Filme triste que me fez chorar

Giovani cercado por defensores do Zequinha: centroavante estreou com derrota. Foto: bruno Colombo/ECNH

 

Em mais uma atuação pornográfica diante de seu pessimista e corneteiro torcedor, o Novo Hamburgo voltou a perder os três pontos e a vergonha no Gauchão. Estreando em casa na competição, o Noia repetiu um filme rodado com veemência nos últimos nove meses no Estádio do Vale – e conhecido de outrora: promessa de vitória na sinopse e derrota no enredo final.

Da mesma forma que se deu contra o Veranópolis, o Anilado foi superior ao São José no início de jogo, criou mais chances na primeira etapa, viu o time da Capital tirar uma bola em cima da linha, mas, como de praxe, morreu na segunda etapa e foi empalado sem dó em duas estocadas fatais e certeiras do adversário.

Não se sabe por que o Noia deixou de apresentar o bom futebol do início da pré-temporada para jogar um arremedo de esporte-bretão profissional só na carteira de trabalho. Mesmo com quatro mudanças em relação ao time da estreia e a tão batida mobilização, o que se viu no Estádio do Vale foi a conhecida tosquia de porco: muito grito e pouca lã.

Perder para o Pentacolor fora de casa é normal. Ser vítima de crime pelo Zequinha é possível de acontecer, ainda que um evento aleatório. O que não dá pra aceitar é ouvir todo o santo ano a promessa de Série D, de Título do Interior, de classificação ao mata-mata e acordar com Guilherme Weissheimer, que nunca jogou nada em todos os clubes em que passou, vestindo o manto anilado.

Apesar deste texto dizer o oposto, não sou catastrofista, não creio em rebaixamento. Creio que há margem segura para melhora. O que entristece é lidar com o anúncio de um banquete rico e se contentar com os farelos da cuca. Vislumbrar a Série D e se ver disputando a Copa RS com time de várzea montado por bruxinhos do treinador.

O Noia tem o pior começo de Gauchão desde 2008, quando foi salvo do descenso por Gilmar Iser, e característica do anti-clímax e morte no segundo tempo de 2007, o último Estadual em que o clube não trocou de treinador. O mesmo Noia que fala em valorizar seus guris, mas vê o zagueiro Thiago ser sacado do time titular para um zagueiro falhar bisonhamente, Sebá sequer ser relacionado e Lucas Santos ser preterido.

Ou as coisas mudam de vez ou veremos uma vez mais nosso amor platônico, a Série D, no colo de outro gajo menos falante e mais atuante. E esse filme triste eu não quero ver de novo.

FICHA TÉCNICA

NovoHamburgo_45x45Gott; Carlinhos, Léo Fortunato, Baggio e Carlos Eduardo; Márcio Hahn (Vinicius), Fábio Gomes, Giuliano (Guilherme) e Zabotto; Giovani (Angulo) e Paulinho Macaíba. Técnico Gilmar Iser.

sao_jose_porto_alegre_45Carlos Vitor; Marco Antonio (Hugo), Gustavo, Douglas e Everton; William, Bruno Martins, Cléber Oliveira (Goiano) e Rodrigo Paulista (Diego Rocha); Lucas Gaúcho e Luizinho. Técnico Agenor Piccinin.
Gols: Cléber Oliveira (pênalti) aos 24′ e Lucas Gaúcho aos 36′ do 2ºT

De olho na calculadora,
Zezinho 

Publicado em Gauchão 2013, Novo Hamburgo, São José com as tags , , , , , . ligação permanente.

2 Respostas a Filme triste que me fez chorar

  1. Emanuel diz:

    Bruxinhos do treinador… rá! Excelente análise. Aliás, como sempre. Abração.

  2. Denis diz:

    “Não se sabe por que o Noia deixou de apresentar o bom futebol do início da pré-temporada”.. Discordo que o Nóia tenha apresentado um bom futebol no início da temporada, tanto é que em 5 jogos, não obteve nenhuma vitória (1 derrota e 4 empates). O que acontecia é que não estava bom nem ruim… tipo Brahma gelada
    Quanto ao fato do garoto Thiago não formar a dupla de zaga, parece que ele sentiu lesão e por isso ocorreu o desfalque.

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