Voltando a existir

48550_1-1360541273

Foram duas semanas sem pisar no Montanha dos Vinhedos, dois jogos em casa desde que presenciei a estreia trágica contra o Grêmio: um empate em 0 x 0 contra o Cerâmica e uma derrota por 1 x 0 ante o Lajeadense. Resultados que, mesmo com a vitória contra o Pelotas na Boca do Lobo, deixaram o Esportivo em uma situação bem feia no Gauchão. Questões pessoais tornaram impossível minha presença nas duas peleias caseiras do Tivo, mas nada atacava meu comparecimento ao embate contra o Passo Fundo, realizado no fim da tarde do último domingo. Às 15:50 eu rumava em direção ao jogo.

A situação era um tanto diferente a que presenciei na estreia no COSTELÃO. Aquele sentimento de campo neutro, ou até de favorecimento ao visitante, não existia mais, o clima era outro. Era um jogo na casa do Esportivo. Cheguei uma hora antes do início da partida e me vi contemplando um estádio quase vazio, mas que foi ficando mais cheio aos poucos, chegando a um público de 600 pessoas, chutando por cima, sendo uns doze torcedores do Passo Fundo.

Um dos signos que formaram a impressão de outro clima foi o comportamento da torcida. Contra o Grêmio reinava um certo silêncio na arquibancada esportivense, quase como que fossemos uma torcida passiva ante os acontecimentos imanentes ao jogo. Na peleia contra o Passo Fundo a torcida se manteve inquieta, ativa, tentando influenciar no que acontece dentro de campo, ao menos sentíamos que TORCEDORES estavam ali.

Mal deu tempo de respirar após o apito do árbitro e os dois times já haviam criado chances para abrir o placar, com destaque para a do Esportivo: uma cabeçada feroz do zagueiro que estreava na titularidade Victor, que acabou em uma grande defesa do goleiro Bruno Grassi, do Passo Fundo, botando a bola para escanteio. Depois do início frenético a partida amenizou e os times praticamente se neutralizaram. O primeiro tempo inteiro foi medíocre, mas os times conseguiam dar a impressão de que um jogo interessante estava acontecendo. Todo lance vinha com uma tentativa de jogada extraordinária, mas que nunca dava certo. O embate era veloz e ativo, mas os times não conseguiam chegar perto do gol adversário.

48559_1-1360541616

O fato mais memorável da primeira etapa acabou sendo as vaias ao ala/volante/meia/ponta direita Anderson Feijão, que deu a má sorte de ter uma de suas piores partidas enquanto jogava ao lado das sociais do Esportivo. A cada erro do atleta o clima ficava mais pesado para Feijão, que acabou sendo substituído ainda no fim do primeiro tempo, dando lugar ao meia-atacante André Todescato, substituição que mudou o jogo

Com Winck posicionando o time em um 4-3-3, a primeira metade do segundo tempo foi de total blitz do Esportivo. Apesar de estar sem ritmo de jogo, o estreante Fabinho, vindo das categorias de base do Juventude, se viu bem do lado de Todescato, que levava o CAOS a defesa adversária, conseguindo melhorar seu futebol na segunda etapa.  Não demorou muito para o gol sair da pressão esportivense.

Em um ataque confuso da dianteira caseira, André Todescato se viu fora de posição, mas mesmo assim avançou para a ponta direita, onde rente a bandeirinha de escanteio realizou um come espetacular em um defensor adversário e cruzou para o meio da área, a zaga tirou, mas a bola voltou para os pés de Mateus Santana que cruzou e no bate-rebate sobrou para Gillian chutar, a pelota bater no zagueiro e entrar para o fundo do gol, aos 19 minutos do segundo tempo.

48566_1-1360541905

A partir daí praticamente não houve jogo. A defesa do Esportivo conseguiu se manter segura (muito pela ausência de DIRLEY, dizem), e a falta de velocidade dos meias deixou Gillian sozinho como protagonista dos contra-ataques, esse último perdendo algumas oportunidades por causa do cansaço.

Ao fim do jogo conseguia sentir algumas centenas de almas mais tranquilas com o resultado, enfim três pontos conquistados em casa. Diria até que uns poucos otimistas surgiriam aqui e ali. Nem cheguei perto de um otimismo, estive apenas aliviado, ao menos não teve vexame, ao menos talvez conseguiremos nos manter na divisão principal, ao menos existe futebol profissional em Bento Gonçalves.

Da capital do vinho,

Leonardo Baldessarelli

(As fotos são do Portal Serra Nossa)

Publicado em Esportivo, Gauchão 2013, Passo Fundo com as tags , , , , , , , , , , , . ligação permanente.

Um comentário em Voltando a existir

  1. Fred Salomão diz:

    Pelo menos serviu pra cair o Atollini

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *