A espera de um… o que mesmo?

Milagre?

Jogo do ano?

Vamos dar o sangue?

Clichês, apenas isto.

Vamos ao que interessa, já notaram que sempre que as frases acima são usadas, é porque a coisa está feia, e há um conjunto de ações visando o esforço final para mudar o rumo do que vem dando errado? A imprensa adora repercutir este tipo de frase, julga que o torcedor vai se motivar, vai ao campo e mudará a história do jogo ou jogos.

Não vai. Na maioria absoluta das vezes não dá em nada, aliás, dá sim, em frustração da torcida.

Onde quero chegar?

No meu E. C. Pelotas, centenário clube da Zona Sul do Estado, único representante da região na primeira divisão, mas que de novo afundou no segundo semestre diante do Inter B. Naufragou na Boca e lá na Morada dos Quero-Queros. Para entender esta história temos que retornar lá no início da competição, parece besteira, mas não é.

Acabado o Gauchão, aquele clima de ressaca, desclassificação perante o Canoas, eis que surge um convite extemporâneo para a disputa da série D do Campeonato Brasileiro. Confusão, brigas, teorias de um lado, dirigentes saindo de outro, torcida ressentida e um clima “excelente” para vislumbrar o segundo semestre.

Desunião, palavra mortal para um clube do interior dos pampas, enfraqueceu o Lobão e neste clima começa a preparação para a Copa do segundo semestre. Contratações feitas, técnico mantido, mas, e sempre tem um “mas”, a falta de dinheiro completa o cenário. Falta de dinheiro traz baixa qualidade técnica, e por aí começamos a entender o final da história relatada acima.

Quando se disputa uma competição, mesmo que longa, deve-se saber que todo jogo é importante e não foi isso que o Pelotas fez, a campanha na primeira fase foi quase um laboratório, faltou motivação e aí veio a vexatória derrota para o Riograndense em Santa Maria. Torcedor revoltado, retorno de alguns dirigentes, contratações, mas o campeonato já estava comprometido.

A eliminação da SER Caxias foi só um respiro para o que estava por vir. Ganhamos do Caxias nos pênaltis! Tomamos o 3 a 1 que fizemos em casa. O time quase mata o seu torcedor nesta decisão.

Que venha o Inter!

Vamos lotar a Boca, empurrar o time, afinal a torcida do Lobão vai para “cancha” sempre, canta sem parar, faz um espetáculo sensacional, o melhor do interior disparado na minha modesta opinião, mas só isso não basta.

Jogo dramático, chances perdidas aos borbotões e uma derrota que prenunciava o que foi contado acima.

Voltemos ao início, o jogo do ano em Alvorada necessitava de um milagre, de uma negação de tudo o que o torcedor tinha visto até agora. Não vou entrar em questões táticas nem questionar as escolhas feitas pelo treinador Beto Almeida, todos temos convicções futebolísticas, até porque à exceção de 3 ou 4 jogadores, a qualidade da equipe era bem homogênea… para baixo.

Nesta hora pedir o fulano ou o siclano dá no mesmo, é seis por meia dúzia, nada que vá resolver os problemas de campo bem anteriores a este jogo.

— “Vamos dar o sangue”.

Palavras de um jogador do Lobão.

Acredito mesmo, que depois da volta de alguns dirigentes e de uma reorganização, o Pelotas se comprometeu com a “causa”, mas não deu certo de novo. Gol do Inter logo no início, repetição do filme da Boca, o time correndo, não poupando esforços sob um sol forte e perdendo chances, muitas chances de gol.

O futebol em determinados aspectos é simples. Como assim?

Simples. Como esperar um resultado diferente depois de tudo que foi relatado. O que começa errado, termina errado. Não adianta, poucas vezes acontecem milagres para salvar, principalmente nos clubes do interior da Província de São Pedro.

Agora a Boca do Lobo está lá, quieta, o torcedor no aguardo de um futuro melhor, com grandes jogadores, jogos emocionantes e um Gauchão que encha de orgulho o povo Áureo Cerúleo. Expectativa depositada nos dirigentes que aí estão, e a velha esperança interiorana que nunca morre.

Até lá vamos esperando que não tenhamos mais que apelar para milagres, jogos do ano, ou “doações” de sangue em campo. Queremos apenas torcer e fazer a melhor festa do interior.

Abraço,

Augusto Ribeiro

A foto é do Gabriel Ribeiro/Assessoria de Imprensa do E.C.Pelotas.

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2 Respostas a A espera de um… o que mesmo?

  1. Solano diz:

    “Queremos apenas torcer e fazer a melhor festa do interior” — De preferência com bom futebol em campo. Dale LOBO!

  2. Juve na alma diz:

    LEGAL

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