As trezentas e trinta e cinco tardes de Badico

El empalador BadicoHá, na vida do Badico treinador, um hiato. Hiato esse que será deixado para trás por completo na tarde desse domingo, quando o Inter-SM entrará em campo pela primeira vez na Divisão de Acesso 2013, ou SEGUNDA DIVISÃO DO BRIZOLÃO. Quando Badico pisar na área técnica destinada aos visitantes no Estádio João Marimon Jr., em Panambi, esse hiato terá seu fim decretado, e o Inter-SM começa a construir uma nova história.

Para entender esse hiato, é necessário retroceder no tempo. Voltemos à tarde quente do dia 15 de abril do ano que se passou. O cenário era o Estádio Presidente Vargas, a Baixada Melancólica tão conhecida de Badico. Local onde marcou tantos gols e onde em todos os jogos a torcida colorada o homenageia estendendo trapos e gritando seu nome. Pela primeira vez, Badico retornava ao Presidente Vargas em uma situação tão oposta. Oposta porque não estava acostumado a pisar na Baixada nessa condição. Badico era, pela primeira vez, um adversário. Ali estava, diante da torcida do Inter-SM, o Badico técnico do Farroupilha de Pelotas.

Mas o Badico artilheiro não foi esquecido. E nem poderia. Badico é ídolo em Santa Maria. E teve suas devidas homenagens prestadas pela torcida. Teve seu nome ardorosamente gritado pelos que estavam na Baixada. Nada mais justo. No Gauchão de 1998, foi artilheiro da competição vestindo a mesma camisa alvirrubra que naquela tarde teria como adversário. O Badico de tantos jogos pelo time do centro do estado, que chegou a brilhar em outros clubes da região, com a artilharia do GAUCHÃO DA SEGUNDA DIVISÃO pelo CRUZEIRO DE SANTIAGO, no já longínquo ano de 1989. Enquanto o Muro de Berlim caía, o homem gol Badico rompia defesas e ESMIRILHAVA goleiros adversários pelas bandas do Boqueirão.

Naquela tarde de abril, o placar acabou empatado em três tentos para cada lado. E o Badico estrategista teve em seu desempenho uma atuação fundamental para esse resultado. Quando o time colorado vencia por dois a zero, Badico lançou a campo no intervalo TRÊS JOGADORES DE UMA SÓ VEZ. As entradas de Jone, Carlos Alberto e Fernandinho foram fundamentais para o time de Pelotas. Foram dos pés de Jone que saíram os três gols do Farroupilha. Badico, que já havia triunfado (e de goleada) em casa sobre o Inter-SM, surpreendia o seu tão conhecido Inter-SM também em seus domínios.

Ainda assim, não foram exatamente esses os fatos que mais chamaram a atenção naquela tarde por si só INSÓLITA de abril. Após o jogo, Badico declarou veementemente o desejo de retornar a Santa Maria. Entre abraços e cumprimentos EFUSIVOS com funcionários, conhecidos e velhos amigos dos tempos da Baixada, Badico afirmou, ressaltou e se utilizou de todos os verbos declarativos (tão conhecidos dos jornalistas que ali estavam) possíveis para dizer que sim, gostaria de, um dia, treinar o Inter-SM.

Desde então, até a tarde desse domingo, passaram-se trezentos e trinta e cinco dias. Ou quarenta e sete tardes de domingo até que Badico pisasse em uma casamata para defender as cores do Inter-SM em um jogo oficial. Não sabemos o que Badico fez em cada uma dessas tardes em que esteve distante da Baixada – sejam elas de domingo ou não –, mas o que sabemos é que Badico está de volta. E as tardes de quarta e domingo já não serão mais as mesmas.

E elas já começam diferente a partir da tarde deste domingo, quando o Inter-SM terá pela frente o Panambi, longe da Baixada, mas com seu grande ídolo ao lado – e, pela primeira vez, no comando. Claro que Badico já se apresentou há algum tempo no comando do Inter-SM. E, nesse tempo, fez todo o trabalho de pré-temporada. Fez amistosos preparatórios para essa Divisão de Acesso. Conhece o grupo que tem em mãos. Mas o torcedor ainda não viu Badico como treinador em um jogo oficial. E verá neste domingo, em Panambi. Quando o hiato das trezentas e trinta e cinco tardes terá fim.

O Inter-SM não é favorito para conquistar uma dessas três vagas que dão acesso ao TARSÃO 2014. A folha de pagamento é reduzida, o elenco é modesto e as pretensões já não são as mesmas de quando esse mesmo Badico estufava tantas redes Rio Grande afora, seja pela capital, pela serra ou pelo Interior. Friamente, não sabemos se o técnico trará os resultados. Mas não podemos viver de análises frias. O grande fato é que o Inter-SM resgatou seu ídolo. E esse resgate pode ser o diferencial. Ter na casamata alguém que valoriza a camisa alvirrubra, e pela qual tanto já fez, pode devolver o brio necessário aos seus comandados que hoje a vestem. O homem-gol está de volta. E, com ele, o Inter-SM quer ter o direito de sonhar.

Por trezentas e tantas tardes de vitórias na Baixada,
Nicholas Lyra

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Inter SM com as tags , , , . ligação permanente.

3 Respostas a As trezentas e trinta e cinco tardes de Badico

  1. Badico que ficou mais do que imortalizado pelas infindáveis comparações que Cláudio Cabral fazia acerca do seu futebol.

  2. Marcos Ceron diz:

    Grande lembrança! Foi um jogaço esse 3×3. Badico é o cara!

  3. Mateus Dal Castel Trevizani diz:

    Badico é um dos sinônimos de gol para o futebol gaúcho. Aposto que dará grandes histórias essa passagem dele pelo Inter.

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