O pior Anilado

Antes de começarmos os MANOTAÇOS PSICOLÓGICOS, vamos à prestação de contas (ns): a cobertura dos jogos do Novo Hamburgo na Copa RS se esvaeceu devido a grande quantidade de trabalho (abra$$o, Muricy) e à falta de um computador minimamente decente na sucursal anilada do Toda Cancha. Mas, à moda guerrilheira (alô, Flávio Alcaraz), cornetearemos.

Desde a derrota para o Internacional, pouca coisa mudou no Estádio do Vale, apesar do GRITEDO todo aqui feito. Paulo Porto manteve os mesmos jogadores para a partida seguinte, contra o São José, e viu o Noia empatar em 2×2 diante de sua torcida, após abrir 2×0. Nos acréscimos, escapou da derrota ao ver o Zequinha desperdiçar um pênalti.

Para o confronto diante do Cerâmica, em Gravataí, o técnico anilado me ouviu (como vocês podem comprovar abaixo), escanteou Brock, Felipe e Diogo do time titular, promoveu o ingresso de Lucas, Luis Carlos e Labarthe (o único que discordei, pois queria o meia-atacante João Henrique) e viu a equipe atuar de forma brilhante e bater o tricolor por 3×1.

De volta à estação Santo Afonso, o Noia seguiu em busca do primeiro triunfo em casa. Contra o Grêmio, o principal jogador da equipe, Márcio Hahn, cumpriu suspensão pelo terceiro cartão amarelo e foi substituído pelo GÊMEO INOMINÁVEL. Eis que o Tricolor, apesar de sua ruindade, abriu o placar com gol contra de André Ribeiro. O Noia teve a chance de empatar, mas Diogo (oh, que dúvida!) desperdiçou a oportunidade. Assim, o Anilado encerrou o 1° turno sem vencer em casa.

Na primeira rodada do returno, o Noia foi a Eldorado do Sul enfrentar novamente o Grêmio. Apesar da superioridade, foi derrotado novamente por 1×0, gol de Spessato. Os únicos dois triunfos do Tricolor da Capital foram justamente contra o Anilado.

Na quarta-feira passada, os comandados de Paulo Porto receberam o Cerâmica, na esperança de perderem a VIRGINDADE em casa. Mas ficaram no 1×1, prolongando o jejum. Placar esse que foi repetido no último sábado em Porto Alegre, contra o São José.

Atualmente, o Noia encontra-se com 10 pontos em 9 jogos e aproveitamento de 37%. Apenas DUAS vitórias no campeonato todo, NENHUMA em casa. Nunca houve um Noia tão ruim em todas as 7 edições anteriores que disputou.

O retrospecto na Copa RS

Campeão em 2005, o Noia sempre passou de fase na competição. Nas duas primeiras edições, quando disputava a competição concomitantemente à Série C do LULÃO, o Anilado terminou como líder de seu grupo na 1ª fase e venceu metade de seus jogos. Isso utilizando times mistos ou reservas. Em 2005, enquanto Luciano; Marcelo, Dias e Luis Henrique; Rafael, Márcio Hahn, Pedro Ayub, Preto e Alex; Maiquel e Luiz Gustavo campereavam Brasil afora em busca do acesso à Série B Nacional, Giovane; Tiago Rannow, Sandro Blum, Sidiney e Gerson; Emerson, Polaco, Odair e Duda; Flaviano e Valdiney esmirilhavam nas canchas gaudérias colecionando triunfos pela Copinha. Numa época sem dinheiro do Banrisul ou da televisão.

No seu pior desempenho ao longo de sua história na Copinha, o Anilado venceu 40% dos jogos da 1ª Fase, em 2006. Em 2012, esse aproveitamento é de 22%. Simplesmente, PATÉTICO. Para igualar sua pior campanha, o Noia precisará vencer dois dos últimos três jogos; se quiser vencer ao menos metade dos jogos, precisará vencer todas as partidas restantes.

Isso será possível? A tendência, infelizmente, mostra que não. Assim como é improvável que, no mata-mata, a equipe vá longe. Por ora, o Anilado enfrentaria o Juventude, seu algoz na edição passada.

Copa RS como laboratório do Gauchão

Entre 2009 e 2011, ao menos metade da equipe-base anilada da Copinha permanecia para a disputa do Estadual do ano seguinte. Historicamente, sabe-se que o torneio estadual do segundo semestre é deficitário e conta com folha salariais humildes por parte dos clubes. Por isso a prospecção se faz importante, para o clube saber onde agregar os jogadores mais caros que descascarão a batata quente no Gauchão.

Em 2009, após um péssimo Gauchão, Paulo Turra, no início, e Leandro Machado, nas fases quente, montaram um anilado com Juninho; Fininho, Micael, Cirilo e Paulinho; Emerson, Chicão (André), Edimar (Edílson) e Rodrigo Mendes; Flaviano e Juba (Marcos Tora). Desses apenas, Cirilo, Marcos Tora e Flaviano não permaneceram no grupo. E André, Edílson e Juba foram reservas. Não à toa o clube foi Vice-Campeão do 1° Turno, após eliminar o Internacional.

No ano seguinte, apesar de não ganhar a vaga à Série D, mas aproveitando-se do bom Estadual realizado, Gilmar dal Pozzo, na primeira parte, e Gilmar Iser, quando ferveu o kissuco, escalaram o Anilado com Juninho; Raphael, Cláudio Luiz e Cris; Cleberson, Márcio Hahn, Carlos Augusto, Rodrigo Mendes e Edinho; Juba e Michel. Somente Juninho, Raphael, Cris e Carlos Augusto não ficaram no Estádio do Vale para o Centenário.

No ano passado, com a reformulação após o frustrante Centenário, Itamar Schülle montou uma equipe que PATROLOU na Copa RS e terminou na 3ª colocação, com Matheus; Jhonatan, Alexandre, Glauco e Luis Henrique; Zaquel, Chicão, Juninho e Clayton; Paulinho Macaíba e Lê. Apenas o goleiro, Jhonatan, Glauco e Lê não permaneceram no Vale dos Sinos. Com a base formada e o acréscimo de peças chaves, como Marlon, Preto e Juba, o Noia chegou novamente ao Vice-campeonato do 1° Turno. Não foi ao acaso. Foi fruto de um trabalho a médio prazo.

Seguindo-se a mesma lógica, a direção anilada terá que remar pra formar um bom grupo para 2013 a partir do elenco da Copa RS do presente ano. Entre os titulares, além dos já conhecidos Zaquel, Márcio Hahn e Juninho, apenas o lateral-direito Sebá tem se mostrado apto a permanecer para o Estadual. Outros atletas, como o zagueiro Lucas, o lateral-esquerdo Érick e o meia Luis Carlos, se evoluírem, também poderão ficar no Estádio do Vale. Mas ainda é pouco para a formação de uma equipe. No máximo, agregarão para o grupo.

E a chance para os jovens?

Desde que assumiu a presidência do clube, Carlos Duarte tem dado atenção especial às categorias de base, planejando que 1/3 do elenco profissional seja formado por jogadores oriundos das CANTONEIRAS aniladas. Para a Copa RS de 2012, o objetivo da direção se norteou em dar chances à gurizada e revelar potenciais titulares para o Gauchã de 2013.

Entretanto, já findando-se a 1ª Fase, apenas Sebá e Lucas se firmaram entre os titulares. O meia Wander, que atuou improvisado como lateral-esquerdo, sequer no banco tem ficado. João Henrique, atualmente lesionado, ainda não iniciou uma partida como titular. Dimas, de atuação destacada na estreia, também não tem jogado.

Aliás, a situação do zagueiro é, no mínimo, inusitada. Desde os preparativos para a competição, Dimas havia vestido a camisa 4 anilada. Titular e capitão nos juniores e integrante da equipe no Gauchão de 2012, sempre foi elogiado pelo bom posicionamento e técnica ao sair jogando.

Após a estreia, Dimas levou gancho de quatro jogos por uma expulsão no Gauchão Sub-20 de 2012. Contudo, cumprida a suspensão, não voltou à equipe, mesmo com o desempenho lamentável de Brock e a bipolaridade de André Ribeiro. Segundo o repórter da ABC 900 Rodrigo Silva, ele tem realizado fortalecimento muscular para o Gauchão de 2013. O que me leva a um questionamento:

– Por que RAIOS, então, o guri subiu?!

Eu prefiro vê-lo ganhando experiência na Copinha para ser titular no Gauchão a vê-lo MOFANDO e enferrujando numa sala de musculação, enquanto que LORPAS jogam em seu lugar.

Paulo Porto tem culpa no cartório

Alçado à casamata anilada uma semana antes da estreia, o treinador mostra uma boa leitura de jogo e conseguiu dar jeito à bagunça promovida por Lisca, batendo o Cruzeiro na estreia. Cauteloso no início, Porto ainda não conseguiu se desvencilhar do esquema 4-3-2-1, ou ÁRVORE DE NATAL, e aplicar seu 4-4-2 preferido, como nos tempos de Caxias.

Embora a defesa seja razoavelmente bem postada e a trinca de volantes dê boa sustentação à equipe, os setores de articulação e de finalização tem se mostrado bem deficitários. O Noia ainda não atuou com dois atacantes, somente com um centroavante AIPIM isolado na frente. Com Gilmar, a coisa fluiu razoavelmente; com Wesley, o Noia tem ficado a ver navios.

Por que não colocar Sato desde o início para fazer companhia ao camisa 9? Por que não tentar Wander ou João Henrique (quando voltar de lesão, claro) ao lado de Juninho e Luis Carlos na armação?

Se o Noia achar que o simples ingresso de Paulinho Macaíba, de volta ao clube, no ataque resolverá o problema da falta de gols, sem que haja uma articulação bem feita, o artilheiro da competição em 2011 morrerá de INANIÇÃO.

Aniladas

– Desde que Luizinho Valentim deixou o Estádio do Vale, o vestiário está ACÉFALO. Diz-se que sua saída se deveu, entre outros PORMENORES, a rusgas com o diretos-executivo Maurício Andrade;

– Eliseu Erhart é gerente, não vice de futebol. Assume as broncas de contratação e gerenciamento de contratos. E ainda por cima entrou no clube com o grupo já formado. Sobrecarregá-lo com formação de grupo e comando do vestiário só prolongará a ZONA que está o Estádio do Vale;

– Segundo o repórter Wesley Wierganowiez, da Rádio ABC 900, uma BOMBA está por explodir no Estádio do Vale há alguns dias. Não sabemos, contudo, se será uma bomba ou um rojãozinho, mas nada será pior do que ainda ter Diogo no elenco;

– André Sangalli; Sebá, Lucas, Dimas e Érick; Zaquel, Márcio Hahn, Luis Carlos e Juninho; Sato e Paulinho Macaíba. Ao menos teste essa formação, Paulo Porto!

Corneteando sempre,
Zezinho

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7 Respostas a O pior Anilado

  1. Weber diz:

    Pra mim está claro que temos que melhorar muito no Gaúchão. Talvez a decepão da Copinha, se torne um grande Campeonato Gaúcho.
    Belo texto. Concordo em quase 100%.
    DÁ-LHE NOIA!

  2. Luis diz:

    Concordo em praticamente 100%.
    Acredito que o Nóia possa investir em profissionais que foram já passaram por aqui antes, como o caso do preparador físico Marcio Vitória, que inclusive está de férias em Novo Hamburgo. Sei que o Marcio tem um grande conhecimento de jogadores e poderia até ajudar em contratações, por sempre ter tido um bom relacionamento nos clubes que passou.
    Dá-lhe Nóia!!

  3. Márcio Vitória é um ótimo profissional. Preparado e dedicado. Conhece do riscado. É, porém, me dizem, alguém que, por ter condições, vai além das suas funções, por vezes. Nem todos gostam disso. Principalmente os de competência limitada.

  4. pedrohckruger diz:

    Pô, o André Ribeiro é GOLEADOR mesmo, mas geralmente contra a própria BALIZA.

    Aqui no Xavante ele deu algumas vitórias na A2, mas também marcou MUITO gol contra. Tá aí a bipolaridade relatada no texto.

    Belo texto, Zezinho.

  5. Chico Luz diz:

    baita texto, seu Zé Eduardo Francisco Eustáquio de Araújo Mendonça Brasileiro.

    o Luizinho aguentou MUITO rojão nos sete anos em que esteve no cargo, e ainda era corneteado a cada sexta-feira pelo Geraldo Haubert. O tanto de tempo que ele ficou no clube fez com que não se pensasse em novas lideranças para o futebol, ACHO, e isso está cobrando um preço agora.

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