Embretados por gosto: o ocaso do futebol do interior

Na primeira reunião eles se aproximam e nos roubam uma vaga pra série D. E não dizemos nada. Na segunda, já não dissimulam; impõem uma condição, aumentam um rebaixado pra segunda divisão, e não dizemos nada. Até que um dia entrarão em nossa sede, nos dirão que o campeonato acabou, que não disputaremos coisa alguma. E não poderemos dizer nada.”

A poesia não é exatamente assim, você sabe disso. Mas tomei a liberdade de adaptá-la para retratar a realidade frágil do futebol do interior gaúcho. Mesmo não sendo novidade pra ninguém que passe os olhos pelas páginas esportivas o OCASO que assola os clubes do interior, me parece interessante seguir lançando luzes sobre o tema, até para ajudar a demonstrar as razões dessa implosão.

A maldita polarização

Como toda e qualquer coisa que descambe para uma competição nessa terra, TUDO vira dualidade. Seja na política, seja no esporte, parece haver espaço para apenas dois lados, que ao final decidirão a hegemonia de seja lá o que for que estiver em pauta. No futebol não é diferente. Há mais de 60 anos que é assim. Muito em virtude do poderio econômico da capital e da força de sua imprensa, que alcança todas as divisas e fronteiras, o vermelho e o azul dividem as atenções do Rio Grande e pouco ou nada sobrevive nas eventuais tentativas de outros clubes obterem luz própria. Por algum tempo até conseguem, mas é algo cada vez mais passageiro. E raro.

E parece não adiantar lutar contra isso. Já virou lugar comum ser questionado, aqui ou fora do estado, assim que reconhecido como gaúcho, se é “gremista ou colorado”. Mesmo que se responda outro clube daqui, a pergunta segue: “Tá, mas entre Grêmio e Inter?”, como se fosse uma obrigação torcer para um deles. O fato é que ninguém acredita ser possível alguém torcer exclusivamente por um time do interior.

E até admito que essas pessoas têm seus motivos para pensar assim. Afinal, o que ainda leva alguém a torcer para um clube do nosso interior? Os clubes, em sua maioria, nunca conquistaram título algum. Os poucos que conseguiram carregam os registros em fotografias em preto e branco, quando não apenas na memória herdada através da oralidade dos causos contatos por seus avós, seus pais, salvo raríssimas exceções (clubes caxienses). A realidade atual tampouco ajuda.

Fracasso e descaso em looping eterno

Numa espiral descendente que aniquila ano a ano o histórico gaúcho de marcar presença no futebol seriado nacional, o RS conta hoje apenas com o Caxias numa aparente eterna vinculação ao terceiro nível, mesmo amparado por um empresário que o salvou de fechar as portas em 2007. Na série B, desde 2009, ano do rebaixamento do Juventude para a série C (e posteriormente para a série D nacional, hoje estando sem colocação em série alguma, como todos os demais clubes), NENHUM gaúcho se fez presente.

E assim vamos seguindo. Nas palavras do presidente da FGF, em palestras e entrevistas, um cenário maravilhoso, uma vez que, em seu mandato, o estado conquistou “duas libertadores e um mundial”. Mais uma vez aqui nota-se o discurso para um estado dividido apenas em dois, ignorando os que ousam não escolher um dos lados da moeda vigente (pra reforçar esse cenário, na reunião que definiu o estadual do ano que vem, um ASPONE da FGF definiu o jogo Esportivo x Grêmio como “o jogo entre o campeão do Acesso contra o vice do Gauchão” – que, na verdade, foi o Caxias…).

Não deixa de ser curioso o presidente da Federação Gaúcha de Futebol ter esse tipo de discurso. Ao menos na letra fria da lei, o colégio eleitoral para eleição do mandatário conta com cerca de 80 votos, a esmagadora maioria deles de clubes do… interior. Interior este onde resiste bravamente contra seu fim um clube como o  Gaúcho, de Passo Fundo. Mas que, em seu direito legítimo de lutar pela sobrevivência, contra tudo e todos, é tratado assim por Chico Noveletto.

A tara por ser colonizado pela capital

Não para por aí. Em recente texto do Felipe Prestes no Impedimento, restou demonstrado pelas reportagens linkadas que tratam das três eleições conquistadas até aqui pelo dono das lojas musicais com mais vendedores OCIOSOS no mundo (recorde apenas pendente de oficialização pelo Guiness Book) que suas vitórias se deram de forma acachapante, sempre por maioria, aclamação ou unanimidade, o que retrata, curiosa e inexplicavelmente, que os clubes do interior encontram-se PLENAMENTE SATISFEITOS com os rumos do futebol gaúcho nesse período.

Aliás, é estranha essa obsessão interiorana por ser MONTADO por dirigentes com íntima ligação com clubes da capital, especialmente da dupla Grenal, mesmo podendo eleger QUALQUER outro eventual postulante com atuação legítima na defesa de seus interesses. Já era assim durante a gestão de Rubens Freire Hofmeister, passando por Emídio Odósio Perondi (que, apesar da pretensa ligação com o São Luiz, é colorado), chegando ao catarinense Francisco Noveletto Neto, de ligação artificial/comercial com o Zequinha, mas conselheiro do Inter assim como seu antecessor e padrinho. Isso pra ficar apenas nos presidentes de minha geração.

Pessoalmente, não consigo compreender essa necessidade dos clubes do nosso interior de serem subjugados tal qual uma CADELA NO CIO cercada de pretendentes. Reinado após reinado (sim, essa turma que chega ao comando da FGF gosta de passar largas temporadas por lá), as agremiações interioranas são deixadas de lado, recebendo migalhas, mas lambendo os beiços como se enfastiados após um lauto banquete. Além do mandatário principal, os vices também são pessoas de OBSCURA relação com o futebol (Luciano Hocsman é filho de um caricato conselheiro gremista e Nilo Job teria alguma ligação com o Internacional, como torcedor, talvez meramente para justificar seu posto numa federação de futebol).

Um voto, um regalo

Noveletto, em sua gestão, talvez pelo costume do agir característico do mundo empresarial de onde veio, tratou de implementar a prática da concessão de mimos a fim de obter a simpatia dos regalados. Além da garganteada, apesar de óbvia e natural, melhor remuneração obtida junto à RéBiS pelo televisionamento (óbvia porque o prato principal do COSTELÃO é a dupla Grenal; se aumenta a quota para ela, aumenta para todos), Chico passou a realizar os chamados “congressos técnicos” – eventos onde ele chega com o prato pronto, quase frio de tão previamente preparado, apenas colhendo o aceite dos comensais servis – em destinos turísticos de nosso continente.

Montevidéu, Buenos Aires e Santiago foram os primeiros destinos para este fim. Para agradecer a segunda reeleição e comemorar a entrada de um novo patrocinador máster, o ápice até aqui: um CRUZEIRO pelo Caribe para representantes de todos os clubes participantes do campeonato, com direito a acompanhante. A até certo ponto ESTRANHA repercussão negativa do anúncio na imprensa (uma vez que a mídia tradicional é INTIMAMENTE ligada comercialmente àquela rede de lojas de discos já referida, de propriedade do presidente Noveletto) acabou fazendo Chico tentar desvincular o congresso onde decidido o regulamento deste CONVESCOTE MARÍTIMO através de uma nota de ralo esclarecimento, que nos fez até acreditar que o passeio não mais aconteceria.  Entretanto, os convidados podiam ficar aliviados: o Oasis of the Seas seria todinho deles por uma inteira e aprazível semana. E se tu foi um dos que, como eu, acreditou que o cruzeiro seria bancado pela patrocinadora, divida a TORTA NA CARA comigo lendo esta coluna.

Sentença de morte: onde assino?

Mas e o que ficou decidido no tal congresso técnico em terra firme? Além da manutenção do formato a la Rio já vigente, restou decidido o AUMENTO do número de rebaixados para a Divisão de Acesso (eufemismo para segunda divisão criado este ano). A aprovação – que só se daria por unanimidade – causou ainda mais estranheza pelo fato de clubes como Canoas, São Luiz, os recém-promovidos Esportivo e Passo Fundo, e até mesmo o Juventude, que já adiantou metade da quota futura e deve montar um time com muitos jovens, tenham aceito tal novidade. Mas aceitaram.

Além disso, foi chancelada a impressionante RASGADA de regulamento da Copa Hélio Dourado. Anteriormente valendo uma vaga à série D para seu campeão (ou melhor colocado fora Grêmio, Inter e Caxias, já seriados), após o inexplicável mas legal enxugamento da quarta divisão nacional pela CBF, que a diminuiu de 40 para 32 participantes, diminuindo uma vaga por estado para a competição, a Copinha passou a valer apenas MEIA vaga para o certame nacional, devendo seu possuidor disputar uma melhor de dois jogos com o campeão do interior do Gauchão 2013 para então sabermos quem será o representante gaúcho na D do ano que vem.

Embora legal, pois respeitado o prazo estabelecido pelo Estatuto do Torcedor para a mudança no formato de disputa da série D, é incompreensível que a divisão mais básica do futebol nacional não tenha sido expandida, regionalizada, para depois afunilar no sistema proposto pela CBF. Entretanto, mais BIZARRO ainda foi ver a FGF rasgar o regulamento de uma competição em andamento, alterando sua premiação. E sob o silêncio sepulcral dos clubes (o Juventude ainda esperneia, mas junto à CBF e por outro motivo – questionando a inclusão do Cianorte na D de 2013 por sua 5a posição este ano).

Sei que muitos podem ter pensado “ah, esse cara só fala isso porque torce pelo Juventude e contava com a vaga direta pra D desde já e se frustrou”. É um ponto. Admito que, apesar da CICLOTIMIA do Papo, ele ainda é um dos fortes postulantes à então vaga direta. Mas lembrem o caso de outro clube tradicional do estado, o Brasil de Pelotas: se ele não obter esta MEIA vaga agora, mesmo ainda tendo que disputar a vaga final contra o campeão do interior de 2013, já era qualquer possibilidade de competição nacional para ele, que esteve na série C até 2011.

E seguindo no exercício de imaginação: vislumbrem o Brasil, atualmente na Segundona gaúcha, tendo que disputar dois jogos decisivos contra o embalado campeão do interior. Quais seriam as reais chances do rubro-negro pelotense? Apesar disso, nem de lá se ouviu ou leu qualquer reclamação mais áspera sobre a alteração absurda no regulamento.

“Hei de torcer (bovinamente) até morrer…”

Tudo isso me leva a apenas uma conclusão: os clubes do nosso interior definitivamente aceitaram o fim que se aproxima. Aceitam passivos em troca de passeios turísticos ou adiantamentos de quotas de TV para saldar dívidas prementes, tudo que a federação lhes impõe. Como bois no brete a caminho do matadouro, aceitam conformados seu destino e não esboçam sequer uma fuga. E entre os clubes e a entidade federativa encontram-se os torcedores, aqueles DEMENTES que insistem em torcer para estes clubes que dificilmente lhes darão alguma alegria além do fato de simplesmente ainda existirem, fardarem e entrarem em campo. E cuja PASSIVIDADE também me assombra.

Nas conversas sobre a mudança no critério da vaga destinada à Copinha, muitos com os quais troco ideias concordaram que seria a decisão mais justa e sensata, em virtude da mudança efetuada pela CBF na competição nacional. Eu e mais alguns, após um pouco de reflexão sobre como isso afetaria a realidade, nos assustamos. Para mim, isso é apenas o começo do fim da Copa RS, que tradicionalmente já nasce morta por culpa da própria federação, sendo uma competição secreta, desorganizada, de regras pouco claras ou agora rasgadas, deficitária e desinteressante.

Com o tempo, os clubes se darão conta que disputá-la será um erro estratégico. Ao menos os clubes da primeira divisão estadual. Valerá muito mais a pena agir como um Veranópolis, espécie de 15 de Campo Bom agraciado pela longevidade, um clube TAREFEIRO, que só espera a quota da TV para disputar o Gauchão, fazer seu jogo em casa com um da dupla Grenal e se recolher ao seu casulo, hibernando até o próximo campeonato. Mesmo os que hoje insistem em jogar o ano todo compreenderão que, mesmo tendo a intenção de jogar a série D, melhor será concentrar os recursos para quatro meses de campeonato estadual, ser campeão do interior e atropelar o rival pela vaga vindo da Copinha, que certamente estará em início de preparação ou, no mínimo, pior condicionado que ele.

E assim estará pavimentado o caminho almejado por Grêmio, Inter e FGF para o fim – ou ao menos o encolhimento conveniente – do futebol do interior. Clubes que jogam apenas os quatro meses do Gauchão e depois fecham, disputando com os grandes apenas uma fase quente cada vez mais reduzida em número de participantes do campeonato menina dos olhos da federação, atendendo aos interesses da capital por um campeonato curto e mantendo patrocinadores e TV ávidos em transmitir jogos da dupla dominante contra coadjuvantes cada vez mais inofensivos na pré-temporada para posterior disputa de campeonatos maiores.

A passividade dos dirigentes, mesmo que insuportável, é até compreensível. Após tantos anos de opressão e submissão, deve ser estranha a sensação de OUSAR desafiar qualquer coisa que seja perante uma federação tão poderosa, que em breve terá abrigo numa luxuosa nova sede e apoiada massivamente por todos os clubes. Compreendo até um certo temor de ver seu clube ainda mais prejudicado, dentro e fora de campo, caso tentem algo nesse sentido. O que na verdade me entristece, desanima e desmotiva é perceber que os poucos torcedores que ainda restam desses clubes comungam desse mesmo BOVINISMO, ruminando a aceitação deste embretamento como quem dissesse “foi pra isso que nascemos, sempre foi assim e sempre será”. Se os clubes são seus torcedores, são estes que, ao agirem feito gado indo pro matadouro, ajudam a fazer o nó do laço que envolve o pescoço de suas paixões.

Não escondo mais a decepção com esse conformismo. Dias como esses últimos me fazem sentir um verdadeiro PALHAÇO por me importar com uma situação com a qual os demais interessados – outros torcedores e os próprios clubes – já encaram como natural. Talvez deva mesmo ser só eu e mais uns poucos que ainda se revoltam inutilmente. Aos bovinos, aliás, uma homenagem musical que, no caso, deveria se chamar “Abominável gado mocho”. Então, que me sirva o momento para reavaliar prioridades e interesses que realmente me levem a algum lugar. Duvido que deixe de escrever aqui (a demência custa a ser vencida), mas volto apenas quando notar que a turma do corredor da morte resolveu pegar junto e desafiar o inevitável.

(com fotos de Ramiro Furquim, Pioneiro, FGF e várias outras colhidas pela internet)

Cansado de ser boi de piranha e indo cuidar da vida, pois quem mais deveria estar atucanado com a situação não está e só amor não bota nada na minha mesa, 

Franco Garibaldi – @francogaribaldi

Publicado em Clubes Gaúchos, Copa FGF 2012, Copa RS 2012, FGF, Gauchão 2013, Juventude, Segunda Divisão 2012, Série C, Série D, Terceirona, Toda Cancha com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

62 Respostas a Embretados por gosto: o ocaso do futebol do interior

  1. Franco, fiquei tocado com teu lúcido detalhamento da agonia por que passamos. Eu sempre digo que amamos no varejo, quando a turma prefere vender no atacado. É muito mais fácil enfiar dois goela abaixo, fingindo concentração, do que trabalhar as paixões diversas por clubes que dizem sinceramente sobre quem somos e de onde viemos. Não foi para isto que os ingleses nos legaram esta porra de esporte? Uma pena ter de acompanhar isto pastando, à distância. Abraço, cara

  2. Weber diz:

    Tamo fudido, mas eu não desisto. DÁ-LHE NOIA!

  3. Santiago diz:

    Magnífico texto.
    Um brinde a todos os “puro-sangue”, á todos aqueles que torcem pelo time da sua cidade, um brinde a todos que msm sem esperança alguma no seu time do coração, não trocam seu domingo ou sábado em uma arquibancada quentíssima ou molhada por nada no mundo.
    Um brinde a todos os torcedores que não se rendem aos apelos da mídia e seguem firme torcendo apenas por UM clube.
    Msm que precáriamente, quem mantem esses clubes do interior vivos, somos nós.
    Não desistamos e se alguem algum um dia ficar sem seu clube da cidade, comece a torcer pra times de potência da Europa. Televisão por televisão, os campeonatos europeus são mais atraentes.

    abraços a todos que fazem o futebol interiorano.

  4. Rafael Augusto Machado diz:

    Franco, parabéns pelo texto, concordo plenamente contigo nas tuas colocações. Eu sou torcedor do AVENIDA, e somente do AVENIDA. Moro em Caxias do Sul, mas por nada no mundo largo o clube da minha cidade de origem, o clube que amo. Fui setorista de esportes da revista O Caxiense durante este ano e pude acompanhar de perto as dificulodades da dupla Ca-Ju. Resta-nos somar forças para lutar por dias melhores. E viva o futebol do interior.

  5. kleber wist diz:

    Talvez devessemos rever esta historia de anti GRE-NAL,e lutar por uma ou um anti FGF ou um fora Novelleto,ou então talvez um boicote ao GAUCHÃO. Que de gauchão não tem nada.mas parece que não adiantaria muito pois 90% dos dirigentes não aguentam ficar sem os parcos centavos,e sem os cruzeiros por este mundão afora que a FGF dá de esmola e de cala o bico aos “grandes” dirigentes dos clubes do interior.Eles não aguentariam ficar sem o titulo de “celebridade” que o cargo lhes confere,sem o titulo de PRESIDENTE do e.c.JUVENTUDE,SER CAXIAS,,SÃO LUIS DE IJUI,NOVO HAMBURGO,BRASIL DE PELOTAS etc…QUEM DEVE EXIGIR ISTO É O TORCEDOR, só ele tem este poder.Enquanto o torcedor for submisso vai pastar para o resto da vida de torcedor.

  6. pedrohckruger diz:

    Parabéns pelo texto, Franco.

    Escrevestes com muita sabedoria. Citastes o Brasil e tens total razão. Por aqui nem as rádios estão comentando essa “meia vaga”. Nós estamos brigando por ela, mas ninguém notou (?) que as regras do jogo mudaram. Talvez o Brasil esteja aguardando o fim da competição; caso conquista a HD, resolva tomar alguma providência. É só uma suposição minha, no entanto. Não há nenhum indício sobre isso.

    Triste.

  7. Mano diz:

    Baita texto, Franco.

  8. Diogo Cassina diz:

    Belo relato Franco, escreveu a mais pura realidade.
    A questão básica para isso tudo é apenas uma: o que nós podemos fazer para mudar esta situação?
    Abraço.

  9. Cassiano diz:

    Prezado Franco, parabéns pela excelente reflexão acerca do futebol do interior. Sou torcedor do seu co-irmão grená e entendo que especificamente o futebol de Caxias vive momentos preocupantes tanto pela indefinição política e financeira do nosso lado quanto do lado financeiro da parte de vocês. Fica aqui o paradoxo: como uma cidade que conseguiu construir um diálgo sólido com questão da globalização, resultando em uma economia sólida, trata muito mal seus times? Abs, Cassiano

  10. Ezequiel Ravison diz:

    Boa tarde Franco, eu como torcedor do JUVENTUDE só estou esperando se vamos ou não ganhar a Copa HD para entrar na justiça e fazer valer o que já era regra. Pois como torcedor tenho o direito de exigir o cumprimento do estatuto do torcedor, pois através dele não pode ser mudado regras já existentes de uma competição em andamento. Espero que na hora eu tenha apoio dos torcedores pois vou até o fim.

    Abç e força a todos do interior.

  11. Diogo Santos diz:

    Sensacional reportagem, sou grená mas assino embaixo.

  12. Maurício Brum diz:

    Franco, este é provavelmente o relato mais LÚCIDO já feito sobre a complacência do futebol do interior com sua própria morte. O tipo de texto para pegarmos daqui a dez ou quinze anos e dizermos que “foi bem assim, mesmo”.

    Lembro quando meu pai, que está no conselho do São Luiz, avisou antes do congresso técnico que no ano que vem a nossa vida ia ser mais difícil, porque a >>FGF<< ia aumentar o número de vagas no rebaixamento. E eu tentando argumentar para que ele lembrasse os dirigentes que mandam mesmo de que a FGF não faz nada sozinha, que os clubes podem discordar no congresso técnico, que a fórmula está para ser discutida, não para ser ratificada sem dizer porém. Mas discordar já se tornou quase uma SUBVERSÃO.

    E discordar sozinho é realmente perigoso. Não se trata apenas de temer ser prejudicado politicamente ou dentro de campo, mas também temer que até as torneirinhas mais secas que hoje dão algum dinheiro pro clube sequem – TODO MUNDO tem o rabo preso com a FGF, e nem sempre por simpatizar com o Novelletto, mas porque o endividamento dos clubes é tal que todos precisam estar AMIGADOS para poder receber os valores de patrocínio de maneira mais SUBTERRÂNEA, sem correr o risco de ter esses reais tomados pelos credores. Nos tempos em que eu entrevistava com frequência os dirigentes do interior, ouvi de mais de um que não estavam exatamente satisfeitos com a FGF e a falácia das verbas maiores, mas não podiam levantar a voz sob pena de se inviabilizarem e morrerem. Mesmo os mais ferrenhos opositores do Novelletto terminavam cedendo: "enquanto tivermos dívidas, vai ser assim".

    Só que essas dívidas não vão sumir. Pagarão as antigas e virão outras, porque cada vez mais vão ter que gastar apenas para se manter jogando, sem perspectiva de crescimento ou objetivos maiores, e com os caminhos cada vez mais fechados. Os clubes aceitam a morte lenta para evitar a morte rápida. A Copa FGF sempre foi um fiasco e eu agradecia aos céus pelo São Luiz ter percebido o erro que era jogá-la (embora sempre volte o discursinho da importância de manter o clube ativo, ainda que seja antecipar o suicídio), e agora vai ser ainda mais inócua.

    Sinceramente, não vejo solução. O primeiro passo para os clubes conseguirem combater essa lógica é se unirem, se organizarem e terem uma postura conjunta para bater de frente com a FGF. E isso não acontecerá. Faz gerações que a política do futebol, quase como um todo, não experimenta grandes oposições – e mais ainda na América do Sul em geral. O João Havelange seduzindo os africanos para tirar o Stanley Rous da FIFA é um caso tão famoso porque é um dos únicos episódios em que se organizou um movimento tão amplo por uma mudança (não julgo aqui se ela foi boa ou não). De resto, tudo se resume à troca de favores, apertos de mãos e aceitar o que se tem. E mesmo que se consiga mudar algo aqui no RS, vamos dizer, com uma súbita caída do Novelletto, essas relações ALHEIAS ao jogo são tão pesadas que provavelmente o movimento REVOLUCIONÁRIO seria esvaziado: o campeonato não encontraria os patrocinadores de hoje e ainda teria que lidar com uma imprensa hostil. Certamente não haveria materiazinhas de página inteira do Zini Pires elogiando a FGF.

    Acredito que o único caminho seria um desligamento total do sistema de Federações atual, a formação de uma liga independente de clubes e – o mais difícil – aceitar uma humildade imediata que não agradaria ninguém. Seria preciso retroceder, em termos financeiros, uns quantos passos num primeiro momento. E esse primeiro momento duraria umas duas décadas. Ninguém se dá conta que as verbas milionárias de hoje de nada servem, já que se consomem na manutenção de uma vaga e não rendem nenhum benefício fora do RS, mas os jornais só publicariam a diferença os números e todos odiariam o novo campeonato empobrecido. Só que, daqui a vinte anos, ele muito provavelmente terminaria rendendo clubes mais saneados, organizados e vivos do que o sistema atual.

    Claro que nossa politicagem futebolística é tão lamentável que mesmo uma liga logo seria deturpada. Por isso, já há algum tempo, estou conformado com minha única alegria de torcedor do São Luiz: jogar três meses por ano e ficar na primeira divisão. E só me dou o direito de ficar triste de ver que nem para facilitar esse objetivo o meu clube se mexe.

  13. sergio mensch diz:

    Sr. Franco, parece que foi ontem na cidade de Sta. Maria que ouvi um relato como o seu, através do Sr. Mario Cassol na época presidente do Inter de Sta. Maria, lá se vão mais de 30 anos e infelismente a coisa não muda, chego a seguinte conclusão. falta homens de carrater no interior, por isso aqui em Caxias sou adepto ao slogan “( INTI DUPLA GRENAL) .
    SDS/SERGIO

  14. felipe ornaghi diz:

    Excelente texto, mas fico na mesma, o que fazer eu como torcedor?

  15. Daroit diz:

    tão todos muito certos.

    a cagada é isso aí que o Brum falou mesmo, os poucos que não são adeptos dessa palhaçada acabam sendo obrigados a calarem a boca e aceitarem em razão das circunstâncias.

    ainda acredito que algum dia, porém, vamos ter gente com COJONES na frente dos clubes pra acabar com essa palhaçada, mesmo que custe suas NUCAS. Em 2030 o Toda Cancha inteiro estará no comando de seus clubes.

  16. marcio diz:

    sos clubes do interior pagam pelos seus dirigentes incompetentes. REclamam, e com razão, da falta de apoio da fgf e de serem “invisiveis” naa fgf e na imprensa. Mas, na hora de votarem, um simples pacote de turismo compra o voto deles todos…..Lamentavel, mas sso depende deles mudarem a historia…..

  17. Grená diz:

    Excelente texto! Porque esses diretores de clubes do interior do RS não se unem e não dão um peitaço no sr. Noveletto?? A revolução começa conosco!

  18. Tiago Simon diz:

    SENSACIONAL! Melhor texto sobre futebol do interior que já li. Nem vou tentar adjetivar mais pra não estragar… meus parabéns, Franco!

    E dalhe SER Panambi, rumo à Primeira Divisão! hehe

  19. Gustavo diz:

    Pois é, ano passado nosso presidente tentou organizar entre os presidentes uma espécie de “motim”, porém na hora H, do “vamo ver”, todo mundo pulou fora e o que aconteceu ficou o Caxias sozinho batendo de frente e sendo o “boi de piranha”. Resultado, Pay Per View para o Caxias na primeira fase? Não! Não! Esse aí ousou bater de frente com a gente, e o pior, ninguém cobrou dos seus dirigentes a posição de “boi embretado”. Por isso que 70 a 80% dos clubes do interior merecem realmente a situação que estão, e digo mais, uma pena que a FGF dá os regalos que os bancam, podiam mais é fechar as portas mesmo.

  20. Lisandro andré Ló diz:

    Realidade é essa, futebol virou negocio, politica e sujeira, de esporte tem mto pouco.

  21. Leonardo Mroginski diz:

    Mesmo com todas essas dificuldades, continuarei apoiando o canarinho! Dale Ypiranga.

  22. Leonardo Koch diz:

    sabe o que tinha que ser feito??? juntar torcedores de varios time do interior, e fazer protesto na FGF em POA, mas o brasileiro aceita tudo na boa, então ficará cada vez pior.

  23. Mateus Dal Castel Trevizani diz:

    Uma liga independente é a saída mais viável, porém, serão esses anos de seca, como o Brum bem falou. Com o envolvimento maciço da comunidade nos jogos de uma possível liga, surgiria um interesse de patrocínio e esse tempo de aperto diminuiria.
    Mas é ingenuidade achar que é fácil. Haveria represália pesada da FGF.

    Esse Noveletto é um lixo.

  24. Vitor VEC diz:

    Tenho obrigação moral de lhes contar um pouco do que sei sobre dinheiro no futebol, especialmente dentro do Juventude, clube que admirava tanto que coloquei uma grana pro pessoal tocar um projeto que parecia bom.
    Mas perdi muito tempo lendo páginas anteriores do Impedimento que acabei perdendo a hora e já se faz madrugada forte.
    Digo que, apesar das suas colocações, em geral, os dirigentes são mais do que coniventes e mais não falarei.
    Deixa pra ImpedCopa que lá eu cantarei mais do que canário.

  25. Sganzerla diz:

    Bah, maravilhoso texto, Garibaldi!

    Eu, que apesar de torcer para o Grêmio, dou o maior apoio ao fortalecimento do futebol do interior e detesto a polarização que esta Província tem imbricada em sua cultura. Ninguém da minha família é de Caxias do Sul, então naturalmente migrei para o “lado azul da força”. De criança, até torci para Caxias ou Juventude, como um segundo time, para poder ir ao estádio de vez em quando. Mas fui criar uma simpatia forte com o Grená – a ponto de me associar, apenas para ajudar o clube – só depois de velho mesmo, já morando na capital e garrando ódio desses partidários do “fim dos campeonatos estaduais, que não servem pra nada”.

    Mas divago. Esse texto poderia se chamar também “Como o clientelismo matou o futebol de verdade”. Como bem lembrou o Brum em um dos comentários ali, mesmo quem não gosta do Novelletto silencia e acaba concordando porque “ou é assim, aceitando as migalhas, ou morremos endividados”.

    O contexto e uma bela analogia do Garibaldi lembram-me a velha parábola da família pobre, com apenas uma vaquinha da qual dependia para sobreviver das economias geradas a partir do leite que esta produzia. Um belo dia, um monge ouviu o drama dessa família. Ao sair, determinou ao seu pupilo que MATASSE o bovino. Este ficou assustado e um tanto revoltado com a atitude do mestre, que decretaria o fim daquela família. Mas, pela insistência e sabedoria do velho monge, seguiu seu conselho.

    Anos mais tarde, o velho monge havia falecido e o pupilo já não era mais jovem. Este, de passagem pela região que vivia aquela família, lembrou daquela história e decidiu visitar a propriedade, para ver que fim haviam levado. Ficou perplexo ao ver que a casinha era um casarão digno de abrigar aquelas pessoas, que nos campos aparentemente inférteis na época agora se colhia diversos tipos de grão e várias espécies de animais lá eram criadas.

    Encontrou um senhor de meia idade, que reconheceu ser uma das crianças com quem havia tido contado à época e perguntou o que havia acontecido. Este lhe contou a tristeza da família ao saber que sua vaquinha havia falecido. Aí explicou que não tiveram outra solução: ou passariam a cultivar a terra e trabalhar arduamente para começara a colher frutos, ou morreriam todos de fome.

    A morte da vaca foi a melhor coisa que aconteceu para a família que dela dependia. Sei que se falando da realidade do mundo do capitalismo selvagem, sustentado pelo patrimonialismo de certos estamentos que dominam a produção privada ao mesmo tempo que controlam o sistema público, o furo é bem mais embaixo. Mas a lição já foi dada há muito.

    p.s.: quem quiser planejar/fazer qualquer coisa contra a nova sede da famigerada FEDERAÇÃO, empresto minha casa, que é aqui perto, no Centro, como base (e contem com meu apoio)…

  26. Deborah Luisa diz:

    Que lamentável distopia futebolística essa que vivemos. Uma pena os dirigente aceitarem, assim. Se eu pudesse, quotaria um trecho de um livro que li há alguns meses, como recado aos clubes do interior: “When you are in the arena… you just remember who the true enemy is”.

  27. gestor diz:

    interesses da dupla grenal? a FGF defende única e exclusivamente os interesses do internacional, cada vez mais, ano após ano, em diversas esferas politicas (desde nacional até continental). tudo documentado, tudo dito, chafurdado…
    o esquemão passa principalmente pela RBS. Essa empresa “gremista”. São eles que mantêm essa sujeirada toda, esse campeonato patético. o gauchão é inchado, ridiculo. deveria ser disputado só por clubes do interior, com finais com a dupla, ja com os participantes da serie D definidos.
    a incompetencia dos clubes do interior tb é gritante, que nao aproveita a pequena parcela de fidelidade de seus torcedores para nada.

    obrigado

  28. JOSE.LUIS MOREIRA diz:

    Franco, eu como torcedor do GE BRASIL tenho certeza vamos ganhar a Copa HD e entrar na justiça como fizemos contra a CBF, QUE MESMO NÃO TENDO O APOIO DE NINGUÉM DO RS, seja clubes,FGF e imprensa. Pois MESMO QUE O CLUBE NÃO FAÇA NADA atorcida do GEBRASIL tem o direito de exigir o cumprimento do estatuto do torcedor, em andamento. e COMO FALOU OUTRO TORCEDOR PARECE QUE DO JUVENTUDE, TEMOS DE NOS MOBILIZAR PARA TAL .
    RUBRONEGROOOOOOOOOO.

  29. Franco Garibaldi diz:

    Turma,

    Em primeiro lugar, obrigado pela audiência em relação a este tema. O que fazer? Também não sei ao certo. Tenho várias ideias sobre como as coisas deveriam ser feitas, bem diferente do que são agora, mas isso provavelmente criaria um cenário estilo o que o Maurício Brum retratou no comentário #12.

    A questão principal pra mim, e que fico feliz que tenha dado certo pelos acessos registrados, comentários aqui e pelas redes sociais, é que se PENSE e DISCUTA sobre o futuro (?) dos nossos clubes. Quando falei em bovinismo do torcedor, me referia a esse agir de sempre (reclama do time que vai mal, mete pau no dirigente, até sabe que o clube tá sem grana mas sequer vai atrás das causas ou de imaginar soluções pra isso).

    Isso é campo fértil pra quem quer que os clubes do interior morram. Sei que tem gente que acha que “protesto de tuíter, de blog” não resolve nada. Até acho que em regra pode não resolver. Mas ao menos estimula os interessados a pensar no que ocorre e tentar fugir do marasmo de aceitar o que vem pronto. Mais do que isso, nem tenho a pretensão de poder fazer.

    Abraço,
    Franco

  30. Luiz Fernando diz:

    Se tá assim pra clubes da primeira divisão como Juventude, Caxias… Imagina pra nós, são-paulinos, torcedores de Bagé, Rio Grande, Guarany, Inter-SM e tantos outros que vêm se deleitando com o resto das migalhas oferecidas à série A.
    Concordo com uma Liga Independente, ou pelo menos com um motim resultando em um Gauchão apenas com a dupla, para satisfação da RBS e FGF, só Grenais, sem os patos do outro lado…
    Mas duvido que clubes como Veranópolis, Santa Cruz, Canoas e São José iriam perder essa mamata. E o resto dos clubes seguirá sempre se acovardando à sombra deste imperialismo.
    Estamos fadados ao fracasso.

  31. Juve na alma diz:

    morte a FGF,
    pagam mto bem a dupla grenal que nem faz mta questao de jogar o campeonato
    e o povo do interior é o que mais dá grana pra dupla

  32. Sérgio Oliveira diz:

    100% S.C.SÃO PAULO (RG) belo texto!!!

  33. Rafael diz:

    Aimore, clube pequeno, mas que tem uma grande diferença dos seus rivais Sapucaiense e NH! Aimore tem torcedores, nao é qualquer um que tem 5 mil pessoas olhando um jogo de terceira de divisao do campeonato gaucho!!! Vamo Indiooooooooo

  34. Flávio Jair diz:

    Carrego as cores do SPORT CLUB RIO GRANDE no peito.

    Franco escreveu a realidade.

    Pô me aliviei! Achei que era um dos únicos a visualizar isso tudo aí.
    Apenas corroboro com o Franco, que ele não citou em sua brilhante narrativa/texto o “início de tudo”, como nasceu o Coronelismo Imperial do atual presidente da Federação, “VAI UM TOTO-BOLA AÍ!?”

    Enquanto as Direções dos clubes do interior “lamberem” os pés do Coronel Novelleto, em troca de migalhas, a situação não muda.

  35. Tiago diz:

    QUANDO VAMOS CRIAR VERGONHA NA CARA PARA FAZER UM ENORME PROTESTO EM FRENTE A FGF????
    QUANDO OS NOSSOS DIRIGENTES QUISEREM? OU SEJA NUNCA.
    QUERIA VER O PESSOAL DE PELOTAS E CAXIAS UNIDOS FAZENDO UM PROTESTO EM FRENTE A FGF.

  36. Vicente diz:

    Eu sou gremista mas sempre admirei a história e a tradição dos clubes do interior e os pequenos de Porto Alegre. Se acabarem com a copinha, vai ser o tiro de misericórdia no futebol do interior, reduzido a um punhado de times de aluguel que jogam o gauchão e depois fecham, desempenhando apenas o papel que os manda-chuvas da FGF querem: servir apenas de sparring pra dupla gre-nal.

    PS: to pensando em fazer um blog chamado “fora noveletto”, postando uns textos pra fazer o pessoal pensar sobre a merda que o futebol do nosso estado vive

  37. Júlio Brauner diz:

    Texto que personifica a “procissão da miséria”…E todos continuamos a “mugir”…

  38. Zezinho diz:

    Não é por acaso que sou fã dos textos do Franco aqui há meses.

    Uma das saídas utilizando o atual sistema seria a criação de movimentos populares organizados dentro das torcidas de cada time, com seus componentes sendo sócios. Algo como o Convergência Colorada faz no Inter e o Movimento Grêmio Independente faz no Tricolor – só para usar dois exemplos de relativo sucesso e de conhecimento na mídia.

    Seria nós, enquanto torcedores dos times do Interior, juntarmos torcedores e simpatizantes de nossos clubes e criarmos um movimento, com discussões constantes dentro do grupo, realização de reuniões, churrascos e palestras.

    Não adianta juntar meia-dúzia de magrão bem intencionado mas meramente amador e apaixonado, sem nada por trás. Tem de haver lideranças dentro desses grupos e que possam se aprofundar nas diversas temáticas que regem um clube. Um cara pro financeiro, um pro jurídico, um pro marketing, um pro futebol e etc. E debater isso com os demais integrantes do grupo, de modo a renovar e tornar plural a liderança.

    Quando o grupo estiver robusto e já tiver feito grande divulgação nas mídias sociais, concorrer, de forma organizada, ao Conselho. E, a partir daí, tornar-se mais influente e busca as mudanças de rumo de suas direções.

    Digo movimento popular para combatermos as capitanias hereditárias dentro dos clubes – nada quanto à renda do torcedor, que deve ser diversa entre seus membros. E um movimento organizado, estudado e transparente é capaz de agregar componentes e votos em eleições, visto que o eleitor brasileiro tende a ser conservador quanto a mudanças e nos ver como ‘aventureiros’.

    É uma saída longa, mas que em nosso Interior pode se dar num prazo menor. E com a maioria dos clubes se norteando por esse movimentos jovens e em torno de um ideal – a valorização de suas comunidades e um futebol perene -, podemos mudar os rumos da FGF

  39. Balejos diz:

    Franco, li o texto na quarta-feira, fiz uma releitura hoje e acrescentei a leitura dos comentários. Como os demais que já publicou, teu artigo está excelente. Uma leitura obrigatória e de contexto. A diferença, ao meu ver, foi o maior fôlego da publicação dada pela qualidade dos comentários.

    Resumidamente, vejo dois caminhos: a conquista da FGF com redirecionamento da sua política e/ou a criação de uma liga independente esvaziando a Federação. A duas saídas nos levariam, quase que necessariamente num primeiro momento de retração e batalha, ao que se convencionou “amadorismo”. Além disso, uma premissa básica é a proposição apontada pelo Zezinho no comentário #39. A luta é política. Acrescento apenas que esses movimentos clubísticos de associados precisam criar uma rede de troca de informações e ideias. Cada região/cidade encontrará seu caminho, mas a sincronia levará a uma solidariedade entre os envolvidos na reconstrução, inclusive entre as rivalidades regionais/citadinas. Chegamos a esse ponto (é preciso recordar que o futebol gaúcho nunca foi uma maravilha, se criticamente revisado) pela profusão da falácia: futebol, religião e política não se discute. Ou seja, nada se discute. Era mais ou menos isso.

  40. Franco Garibaldi diz:

    #39 e 40

    Aí que tá. Não sei como é o cenário em outros clubes, mas acredito que seja igual ou parecido. Anos atrás, quando voltei pra Caxias por um período, participei do Conselho Jovem do Juventude, que entendia ser uma porta de entrada, uma escola formadora de futuros conselheiros e/ou dirigentes. Era uma gurizada legal, engajada, ativa em várias promoçõs do clube, porém logo percebi – o que foi admitido depois – que não era esse o objetivo nem a intenção do CJ.

    Após isso, apresentei proposta – quando da reforma do estatuto e regimento interno do Ju – no entido de abrir a participação no conselho deliberativo para o sócio, com eleições periódicas para renovação do mesmo. A deculpa que me foi dada pelo então presidente do CD era a de que estavam previstas eleições, mas apenas quando o CD passasse de determinado número de integrantes (ou seja, se fosse do entendimento do clube, bastava travar a entrada de novos conseleiros para nunca haver essa eleições de renovação).

    Insisti que isso tava errado, que esse novo sistema era necessário pra oxigenar aquela instância do clube. Como resposta final, recebi uma “oferta” para entrar no CD do clube, por indicação deles. Não aceitei, até porque me falta(va)m condições financeiras para a contribuição mensal dos conselheiros, mas também porque, além de não ser o que pretendia na época (apenas entrar para o conselho, mas sim renová-lo em parte com eleições), me pareceu mais um “cala a boca” político (do tipo, “tá, fica quieto, guri, vem pra cá e não cria bolo”) do que qualquer outra coisa.

    Lembro de ter levado a público a proposta de eleições, que teve alguma repercussão na mídia, mas com a qual ninguém se empolgou muito. Talvez não fosse o momento na época, mas agora acho que é. Acho interessante que essa ideia de criação de movimentos de torcedores que pensem o(s) clubes(s) nem tenha sido proposta por mim, mas por torcedores outros. E tomara que seja o momento que cada clube tenha algo nesse sentido pra pensar o futuro, mesmo que a longo prazo, mas de uma vez por todas.

  41. Cristiano Baioco diz:

    Li agora o texto e os comentários e apenas retrata fielmente a realidade e incompetência dos interioranos clubes e seus dirigentes que são totalmente desunidos, e falo mais com o coração a partir daqui do que com o lampejo da propriedade ao qual o Sr. Franco transcreveu com muita propriedade.
    Lembro que em 1998 o Brasil liderado pelo então presidente Montanelli bateu de frente com o Sr. Emidio Perondi inclusive ao vivo pela radio gaucha ou guaiba.
    Lembro que o então presidente do GEBrasil Montanelli começou a liderar uma chapa de oposição ao então presidente da FGF Emidio Perondi. Resultado: Na hora H não teve apoio dos então pretensos apoiadores.. e meu clube de coração Acabou sendo rebaixado num jogo contra o Avenida (nada contra esse clube) onde o na época o apitador de futebol Paulo Felipe anulou um gol do brasil que evitaria seu rebaixamento por impedimento o detalhe é que o gol foi feito quase do meio de campo… Na saída do Jogo radialistas foram entrevistar o referido arbitro e esse ria e debochava… Infelizmente como já existe num comentário atras O Brasil ingressou contra a CBF e não teve apoio desta federação, não teve apoio da mídia estadual, não teve apoio dos demais clubes do interior… A ação prossegue na J. Comum, porem dificilmente a vaga retornará. Na realidade merecem o que estão colhendo pois plantaram… No ano do acidente que vitimou inúmeros jogadores do clube foi proposto que o brasil recebesse a verba e não jogasse mas necessitaria de apoio a ideia por unanimidade em assembleia e clubes como Ipiranga e o Próprio Zequinha de POA segundo informações fragmentadas se negaram a aceitar a idéia. Agora em seu Texto há uma critica ao numero de rebaixados… Acho que no fundo merecem porque se preparam para esses torneios intitulados de gauchão com o firme propósito de escaparem do rebaixamento e brindar sua comunidade com a visita da dupla GRENAL… Infelizmente até 1998 ainda existia a grande possibilidade dos clubes do interior brigar por um titulo o que hoje é tiro na lua, pois a distancia entre os clubes do interior e a dupla grenal é muito grande, estando aí a própria copinha onde clubes tradicionais sucumbiram aos times formados pelas categorias de base da dupla grenal. Fico triste, pois a rivalidade dos clubes do interior deveria se restringir ao campo, porem o que vejo é a inveja e a falta de ambição de se tornar maior, ou seja, to na m…. e quero que ele também fique igual a mim que tá muito bom… Porque se ele crescer vão me obrigar a crescer também. Para mim a principio de conversa a participação na copinha no segundo semestre deveria ser obrigatória sob pena de rebaixamento imediato de divisão, pois clubes tradicionais como o meu, dupla bagua, são paulo de rio grande, dupla de santa maria que procuram jogar o ano inteiro estão aí agonizando enquanto existe o privilégio a times como Veranópolis, Canoas, Infelizmente o São Luis que entrou nessa, e ficam fechados o resto do ano. Desculpem a emoção mas todos estão colhendo o que plantaram e nós torcedores apaixonados por nossos clubes interioranos ficamos igualmente agonizando.

  42. Vicente diz:

    Mudar a FGF é praticamente impossível, pois os cartolas controlam a máquina de favores que faz eles se perpetuarem no poder. A única solução é os clubes formarem um grupo de pressão como o Clube dos 13 ou a Futebol Brasil Associados, que organizou a série B que era desprezada pela CBF. Mas acho difícil enquanto temos dirigentes que se vendem por uma dentadura ou um vale-rancho…

  43. Sancho diz:

    Sou gremista e anti-Gre-Nal (pode, Produção?). Lamento não ter um clube em Uruguaiana para torcer.

    Abraço.

  44. Sancho diz:

    Único caminho? Liga pirata.

    Salta-se fora, organiza-se torneios regionais, busca-se apoio nas comunidades locais, e toca-se a vida.

    Sai-se do radar, se impõe um auto-limite, mas salva-se o futebol. Marca-se os jogos para os sábados, calendário de ano inteiro, e os campeões regionais decidem o título. Se bobear, consegue-se algum espaço na Record ou na Band.

    Deixa a FGF para os dois grandes de Porto Alegre e os dois de Caxias. A FGF teria dois clubes a mais do que é capaz de organizar, mas, enfim, ela ficaria quase satisfeita.

  45. Carlos diz:

    Excelente texto elucidando claramente.a posição destes DEMONIOS DO FUTEBOL GACHO/BRASILEIRO. Sou XAVANTE e podes ter certeza meu amigo, aqui em Pelotas esta passividade ñ será engolida não, caso ganhamos esta copa iremos sim exigir o cumprimento do regulamento. Apenas discordo de vc de que, caso o BRASIL ganhe a copinha seja menos favorecido para encarar o tal campeão do interior, seja ele qual for, pela briga da vaga a Série D, somos e estamos em igualdade com qualquer time da Primeira Divisão, portanto ñ vejo favoretimo ao suposto campeão do interior. Mas mesmo assim iremos a LUTA com certeza…

  46. #46

    Carlos, o que quis dizer com uma certa desigualdade no confronto pela vaga, no caso do Brasil (e do 14 que cai pra terceira), é que por estar na segundona estadual hoje, estaria com um grupo de jogadores ainda em formação, esperando por reforços posteriores ao término do Gauchão/13, o que entendo ser um prejuízo ao Brasil nesse mata-mata.

  47. tercio trindade diz:

    Sou Pernambuco e amante de futebol, estou acompanhando o seu site em busca de noticias sobre o futebol que poucos dão importância.
    Infelizmente os clubes do interior de todo o Brasil estão fadados ao exterminío ou a participarem como meros participantes de curtíssimos campeonatos regionais.
    em Pernambuco existe 3 clubes de projeção, com bons patrociníos e atratividade – SPORT, nautico e o Santa cruz – temos clubes de cidades do interior que tem história, tradição e que estão fadados ao esquecimento. isto se deve ao pouco tempo de atividade 3 meses e pouca atenção dada pela federação aos mesmos.
    vi suas críticas a FGF, garanto que são as que dirigiria a FPF e a própria CBF que está matando os clubes do Brasil. isto ocorre quando ela diminui o período do regional em detrimento de um nacional que atende a poucos clubes, a redução de clube na serie D vai aumentar o número de clubes sazonais.
    Nao fiz esta pesquisa,mas, dizem que na Inglaterra ( país bem menor que o Brasil) possui mais de 6 series, dando assim condições para clubes tradicionais se manterem.
    Infelizmente os dirigentes de clubes são coniventes com este descalabro.

  48. Vicente diz:

    Na europa a organização das ligas cabe aos clubes e não as federações, que organizam somente a seleção, não é um modelo perfeito, já que na Espanha, Real e Barcelona arrecadam mais da metade dos direitos de TV da Liga. Mas fazendo um panorama geral com outros países, é bem melhor do que existe aqui.

  49. Boi Barroso diz:

    Me desculpem autor e comentaristas da página mas o que se fala aqui vai muito mais longe do que pensam, cada sigla citada pelo autor busca sua manutenção no cenário do futebol, cada um lutando e trabalhando por seu bolso e sua conta bancária assim sempre foi e assim sempre será. O autor citou presidentes dos anos 80 e por lá a situação já era essa mesmo e não mudou até hoje.Querem fazer um buraco na água? não vai mudar, e os clubes do interior estão na situação que estão por pura incompetência deles próprios.quando juventude e brasil de pelotas fecharem as portas vou vir aqui postar minha risada de deboche, fossem bem administrados não estariam assim, todos são culpados, a vaca foi pro brejo e eu fui atrás.abraços, infelizes sofredores.

  50. Bunitao diz:

    Bem Barroso mesmo

  51. Sancho diz:

    Re 48

    São quase TRINTA séries. A Liga, sozinha, tem seis.

  52. Sancho diz:

    Uma mudança teria que vir de cima para baixo. Da CBF.

    A saída? Uma reforma da Série D. Ela teria que ser um torneio de acesso.

    Cada estado seria um grupo, com exceção de São Paulo, que seria 2 (capital/litoral, e interior). Seriam 28 grupos. Faria-se torneio com até 30 datas, classificando o campeão de cada grupo. Aos 28 classificados, se juntariam os 4 últimos da Série C. Os 32 times disputariam as 4 vagas em mata-mata.

    Seria algo muito mais justo que esses estaduais de segundo semestre e que a atual Série D (curta e com poucos times).

  53. #53

    Sancho, compactuo da tua ideia. Transformar as “Copinhas” em seletivas nacionais, valorizaria por si só as competições e finalmente os clubes teriam incentivo.

    Até vejo isso como um primeiro passo para num futuro médio termos Série E, F e assim por diante.

  54. Juliano diz:

    O grenalismo ja tomou conta do estado, poucos ainda lutam… não se ve os times de Caxias na mídia, vira e meche o falido Xavante de incontestável maior torcida do interior está lá buscando o seu espaço. Entre o puro grenalismo da TVCOM conseguimos divulgar o livro da história do nosso clube que remontamos no ano do centenário. Estamos VIVOS!!! E VOLTAREMOS!!!

  55. Sancho diz:

    Re 55

    Elas seriam dentro dos estados.

  56. Franco Garibaldi diz:

    #53 e 54

    Na real, não consigo entender essa dimunuição agora da série D se não fosse pra uma criação imediata da série E, totalmente aberta e regionalizada como a proposta do Sancho.

    Se não era pra isso, a própria série D teria que ser essa série básica, aberta e regionalizada. Não faz sentido algum limitá-la a 32 times agora sem nenhuma outra medida nesse sentido.

  57. Sancho diz:

    Re 57

    Na real, o problema é custo. Eles têm uma noção de que devem fazer algo, mas não sabem bem o quê. Aí, inventam uns torneios deficitários, desinteressante para os clubes (manter-se ativo num semestre com o risco de jogar apenas 8 partidas relevantes é uma m…), como quem diz estar fazendo alguma coisa!

  58. Pingback: Interesse das federações x interesse dos clubes: a eleição da CBF em 2014 já começou | impedimento.org

  59. Pingback: Começou o Campeonato Paranaense 2013 | André Egg

  60. Marcio diz:

    E isso se repete pelo Brasil como um todo, pode ter certeza.

  61. Pingback: Até o fim! | Toda Cancha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *