2012: quase um looping verde e branco de 2011

Final de temporada, véspera daquele emblemático ano em que o sucesso vira mais obrigação que o normal. Às portas de completar 100 anos de vida, o Juventude termina 2012 com um gosto amargo na boca – assim como em 2011 -, apenas adocicado pela conquista da Copa FGF no segundo semestre. Assim como em 2011.

Óbvio que ninguém aqui está reclamando de levantar dois canecos e forma consecutiva, ainda mais diante dos recentes e consecutivos rebaixamentos nacionais, mas a realidade é que a papada ficou esperando aquele algo mais, aquele retorno o mais rápido possível à Série C nacional, que até esteve perto, mas não aconteceu. Pra dar uma ideia mais completa desse looping mencionado no título, vamos dar uma olhada no que aconteceu em 2012 (e em comparação ao que rolou em 2011) no ano papo.

Costelão/Baré Cola e Copa do Brasil

Se em 2011 o Juventude ainda conquistou o título virtual de campeão do interior, após uma boa campanha geral, que o garantiu na Copa do Brasil seguinte (em que pese não tenha chegado à final de nenhum dos turnos), 2012 não reservou grande sucesso ao Papo.

Mesmo mantendo boa parte da equipe que havia disputado a Série D em 2011, a saída do meia Cristiano para o futebol austríaco desestruturou a armação do time. Apesar de alguns lampejos, especialmente durante o primeiro turno, o time então ainda comandado por Picoli nunca chegou a entusiasmar o torcedor, perdendo a semifinal do primeiro turno para o Novo Hamburgo e frustrando a expectativa geral de um CaJu para decidir o primeiro finalista do campeonato.

Se o desempenho no primeiro turno foi aceitável, mesmo que o rendimento nunca empolgasse de fato, o returno foi catastrófico. Sequer se classificou para o mata-mata e foi impiedosamente goleado no Beira-Rio, numa partida em que Alexandre Barroso, então treinador “meio que” interino, gerente de futebol e pau mandado da BMG, cogitou até corpo mole por parte de vários jogadores. Se houve ou não, o fato é que logo depois a barca passou e levou com ela uma penca de boleiros. Que não fizeram falta alguma.

Enquanto o time fazia água em nível estadual, a Copa do Brasil dava algum alento, mesmo que ninguém sonhasse com campanha indo muito longe. Na estreia, surpreendentemente atropelou o Operário de Ponta Grossa (PR), já sob o comando de Barroso, eliminando até mesmo o jogo de volta. Na sequência, teria pela frente a Portuguesa que, mesmo já não sendo mais a Barcelusa da Série B de 2011 (o que restou comprovado com o rebaixamento no BORBAGATÃO), era um time recém-promovido à elite (pior termo) do futebol brasileiro.

Na partida de ida, no Jaconi, o Juventude abre 2 a 0 com certa naturalidade, o que por si só dava motivos para gerar certa desconfiança do que estaria por vir. De qualquer forma, ainda assim parecia ser uma vantagem confortável, até pelo pouco demonstrado pela Lusa em Caxias. Mas não foi assim. Numa partida em que até ANANIAS fez gol de cabeça, após ganhar dividida com Élder Granja (só eu imagino Wianey Carlet escrevendo “Ananias ganhando disputa de corpo ou a passagem de Granja pelo Ju: o tempo dirá o que foi mais bizarro”?), em jogada anulada pela arbitragem – talvez por excesso de surrealismo – a Portuguesa amassou do começo ao fim e eliminou o Juventude com vitória por 4 a 0.

Série D e COPIÑA

Se a ideia era utilizar a primeira metade do ano para preparação e montagem do time para disputa da QUARTONA no segundo semestre, os planos foram por água abaixo. Com o insucesso nas competições até então disputadas, a decisão do clube foi por reformular quase que completamente o grupo pra encarar a Série D, incluindo aí o treinador. Era a vez do Juventude cair no conto do “rei do acesso”, personificado em Luiz Carlos Martins. 

Com tempo de sobra pra formatar um novo time, em razão do CAMBALACHO jurídico/esportivo causado por aquela RONHA promovida por Brasil e Treze da Paraíba e suas participações ou não na Série C, o novo treinador fez desembarcar no Alfredo Jaconi uma RENCA de boleiros, a maioria vindos de seu chão, o interior paulista (e o que ajuda a explicar o número de jogadores que foram utilizados este ano pelo clube).

Mas o time não encaixava. Lembro de ter acompanhado in loco um dos últimos amistosos preparativos para a D, um amistoso contra o Cerâmica, em Gravataí, cuja única lembrança digna de nota foram os insultos do presidente Demore ao árbitro no final da partida, tamanha a ruindade vista em campo de ambas as equipes. E se o time tinha rabo de porco, focinho de porco e pata de porco, era mesmo um porco e não teríamos mesmo a sorte de nos deparar com uma bela feijoada no final.

Optando sempre por um time com três volantes e deixando o REI ZULU isolado na frente, sem falar as mudanças de escalação inicial a cada jogo, o resultado era óbvio: o time não conseguia se impor dentro de casa e tomava pressão fora. Sofríveis 41,7% em um turno de um torneio tiro curto era a realidade amarga que indicava que o Ju sequer classificaria para a fase eliminatória.

Foi aí que finalmente a direção se mexeu e mandou Martins pastar (que acabou indo para o Oeste/SP, onde foi campeão da Série C e disputará a B em 2013 – algo que TALVEZ somente o uso de drogas pesadas me ajudarão a compreender algum dia…). Para seu lugar, após flertar com Argel, foi anunciado Lisca, de boa passagem pelo Caxias em 2011 mas cuja saída de lá se deu de forma estranha e mal explicada até hoje.

Após uma estreia frustrante em Arapongas, Lisca decidiu pôr em prática a estratégia do “SE NÃO TEM TU, VAI TU MESMO”, que já era arquitetada pelo interino Carlos Moraes, e resolveu apostar tudo na gurizada que não tinha espaço com Luiz Carlos “mascador de matinho acocorado num canto” Martins. De uma só vez, mudou mais que meio time e as melancias acabaram se ajeitando com vitórias dentro e fora de casa – incluindo a da jornada KOMBERA à Pelotas.

Uma pena que toda essa empolgação tenha sido interrompida bruscamente na distante Cianorte/PR, após uma espetacular apresentação no primeiro jogo, no Jaconi. Se foi falta de experiência, excesso de pilha e confiança, ou até mesmo resultado de alguma rusga interna, provavelmente jamais saberemos ao certo. A única certeza era que o Juventude parava novamente no primeiro mata-mata da Série D.  Assim como em 2011.

Passado o abatimento, o que restava era a Copa FGF, Copa RS, enfim, a Copa Hélio Dourado (sigo crente que a FGF achou que ele já tinha morrido, uma vez que a copa do segundo semestre sempre é batizada com o nome de algum finado aleatório). Assim como em 2011, a COPIÑA virava copa do mundo para o Papo. E com motivo: seria uma das duas chances de voltar a disputar a quartona no ano seguinte.

Assim como na edição anterior, também conquistada pelo Papo, quando o time titular entrou em campo, o negócio andou. Nem mesmo a cagada administrativa dos cartões conseguiu deixar o time de fora da fase seguinte. Na fase eliminatória, passou por Noia (cujo jogo de volta em Novo Hamburgo talvez tenha sido o mais tenso, mais até que a final), por uma GREVE, pelo Ypiranga (de baita campanha na fase de grupos mas que foi inapelavelmente depenado no Jaconi), e pelo Internacional (cujos jovens não foram páreos, nem mesmo na grama sintética de guri de apartamento do Passo D’Areia).

Na final, onde Juventude e Brasil jogavam tudo pela então MEIA-VAGA (que agora a CBF volta atrás e mantém o formato de dois clubes por estado na D de 2013, gerando todo aquele drama por nada), vitória alviverde no Jaconi – aquela burrada dos cartões obrigou o Ju a jogar todas as decisões fora de casa – de virada e a manutenção do OXO no Bento Freitas deram ao Ju o bicampeonato da Copinha, calendário cheio em 2013 e afirmaram vários jovens jogadores como Alex Telles (foto abaixo), Bressan, Ramiro e Fabrício, todos já vendidos ou em vias de, o que se não é bom vendo apenas dentro das quatro linhas, infelizmente é necessário para a sobrevivência do clube.

(com fotos do Pioneiro, Folha de Caxias, Terra e outras sem procedência ofertadas por São Google)

Ainda festejando a sobrevida da papada e de olho num porvir venturoso num 2013 que se avizinha cheio de simbolismos e – oremos – acesso,

Franco Garibaldi (@francogaribaldi)

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2 Respostas a 2012: quase um looping verde e branco de 2011

  1. baldasso diz:

    que venha 2013, os 100 anos e tudo mais que tivermos direito.

    JUVE, estaremos contigo!

  2. 2013 vai ser diferente: JUVENTUDE BI CAMPEÃO ESTADUAS, CAMPEÃO DA SÉRIE D E TRI CAMPEÃO DA COPINHA! Quer mais? Nova parceria com uma multinacional Italiana.
    Sonhar não custa nada! FELIZ 2013 Nação esmeraldina!

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