Picoli mexe as cadeiras

Foi com surpresa que vi os rumores – e, depois, o anúncio oficial – de Picoli  na casamata do Caxias pipocando pelas redes sociais. Se tem alguém fora do contexto do futebol de Caxias do Sul que não entenda, Picoli foi um atleta do Juventude altamente identificado com o clube verde, onde teve recente passagem como treinador (bom treinador, inclusive).

Mauro Ovelha vinha de uma sequência irregular de jogos, ficando marcado especialmente pelas três derrotas em casa, sendo a última o reflexo da improdutividade. Mesmo bancado pelo diretor de futebol grená, a queda era inevitável, podendo ser interpretada como o “chute na bunda” do pessoal que pedi aqui no Toda Cancha. Porém, com tanto técnico por aí, muitos enraizados na história do Caxias, onde foi que Picoli fez os olhos da direção brilharem? Sei que muitos defenderão o profissionalismo no futebol e etc., mas acho que poderíamos ter sidos poupados dessa (tanto a torcida grená quanto o profissional, que se não trouxer 3 pontos na mala, no próximo jogo, já será crucificado).

Bom, agora que está feito, torço pra que Picoli termine o ano na série B – à frente do Caxias. Não que eu acredite muito, mas depois disso não podemos exigir coerência. Boa sorte Picoli, boa sorte Caxias.

Adiós, alviazul

O Lajeadense até costuma – depois da reabertura – fazer as coisas da maneira certa, mas se acham que o Botafogo ou a Portuguesa são azarados é porque não nos conhecem. Darwin deve ter sido criado à base de Fruki Guaraná e mortadela da Minuano, só pode. E Picoli deu nessa quarta mais uma grande contribuição pra essa mística reversa.

Depois de passar meses negociando com uma penca de arigós, o Lajeadense havia finalmente chegado a um acordo com o nosso nobre amigo até então juventudista, e planejado toda a preparação para o Gauchão 2013 (contratações, pré-temporada, comissão técnica, etc.) com ele. Pois bem, como estamos estupidamente parados, o contrato só seria assinado em outubro, de forma que Picoli apenas avisou que estava indo para o colo de Voges e voltamos praticamente ao ZERO.

Ainda tinha uma pequena esperança de que, ao fim da Série C, que coincide mais ou menos com o início dos trabalhos alviazuis, Picoli pudesse voltar, mas essa hipótese foi rechaçada por todos. Muito medo do que vem por aí. Antes de fechar com o agora grená, o Lajeadense flertou com PAULO PEREIRA (?), ex-auxiliar de Paulo Silas e com cara de tragédia a la Karmino Colombini. Queira Jorjão que tenham desistido dele. Não há mais grande material humano à disposição, mas quem sabe possamos sonhar com algum nome tipo Leocir Dall’Astra, um retorno forçado de Ben Hur Pereira ou outro treinador desse calibre, com trabalhos reconhecidos e experiência de futebol gaúcho que, num campeonato curtíssimo, será necessária.

Embora jogando a sua palavra no lixo, Picoli pelo menos nos deixa com tempo para tentarmos achar alguém digno para o lugar que seria seu – tivesse feito isso em dezembro e eu o MATAVA. Ou pra, pelo menos, REZARMOS para que Paulo Pereira seja um Rinus Michels anônimo, caso seja confirmado nos próximos dias, correndo o risco absurdamente grande de nos FERRARMOS GRANDÃO. Valeu por nada, Antônio.

Tiro na lua

Pelo jeito, não fui o único a ser surpreendido com a especulação do nome de Picoli no Caxias, que depois virou confirmação.  Não que eu seja daqueles que acredita que o “amor” entre clubes e profissionais exista, nem que a identificação de um jogador/treinador por um clube o impeça de trabalhar no rival. Não é isso.

O que me espantou nessa reviravolta vista ontem foi o atalho perigoso que Picoli resolveu tomar em sua carreira. De uma passagem reconhecidamente boa pelo Jaconi, em sua estreia na profissão, ele parecia seguir o caminho mais lento mas seguro de construção de carreira, apostando no projeto oferecido pelo Lajeadense.

Do nada, ele resolve apostar todas suas fichas num clube que, embora na série C nacional, vive um momento turbulento e de queda brusca, além de chegar com uma rejeição monstra por parte da torcida.  Dos tempos de tv em cores pra cá, só lembro de Cláudio Duarte ter tido sucesso numa situação parecida.

Como disse antes, Picoli dá um tiro na lua. Se acertar (e o acerto significa botar o Caxias na B), vira gênio e sua carreira deslancha. Mas as chances maiores são de fracassar e ver seu futuro como treinador questionado. Espero que sua decisão tenha levado essas variáveis em conta.

[As fotos são da Folha de Caxias e d’O Informativo do Vale]

Tiago Zilli, Guilherme Daroit e Franco Garibaldi

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8 Respostas a Picoli mexe as cadeiras

  1. Querem uma sugestão para o Lajeadense ? Conhece a aldeia e está louco para voltar. Quase foi campeão gaúcho pelo Glória em 2005. Anda perambulando pelo Nordeste- está na segundona pernambucana- pois não consegue ficar sem treinar. ( embora tenha juntado “algum” e nem precise tanto ): Ronaldo Rangel, o Bagé.

  2. Cássio diz:

    Pelo pouco que conheci nesse um ano e pouco vivendo em Caxias do Sul tava achando mesmo que o Ovelha seria carneado, já que a tosquia vinha sendo feita com força desde a derrota de sábado (pra não fugir do trocadilho). Aliado a isso, tem a cultura da troca trimestral de técnico, que parece bem arraigada aqui.
    A surpresa nem foi tanta.
    Mas quando ouvi a notícia que o substituto era o Picoli imaginei ter entendido errado. Só que não, era ele mesmo.
    Vamos ver no que vai dar. Tomara que dê certo.

  3. Pingback: A triangulação de Picoli | impedimento.org

  4. luizkochhann diz:

    Não dá pra entender. Negócio ruim para todos.

    Daroit, já aguentamos Karmino Colombini e Rafael Jacques nos levando pra Segundona. Sem essa de Leocir no Lajeadense!

  5. Daroit, precisamos de alguém que conheça o gauchão e nosso Lajeadense, resumindo, o senhor Gelson Conte !

  6. daroit diz:

    #5

    BAH, TOTAL. tinha esquecido completamente dele ao escrever o texto. quase fiz uma CAMPANHA por ele pós-saída do Ben Hur. Acho que a colocarei em prática.

  7. TMarcon diz:

    Muito bom texto, é por aí mesmo.

  8. Pingback: O renascimento começa a aqui | Toda Cancha

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