Copa RS 2012: duas versões sobre o duelo rubro-negro na fronteira

Apresentamos DUAS VERSÕES sobre o DUELO RUBRO-NEGRO na terra dos free-shops. O índio Xavante foi ao João Martins e com APITO MISTERIOSO flechou o Leão da Fronteira, em seus domínios. Direto de Livramento, Rafael Medeiros traz a versão dos homens da terra para os fatos e, de Satolep, Pedro Henrique Costa Krüger escreve o diário de viagem dos forasteiros.

A culpa do apito

Não se fala em outra coisa nesta quinta-feira em Livramento. E não é sobre o novo shopping “free-shop” recém inaugurado ou o projeto de outro mega shopping na vizinha Rivera. Não, senhores. O assunto é o apito misterioso de João Martins.

Vivíamos os 18 minutos do segundo tempo da partida entre o ponteiro do grupo B, 14 de Julho, e o recém eliminado da série D brasileira, Brasil de Pelotas, no João Martins em Sant’Ana do Livramento. Os visitantes já venciam por 1 x 0 quando de repente, soou o apito. O ataque era do Brasil e quem receberia a bola era o artilheiro da noite, Márcio Jonathan, que havia entrado apenas no segundo tempo pra esculhambar o jogo. Acontece que o Sr. Marcelo Machado Lemos, árbitro da partida, não foi o responsável pelo apitaço. Algum torcedor “responsável” trilhou um apito das arquibancadas e a zaga quatorzeana simplesmente parou e ficou admirando o atleta xavante empurrar a bola para o fundo do gol de Yai. Era o segundo gol do rubro-negro pelotense, o gol da vitória. Ou, melhor dizendo, da primeira derrota do 14 de Julho nesta Copa. Na noite de quarta, não foi apenas o Galo mineiro que tropeçava em casa. O líder do grupo B da Copa RS também marcava passo na rodada. Acontece que agora o próprio Brasil está fungando no cangote do 14 com apenas 1 ponto de diferença na tabela.

Nos primeiros minutos de partida as equipes se estudavam e não se arriscavam muito. O confronto equilibrado nos instantes iniciais se estendeu por mais de 30 minutos, porém, com o passar do tempo, o Leão da Fronteira começou a se impor e atacar mais. Por sua vez, o time visitante se defendeu, trabalhando para segurar as investidas quatorzeanas.

Aos 34min. Marcelo Gamela em cobrança de falta, fez um belo lançamento para Foletti que invadia a área, porém, o goleiro se antecipou e fez uma defesa difícil, evitando o gol rubro-negro.

O Brasil deu o troco aos 38min, com Alex Amado que levou perigo ao gol de Yai. Ele chutou forte, mas pegou mal na bola e a jogada se perdeu pela linha de fundo.

Na sequência, mais uma vez Marcelo Gamela de fora da área, chutou com força, a bola rebateu na zaga, e voltou para os pés dos atacantes quatorzeanos que não conseguiram concluir a jogada, pois os defensores retomaram a posse de bola e afastaram o perigo. Zero no placar e fim da primeira etapa.

A movimentação foi bem maior no início da etapa complementar. O Brasil saiu mais para o ataque, apresentando um jogo mais ofensivo.

Aos 14min, o 14 de Julho perdeu a jogada no meio campo e o Brasil aproveitou para atacar. A bola foi lançada para Márcio Jonathan, que havia entrado na partida há alguns minutos. Ele não perdoou e abriu o placar para o time Xavante: 1 x 0.

O Brasil segiu pressionando e quase marcou outro gol aos 16min, mas o goleiro Yai conseguiu efetuar uma excelente defesa. Então, soou o apito. E depois da zaga parar como se estivesse na faixa para pedestres, o Brasil ampliou e matou o jogo. Márcio Jonathan invadiu a área e fulminou sem chances para o arqueiro: 2 x 0 para o Brasil.

O 14 de Julho descontou aos 23min. Após cobrança de falta efetuada por Foletti, o zagueiro matador Leo Korte na pequena área, subiu mais alto que a zaga e quase furou as redes com uma cabeçada à la Jardel: 2×1.

O Leão aproveitou o momento e tentou recuperar o placar, mantendo o ataque com jogadas rápidas. A pressão foi total, mas o Leão da Fronteira perdeu muitas chances e não conseguiu igualar o escore.

O próximo compromisso do 14 de Julho, dentro da Copa RS, será sábado, dia 1º de setembro, em Santa Maria, contra o Interzinho.

A boa notícia é que o torcedor aspirante ao quadro de árbitros da Fifa parece que não irá ao Presidente Vargas. É melhor ficar em casa mesmo.

A CAÇA aos leones

O Brasil viajou a Sant’Ana do Livramento em busca de uma vitória importante. Para isso, precisaria levar ao chão o Leão da Fronteira, no estádio João Martins. Não seria fácil, mas para derrotar o primeiro clube rubro-negro do país, o Brasil contava com a experiência de caça do índio Xavante. Deu certo.

Os Xavantes não queriam dar sorte ao azar e foram para a cima do time da casa, tentando fazer do inimigo a ser batido a caça. Não era simples, mas as investidas estavam dando resultado. Alex Amado, o indiozinho, perdeu grandes oportunidades de TONTEAR o bichano. O Leão da Fronteira, RAÇUDO, se defendia e esperava a chance de dar o bote.

A luta foi intensa, mas na primeira etapa ninguém caiu. O índio estava melhor e tinha a convicção de que uma hora o leone cairia em exaustão. Por outro lado, o 14 de Julho mostrava brio e não se dava por vencido. Temendo por não conseguir ferir o ANIMAL, Rogério Zimmermann sacou o pequeno Alex Amado e convocou Marcio Jonatan. A ordem era clara.

– Acaba com ele!

Dessa forma, o Brasil tinha na segunda parte do confronto um caçador diferente no ataque. A tática deu certo. Perto dos 15 minutos saiu o primeiro gol – e de Marcio Jonatan. Ainda ZONZO pela AGRESSÃO, o Leão sofreu outro ataque, novamente do índio que há pouco entrara na peleia. O Brasil ampliava o placar na fronteira!

Os índios já comemoravam confiantes na certeza da vitória, mas lá por aquelas bandas não há entrega sem luta. Minutos depois, numa investida fulminante após cobrança de falta, o Leão diminuiu a diferença. Léo Korte foi o responsável pelo tento. O time da casa se atirou ao ataque. Não iria entregar aqueles pontos aos índios visitantes assim.

O Brasil se defendia o quanto podia, atacava quando dava. Pelo rádio a batalha parecia ainda mais sofrida e o relógio não andava. Com o passar do tempo, o Leão foi perdendo as forças e se viu incapaz de empatar a partida. O índio, experiente, ao ver a queda de ritmo do adversário, apenas aguardou o tempo acabar.

O felino, finalmente, caiu pesadamente no gramado do João Martins para não mais se levantar naquela noite. O Xavante havia conquistado os três pontos. Placar final: 14 de Julho 1, Brasil-Pel 2.

E a gente vai na base do e vamô, e vamô, e vamô!

O Brasil-Pel é o vice-líder do grupo B, com nove pontos. A próxima guerra acontece apenas na quarta-feira, 5, no Bento Freitas, frente ao Riograndense de Santa Maria.

FICHA DO JOGO

14 DE JULHO 1X2 BRASIL-Pel

14 DE JULHO (1): Yai, Gamela, Leo Paulista, Leo Korte, Dakimalo (Marcelo), Alexandre, Gustavo, Vinicius (Moisés), Vagner (Alex), Foletti e Michel. Técnico: Julio Batisti

BRASIL-Pel (2): Luiz Muller, Éder Silva, Tiago Saletti, Ricardo, Galego, Leandro Leite, Moisés (Wender), Washington, Marcos Paraná (Willian Kozlowski), Alex Amado (Marcio Jonatan) e Matão. Técnico: Rogério Zimmermann

ARBITRAGEM – Marcelo Machado Lemos.

AUXILIARES – Ilson Marcus Soares e Solano de Oliveira.

GOLS – 14 de Julho (Leo Korte – 23min do 2º tempo); Brasil-Pel ( Márcio Jonatan – 14 min do 2º tempo), Márcio Jonatan (18min do 2º tempo)

CARTÕES AMARELOS – 14 de Julho (Dakimalo, Leo Korte, Foletti, Gamela); Brasil-Pel (Ricardo, Washington e Willian Kozlowski).

As fotos são do Sidnei Silva/14 de Julho e a charge é de André Macedo (ALMA).

Direto da Fronteira dos apitos, Rafael Medeiros (@rdlmedeiros) escreveu “A culpa do apito”. E, arrastando o leão enquanto retorna à tribo, Pedro Henrique Costa Krüger (@pedrohckruger) escreveu “A CAÇA aos leones”.

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7 Respostas a Copa RS 2012: duas versões sobre o duelo rubro-negro na fronteira

  1. Franco Garibaldi diz:

    Espetáculo esses relatos doble chapa, com os dois lados do confronto! Que sirva pro pessoal que torce pra algum time ainda não representado aqui se pilhar.

  2. pedrohckruger diz:

    Confesso que estava preparado mentalmente para uma eventual derrota, mas fui surpreendido positivamente.

    Sobre o apito, sensacional isso. Na rádio não haviam dito nada. Fica aqui o meu agradecimento ao cidadão que facilitou o segundo gol. haha

    Abs.

  3. Rafael Medeiros diz:

    Achei muito massa a “dobradinha”. Me sinto honrado por participar efetivamente da bagaça. E já estamos providenciando o exilamento do cidadão apitador lá pelas bandas do Uruguai.
    Abs.

  4. Davi Z diz:

    Sou fã do Toda Cancha. Baita!

  5. Gurizada, mataram a pau!

    Avante 14

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