2012, o ano do quase apocalipse canário – Parte 2

O início do ano canário foi péssimo, isso era consenso. A discussão estava exatamente em deixar a poeira baixar e canalizar forças e recursos para logo na primeira participação na divisão de acesso voltar à série A ou então dar uma segunda chance para o ano e tentar uma taça estadual.

As decisões, obtidas depois de intensos debates, foram em sua maioria acertadas, no meu ponto de vista. Decidiu-se manter o treinador Leocir Dallastra, bem como disputar a Copa RS e começar um projeto de categoria de base. PERFEITO!

Acompanhei um dos primeiros jogos da preparação, e vi aos poucos o projeto tomando corpo. Leocir havia chegado tarde no Gauchão e o time já tinha gasto grande parte dos seus recursos, sendo o trabalho realizado com as peças trazidas pelos outros técnicos. Agora não, estava tudo em sua mão. Vários nomes desconhecidos desembarcaram em Erechim, mas a chancela do comandante nos tranquilizava.

Nos amistosos de preparação para a Copa Hélio Dourado, desempenho médio. Vitória sobre o TAC, empate com o Gaúcho, derrota para a Chapecoense e amontoados de gols em esquadrões amadores da região.

Quando, no primeiro encontro, igualmente em Caxias do Sul, igualmente contra a SER que leva o nome do município, os canários perderam por 1 x 0, desta vez para a equipe grená B, estremeci. Seria magnífico ser rebaixado no Gauchão e eliminado na Copinha em um grupo onde classificavam 4 de 5 times. As vitórias sobre o Juventude B e a Riopardense com gols de Nicolás, a esperança do canarinho, aos poucos foram me acalmando.

Depois, empate contra o Milan, em Erechim, vitória em Júlio de Castilhos, outra vitória contra a Riopardense, desta vez no Colosso da Lagoa, empate contra a equipe titular do Juventude, no Jaconi, um empate em 0 x 0 no Colosso contra a equipe B do Caxias.

Líderes da chave, segunda colocação geral na competição e vários jogos de invencibilidade. Tudo, enfim, caminhava bem no Colosso da Lagoa. Aos poucos os torcedores voltavam aos jogos.

Alguns temiam o embate contra os guris do Grêmio que o chaveamento havia posto no caminho. Os comandados de Leocir, em um tempo, afastaram este temor. Na primeira etapa, 3 a 0. No segundo tempo, a garotada gremista descontou para 3 x 2, mas a classificação estava indubitavelmente encaminhada.

Houve mobilização em Erechim. Queria-se casa cheia para carimbar a primeira colocação geral e a classificação. Mil foram ao Colosso, a maioria para ver os canários que estavam voando na Copa RS. Estes foram agraciados. Agraciados com uma excelente atuação, agraciados com 3 gols.

Resumo da ópera: Primeira colocação geral, 9 jogos de invencibilidade, além de boas atuações. O canarinho estava com tudo. O torcedor já se dava o direito de sonhar com a taça, um grande prêmio de consolação para um ano que, para si, havia sido tão ruim. O adversário que o chaveamento oferecia era o Juventude, eliminado na Série D, com salários atrasados, jogadores em greve, enfim, um time em crise.

Percebes? Só coisas boas foram citadas até aqui. Mas não te esqueças, estamos falando no ano do quase-apocalipse canário!

Em Caxias do Sul, os jaconeros destroçaram o Ypiranga. 6 x 0, um baile, uma aula. Na volta, 1 x 2 e no placar agregado 8 a 1. A última partida oficial do ano encerrava a temporada da forma como ela havia começado: uma tragédia com início, meio e fim.

Se algo nos resta, torcedor, é ela, aquela maledeta, a esperança. Por isso, antes do relógio badalar 12 vezes pela última vez em 2012, não deixe de fazer todas as simpatias que estiverem ao teu alcance, para que os próximos 365 dias sejam muito melhores do que os 366 que ficaram para trás.

Pedindo um acesso ao bom velhinho,

Álisson Giaretta

Com fotos do site da Associação Chapecoense de Futebol; do Gelson Pereira, de Rio Pardo; do Rodrigo Finardi/Jornal Boa Vista; do site do Ypiranga Futebol Clube; e do sítio do Esporte Clube Juventude.

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