A alma não tem cor

O Dia Nacional da Consciência Negra é o pretexto para as linhas que seguem. Geralmente as passagens, em dias ou semanas comemorativas, desaguam em diferentes posturas e discursos. Num extremo está a visão limitada e sua corriqueira grita conservadora – que sempre questiona datas comemorativas de grupos sociais, mas não se levanta contra dias institucionais “fakes” ou contra o monopólio dos feriados católicos e seus regozijos. Na outra linha de fundo estão os mais recentes empreendimentos “todos somos”, que numa espécie de catarse coletiva buscam pertencimento a tudo e a qualquer custa, como se balbuciassem “eu só respeito se eu for parte”, como se tentasse ludibriar a consciência para suportar o fato de não ser protagonista. Este é um fenômeno basicamente virtual. Por fim, e talvez bem menos emotivo, seja recordar e comemorar conquistas de organizações sociais, como as do Movimento Negro.

Durante o regime escravocrata o Rio Grande do Sul contava com inúmeros braços negros no trato da terra e nos espaços urbanizados. E, a despeito da imagem novelesca dos escravos trancafiados, a rotina das vastas fazendas e dos nascentes espaços urbanos estava repleta de “tipos de cor”, um termo da época, em quase todas as ocupações. Já tratamos em outra oportunidade sobre as estâncias criadoras de gado e o negócio das charqueadas riograndenses. Se nas primeiras o ambiente era menos nocivo aos trabalhadores escravos, o espaço charqueador era de atividade intensa e vida rígida. Fora estabelecida uma relação direta entre a atividade das charqueadas e o trabalho forçado dos negros. Em Pelotas, eram 34 charqueadas em 1878, na proximidade da abolição o número caiu para 21 e, dois anos depois da Lei Áurea, diminuíram para 18. Apesar da substituição do regime escravista por contratos de trabalho, a liberação dos negros significou também a perda de mercado de consumo para o charque, que integrava a dieta dos até então cativos do país.

Na primeira metade do século XIX, Porto Alegre, Rio Grande, Jaguarão e Cruz Alta contavam com destacada massa de escravos. Já na segunda parte dos oitocentos foi sensível o deslocamento de negros para Pelotas, absorvidos pelas charqueadas da cidade. Era tempo de abolição da escravatura e de proclamação da República, era tempo de transformação. Junto com a mudança institucional, também foi deflagrada a alteração do regime jurídico de grande parte da população do país, os escravos. No entanto, a dinâmica social não conta com um botão de START, tampouco seus códigos e costumes cabem inteiramente nos regramentos e perspectivas jurídicas, o que abrirá um período de transição, em alguns casos, não menos dramático que o precedente.

Parte I

Porto Alegre, entre as décadas finais do século XIX e o início dos novecentos, pode ser caracterizada em termos sociais, entre outros fatores, por uma ideologia racista e por códigos sociais discriminatórios. A capital riograndense tornava-se pólo industrial, centro de convergência e canal de escoamento para a produção da zona colonial. Era o Mercado Público o centro comercial e, por consequência, receptor de gêneros alimentícios da região do Vale dos Sinos e das áreas coloniais. Os Vales a essa altura já contavam com significativas populações de imigrantes italianos e alemães, majoritariamente.

O próprio Mercado era representativo da multiplicidade étnica, dos conflitos gerados pela convivência entre contingentes de negros vindos das áreas rurais do Estado e de regras sociais discriminatórias e restritivas que marcavam o período. O deslocamento de negros para as áreas urbanas da cidade, como consequência do processo de desescravização, somado ao afluxo de imigrantes europeus, acirrou medidas de controle, intensificando o racismo contra africanos e afrodescendentes.

O período republicano instalou-se com a substituição dos negros por imigrantes na maior parte dos postos de trabalho vinculados à produção, bem como gerou uma massa de ex-escravos despossuídos e desempregados na área urbana. Os “negros urbanizados” deixaram de ser vistos como obedientes trabalhadores e passaram a carregar o estigma da preguiça e da indolência. Não se trata aqui de ignorar a existência dos escravos no perímetro urbano antes do período, tampouco de que não tenha ocorrido permanência de trabalho negro no espaço rural. Antes, pretende-se apenas destacar um momento de reconfiguração social, tanto no que diz respeito ao trabalho quanto aos códigos da sociedade.

Não é suficientemente explicativo localizar Porto Alegre, no início do século XX, como zona de conflito étnico. No período, a cidade sofreu transformações significativas em diferentes esferas em prol da concretização de um projeto modernizador, de um arranjo para a modernidade. Juntamente com o crescimento demográfico e de capital econômico, a cidade inseria-se num processo de transformação marcado por políticas disciplinadoras, de higienização dos espaços públicos e pela edificação de monumentalidade. Na mesma direção, foram tomadas medidas para excluir os pobres da região central da cidade e intensificado o policiamento diário.

A burguesia urbana passou a ocupar os espaços públicos e a rua tornou-se lugar de expressão social da elite local. Na época, o trabalho dos negros garantia o funcionamento de diversas atividades públicas e privadas fundamentais para o espaço urbano. No entanto, era restringido o trânsito de africanos e afrodescendentes nas vias públicas quando fora de seu horário de trabalho, existindo inclusive regramento específico para disciplinar sua rotina. A rua passou a ser um espaço de ação da burguesia, enquanto a presença negra, quando não vinculada ao trabalho, era indesejada. A situação fez emergir ao redor da região central de Porto Alegre um “cinturão de cor”. Ou seja, enclaves territoriais onde habitava a população negra como a Colônia Africana, o Areal da Baronesa e a Ilhota. Essas localidades eram estigmatizadas pela imprensa local como redutos de pobreza, violência e imoralidade. Em contra partida, esses territórios abrigavam iniciativas sociais, culturais e esportivas da etnia negra.

O ambiente da modernidade, por assim dizer, traz consigo a difusão dos esportes modernos. A prática esportiva era vista prioritariamente como um valoroso método para o controle dos impulsos e direcionamento da força. Porto Alegre vivia, com intensidade, práticas como o remo, o ciclismo e o turfe, contando este último, entre 1880 e 1894, com quatro hipódromos na capital. Neste contexto, não somente na esfera econômica a presença alemã merecia destaque, mas também na fundação da maior parcela das associações esportivas do período.

No início do século XX ser civilizado consistia em filiar-se a práticas sociais e culturais europeizantes. E foi também sob esse signo que a inserção do futebol ocorreu no Brasil, predominantemente, como modismo da elite. Especificamente no que diz respeito a Porto Alegre, a emergência do Football pode ter sido facilitada pela ideologia da “prática esportiva e cultura física” instigada pela colônia alemã, anos antes.

Em 1910 foi criada a Liga Porto Alegrense de Football destinada exclusivamente para os brancos e representando um dos elementos da ideia de modernidade. A partir da segunda década dos novecentos, o futebol se popularizou na cidade carregando os traços de uma sociedade fragmentada e racista. Em acordo com a ideologia do período, aos negros não seria franqueado espaço para a prática do esporte.

Parte II

É num contexto de modernização que é criada a Liga Nacional de Football Porto Alegrense composta exclusivamente, como informam pesquisas, relatos e documentos, por africanos e afrodescendentes. A essa altura, a Capital contava com mais duas organizações: a Liga Principal ou “Liga do Sabonete” – formada por elementos da elite citadina; e a Liga Intermediária ou “Liga do Sabão”, que era composta por elementos da “classe média”, pequenos comerciários e membros de etnias minoritárias como os poloneses, por exemplo. Possivelmente por conta da ideologia racista do período, a liga dos negros ficaria registrada na imprensa e conhecida pejorativamente como a “Liga da Canela Preta” ou “Liga dos Canelas Pretas”. A ênfase na “cor” das canelas, bem como a escolha dessa parte das pernas dos jogadores para denominar a competição, relaciona a etnia dos jogadores com a desconfiança de que os mesmos não passariam de sujeitos sem habilidade, sem coordenação de movimentos para a prática do esporte e até mesmo agressivos, se levada em conta a linguagem apropriada pelo futebol.

De outra parte, o termo “Nacional” também ganha relevo na denominação da Liga. Podendo indicar a oposição entre os “negros da terra” e os “brancos estrangeiros”. A Liga Porto Alegrense de Football abrigava argentinos, uruguaios, alemães, italianos e poloneses, bem como seus descendentes. Neste caso pode ter existido, por parte dos negros, a reivindicação de sua maior “brasilidade” em detrimento dos estrangeiros, imigrantes e sua descendência. Tendo em conta que o Rio Grande do Sul não foi apenas o destino de número expressivo de imigrantes europeus, mas também absorveu significativa massa de africanos escravizados.

Não é precisa a data de fundação da Liga Nacional de Football Portoalegrense. Indícios apontam para a década de 1910, ocupando o espaço do antigo campo do Internacional (local hoje ocupado pela Praça Sport Club Internacional, nas proximidades do Hospital Porto Alegre), que foi abandonado pelas frequentes inundações que sofria e, por isso, teria sido utilizado pelos clubes da Liga Nacional. O calendário das disputas iniciava no emblemático dia 13 de maio e contava, segundo relatos da época, com público numeroso e fiel.

Algumas das equipes da Liga possuíam especificidades que ultrapassavam a questão étnica. O time do BENTO GONÇALVES era formado por engraxates, o PALMEIRAS  reunia bedéis e o RIO-GRANDENSE era constituído por funcionários públicos e trabalhadores de hotéis. No caso do 8 DE SETEMBRO, além da negritude, o que caracterizava a equipe era sua vinculação territorial com a Colônia Africana, pois era conhecido como “o time da Colônia”. Também jogavam o certame: o PRIMAVERA, o UNIÃO, o PRIMEIRO DE NOVEMBRO, o AQUIDABÁ e o VENEZIANOS.

As prerrogativas que orientaram a fundação e existência do Rio-Grandense podem ilustrar a complexidade do panorama social de Porto Alegre no início do século XX. O Rio-Grandense se autodefinia como “mulato”, só podendo compor suas fileiras e sua torcida, mulatos e mulatas. O clube foi dirigido por Francisco Rodrigues, pai do compositor Lupicínio Rodrigues, e estava situado numa posição média no confronto aberto entre os códigos sociais “brancos” e os guetos “negros” da cidade. Sua composição agregava indivíduos que mantinham contato nas suas atividades de trabalho com segmentos sociais predominantemente brancos. Possivelmente para evitar a comparação com aqueles socialmente estigmatizados, a agremiação procurou abrigo no pressuposto da segregação, disputando a Liga Nacional, porém não se identificando por completo com a negritude e tampouco com o território onde ocorriam os jogos.

Salvo equivoco, as pesquisas não puderam resolver a questão da data de encerramento das atividades da Liga, sendo indicado que no ano de 1925 a competição ainda existia. Sua dissolução teria sido motivada pela inclusão de seus melhores atletas nas equipes que a essa altura disputavam a incipiente segunda divisão do campeonato da cidade. Por outro lado, também a desagregação do “cinturão de cor”, ao redor do centro da capital, pode ter contribuído para a extinção do campeonato. Até a década de 1950, com a lógica imobiliária capitalista unida às “políticas públicas para a modernização” da área central de Porto Alegre, os enclaves negros como a “Colônia Africana” foram desintegrados.

Liga Nacional de Football Portoalegrense além de representar uma ação de africanos e afrodescendentes para conviver numa sociedade marcada pela segregação racial, também pode apontar alguns indícios da estrutura social de Porto Alegre no início do século XX.

Em tempo, também merecem nota duas iniciativas semelhantes à Liga Nacional de Porto Alegre no interior do Rio Grande do Sul. Foi registrada na cidade de Rio Grande a existência da Liga Rio Branco. Ainda, em 1919, era fundada a Liga José do Patrocínio em Pelotas. Ambas caracterizadas por abrigar jogadores negros. Sobre a Liga Rio Branco não pudemos avançar nem razoavelmente, conseguindo apenas sua data de fundação em 04 de agosto de 1926.

Especificamente sobre a iniciativa pelotense, entre inúmeras entidades negras fundadas no século XX na cidade, estava a Liga José do Patrocínio com nascimento em 10 de junho de 1919, sob a insígnia de “Federação Esportiva”. A Liga surgiu em meio a outras entidades negras de cunho recreativo, carnavalescas, esportivas, de representação política e de imprensa, como os jornais Alvorada, A Vanguarda e A Cruzada. Se de um lado o surgimento dessas iniciativas étnicas faz emergir a segregação racial persistente nos rincões gaudérios também no campo do esporte, de outra parte enfatiza a capacidade organizativa desses grupos sociais. Mesmo que no campo esportivo a discriminação tenha sido atenuada pela convivência entre negros e mulatos, como expressão social, o jogo de bola não escapou às mazelas da época. Uma das continuidades visíveis da fundação dos clubes voltados para a prática do futebol foi o aparecimento dos clubes carnavalescos da cidade e um aspecto não positivo, por assim dizer, o reforço do estereótipo que relacionou inequivocamente e exclusivamente os negros com o futebol e o samba.

Depois do massacre factual, despeço-me com o tiro de misericórdia ideológico. Faz alguns dias que eu li um comentário sobre o sistema de cotas nas universidades públicas, bastante sintético, que dizia mais ou menos assim: “o racismo não existirá mais quando pararmos de falar no assunto”. Essa postura, se não é a saída mais “criativa”, diz muito sobre algumas práticas da República. E o futebol? Ahhhh o futebol! Não escapa dessa lógica. Seja nas arquibancadas, de onde escrevo, ou no cotidiano dos clubes e associações, por descuido ou irreverência, sempre acaba saltando alguma atitude que não nos deixa abandonar o tema do racismo. Obviamente, a formação de consciência é um processo de longa duração, de avanços e recuos, de (re)construções e desafios, dentro e fora do campo. Mas essa perspectiva não alivia nossa responsabilidade de transformar um preconceito segregador em conceito para convivência de todos e todas. A análise da formação da sociedade brasileira continua na pauta do dia, precisando ser pensada e debatida com a superação do preconceito de classe, da segregação étnica e da moralização da orientação sexual.

Por dias conscientes,

El Viejo Balejos –  @balejos

(Artigo adaptado para publicação no Toda Cancha)

Anexos:

Livro “Foi Assim” – capa, pág. 47 e 48.

Publicado em Clubes Gaúchos, Cultura gaúcha, Toda Cancha com as tags , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

16 Respostas a A alma não tem cor

  1. Cassol diz:

    Bah, vou reservar pra ler com calma à noite.

  2. Apenas que EVB nos brinda com outro texto fantástico, repleto de dados que não vemos por aí rotineiramente, a exemplo de seu texto de 20 de setembro. (que vale a releitura). Fantástico, Balejos!

  3. Natan Dalprá Rodrigues diz:

    Gostaria de voltar no tempo e poder ter a chance de ser aluno do Balejos no Ensino Fundamental.

    Baita texto!

  4. Chico Luz diz:

    bah, que retomada fantástica.

  5. Ricardo Pereira diz:

    Parabéns Balejos pelo banho de cultura que nos trouxe com esse texto maravilhoso. Especial reflexão, sobre a história riquissima dos negros, tão importantes e significativos, na torcida do meu querido Xavante, e, na minha cidade de Pelotas, que é a cidade mais negra do Rio Grande do Sul.

    Um Abraço;

    Ricardo Pereira

  6. Luiz Eduardo Kochhann diz:

    Mas que barbaridade! Mais um baita texto, Balejos.

    Também tenho percebido a tomada de força dessa postura do “acabamos com o racismo não falando sobre racismo”. Mas, me parece óbvio, essa solução parte de pessoas em situação “privilegiada” nesse contexto. Pessoas a quem o racismo não acomete no dia a dia.

    Última questão: fazer paralelos com o futebol para compreender configurações e mudanças sociais de determinados períodos históricos é fantástico. Parabéns, EVB.

  7. Fred diz:

    Sensacional.

    Belo texto para homenagear o dia

  8. Matheus Primieri diz:

    Sensacional! Grande texto Balejos!

  9. Zezinho diz:

    Que senhor texto, Balejos! Mais um para coleção!

    Concordo com tuas passagens no início do texto e a colocação do Luiz. Eu, particularmente, sou a favor de cotas raciais por entender o descaso de 5 séculos com negros e pardos – isso sem contar os índios. E vejo que elas pretendem criar uma classe-média com alta participação da população negra, para que no andar normal da carruagem, os negros se estabeleçam, de facto, na sociedade brasileira do ponto de vista sócio-econômico e não haja mais esse gargalo provisoriamente preenchido pelas cotas.

    No visual, o negro em Porto Alegre é muito mais ‘visível’ do que em Curitiba, embora, surpreendentemente para mim, a população negra de Curitiba é superior a de Porto Alegre. Um argumento para isso é de que o negro de POA faz o movimento pendular: reside na região metropolitana e trabalha em Porto Alegre. Uma certa herança do início do século passado, pelo que disseste.

    Por outro lado, em Curitiba o negro é praticamente restrito à periferia. Por isso, quem vem a Curitiba a passeio vê poucos negros em relação a Porto Alegre, visto que os pontos turísticos ficam todos na Metade Norte, menos populosa, mais rica e menos negra

  10. Tiago Simon diz:

    Faz alguns dias que eu li um comentário sobre o sistema de cotas nas universidades públicas, bastante sintético, que dizia mais ou menos assim: “o racismo não existirá mais quando pararmos de falar no assunto”.

    A título de referência, tem um vídeo que eu vi rolando no Facebook com o Morgan Freeman falando exatamente a mesma coisa. EI-LO

    https://www.facebook.com/photo.php?v=4826299852306

  11. pedrohckruger diz:

    SENSACIONAL, Balejos. Sem mais.

  12. Balejos diz:

    Agradeço pelos comentários, senhores. Lamento por ter sido um tanto prolixo na postagem. Sem dúvida, a questão das “ligas negras” do RS merecem um estudo crítico que possa ir léguas além desta breve ilustração. Talvez essa empreitada já tenha sido/ou esteja sendo realizada e eu ignore.

    #6
    Luiz, realmente a postura que tu relata ganha alguma força, principalmente em alguns meios. Não me parece uma novidade, mas, antes, um movimento que torna mais “mais clara” a trajetória institucional autoritária do nosso país.

    #9
    Zezinho, compartilho do teu pensamento. Sempre procuro pensar as cotas ou reservas como um mecanismo objetivo de transição para uma maior equidade sócio-econômica no curto prazo. A tão falada e desconhecida situação da educação básica, possivelmente seja um caminho mais sólido, porém imensamente mais pedregoso. O Brasil vive um momento de transição (nesta questão tomou o caminho errado na minha opinião) e o habitual “vamos fazer o bolo crescer para depois fatiá-lo”, pactuado como as elites, não cabe para este momento.

    #10
    Tiago, tinha visto o vídeo, mas não relacionei com o comentário lido no Estadão online, Folha ou em algum outro jornal que debatia o desempenho favorável dos cotistas nas IFES. Muito boa tua referência.

    PS: Agreguei três anexos ao final do artigo, capa e duas páginas escaneadas do livro “Foi Assim”. A passagem trata do Rio-Grandense, o time de mulatos e mulatas. Vale ler. Quem compartilhou o material comigo foi o Franco Garibaldi que, por sua vez, recebeu de um amigo. Agradeço aqui a ambos.

    Saludos,

  13. Juliano diz:

    O primeiro negro que se tem relatos concretos a jogar em um time de futebol foi Baba, Waldomiro Victoria campeão gaúcho em 1919 pelo Grêmio Esportivo Brasil. Time de trabalhadores da indústria cervejeira da cidade que desde cedo tinha pobres e negros como parte de seus “players”.

  14. Paulo Padilha diz:

    demorei a ler o texto, estava aberto num tab já fazia um tempo, mas valeu a pena a espera.

  15. Alexandre diz:

    Olá pessoal,

    Sou bisneto de Waldomiro Victoria, o Baba. Fico feliz com a citação do Juliano a respeito do meu bisavó……. Se tiverem algum material para me enviar a respeito dele agradeço!!!

    Abs,

  16. Sandro diz:

    Só li esse texto magnifíco hoje. Mas sobre a história que o Lupicínio conta em seu livro (págs. 47 e 48 do anexo), há vários equívocos, como demonstra o historiador Raul Pons. Colo um comentário publicado aqui mesmo no impedimento pelo Luis Felipe e que é a 1ª referência encontrada no Google quando se escreve “Raul Pons + Lupicinio Rodrigues”:

    “o que o historiador Raul Pons disse acerca do tema Lupicínio Rodrigues e racismo colorado, eu descrevo aqui:
    “Quanto à história do Riograndense:
    1º É baseada em um livro escrito pelo Lupi, e em uma parte do livro ele tenta justificar o fato de sua família ser gremista, em uma época que eram raros os negros gremistas.
    2º A versão do Lupi diz que o Riograndense tentou ingressar na liga oficial de Porto Alegre, mas o Internacional foi contra. Por isso, a família do Lupi (o pai dele foi presidente do Riograndense) passou a torcer pelo Grêmio.
    3º O texto do Lupi (são duas páginas do livro dele) é cheio de erros históricos. Ele chega a dizer que o Grêmio se chamava Fussball, nos primeiros anos.
    4º O Riograndense era um clube que participou das entidades genericamente chamadas “Liga da Canela Preta”, mas definia-se como um clube de mulatos, e não de negros, o que causava mal-estar entre os clubes assumidamente negros.
    5º O Lupi não faz referência ao ano em que este pedido de ingresso na liga tenha ocorrido. Já pesquisei vários anos das dpecadas de 1920 e 1930, e nunca encontrei nada parecido. Pode até ter ocorrido este pedido, mas se o Internacional foi contra, certamente não foi por racismo, mas por deixar fora da liga clubes nos quais ele se abastecia de craques, e que se entrassem na liga, seria mais complicado adquirir jogadores destes clubes.
    6º Neste mesmo livro, o Lupi diz que o Grêmio nunca foi contra jogadores negros, mas “uma cláusula no contrato de doação da Baixada para o Grêmio, pelos alemães que compraram o estádio, proibia negros no clube por 50 anos”. Só que a Baixada não foi doada, e sim comprada pelo Grêmio. Os “alemães” não eram algo a parte do Grêmio, e sim o próprio Grêmio, clube da comunidade germânica. E a Baixada foi comprada em 1911, assim, se tal cláusula existisse, se manteria até 1961, e não 1952. O Lupi tentou justificar o injustificável.”
    Raul disse isso no blog Vermelho – bolavermelho.blogspot.com – quando eu perguntei a ele sobre o fato.
    A partir daí, as interpretações são diversas.”

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