mesmo coesa, bem organizada é uma das prerrogativas para uma boa existência. O segundo grupo, mais presente nas campanhas de marketing, é o que mensura um clube pela quantidade de sócios, ou seja, o patrimônio do clube é o integrante contribuinte, quase um cliente.

    Se aceitarmos que um clube só existe quando é maior que centenas de pessoas sentadas em alguns metros de concreto, bem, subjetivamos a questão. Ou melhor, entramos num problema, na medida que a principal marca dos clubes de futebol no Brasil é a falta de organicidade. São poucos os clubes que disputam os certames de futebol no país, pois a maioria não passam de times com piscinas. Os que possuem outras modalidades, os cariocas são exemplo disso, geralmente apoiam sazonalmente outros esportes.

    Uma solução!? Não tenho. Um chute!? Considerar o bairro (que os construidores de arenas-shoppings não leiam isso); e oferecer aos associados mais que camisas e cadeiras estofadas, mas, antes disso, uma ideia de grupo.

    Ainda em clima de ressaca olímpica, é de se pensar no dia em que o nome dos times – que na verdade não são clubes – terão de mudar, como jã ocorre com em modalidades.

  6. #5

    Acho que a saída é por aí mesmo, valorizar aqueles que mesmo na adversidade se identificam e vivem o clube. Infelizmente, com estrutura ou não, está impossível de ter mais espaço da mídia que efetivamente tem espaço, seja regional ou nacional. Isso se vê com o ocaso dos times do Nordeste, que apesar das imensas torcidas, são meros figurantes quando conseguem ultrapassar a fronteira da série B para a A.

    Sigo achando que estrutura é importante, especialmente qundo ela não é atrelada a movimentos como o do Lajeadense, que “ganhou” essa estrutura, mas às custas de perder sua ligação com seu torcedor, indo para um lugar que, como o Daroit relata, é longe para ir a pé e não conta sequer com ônibus para chegar lá.

    Vejo o Brasil, por exemplo, como aquela definição que já ouvi certa vez, uma torcida com um time, porém com uma estrutura pequena para alçar maiores vôos (fora a questão geográfica-econômica que lá pesa já há bastante tempo). Mas há os casos como o Ju, em que apesar da estrutura, acabou definhando em termos de projeção pela falta de dinheiro, combustível essencial no futebol de hoje, inflacionado e com tantos jogadores ruins.

    Enfim, são diversos os fatores que contribuem para o insucesso de nossos clubes. A Olimpíada escancarou de forma geral um fator que também contribui para a situação dos clubes do interior: (con)federações ricas, mas cujo dinheiro morre no meio do caminho.

  7. Felipe diz:

    Bom texto. Mas alguém poderia me responder por que não há mais textos sobre os jogos do Caxias por aqui?? Me lembro que há algum tempo sempre tinham boas matérias. O autor grená não faz parte do Toda Cancha mais??

    Abraço

  8. Maurício Klaser diz:

    #7

    Felipe, nosso torcedor do Caxias tá de FÉRIAS da vida, volta ao convívio social daqui uns dias, por isso a falta de textos.

    Dale

  9. Lisandro andré Ló diz:

    Clubes como o Juventude , que tem boa estrutura, quadro social razoavel (hj em torno de 5 a 6 mil, mas já teve mais de 10 mil sócios), categorias de base forte, torcida que cobra e projeção de marca (devido ao passado futebolistico), precisa é ser bem gerido e ter planejamento a longo prazo pra aproveitar estes aspectos e voltar a subir divisões.
    torço pra que voltemos logo pra serie B e aì se crie condições de permanencia e salto pra serie A. Mas no momento o duro é chegar a C.

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