Sintomas agudos de ‘empatite’

Tiago de Leonço cercado por defensores do Cerâmica: amistoso de sábado teve clima de Gauchão. (Foto: Néia Dutra/GES)No quarto amistoso preparatório para o BRIZOLÃO, o primeiro em 2013 e diante de sua torcida, o Novo Hamburgo repetiu o enredo dos jogos anteriores: a igualdade no placar. Para os otimistas anilados (minoria), invencibilidade; para os pessimistas (maioria), desastre e o mesmo filme já visto em 2011.

Embora o discurso oficial seja de inexistência de uma equipe consolidada como titular, Gilmar Iser manteve seu AZEITADO 4-2-3-1 contra o Cerâmica e praticou apenas três mudanças no time-base, sendo duas por questões físicas: Sebá no lugar de Carlinhos, Paulinho Macaíba na vaga de Lucas Santos e Fábio Gomes ingressando na meia-cancha, deslocando Carlo Eduardo para lateral-esquerda, desbancando Vinícius.

Mal a torcida anilada tinha se AQUERENCIADO nas molhadas bancadas do Estádio do Vale, Fábio Gomes cobrou falta no fedor, Léo Fortunatto escorou e Carlos Eduardo estufou os cordeis da cidadela gravataiense. E os minutos seguintes foram de domínio territorial anilado, com a equipe apresentando as características típicas do que Iser gosta: bom toque de bola, triangulações pelos flancos e rapidez na transição entre defesa e ataque.

Contudo, as costas dos laterais mostravam o mapa da mina: pela direita, Sebá demonstrava suas sabidas carências defensivas; na banda canhota, Carlos Eduardo era constantemente envolvido. E foi pelo lado direito de ataque do Cerâmica que veio o empate: Murilo ganhou de Thiago, cruzou na pequena área, Paulo César deu um MANOTAÇO RENGO e Wellington Silva escorou.

Em meio ao possível abatimento, entretanto, Zabotto teve a frieza de, em menos de 5 minutos, receber a redonda e enfiá-la, com açúcar, nas costas da zaga adversária e servir William, derrubado pelo goleiro Cesar dentro da área. Paulinho Macaíba cobrou o penal com categoria e recolocou o Noia na frente.

Para segunda etapa, Gilmar promoveu diversas mudanças na equipe, aos poucos alterando o esquema para o 4-4-2 com os ingressos de Giuliano e Luis Carlos na armação e Lucas Santos e Tiago de Leonço no ataque. A equipe recuou em demasia e passou a explorar os contra-ataques. Em duas oportunidades quase matou o jogo, em arremates de Lucas Santos – garoto da base e que promete muito no Gauchão – e de Zaquel, o volante de ÉBANO.

Entretanto, o crime, que se avizinhou em quase todo segundo tempo, veio nos estertores da partida: Vinícius e Zaquel entraram moles na jogada, Rafael Paraíba cruzou no segundo pau e Dinei subiu mais alto que o baixinho Sebá, fuzilando o estático Paulo César e dando números iguais finais à partida.

No próximo sábado, dia 12, o Noia enfrenta o Pelotas novamente diante de sua torcida, naquele que será o último teste antes da estreia no Estadual, contra o Veranópolis, na Serra, dia 20.

Ficha técnica

(2): Paulo César; Sebá, Leó Fortunatto, Thiago e Carlos Eduardo (Vinícius); Márcio Hahn, Fábio Gomes (Zaquel), Guilherme (Giuliano), Zabotto (Luis Carlos) e Paulinho Macaíba (Tiago de Leonço); William (Lucas Santos). Téc.: Gilmar Iser

(2): César; Saraiva, Alexandre (Rodrigão), Marcão e Fidélis; Berg (Dinei), Ramos (Geninho), Danilo Goiano (Zeferino) e Serginho Catarinense (Rafael Paraíba); Murilo (Cidinho) e Wellington Silva (Giordano). Téc.: Guilherme Macuglia

Virtudes

O setor de criação é o que tem apresentado mais consistência e produção na pré-temporada. Com três homens de movimentação e guarnecido por dois volantes que sabem sair pro jogo, os homens da ponta configuram um 4-3-3 com a bola e 4-2-3-1 sem ela.

Zabotto centraliza a armação das jogadas e distribui bem o jogo, flutuando entre a meia-cancha e a intermediária de ataque. Aparece nos dois flancos e arremate sempre que possível. Encontra o espaço vazio com facilidade. Guilherme tem sido uma grata surpresa, dando opção ao passe e encostando no centroavante William.

Melhor em campo, Paulinho Macaíba trouxe AGUDEZ ao time, deslocando-se pelas bandas do relvado, obtendo vitória pessoal sobre a marcação e recompondo na marcação. Se mantiver o nível, deve ganhar a vaga no time titular, deixando Guilherme e Lucas Santos brigando pela outra vaga no setor ofensivo.

Defeitos

O mais escancarado está onde não deveria estar: debaixo das traves. Paulo César falhou nos dois gols tricolores: no primeiro, tirou a bola da cabela de Léo Fortunatto e a ajeitou para Wellington Siva; no segundo, não saiu do gol, quando o avante era mais alto que o defensor, e não fechou o ângulo para o cabeceio. Lembrou muito o goleiro Aranha, de passagem terrível pelo clube em 2011 – curiosamente, indicado por Iser no ano da ‘empatite’.

O setor defensivo também demonstrou algumas falhas. Por vezes, apenas um volante e dois zagueiros ficavam no mano a mano com o adversário. Os laterais foram constantemente envolvidos e os volantes demoraram para recompor e cobrir os flancos. Mas nada que com treinamento e sincronia não se resolva.

O que pode mudar?

– A lateral-esquerda é a incógnita do time. Vinícius não demonstrou a produção esperada e Carlos Eduardo, apesar do gol, não convenceu. Contudo, dá maior estabilidade defensiva. A busca por outro jogador ou a aposta em algum jovem da base não devem ser descartadas;

– Gott deveria ser posto como titular diante do Pelotas. Pelo que mostrou na Copa RS, não devem em nada a Paulo César, que deixou os anilados com cabelos – aqueles que ainda os tem – em pé;

– Iser gosta de dois volantes que saiam para o jogo, mas isso tem dificultado a marcação pelo meio. O ingresso de Zaquel tem que se visto como alternativa.

Zabotto volta para marcar: camisa 10 anilado teve boa atuação. (Foto: Néia Dutra/GES)

O adversário

Los Chevetteros mostraram um time limitado, centrado no lento Serginho Catarinense, de passagem medíocre pelo Noia em 2011. Saraiva, na direita, é muito fraco e perdeu todas as jogadas para os atacantes anilados. Alexandre também teve dificuldade na marcação a Macaíba.

Ramos, na meia-cancha, e os quatro homens de ataque (Murilo, Wellington Siva, Rafael Paraíba e Dinei) são os pontos fortes do tricolor de Gravataí.

Como eles foram

Paulo César – tão seguro quanto andar sozinho à noite em Canudos. Nota 4;
Sebá – bem no apoio, mas sem cobertura defensiva; por vezes, deu as costas a quem deveria marcar. Nota 5;
Léo Fortunatto – ganhou todas no alto e simplificou quando precisou. Nota 7;
Thiago – tranquilo para sair jogando, também esteve bem. Nota 6,5;
Carlos Eduardo – bem no apoio, mas envolvido em suas costas. Lento na recomposição. Nota 5,5;
(Vinícius – entrou no fim, prendeu em demasia a bola e entrou mole no gol do Cerâmica. Nota 4,5);
Márcio Hahn – compôs um terceiro defensor quando os laterais subiam ao ataque, tabelou pelo lado direito e armou mais na segunda etapa. Nota 6,5;
Fábio Gomes – cobrou a falta para o primeiro gol, mostrou qualidade na bola parada e na saída pro ataque, mas foi constantemente envolvido pelo adversário. Nota 5,5;
(Zaquel – entrou no fim, deu um arremate perigoso e fez uma falta feia e desnecessária. Pareceu afobado e subiu mais do que deveria. Nota 5);
Guilherme – caiu pelos flancos, atuou como apoiador e entrou na área constantemente. Nota 6;
(Giuliano – entrou como quarto homem de meio-campo, próximo aos zagueiros adversários, e demonstrou qualidade na gestão da bola. Nota 6);
Zabotto – discreto, o meia ambidestro encontra, com sabedoria, o espaço vazio, distribuí bem o jogo e se desvencilha da marcação; bela assistência no segundo gol. Nota 6,5;
(Luis Carlos – soube prender a bola quando necessário e arrematou a gol quando possível; bom reserva. Nota 6);
Paulinho Macaíba – ganhou todas da defesa do Cerâmica, deu opção ao passe, flutuou pelos flancos, foi homem de lado de campo e referência; voltou, às vezes em demasia, para marcar. Melhor em campo. Nota 7,5);
(Tiago de Leonço – entrou no fim. Sem nota);
William – por vezes isolado, foi voluntarioso e incomodou a zaga adversária; sofreu pênalti do segundo gol. Nota 6;
(Lucas Santos – com o time recuado e o gramado molhado, não teve o melhor AMBIENTE para demonstrar seu futebol, mas quase marcou o tento que mataria o jogo. Nota 6).

Diretamente da GRADE do Estádio do Vale,
Zezinho 

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3 Respostas a Sintomas agudos de ‘empatite’

  1. Weber diz:

    Time sem um bom goleiro e sem um bom centroavante não vai a lugar nehum. O time pode ser bom, mas na hora do vamo vê, vai ter uma frango ou aquele gol feito perdido.
    Apesar disso, parece que estamos no caminho. Que se contrate um lateral esquerdo, goleiro e centroavante.
    DÁ-LHE NOIA!

  2. William diz:

    Mais um ano de esperanças para nós torcedores Anilados. Realmente precisamos de um goleiro firme e um atacante habilidoso. Fazer gol é consequência das jogadas criadas, por isso um atacante bom, que vá pra cima do adversário e drible sempre com objetividade. Quem sabe esse ano faturamos algum caneco…
    Dá-lhe Nóia!!!!

  3. Denis diz:

    Zezinho, presença ilustre na tarde chuvosa no Estádio do Vale!
    Vejo como situação emergencial uma chance para o Gott, que fez boas e seguras partidas na Copinha.
    Uma pequena correção: o amistoso contra o Pelotas será na sexta-feira (11) as 17 horas, e não sábado (12/01)
    E aproveito pra divulgar a mais recente notícia do Nóia.. contratação do atacante Giovani, atacante de 21 anos e 1,90 de altura. Ex Internacional e Seleção Brasileira sub-17

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