CAJU 272: um pra cá, outro pra lá e…

CAJUCAPA

Tal qual um protagonista de Malhação

De cara com a mudança de horário do CaJu, o que impossibilitou minha ida pra Caxias ver o clássico, meus dias anteriores a ele foram consumidos entre a ansiedade e a pesquisa sobre camisas antigas do Juventude, em jornais locais antigos e edições da Placar digitalizadas na rede, a fim de encomendar réplicas das mesmas. A busca inicial, até pra facilitar o encontro de fotos melhores, era por edições posteriores aos clássicos da cidade. E, a cada edição virtualmente folheada, lembranças de clássicos guerreados até o fim em campos lamacentos…

Teve quase tudo isso no último domingo no Jaconi. Em vez do campo enlameado – vá lá, São Pedro conseguiu destinar chuva e temperatura de 14ºC em pleno fevereiro -, tivemos praticamente todos os outros elementos que fizeram um clássico emocionante para os dois lados: pressão, surpresas, gols, expulsões, pênalti e cagadas. Sim, CAGADAS. Principalmente do lado verde, que acabaram frustrando uma vitória que se desenhava certa em campo.

Antes da entrada em campo, a surpresa: a entrada do zagueiro Fred ao lado de Diogo, passando o capitão Rafael Pereira da zaga para o meio-campo. Com isso, sobrou para Diogo Oliveira, maestro do time no final do ano passado (até se lesionar) e que, bem ou mal, vinha sendo um diferencial neste início de 2013. O que eu imaginava ser uma temerável invencionice de Lisca se mostrou um BAITA acerto, pois deu mais mobilidade ao meio do Ju, ao mesmo tempo em que encaixotou o Caxias em seu campo, trancando as laterais.

zulugolcaju

Com o adversário amordaçado, o Juventude dominava as ações em campo, ao mesmo tempo em que repetia o já visto desde a Copa Centenário. Tal qual aqueles protagonistas de MALHAÇÃO (ao menos do meu tempo), que arretavam a colega de academia/colégio e ficavam só nisso, o Papo não criava situações claras de gol. A única exceção foi quase ao final da primeira etapa, quando uma bola levantada pra área sobrou pro Zulu, que exorcizou o EXU TRANCA RUA que o impedia de fazer gols este ano.

fernandocagadacajuTá, mas e cadê mais gols, pênalti, expulsões e elas, as CAGADAS”? Calma. Quando a papada imaginava que a vaca grená já tinha ido de vez pro brejo e tudo era questão de tempo pra aumentar o placar ou ao menos assegurar a vitória magra, mas essencial, tudo começou. O ponteiro do relógio do tio que vendia batata frita caseira mal tinha dado duas voltas no segundo tempo quando o goleiro Fernando, que provavelmente desconhece que, em campo molhado, ou tu soca ou encaixa a bola (até quem nunca jogou no gol sabe disso), resolver tentar catar firme com as duas mãos um levantamento despretensioso de bola na área. Resultado: primeira CAGADA do dia. A bola pipoca na área, um zagueiro grená kungfuzeia a redonda, que apesar do desespero do beque Diogo para afastá-la, passa a linha e decreta o 1 a 1.

Fudeu”, pensei. Com um gol caído do céu, o Caxias se socaria ainda mais em seu campo pra garantir o empate. Mal terminei de pensar isso e o centroavante deles tenta dar um cotovelaço no nosso jogador, na frente do anabolizado Anderson Daronco. Passado o furdunço, o juizão teve o peito de expulsar acertadamente apenas quem deu motivo pro rolo. 1 a 1 no placar, adversário fechado, mas agora ao menos um a menos pra eles. Agora vai! Não foi…

Não foi porque o reestreante Fred – ídolo do cancheiro frukeño Daroit (só que não) – resolveu que ia mostrar a todos sua cabacice (que ele considerou “macheza” ou algo do tipo) bem no lance seguinte, esfregando a chuteira no peito de outro grená numa dividida, e foi pra rua mais cedo. Se Daronco acertou na expulsão anterior, botando só o grená pra fora, era óbvio que, assim que tivesse motivo, igualaria as coisas em campo (não adianta, qualquer árbitro faria isso, ainda mais em clássico). E não dá pra condenar o juizão por um acerto. Fim da segunda CAGADA da noite.

diogopenalticajuMas tinha tempo pra mais uma, acreditem. Dando sequência ao festival de preliminares sem consumação do ato que é o jogo do Ju até o momento, e já dentro dos 5 minutos de acréscimos concedidos, no último lance do jogo o meia Diogo Oliveira, já em campo, sofre pênalti. Pra mim, acertadamente (assim como pro dindo dos meus filhos, neutro, que via o jogo comigo). O próprio Diogo Oliveira bate no peito e chama a cobrança pra si. Só que alguma coisa tava errada. Ele mete a bola na cal e começa a andar pra trás. E vai, e vai, e vai… chegou em algum ponto próximo da intermediária do campo. E correu, correu, correu… e emendou um BAGO por cima do travessão, que certamente aleijou o torcedor que inadvertidamente olhou para os céus, não acreditando na terceira CAGADA da noite e deixou de se proteger do esférico desgovernado.

Fim de jogo. Festa de título na ferradura norte, onde aboletados os amigos de Tiago Zilli, enquanto no restante do estádio se vivia um misto de catatonia, desespero, revolta e inconformidade pelos pontos mais uma vez perdidos num empate que lembrou a estreia contra o Lajeadense, quando tal qual um protagonista de Malhação… tá, vocês já entenderam.

Menos chamego, mais fudelança, Ju!

Franco Garibaldi

***

O pênalti da relatividade

Por um segundo, tudo parou. No segundo seguinte, tudo mudou.

A bola que lindamente voou para as arquibancadas do estádio Alfredo Jaconi no 96° minuto do clássico de domingo mudou toda a percepção do que havia acontecido na hora e meia anterior.

Do jogo, mais transpiração do que organização. Fechado desde o começo, o Caxias viu a equipe da casa ganhar em volume de jogo. Na pior atuação grená no campeonato, após um primeiro tempo modorrento, Zulu aproveitou a cobrança na falta invertida (ao meu ver) pela arbritagem e mostrou que o faro de gol, afinal, não o abandonara.

Porém o segundo tempo veio e com ele a vontade divina de escapulir a bola das mãos do goleiro papo, resultando num lindo entrevero que empurrou bola e tudo pras redes alviverdes.

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O gol equilibrou um pouco a partida, com o Caxias inclusive marcando mais um oito minutos depois, invalidado, estava irregular, dizem. O equilibrio parou por aí. Dono da cancha, o Juventude forçava sua passagem pela direita, muito chegando mas pouco acossando. A pior partida do caxias no campeonato parecia fadada à derrota quando aos 48 minutos da etapa derradeira o homem de preto apontou pra marca fatal grená. Nada mais havia a ser feito a não ser esperar a providência agir a favor dos que não perdem a esperança e ano após ano seguem abaixo de chuva. Diogo Oliveira corre, a bola ganha os céus e a explosão de alegria pela mudança do inevitável toma conta da metade grená da cidade.

caju0002Nestes momentos colocamos a teoria da relatividade à prova – da lembrança da má partida realizada, pouco resta; da pior apresentação, ninguém comenta. O ponto que já escorria entre os dedos, tal qual a fria chuva que acossava os corajosos, se materializou em um sólido soco na cara dos que contam com o ovo que ainda não existe. Não mais perdemos dois; ganhamos um. Um ponto que, além de manter a liderança do grupo, vem na casa do tradicional adversário no último segundo, é um ponto dourado, com certeza.

Puto com a atuação mas com um ponto no bolso,

Tiago Zilli

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10 Respostas a CAJU 272: um pra cá, outro pra lá e…

  1. Felipe diz:

    Partida ruim do Caxias. Meio de campo dominado e laterais trancadas. Só restou a bola aérea com Lino e Jean. Aliás, fazia tempo que faltas laterais e escanteios não geravam esperança na torcida grená. Ponto para o Piccoli.
    Será que é muito difícil mostrarem o gol anulado de maneira mais esclarecedora na televisão?? No JA, mostraram os melhores momentos todos do jogo Esportivo e Lajeadense, mas com todo o respeito, o Caju mereceria um cuidado maior pela televisão local.

  2. Lisandro andré Ló diz:

    Faltou dizer que o gol do caxias foi totalmente irregular, depois da cagada do fernando, o santiago chuta pra o gol, onde o zagueiro do caxias impedido protege a bola evitando que o diogo a tire, isso senão fez falta nele tbém. Erro clamoroso da arbitragem, até porque parece que o bandeirinha levantou o instrumento, confirmado isso mostra-se que daronco tem que pegar geladeira por erro tão primário. No mais deixamos de golear, pois o caicaixias foi um dos piores times que vi pisar no jaconi ultimamente. candidato a rebaixamento, e qto ao Ju ou melhora a pontaria e faz gols, ou só nos restará o jogar bem sem classificar e chegar a lugar algum.

  3. Guilherme Lunardi diz:

    Pois é amigos….. atuação preocupante. Nada animadora. Mas em 2010, o Caxias do, agora pentacolor, Julinho Camargo, afunilava todos os adversários, 40 chances de gol por jogo mas não ganhou nada. O melhor futebol da era Voges e sequer chegou a semi-final de turno. 2009, 2011 e 2012 chegamos em final e 2010 (tudo bem, Campeão do Interior) nada.
    Enfim.. relembro isso pois tratando-se do Caxias eu espero tudo. Tanto jogar uma final de turno, quanto fazer mais alguns pontos e escapar de uma vez do rebaixamento…..

    Dá-lhe SER Caxias!!

  4. Grená diz:

    Lisandro, sinto te informar mais o gol do juventuDDDD tb foi irregular a começar pela marcação da falta, invertida. Alan segura a camisa do lateral do Caxias (quase arrancou-a) e cai no chão. O Daronco inverte a falta nitidamente. Na cobrança da mesma o Zulu empurra por trás o zagueiro do Caxias (a imagem mostra claramente).
    Outra, revê essa tua idéia de candidato a rebaixamento, pq quem tu tá apostando, tá liderando a chave, estranho não?

  5. Getúlio Teixeira diz:

    O Caxias realmente fez uma má atuação, diante de um adversário que não aspira nada para este ano. Fadados a permanecer na quarta divisão e depois brigar pela seletiva, como de costume, o querido clube verde não irá disputar alguma outra competição, ao contrário de Brasil de Pelotas, Caxias, Internacional e Veranópolis, que tem outros compromissos como a Copa do Brasil, e no caso do Grêmio a libertadores. Triste, muito cruel, o clube que “irá” comemorar seu centenário, não ter pernas para chegar a nada. Não ganhar a copinha centenário, foi a primeira prova de qualidade, mínimo esperado deste clube. Realmente, resta para o Juventude torcer por ter conseguido empatar com seu rival dentro de casa. Se saudade do leitinho da Parmalat matasse…

  6. Lisandro andré Ló diz:

    Quando falei caxias candidato a rebaixamento, foi pelo futebol mostrado domingo, de baixissimo nivel e catimba e cera sem fim, é claro que existem times piores neste gauchão, que alias esta fraco. Porém o Ju ajustando peças e começando a fazer gol, tem o melhor plantel depois da duplinha. Quanto ao caicaixias é devido a ser o unico time que fez caicai pra não ser goleado pelo avai em 2001. e qto a copa do Brasil , resta a alguns disputa-la em 1 ou 2 fases, pois ganha-la é para poucos. Quanto ao futuro, neste andar ano que vem inverterão as posições de certos times na serie D e C.
    No mais futebol as vezes apronta é o melhor nem sempre ganha, por isso tudo é especulação e cada jogo tem suas surpresas, e na verdade o bom seria termos os 2 times pelo menos na B, ou só o Ju já tá de bom tamanho.

  7. Guilherme Lunardi diz:

    Tem papo achando que é mãe Diná! Depois de ler certos comentários, aprende-se que no futebol, normalmente o melhor, o supertime, a maquina mortífera…. sempre EMPATA!

  8. Grená diz:

    E ainda tem q ouvir e ler da imprensa que clube da rodoviária tem um mega-time, só está levando azar…fala sério!
    #CenteNADA!

  9. Cássio diz:

    Só passei aqui pra registrar a honra de ter entrado no Centenário imediatamente após o Cancheiro T. Zilli (nas catracas da arquibancada). Pena ter sido um jogo chato e um empate morno (apesar do sol castigando a moleira), contra o S. José. Aguardo o relato.

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