Na pulsação do Jaconi

Na garra, na entrega, na união dos GUERREIROS dentro de campo, juntamente com a impulsão dos JACONEROS da arquibancada, um Jaconi PULSANTE exasperou-se, fazendo esta primeira final ser Alviverde.

A primeira parte dos 180 minutos, de uma guerra que ainda tem muito a ser batalhada; duas das mais tradicionais camisas do futebol riograndense; e, em campo, somente um objetivo: ser um clube seriado!

Quando se trata de uma final, os ares mudam completamente. Contudo, quando tratamos de uma final entre Juventude x Brasil, Brasil x Juventude, a intensidade tende a ser multiplicada. Pela decisão da Copa Hélio Dourado, a Papada foi chegando em forte número e concentrando-se nos arredores do palco da primeira GRANDE FINAL. Sem deixar por menos, e como de costume, os Índios Xavantes subiram a Serra e logo tomaram conta do seu referente espaço. Devido ao horário e dia estipulados pela FGF, do contestado Francisco Noveletto, colocando o primeiro confronto para às 19 horas dessa última quinta-feira, boa parte dos torcedores ainda chegavam ao estádio quando a bola já estava rolando.

Além da motivação que uma final já representa, os atletas esmeraldinos pisaram no Jaconi sabendo que seus salários atrasados seriam quitados no dia seguinte, logo que fosse, enfim, confirmada a venda do lateral-esquerdo Alex Telles. A negociação de R$ 1 milhão, que inicialmente seria realizada por um grupo de investidores ingleses, foi concretizada por outro grupo, agora sul-coreano, representado pelo empresário Kim, o qual reside há 20 anos em Curitiba.

Com a permanência dos três desfalques – meia Diogo Oliveira, Alan e o atacante Douglas -, Lisca, como esperado, colocou a campo a mesma equipe que derrotou por 2×0 o Inter B, pelo segundo jogo das semifinais.

No soar do apito de Anderson Daronco, mal deu tempo dos cerca de sete mil Jaconeiros que se faziam presentes – impulsionados pela ação promocional concebida pela direção juventudista, que dava o direito do sócio-torcedor retirar mais um ingresso – se acomodarem na bancada, quando Marcos Paraná, ex-Juventude, lançou nas costas de Alex Telles, com direção ao atacante Marcio Jonatan. O rápido xavante entrou livre, leve e solto dentro da área e estufou as redes de Fernando, despejando um balde de água fria na cabeça da Papada e, indubitavelmente, fazendo a festa dos cerca de 500 Rubro-Negros que ali se faziam presentes.

Com o gol logo no primeiro minuto de partida, os pelotenses comandados por Rogério Zimmermann, adotaram, como esperado, um sistema forte de marcação, esperando por algum contra-ataque que a equipe juventudista pudesse conceder.

Ao Juve, coube ir pra cima. E aí ficou nítida a falta que estavam fazendo os desfalques de Diogo Oliveira e Alan. Com um esforçado, porém limitado Francisco Alex, as criações de jogadas foram praticamente extintas nos seus pés. Jardel – que certamente ainda deve sentir o lado da rivalidade Bra-Pel, onde já esteve quando atuava pelo Lobão – e Nem tentavam encontrar alguma saída; ora buscavam Alex, ora Ramiro pela ala direita. Quanto ao volante Nem, um dos substitutos do trio de desfalques, há de ressaltar sua evolução, mostrando ontem, novamente, uma atuação muito acima daquela contestada por grande parte da torcida alviverde.

Se com a bola rolando não dava, o Juve investiu nas jogadas aéreas. Com o pé calibrado de Alex Telles – que realizou sua última partida no Alfredo Jaconi e que, certamente, deixará SAUDADE aos Jaconeros -, acoplado ao fervor que vinha da arquibancada, o Alviverde chegou ao gol. Em cobrança de escanteio realizada pelo jovem lateral, a bola viajou alto, encontrando a cabeça do zagueiro e capitão Rafael Pereira. O “alemão” cabeceou para dentro da pequena área e ele, o homem-gol verde-branco, Zorro Esmeraldino, ou seja lá o que for, completou para o fundo das redes do inacabável Luiz Muller. Com o gol número 44 vestindo o manto alviverde, e o décimo na Copinha – se isolando como artilheiro da competição -, fez a festa Jaconera.

No intervalo, enquanto a gurizada batia bola no gramado do Jaconi, em mais uma ação de marketing juventudista, a torcida Xavante protagonizava cenas lamentáveis. Além dos diversos “rojões” que vinham sendo atirados durante a primeira etapa, uma minoria pelotense ia destruindo banheiros e danificando parte do alambrado do Alfredo Jaconi, e apenas foi contida devido à intervenção da tropa de choque. Algo triste a ser relatado, porém necessário.

Na volta ao gramado, o comandante Lisca optou por não mexer nos onze que iniciaram a decisão. Com o céu já escurecido e refletores acesos, o filme de drama para a Papada parecia que ia se repetir. Foi logo a bola voltar a rolar para o Xavante puxar um contra-golpe com o índio e velocista Alex Amado. O atacante invadiu a área e chutou… Mas, diferentemente do que havia ocorrido no primeiro tempo, a bola acabou acertando a trave.

A partir daí só deu Juventude. Empurrados por uma Ferradura Sul eletrizante, o Juve sufocava o Brasil. Com a mesma intensidade da torcida alviverde, Lisca foi mesmo para cima ao colocar Alex Telles praticamente como um ala. Se foi na loucura ou não do momento – afinal, quando se trata de título o assunto é outro -, o importante é que deu certo. Somando com Francisco Alex, o lado esquerdo juventudista proporcionou uma verdadeira blitz Esmeraldina. O lateral Telles investia ora em chutes à longa distância, ora em cruzamentos; e aí apareciam as dificuldades, pois a redonda teimava em não encontrar Zulu.

A pressão era tão forte pelo lado esquerdo, que Rogério Zimmermann não esperou e retirou o homem de criação xavante Marcos Paraná para a entrada de Ataíde, com a intenção de tentar acabar ou, ao menos, amenizar o caso.

A mudança fez efeito. Com isso, o Juve passou a rodar a bola. Apesar do amplo domínio de jogo, as chances claras de gol não aconteciam, deixando a Papada cada vez mais preocupada. E aí teve que entrar o fator Jaconi.

Jogando junto com os atletas de Lisca, o Alfredo Jaconi se transformou num caldeirão. O gol tinha que vir na base da pressão. O professor esmeraldino foi ainda mais ousado, retirando Nem para a entrada do atacante João Henrique. E, na insistência, o Juve chegou ao gol. Mas, como nada acontece facilmente na vida do Juventude, eis que o bandeira assinala impedimento no chute de João Henrique.

Os contornos que iam ganhando a primeira partida da final eram dramáticos, de forte tensão, que pareciam não ter mais como mudar. Porém, se o VERDE representa de fato a ESPERANÇA, os sete mil Alviverdes continuaram acreditando sem arredar o pé dali.

E o gol, que pode representar o início de um RECOMEÇO na vida desta instituição chamada Esporte Clube Juventude, lhes recompensou num dos últimos restantes suspiros. Em lançamento à la Ronaldinho, David Beckham ou Pirlo, algo realmente de CINEMA, praticado pelo prata da casa e zagueiro Bressane, a pelota viajou meio campo do Jaconi e encontrou um garoto, que poucos até então o conheciam, mas, que a partir dali, se apresentou à Papada como Maurício. O garoto de 21 anos, em seu primeiro toque na bola, fez jus à representativa marca de 35 jogos de invencibilidade esmeraldina no Alfredo Jaconi.

O gol que entoou o grito de “JU-VEN-TU-DE!” marca a vantagem a ser levada a Pelotas. Marca, acima de tudo, a ESPERANÇA por um Centenário mais VERDE, com a dignidade que este clube realmente merece.

A primeira batalha foi nossa e, como GUERREIROS, nos resta invadir neste próximo domingo Pelotas para, aí sim, podermos retornar com a conquista pincelada em VERDE-BRANCO!

Pedro Torres

Publicado em Brasil de Pelotas, Copa FGF 2012, Copa RS 2012, Juventude com as tags , , , , , , . ligação permanente.

3 Respostas a Na pulsação do Jaconi

  1. João Alessandro diz:

    Quero aqui registrar o péssimo trabalho da brigada ontem no Jaconi, o despreparo desse serviço público é só mais um de tantos outros. Na chegada ao Jaconi, na revista de rotina uma má vontade uma forma bruta estúpida de revista. Eu tinha um chaveiro que era uma simples bolinha de borracha, fui obrigado a retirar do molho de chaves, para poder ter acesso ao estádio e ainda ouvi ameaças, ofensas estúpidas. Mas não era algo exclusivo para mim, e sim, a grande parte da torcida que entrava no estádio, recebia esse tratamento, é culpa do torcedor, ir torcer pelo seu time. Ainda na entrada vi um senhor com idade bastante avançada que também precisou tirar sua camiseta na revista. Qual risco do senhor está carregando bombas, armas ou qualquer outra objeto? Enquanto do outro lado, não faço ideia de como foi à revista, mas a torcida visitante entra com bombas caseiras, rojões e depredam o patrimônio do clube. Claro que depois houve violência, por parte da brigada, mas ai não adianta nada, esse material nunca deveria ter entrado no estádio, isso evitaria essas séries de problemas.
    A nova forma da brigada se posicionar diante do torcedor, é estúpida, não permitindo estender faixas no alambrado, fazendo seu showzinho arrancando faixas, ameaçando torcedores. Sempre fui a estádios, desde pequeno, nunca houve nenhum problema dentro e fora do Jaconi.
    Esse novo efetivo da brigada é totalmente despreparado para estar dentro de um estádio de futebol e também deve ser despreparado para estar nas ruas. Cada dia a insegurança bate na nossa porta de ambos os lados seja pela criminalidade ou segurança pública.
    Ano que vem, no Alfredo Jaconi ou qualquer outro estádio, espero não enfrentar esse tipo de situação. Mas infelizmente é só esperança, porque a realidade é outra e vai continuar esse serviço imundo e ineficiente, é inquestionável isso: trata-se de uma máquina de extorsão, pilhagem e autoritarismo — tudo isso em larga escala.

  2. Pingback: “Bicampeão!” com orgulho – e, aos poucos, humildade | Toda Cancha

  3. Mateus Cassina diz:

    Acho isso muito curioso. Eu por exemplo uso um chaveiro que é nada menos do que uma bala de fuzil, pontuda. Se eu quiser furar alguém com ela, o faço. Desde o ano passado entro com esse chaveiro, ele sempre é revistado e nunca disseram um “ai”. Às vezes desconfio que vai do perfil de torcedor. Gente com cara fechada tem menos chances de levar bronca da polícia. Gente “de bem”, “querida”, “simpática”, que vai pro estádio esperando encontrar paz, felicidade e harmonia do início ao fim…. esses tipos, me parece que a polícia tende a não respeitar e justamente a esculachar e “abusar”. Não sei, são impressões. Uma coisa que pode influir é o fato dessa polícia ser composta em maioria por gente de fora daqui, que torce p/ grêmio ou inter e que ODEIA o JUVENTUDE e seus torcedores. Não basta ter que trabalhar de noite, ainda mais no estádio do JUVENTUDE? Isso parece influir bastante também.

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