A batalha na fronteira

E a tribo Xavante, mais uma vez, encontra pelo caminho a alcateia leonina da fronteira.

Nos jogos anteriores, vitória e . No entanto, a luta de agora ocorre numa semifinal. A cidade de Sant’Ana do Livramento está motivada. Para dificultar mais, os leones ainda não se esqueceram das FLECHADAS e das JUBAS SAQUEADAS nas batalhas de outrora.

Por outro lado, uma semana antes, na BAIXADA, os guerreiros treinavam para o duelo. Fora de campo, outros guerreiros organizavam as excursões para acompanhar o time. Longe daqui, os índios que vivem na terra dos CATARINA, a XASC, também se programavam. Além, é claro, dos torcedores espalhados pelo Rio Grande. A direção do 14 de Julho disponibilizou, então, 600 entradas à torcida do Brasil.

Quando a indiada chegou a Livramento, surgiu o primeiro problema. A Brigada Militar estava, de certa forma, SURPRESA com o número de torcedores. Pelo rádio, através dos relatos dos jornalistas, dava para perceber o despreparo do pessoal responsável pela segurança. Além disso, houve um ENTREVERO para decidir o espaço destinado à torcida visitante. Depois de longos minutos, ficou decidido que a Xavantada ficaria na arquibancada lateral. E para lá foram os guerreiros rubro-negros.

No total, três mil RUBRO-NEGROS (de Livramento e Pelotas) estavam no João Martins – o maior público do estádio neste ano. O palco para a batalha estava pronto. 14 de Julho, o mais velho rubro-negro do país, versus Brasil e sua torcida.

Após o pontapé inicial, a guerra. A partida começou equilibrada. Muitas roubadas de bola e jogadas sendo feitas na base da RAÇA. Pelo rádio, eu estava nervoso. Entretanto, para o meu alívio, percebi que o Brasil começara a ganhar terreno no gramado do João Martins. O time escalado por Rogério Zimmermann parecia conseguir, aos poucos, controlar a partida. No entanto, quem chegou a mexer as redes primeiro foi o time da casa.

Foi assim: Luiz Paulo Cruzou e Reinaldo cabeceou, marcando o gol. O juiz validou, mas o bandeirinha, não. Apesar da vaia e dos xingamentos à mãe do árbitro, os jogadores do 14 não reclamaram muito. Pela TV, considerei correta a decisão do bandeira. O jogo continuou e o Brasil mostrava mais tranquilidade, mas ninguém conseguia abrir o marcador, de fato.

Os dois times foram para o intervalo com o placar empatado. Na volta, os gols. O 14 de Julho tentou pressionar logo no início, mas não marcou. De repente, o jogo muda de cenário: o Brasil tem uma falta a seu favor. Na primeira cobrança, a bola para na barreira. No entanto, a falta teria que ser cobrada novamente, visto que os jogadores do 14 haviam dado ALGUNS passos a frente. Na segunda cobrança, Marcos Paraná ACERTA a cabeça de Lima, do time da casa, e a pelota é desviada do goleiro Yai. Festa dos índios na fronteira.

Depois do gol, o time Xavante comandou o jogo. E perdeu oportunidades de ouro com Alex Amado e Márcio Jonatan. Fabiano Eller até chegou a marcar o segundo gol Xavante, mas foi anulado por impedimento. E quem não faz, leva…

Aos 30 minutos da segunda etapa, Foletti cruza para a área, a defesa Xavante falha e DAKIMALO empurra a pelota para o gol. Desta vez, festa dos leões. Após o empate, o jogo ficou aberto. As duas equipes tentavam desempatar a peleia, mas sempre com cautela. Ninguém queria sofrer mais um gol.

Ao apagar das luzes, GAMELA foi expulso, deixando o 14 de Julho com um leão a menos. No entanto, a desvantagem numérica não fez diferença no placar final: 1 a 1.

Depois do apito final, a confusão generalizada. Antes de entrar nesta questão, uma ressalva: sou Xavante, todos sabem, e vou passar a nossa versão dos fatos. São informações vindas daqueles que foram a Livramento. Gostaria, inclusive, que torcedores do Leão da Fronteira comentassem relatando o ocorrido.

Vamos lá. Ainda durante o jogo, garrafas d’água, um rádio e uma latinha de refrigerante foram jogados ao campo. Segundo as rádios, os objetos saíram das sociais do estádio João Martins. Após o fim da partida, a batalha FEIA do dia: a torcida Xavante que estava nas arquibancadas começou a receber uma chuva de pedras. A Brigada Militar, então, começou a utilizar bombas de gás na torcida da casa. O ato chegou a ferir uma criança. A torcida do Brasil revidou as pedras com mais pedras, utilizando pedaços da arquibancada em que estava. Na rua, a BM utilizou balas de borracha e golpes de cassetete para dispersar a torcida do rubro-negro mais velho do Brasil. A torcida do Brasil só conseguiu sair do estádio cerca de trinta minutos depois do fim da partida, segundo informações dos jornais.

Foi uma confusão desnecessária. Lamento pelo ocorrido. Que a vitória e a GUERRA sejam vencidas dentro de campo. Sempre.

A próxima batalha acontece neste domingo, 18, no estádio Bento Freitas, a partir das 19 horas. O Brasil pode empatar sem gols para passar à final. Oremos.

As fotos são de Carlos Insaurriaga.

FICHA

14 de Julho: Yai; Gamela, Dakimalo, Léo Paulista e Luiz Paulo; Alexandre, Gustavo, Moisés Baiano (Vinícius) e Lima; Foletti e Reinaldo. Técnico: Júlio Battisti.

Brasil: Luiz Muller; Wender, Cirilo, Fabiano Eller e Edu Silva; Leandro Leite, Washington, Moisés e Marcos Paraná (Marcos Denner); Alex Amado (Alexandre) e Matão (Márcio Jonatan). Técnico: Rogério Zimmermann.

Gols: Marcos Paraná (Brasil); Dakimalo (14 de Julho).

Cartões Amarelos: Alexandre, Gustavo e Léo Paulista (14 de Julho); Edu Silva, Leandro Leite e Marcos Paraná (Brasil).

Cartão Vermelho: Gamela (14 de Julho).

Arbitragem: Francisco Silva Neto, auxiliado por Alexandre Kleinich e José Inácio de Souza.

“Na busca pela (meia) vaga no campeonato brasileiro”,

Pedro Henrique Costa Krüger

Publicado em 14 de Julho, Brasil de Pelotas, Copa RS 2012 com as tags , , , , , , , . ligação permanente.

7 Respostas a A batalha na fronteira

  1. Franco Garibaldi diz:

    Eu já soube pelo Toda Cancha no rádio que o nome do goleiro do 14, por ele ser doble chapa, é pronunciado como “djai”, mas sempre que leio seu nome, imagino um goleiro falhando e a torcida lamento com um “iai!”… sei que é ridícula essa minha analogia, mas é inevitável até hoje. Desculpem…

    No mais, belo relato do entrevero, Pedro!

  2. Gilberto Xavante diz:

    Permita-me a correção !!!
    A cobrança não foi repetida…. a ser cobrada foi “mão” do jogador do 14 que estava na barreira… por isso nova falta agora mais perto da área… onde ficava a barreira…

    e não como consta no comentário !!!
    ……”No entanto, a falta teria que ser cobrada novamente, visto que os jogadores do 14 haviam dado ALGUNS passos a frente……”

  3. Sempre simpatizei com a mobilização dos xavantes, mas parece que o pessoal de Pelotas barbarizou na Linha Divisória, segundo os relatos vindos de Livramento…

    Avante 14!

  4. pedrohckruger diz:

    #1

    É isso mesmo, Franco. Até pronunciei “iai” na sonora da rádio :( HUSUAHUHS
    Valeu pelo elogio :)

    #2

    Valeu, Gilberto. Pela rádio tinha entendido que a barreira tava muito próxima pq os jogadores tinham dado alguns passos a frente.

    #3

    Obrigado pelo relato, Matias. De fato houve a confusão e lamento por isso. Abraço.

  5. NecoMüller diz:

    Interessante ler o jornal A Platéia de segunda dando algumas versões para o fato. Pelo que conheço dos Xavantes, não são tão inocentes assim. Mas, se lamenta que o ocorrido poderia ter sido evitado com mais planejamento e preparo para o evento, Aí voltamos a velha questão “A BM deve ser a responsável pela segurança nos estádios?”

    http://www.jornalaplateia.com/

  6. A única coisa que me incomoda é que se costuma classificar sempre uma torcida como “não-santa”. Conrintiano é bandido, xavante é arruaceiro. Só corintiano é bandido e só xavante é arruaceiro.
    O que houve em Livramento, segundo relatos, foi um confronto desnecessário e lamentável. Pedras voaram de lado a lado e, ao que parece, por dois motivos que acabam se interligando e aparecendo outros: a cultura da barbárie, onde cada um quer ser mais fodão e bater sem levar, com o alternativo produzido e reproduzido midiaticamente, via imprensas locais que tratam os jogos como guerra; falta de organização do evento, que deveria ter um planejamento bem melhor.

  7. Pingback: Ao som dos tambores, os índios Xavantes avançam à final | Toda Cancha

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