Saldos da alentadora pré-temporada farroupilha

camisa-tricolor

Após as últimas duas campanhas, onde correu atrás da máquina para evitar o descenso, a diretoria e comissão técnica do Grêmio Atlético Farroupilha prometem que os objetivos serão maiores na Série A2 cuja estreia se aproxima.

Desde que a infame Terceira Divisão Gaúcha (ironicamente batizada de Segundona pelos burocratas da federação) resolveu reaparecer para assombrar os já sofridos clubes que chafurdam na rabeira do fundo do poço interiorano, o tricolor fragatense é ficha certa dentre os que lutarão contra o rebaixamento nas clássicas apostas pré-campeonato. Nas duas últimas edições conseguiu salvar-se graças a um surpreendente surgimento de um jovem jogador que carregou a reação do time e, no ano seguinte, a um trabalho irretocável do estreante técnico Badico que, descontando-se os problemas EXTRA-CAMPO que o prejudicaram no final da campanha, conseguiu extrair dos jogadores MAIS do que eles eram capazes.

Para o ano corrente, a preparação começou cedo. Ainda no início de dezembro de 2012, foi confirmada a nova “velha” comissão técnica, tendo o ídolo xavante Luizinho Vieira como principal mandatário, voltando à casamata do Nicolau Fico depois de ser enxotado do seu clube do coração.

Na data marcada para apresentação dos atletas, 04 de fevereiro, o Farroupilha já tinha um grupo completo de jogadores. Diferentemente dos anos anteriores, ficou inviabilizado o deslocamento dos atletas para alguma localidade do interior de Pelotas ou a outra cidade a fim de realizar a pré-temporada. Desta forma, foi mesmo o estádio da Avenida Duque de Caxias a sede dos treinamentos preparatórios. O grupo apresentado no inicio dos trabalhos sofreu algumas alterações, por diversos motivos. Quais sejam: os atletas Fabrício e Max, lateral esquerdo e volante remanescentes da campanha de 2012, foram vetados pelo Departamento Médico. Para substituí-los, respectivamente, vieram Juca do Veranópolis e Dione do Santa Cruz-PA, que antes havia defendido o Brasil. Além disso, o meia Gilliard acertou com o Santo Ângelo, o zagueiro Miguel retornou à base do Pelotas e o goleiro Samuel foi dispensado.

Após as reformulações, ainda existe a possibilidade de novas apresentações através das chamadas “Fichas de Série A”. Para o inicio das atividades valendo 3 pontos, serão estes os nomes do Campeão de 35:

Goleiros: Fabiano e Diego.

O primeiro defendeu o Brasil ano passado. Diego, salvo engano, pertencia ao Rio Grande.

Laterais Direitos: Pedro Júnior, Fabiano Weege, Paulo Santos, Diego Morais e Kiko.

Uma certa sobrecarga nesta posição, o que pode acarretar algumas dispensas. Pedro Júnior volta ao Nicolau Fico depois de ser destaque em 2012, deve ser o titular. Fabiano Weege foi testado como volante em parte dos amistosos, com bom aproveitamento.

Zagueiros: Uillian Nicoletti, Carlão, Claiton, Cidão e Franer.

Franer surgiu nas categorias de base do Farroupilha, que surpreendentemente tem colhido bons resultados através do ótimo trabalho do técnico Chapolin. Nicoletti é mais um da cota de ex-xavantes e Carlão volta ao Farroupilha, onde disputou o Gauchão 2006.

Laterais Esquerdos: Juca e Jonatan.

Juca é um dos destaques da pré-temporada e Jonatan foi muito bem em Pedro Osório.

Volantes e Meias: Wagner Rincón, Dione, Rafael Pelezinho, Felipe Garcia, Willian, Guilherme e Braem Adams.

Willian Correia, outro aproveitado das categorias inferiores e Rincón é mais um que a casa torna. Apenas os dois últimos são meias de criação, o que indica que algum dos volantes será avançado. Braem é o camisa 10 da confiança do Luizinho que trabalhou com o mesmo em Santa Catarina.

Atacantes: Juliano, Anderson Catatau, Berg, Jabá, Tiago Boiadeiro, Mateus Guerreiro e Ihur Tavares.

Ihur é um dos mais destacados pela imprensa de Pelotas nas boas campanhas da base, chegou a ser improvisado como lateral direito. Juliano, ex São Paulo-RG, uma ótima contratação. Indo para o sexto ano seguido com a camisa do Farroupilha, Boiadeiro consolida-se como um dos mais identificados com o clube. Para camisa 9, o conhecido Anderson Catatau tendo como sombra Berg, que entrou bem nos amistosos.  Cabe observar, também, a presença de Mateus, irmão do ex-jogador e velho conhecido dos tricolores Leandro Guerreiro.

Time-base: Fabiano; Pedro Júnior, Uillian Nicoletti, Claiton e Juca; Carlão, Dione, Wagner Rincón e Braem Adams; Juliano e Anderson Catatau. 

Amistosos

O Farrapo protagonizou três amistosos para avaliação do time antes da estreia na Divisão de Acesso, com níveis de dificuldade absurdamente distintos: um Far-Pel na Boca do Lobo e dois jogos contra selecionados amadores.

O primeiro jogo foi realizado em Pedro Osório, município localizado a 50 km de Pelotas, com população estimada em 8 mil habitantes. Uma de suas características mais curiosas (e com todo respeito, isso é um elogio!) é a grande quantidade de consumidores de álcool que a cidade possui. O pessoal de Pedro Osório entorna os canecos de forma elegantemente profissional! A cada ano, entre fevereiro e março, é organizada a Expo Festa Regional da Melancia, que atrai populares de todo o Estado e até de fora dele, movimentando a economia e efervescendo a cidade. Pois foi neste contexto que o Farroupilha foi até Pedro Osório no domingo, dia 03 de março, enfrentar um selecionado local no modesto mas bem ajeitado (E ARBORIZADO!) Estádio MIMOSA RODRIGUES. Como esse embate acontecera nos últimos 2 anos, já estava virando tradição na pré-temporada tricolor.

Antes da bola rolar, os jogadores dos dois times embaralharam-se para posar para uma foto que representaria o caráter de “CONFRATERNIZAÇÃO” da partida (dito EXATAMENTE com essas palavras pelo repórter da “rádia”). Porém, o desenrolar dos fatos acabaria por desmentir este anseio. A aspiração preliminar do comandante Luizinho Vieira era a de utilizar um time todo de reservas na primeira etapa e mandar os titulares a campo nos 45 minutos derradeiros. Sendo assim, os 11 que deram os primeiros toques na bola pelo Farrapo em 2013 foram:

Diego; Rafael “Pelezinho” Santos, Carlão, Miguel e Ihur Tavares; Paulo César, Fabiano Weeg, Jonatas e Braem Adams; Tiago Boiadeiro e Mateus.

Em objeção ao que ocorrera nos clássicos disputados nos anos anteriores na metrópole do Rio Piratini, onde pedro-osorienses e farrapos tiveram de se contentar com dois empates seguidos em equilibrados combates, desta feita o Farroupilha foi pra cima e desde o início teve o controle das ações. Logo no quinto minuto, num escanteio cobrado por Jonatas, o experiente Carlão abre o placar de cabeça. O domínio do jogo por parte do tricolor foi constante, destacando-se o jovem Ihur testado no flanco canhoto, Jonatas e Braem Adams distribuindo bem as jogadas pelo meio e a firme atuação do lateral direito Rafael.

O time de Pedro Osório apresentava algumas figuras conhecidas no Nicolau Fico como o volante/lateral-esquerdo Nilier e o meia Matarazzo, mas o destaque do time e da partida em si, foi o guri Pablo. Correu, driblou, pedalou… ele tentava de tudo, mas estava visivelmente jogando sozinho. Pois foi num cruzamento do Pablo, a 25 minutos,  que nasceu o gol de empate dos anfitriões: o zagueiro Miguel não acompanhou a corrida do atacante que vinha pela direita, obrigando Carlão a cometer a penalidade, convertida pelo próprio Pablo. Porém, alguns minutos mais tarde Jonatas cruzou uma bola parada à área e ela acabou entrando. Houve certa incerteza se Tiago Boiadeiro teria desviado a pelota, todavia o apitador anotou o tento, que propiciava justiça ao escore, para o cobrador da falta.

O maior destaque do jogo tomou um carrinho de Carlão que gerou olhares ríspidos entre os adversários. Pouco tempo depois, aos 43 minutos, o mesmo defensor farrapo comete outra falta forte e o clima esquenta: o próprio Pablo parte pra cima do zagueiro tricolor desferindo-lhe um soco. PELEJA formada e a tal da “confraternização” mandada às favas! Após cessar a escaramuça, os diretores do Farroupilha solicitaram junto à arbitragem o término da partida, a fim de evitar novas contendas e possíveis consequentes lesões. Pablo, literalmente, ACABOU com o jogo e mostrou que, apesar de ter bola no pé, precisa aprender a controlar os ânimos se pretende ser jogador profissional. Entretanto, fosse este cancheiro um cartola, traria o guri para o Fragata e dava um jeito de contratar um psicólogo para acompanhá-lo.

Três dias depois, os titulares estrearam contra o Pelotas na Boca do Lobo e, junto com eles, o clube apresentou um novo e belíssimo terceiro uniforme todo verde. É algo que há muito eu repetia: se a Farroupilha quisesse lançar um terceiro manto, obrigatoriamente seria esmeraldino, já que as demais cores gaudérias estampam predominantemente as jaquetas dos rivais pelotenses. Em tempos que o PAVONISMO por ostentar marcas multinacionais em camisetas ronda os debates esportivos na cidade, uma empresa PELOTENSE destaca-se pelo seu perfeito trabalho no fardamento farrapo. No começo da parceria, em 2012, foi proporcionada ao clube a volta às suas tradições, com duas camisetas (tricolor e branca) que aliavam modernidade e tradição, fazendo a torcida esquecer o trabalho desastroso da firma anterior que apresentou a camisa 01 com faixas na nunca vista LARANJA e um uniforme reserva pateticamente idêntico ao do São Paulo de Rio Grande. Agora, além do ineditismo de uma terceira vestimenta, a empresa ainda é capaz de homenagear o presidente Ewaldo Poeta por ocasião do seu aniversário. Parabéns Panthus Sports, por fazer os mais belos uniformes do Farroupilha que este que escreve já viu na vida!

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Atendo-se a partida, o primeiro tempo foi de domínio total do Farroupilha, que parecia jogar em casa. O empate já era injusto quando Anderson Catatau, aos 42 minutos, acertou um FOGUETAÇO no ângulo do arqueiro Jônatas. Na etapa final, o preparo físico de quem joga desde janeiro por estar na Série A prevaleceu e o Pelotas empatou num golaço de bicicleta marcado por Diego Torres após cruzamento do conhecido George Lucas. Apesar de cansado, o Farrapo teve chances de fazer o segundo chegando bater uma bola no poste áureo-cerúleo numa cobrança de falta rasteira, pela lateral esquerda. Porém, o empate foi mesmo o resultado mais justo e a avaliação que fica do amistoso é completamente positiva.

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Após indecisão se teríamos um último teste devido a dificuldade de encontrar adversários, foi confirmada a estreia em casa no ano. Cerca de 90 pessoas abriram mão de acompanhar a final da Taça Piratini no domingo dia 10 para se presentearem com o privilégio de assistir o Farroupilha aplicar 4 a 0 sobre a frágil seleção de Canguçu. Berg substituiu Anderson Catatau, poupado para não por em risco sua estreia no Acesso e o time mandado à cancha foi: Fabiano; Pedro Júnior, Claiton, Uillian Nicoletti e Juca; Carlão, Dione, Wagner Rincón (Fabiano Weege) e Braem Adams; Juliano e Berg (Mateus Guerreiro).

Os gols foram marcados, respectivamente, Berg duas vezes, Dione e Fabiano. Há quem diga que a primeira bola na rede foi lançada por Juliano, algo que nunca poderá ser confirmado já que as gloriosas rádios pelotenses preferiram cobrir a apuração do EXPRESSIVO carnaval pelotense não havendo sequer UM repórter de qualquer estação acompanhando a partida no Nicolau Fico. O segundo tento foi deveras confuso dado que o guarda-metas canguçuense fez dois milagres quando Berg avançou sozinho dentro da área. O auxiliar tomou a responsabilidade e garantiu que a bola ultrapassou a linha de fundo no segundo arremate. Outra dúvida que será eterna, já que apenas o bandeirinha viu o lance por não haver ninguém na arquibancada do seu lado. Destaque negativo para Mateus (irmão de Leandro) Guerreiro, que perdeu dois gols feitos.

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O saldo dos amistosos foi positivo. Os bons resultados devem injetar ânimo nos jogadores. Por outro lado, os testes serviram para evidenciar algumas deficiências. Dentre elas cabe-se destacar a queda de rendimento do time no segundo tempo, aparentemente pelo cansaço. Além disso, o gramado do Nicolau Fico está em más condições, principalmente se comparado ao ano passado, quando era muito bom pros padrões do interior.

Os principais destaques destes amistosos, de acordo com o que foi por mim observado, são:

– Juca: tomou conta do lado esquerdo defensivo, com poucas, porém precisas incursões ao ataque.

– Juliano: boas jogadas capazes de botar o centro-avante na cara do gol.

– Braem Adams: faz valer a confiança depositada pelo treinador.

Contando os minutos para invadir o Nicolau Fico em busca dos 3 pontos,

Marcos Ceron

Publicado em Divisão de Acesso 2013, Farroupilha, Série A2 2013 com as tags , , , , , , , . ligação permanente.

Um comentário em Saldos da alentadora pré-temporada farroupilha

  1. Paul diz:

    “O primeiro jogo foi realizado em Pedro Osório, município localizado a 50 km de Pelotas, com população estimada em 8 mil habitantes. Uma de suas características mais curiosas (e com todo respeito, isso é um elogio!) é a grande quantidade de consumidores de álcool que a cidade possui. O pessoal de Pedro Osório entorna os canecos de forma elegantemente profissional!”

    Meu pai e meus dois irmãos agradecem a citação.

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