A crônica de uma eliminação anunciada

Fernando afasta o perigo: Noia foi eliminado pelo Ju e fez sua pior campanha na Copa RS (Foto: Bruno Colombo/ECNH)Quem lê esse espaço já sabia, desde Julho, que o Novo Hamburgo naufragaria no segundo semestre. Mesmo com a mudança de timoneiro às vésperas da estreia na Copa RS, os marujos da pior estirpe continuaram a levar o barco anilado a águas revoltas e, no último domingo, a embarcação afundou com poucos sobreviventes.

Paulo Porto foi o primeiro atirado ao mar, depois do almirante Carlos Duarte brincar de pirata e, juntamente com seus consortes, fazê-lo andar na prancha e jogá-lo aos tubarões. Ainda nessa semana, quase todos os marinheiros que infestaram o convés deverão fazer companhia à fauna PELÁGICA dos oceanos, e até o capitão Eliseu Erhart ficará sem eira, beira ou boia salva-vidas.

Os sobreviventes, agora, remam contra o tempo para construírem um novo barco capaz de navegar no grande oceano do Gauchão, ainda que as mudanças na Série D, com redução para 32 clubes, dê um ar de TRIÂNGULO DAS BERMUDAS para os clubes do glorioso interior gaudério.

Campanha horrorosa

Como dito anteriormente, o Noia fez sua pior campanha na história da Copa RS. Em 14 jogos o clube somou 4 vitórias, 6 empates e 4 derrotas, com exatos 15 gols marcados e sofridos. Uma regularidade extremamente medíocre, muito aquém para quem quer ser a quarta força do futebol gaúcho e foi vice-campeão da Taça Piratini. A efeito de comparação, no COSTELÃO, o Noia só perdeu 3 vezes em 18 partidas – para Dupla Gre-Nal e Veranópolis, justamente os únicos clubes que somaram mais pontos que o Noia na competição.

Se é verdade que o grupo montado por Lisca, com total aval de Maurício Andrade e Eliseu Erhart, era muito limitado, também é verdade que os times de Copinhas anteriores não era muito melhor ou mais caro que o atual. A prospecção de talentos praticamente inexistiu, imperou o bruxismo na formação do elenco e a comissão técnica não soube montar um time a partir do que tinha.

O Noia, no mínimo, sempre chegou às Quartas-de-Final da Copa RS. Não há justificativas para um dos clubes mais ricos do Estado ficar atrás do Sapucaiense, que foi rebaixado à Terceirona Gaúcha e sequer havia grupo para TREINAR há 10 dias do início da competição.

Paulo Porto tem culpa no cartório, sim

Muitos analistas, comentaristas e torcedores anilados torceram o nariz para a demissão de Paulo Porto. Argumentaram que o técnico não poderia ser cobrado pelo fraco trabalho, visto que ele não foi o responsável por sua montagem. E que a própria direção anilada não o faria.

Porto ficou a ver navios. (Foto: Bruno Colombo/ECNH)Quanto à incoerência no discurso da direção, concordo, no entanto vejo que o técnico tem boa parcela de culpa na má campanha do Noia. A começar por incoerência sua: assim que chegou ao Estádio do Vale, Paulo Porto, em entrevista à Rádio ABC 900, disse que escalaria a equipe num 4-4-2 com dois meias articulares e dois atacantes – um pela ponta e um homem de referência. Acontece que o treinador nunca fez isso.

No início, com algumas dispensas e jogadores lesionados, Porto optou por uma escalão CAU-TE-LO-SA, com três volantes e dois meias. Entretanto, com o avançar da competição e mais jogadores à sua disposição, o treinador não deixou os três volantes de lado e não escalou a equipe como gostaria, segundo o próprio.

Marcelo Labarthe virou seu homem de confiança, não havia um apoiador para compensar a  lentidão de Luis Carlos e Gilmar só teve companheiro quando Paulinho Macaíba foi contratado. Assim, para suprir as carências no ritmo da equipe, Márcio Hahn passou a se desdobrar como marcador e articulador.

No jogo decisivo contra o Juventude, precisando ganhar por 3 gols, Porto entrou em campo com TRÊS zagueiros e TRÊS volantes – sendo um deles BROCK na lateral-esquerda. Por que não escalou Wander ou Pretinho na esquerda? Por que não retirou Labarthe e colocou Sato, para formar um ataque com dois ponteiros abertos?

Os jogos da Copinha tinham um intervalo de sete dias, em média. Qual a evolução notada a cada rodada, a cada semana de treinos? O jogo decisivo foi a gota d’água, o que me levou a crer que o treinador, ao entrar tão mal formatado, tenha pedido a demissão, tão cantada após a fritura em fogo alto a que foi submetido nas últimas duas semanas.

Mudanças na diretoria também

Depois com uma vacância de MEIO ANO, a vice-presidência de futebol anilado passou a ser ocupada por Raul Hartmann, que comandará o vestiário no Estádio do Vale. Raul assume a cadeira respaldado por Everton Cury, Presidente do Conselho Deliberativo e responsável pelo re-erguimento do Noia em 2003/04, Nestor Dresch e Juarez Radaelly.

O TRIUNVIRATO que trabalhará com Raul na gestão do grupo anilado também deve ganhar o apoio de Luizinho Valentim, responsável pela formação dos grandes times de 2005/06, 2009/10 e 2011/12. Quando saiu, questionamos se haveria vida sem Luizinho. Pelo que se viu nesse semestre, não. Contudo, sua volta, ainda que informal, só será possível se Eliseu Erhart deixar a gerência de futebol, o que, dados os péssimos resultados e a insatisfação de alguns jogadores consigo, é bem provável.

Os prováveis nomes para a casamata

Volta, Kojak (Foto: Bruno Colombo/ECNH)Itamar Schülle – o KOJAK catarinense fez um excelente trabalho entre a Copa RS de 2011 e o Gauchão de 2012, mantendo uma equipe coesa, com padrão tático definido e muito regular. Sua equipe mantinha o nível dentro e fora de casa. Sob seu comando o Noia chegou às semi-finais da Copinha e à final da Taça Piratini e só somou cinco derrotas em 8 meses de trabalho. Atualmente no Santo André, que caminha para a Série D, tem a preferência de Luizinho Valentim.

Alex Ferguson dos Pampas. (Foto: ECNH)Gilmar Iser – eterno treinador anilado, tal como Celso Roth para a Dupla Gre-Nal, Antônio Lopes para o Vasco e Joel Santana para o Flamengo, Iser está desempregado desde o rebaixamento no Avenida. Comandante nas últimas duas taças conquistadas pelo Noia, Gilmar tem a preferência de Luizinho e é muito bem quisto no Estádio do Vale, a não ser por rusgas com o Presidente Carlos Duarte. Se voltar veremos o 3-5-2 copero y barranqueador de volta ao Vale dos Sinos, juntamente com POLACO na meia-cancha, DUDA na ala e FLAVIANO ETERNO vestindo a camisa 9, formando o único esquadrão possível de parar o Barcelona.

Leocir Dall'astra calando o Olímpico. (Foto: RBS)Leocir Dall’astra – técnico do Cruzeiro na bela campanha do Estrelado no TARSÃO de 2011, Leocir assumiu a bronca do Ypiranga de Erechim em meio à péssima campanha do Canário no Estadual e quase o livrou do rebaixamento. No entanto o bom trabalho fez com que ele permanecesse no Colosso da Lagoa, e mesmo após o descenso e com uma baita reformulação, Leocir leva o Ypiranga às Quartas-de-Final da Copa RS, com a melhor campanha geral. Capacidade, a prior, não lhe falta.

Guilherme Macuglia (Foto: Globo Esporte)Guilherme Macuglia – treinador forjado no Interior bagual, esteve no Noia em 2004, na reta final do Gauchão, na Série C e na Copa RS do mesmo ano. Fez um bom trabalho diante dos limitados recursos disponíveis à época. Trabalhou com Everton Cury, então diretor de futebol. Com passagens por muitos clubes do Sul do Brasil e Nordeste, há tempos não se firma numa casamata.

Ben-Hur é de casa e começou sua carreira no Estádio do Vale. (Foto: Divulgação)Ben-Hur Pereira – formado nas categorias de base do velho Santa Rosa e criado na cidade, Ben-Hur teve sua primeira chance no profissional no próprio Noia, comandando o Anilado no primeiro ano de vida do Estádio do Vale. Ganhou destaque estadual ao trazer o Lajeadense de volta à elite e ao vice-campeonato da Copa RS de 2011. Esse ano, no entanto, o clube ficou devendo no Gauchão. Ben-Hur, então, foi ao Cerâmica, onde fracassou na Série D e na Copa RS. Seu nome é cotado há semanas, mas esfriou nos últimos dias.

Jogadores: quem vai, quem fica?

Além dos jogadores da base (Sebá, Dimas, Wander e João Henrique), apenas o goleiro André Sangalli, os volantes Márcio Hahn e Zaquel, o meia Luis Carlos e os atacantes Paulinho Macaíba e Wesley tem contrato até o final do ano que vem. Contudo, pelo desempenho, o arqueiro e Wesley podem zarpar do Estádio do Vale; o meia, no máximo, ficaria como reserva.

El Misionero João Henrique é uma bela aposta para 2013. (Foto: Elenise Martins/ECNH)Dos jogadores com contrato até o final da Copinha, o goleiro GOTTFRIED, o zagueiro Lucas, o lateral-esquerdo Erick e o atacante Gilmar deram boas respostas, entretanto ficariam como opções para grupo, não para titularidade. Todos os demais podem passar no RH o quanto antes.

Assim, aumenta-se a necessidade de contratações visando o Gauchão o mais cedo possível. O goleiro Marcelo Pitol (Aimoré) e os zagueiros Luis Henrique (Aimoré) e André Paulino já estariam acertados.

Esperando por navegar em águas calmas em 2013,
Zezinho

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6 Respostas a A crônica de uma eliminação anunciada

  1. Fabricio Coerento diz:

    PRezado amigo Zezinho, o professor Paulo Turra iniciou sua carreira de técnico no Noia, se não estou enganado… Apesar de uma campanha regular, acabou sendo demitido. Ele não está entre os cotados para assumir o cargo? Abraço.

  2. Buenas, Fabricio!

    Verdade, começou em 2009, ainda claudicante. Não foi ventilado em Novo Hamburgo, mas, sim, em Caxias do Sul, tanto no Ju quanto no Caxias.

    Abraço!

  3. pedrohckruger diz:

    Paulo Porto sempre foi “CAUTELOSO”.

    O Brasil, em 2009, jogava bem contra o América-MG pela série C. Qualquer empate com gols daria a vaga à série B ao Xavante. Pois bem, o Brasil conseguiu empatar o jogo em 1 a 1 e estava em cima do coelho mineiro. NO ENTANTO, o treinador decidiu ter CAUTELA e recuou a parada. Resultado: América 3 a 1.

    Tá certo que o maior investimento era do América, tanto que foi o campeão daquele campeonato, mas fica aquele gosto amargo de ter quase alcançado o sonho.

    Belo texto, Zezinho. Força ao Nóia!

  4. Weber diz:

    O Noia precisa, desesperadamente, unir nomes fortes em sua diretoria. Enquanto houver pessoas com outros interesses dentro do clube, não iremos a lugar algum. Espero que a coisa se ajeite o quanto antes.

  5. Daroit diz:

    Zezinho Dudu Chiquinho:

    Ben Hur não subiu o Lajeadense, ele subiu foi o Cruzeiro. Depois que acabou a Segundona ele veio pra cá, pro lugar do Luiz Freire.

    E aposto que ele vai ser o contratado.

  6. Antonio diz:

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