Série D – Metropolitano 2 x 0 Brasil-Pel (Estádio Monumental do Sesi)

Um triste dia dos pais aos pais Xavantes. Foto: Giovanni da Silva.

Mente o pai Xavante quando diz que ganhou o melhor presente de dia dos pais que poderia receber. A todo pai rubro-negro a data não foi boa, o resultado não foi o esperado e não há nenhuma forma de consertar isso. Em Blumenau, Santa Catarina, o desafiador índio Xavante sucumbiu perante o Metropolitano, sofrendo dois gols que culminaram numa fria derrota.

Todos sabiam que a partida seria complicada. Para piorar, o experiente Gustavo Papa (a Santidade Xavante) sofreu uma lesão no treino e nem chegou a viajar. A missão ficava cada vez mais difícil conforme o tempo passava. Os comandados entraram em campo com Matão para substituir Papa, tornando-se, por consequência, a esperança de gols da torcida.

Porém, tudo deu errado. A primeira etapa foi marcada por forte marcação. Quase uma partida de xadrez. Cada time esperava o erro para, enfim, atacar. O substituto Matão não conseguia atacar, assim como os atacantes do time da casa. O lance de maior perigo – e causador de grande agitação no coração de cada rubro-negro – foi perto dos 20 minutos de batalha. Renan, do Metropolitano, acertou a trave. O Xavante escapava de sofrer o primeiro gol.

Ninguém marcou no primeiro tempo. Metropolitano 0, Brasil também 0. O Matão não fez, mas eles também não. Ora, o empate era ótimo! Seria ótimo. Tudo isso porque logo aos cinco minutos da segunda etapa, numa cobrança de escanteio, Thiago Couto meteu a testa na pelota e a direcionou ao gol rubro-negro. Não deu para Luiz Muller. 1 a 0, Metropolitano. Com o tento, o Brasil precisaria jogar, se arriscar e ir para frente. Perder não seria nada bom porque, em Caxias, o Juventude ia encaixotando o Mirassol: 4 a 0.

Algumas mudanças foram feitas. Saiu Alex Amado, entrou Márcio Jonatan; Willian Kozlowski deu lugar a Marcos Paraná e Dione a Alexandre. Rogério Zimmermann lançou suas últimas cartadas numa batalha complicada, acirrada e cada vez mais difícil de ser vencida. O índio foi para cima, mas não conseguia desenvolver um bom futebol. Os quase cem guerreiros da tribo presentes no estádio Monumental do Sesi até tentavam reproduzir os batuques feitos no Bento Freitas, mas nada adiantava. Não seria o dia de um bom resultado.

Para finalizar o já cansado índio Xavante, o Metropolitano marcou o segundo gol. Aos 46 minutos, Diogo decretou a vitória ao time catarinense. Fim da luta e fim do dia aos pais Xavantes. O Brasil foi derrotado. Com o resultado caiu para a quarta posição com oito pontos conquistados; assim como o Juventude, porém este tem saldo de gols maior e assumiu, portanto, a terceira colocação. A classificação parece distante, não impossível, mas distante.

A próxima batalha pela série D ocorre no domingo (19) às 15h30, no estádio Bento Freitas, frente ao Juventude, num clássico cheio de história e importância. Oremos. Pela Copa Hélio Dourado, o Brasil joga antes: quarta-feira (15), às 20 horas, também na Baixada, contra o Guarany de Camaquã.

O milagre

Apesar da derrota é curioso lembrar que no mesmo dia, horas antes, um pai ouviu de um filho o agradecimento por ter recebido como ensinamento a paixão de ser Xavante e o espírito de luta, de não entregar-se à primeira, à segunda ou à quadragésima dificuldade. Ser torcedor é sofrer, vibrar e parecer possuir nos olhos areia enquanto vê uma multidão pular – ao mesmo tempo e sem sincronia nenhuma, numa espécie de loucura civilizada, em meio ao som da batida dos tambores e dos corações – e comemorar o gol marcado pelo Grêmio Esportivo Brasil, o time dos negrinhos da estação, o time do povo.

Obrigado, pai Xavante, por tornar-me num filho também Xavante. A tribo continua a crescer e a desafiar este período tão longo, quase infinito, de vacas magras. Um dia ainda veremos chegar os bons ventos e, com ele, as glórias que têm sido negadas a nós.

FICHA

Metropolitano: Flávio; Nequinha, Thiago Couto, Elton e Santos; Alex Albert, Nilson Sergipano, Renan (Andrei) e Felipe Pinto (André); Rafael Costa e Bruno Rangel (Diogo Dolem). Técnico: César Paulista.

Brasil-Pel: Luiz Müller; Tiago Rannow, Jonas, Fabiano Eller, Tiago Saletti; Leandro Leite, Wender, Dione (Alexandre), Willian Koslowski (Marcos Paraná); Alex Amado (Márcio Jonathan) e Matão. Técnico: Rogério Zimmermann.

Gols: Thiago Couto e Diogo (Metropolitano).

Cartões amarelos: Thiago Couto e Alex Albert (Metropolitano); Tiago Saletti e Willian Koslowski (Brasil).

Árbitro: Eduardo Cordeiro Guimarães-RJ, auxiliado por Luiz Antonio Muniz de Oliveira e Luciano Roggenbaum.

“Cansado da batalha, mas decidido a não se entregar”,

Pedro Henrique Costa Krüger

Publicado em Brasil de Pelotas, Série D com as tags , , . ligação permanente.

5 Respostas a Série D – Metropolitano 2 x 0 Brasil-Pel (Estádio Monumental do Sesi)

  1. Zezinho diz:

    Bah, velho, que merda =/

    Se Brasil e Ju empatarem, o Metropolitano automaticamente se classifica. É impossível os dois gaúchos passarem juntos. Continuamos com um vivente morrendo na praia – fora o Cerâmica, praticamente morto já.

    Tá foda =/

  2. #1
    É uma merda, Zezinho.

    Meu sonho é ver a gauchada invadir o brasileiro em todas as divisões. Seria épico, mas esse cenário parece cada vez mais utópico.

    Abraço.

  3. Franco Garibaldi diz:

    Se um deles classificar será motivo de comemoração pro estado, porque tá foda, infelizmente…

  4. Triko diz:

    Que vergonha! Eu infelizmente não passei os dias dos pais com o meu, não que ele esteje morto é que eu dormi bastante mesmo…Agora essa derrota nós complicou. A vitória agora contra o Ju é Super Hiper Importante..

    Seria bom mesmo se tivesse uma invasão dos clubes gaúchos nas divisões, quem sabe ia parar com aquela porcaria de pergunta: “Você é gremio ou inter?”, como só existisse esses dois…

  5. Junior II diz:

    E parece que o Gustavo Papa fica fora por oito meses !
    Não teremos o duelo Zulu x Papa na próxima rodada !

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *