Pegou na mão do padre que lhe fazia a extrema-unção e disse: ‘Chá pra lá, jaguara!’

Zé Carlos

Contrariando a tabela de classificação, o terreno de jogo, o adversário, seu próprio elenco, o tempo chuvoso, a dialética, a gramática e a subducção da placa oceânica que constrói um edifício orogenético, o Novo Hamburgo pariu a fórceps uma maiúscula vitória por 1×0 diante do Cerâmica e respira ainda vivo no BRIZOLÃO.

Após a derrota em casa para o Pelotas, em que a esquadra anil demorou um EÓN pra chutar ao arco áureo-cerúleo, os torcedores anilados já se perguntavam se não era mais rentável fechar o departamento de futebol após o Gauchão para economizar grana para o GRILLÃO do ano vindouro. Na noite da última quarta-feira, todos nós tivemos uma grata surpresa e esse questionamento está suspenso por ora – ou até o próximo revés.

Finalmente sem Guilherme Weissheimer no time titular, os comandados de Itamar KOJAK Schülle pegaram o primeiro SOGIL com destino à felicidade, que poderia estar em qualquer canto do mundo, menos Gravataí. Ledo engano. Em plena CHEVETTERA, o Noia se impôs ao time da casa desde o início e mostrou que estava ali para ganhar.

Para o quê?

Para ganhar.

Sim, o pior time do campeonato resolveu deixar o espírito e comportamento de vira-lata raquítico para dar manotaços de bagual criado em pasto alheio. Com três avantes, entre eles Lucas ‘El Negro Niño’ Santos sassaricando pela direita, o Anilado buscou o gol com o mesmo anseio que um moribundo se debate pelo último suspiro da vida.

E aos 31 minutos da primeira etapa, Giovani bateu falta, a redonda desviou na barreira, Villa defendeu parcialmente, e Zé Carlos, esse ZORRO DE ÉBANO, cutucou pro fundo do barbante como se fosse Antonio Banderas deflorando Catherine Zeta-Jones. Zagueiro negro, alto, lindo espadaúdo: nunca te vi jogar, sempre te amei.

Zorro

Esse escriba só conseguiu acompanhar a peleia a partir da etapa final, graças a esse PROMÍSCUO horário das 19:30. Quando liguei a GALENA e ouvi o placar favorável, bateu aquele pavor que só os torcedores sentem: o de ser o pé-frio da vez. Fui pro banho com a RÁDIA e ficava afastando mentalmente as bolas que cruzavam a área anilada.

Nos estertores da partida, Leandro Cipriano e Paulinho Macaíba, o Negro Gato, ainda perderam chances claras de gol, dando aquele drama fatal à partida que só os times desesperados que vencem heroicamente fora de casa podem proporcionar. Menos mal que os tentos não fizeram falta, muito graças à dupla de zaga anilada, que afastou o perigo com maestria.

No próximo sábado, o Novo Hamburgo vai ao Complexo Esportivo da ULBRA enfrentar o também desesperado Cruzeiro. O triunfo de ontem deixou o Noia na 3ª colocação do Grupo A da Taça Farroupilha e na 14ª colocação na classificação geral, com 8 pontos, dois a menos de Cruzeiro e Veranópolis. Se bater o Estrelado, o Anilado deixa a zona maldita.

A vitória de ontem teve a mesma sensação daquela relação que tu tens com a guria amada que te dá moral, diz que adora falar contigo, mas se entrega a outros gajos. Aquela relação em que quando tu já desististe da infeliz, ela volta toda garbosa e vem falar contigo, dando esperanças ao coração mal tratado. Ontem, a desgraçada não foi embora, não fez doce e o ósculo redentor, úmido, apaixonado, caliente, se fez presente. Brabo é aturar a sensação da utopia de se refestelar com ela fogosamente numa praia deserta iluminada pela lua cheia, enquanto mendigos bebem CITRINA atrás dos arbustos.

talia

Se o treinador do sub-20 anilado é o Ricardo RAMBO, o campeonato anilado parece digno de filme do Rocky: tal como o Garanhão Italiano estava nas cordas e banhado de sangue diante de Apollo Creed, Clubber Lang e Ivan Drago, o Nóia parece tirar forças sabe Deus de onde e golpear alucinadamente o adversário, derrotando-lhe em sua própria armadilha.

Não vai dar. Mas vai.

Me chama de Adrian e vem me amar.

Aguenta coração.

FICHA TÉCNICA

ceramica_45Villa; Alexandre, Rodrigo, Marcão e Fábio Fidélis; Zaquel, Geninho, Pedro e Serginho Catarinense; Cidinho e Soares. Téc.: Guilherme Macuglia

NovoHamburgo_45x45Max; Carlinhos, Zé Carlos, Juan Sosa e Peixoto; Roberto Lopes, Eder Silva (Márcio Hahn) e Geovani; Lucas Santos (Thiago Furlan), Paulinho Macaíba e William. Téc.: Itamar Schulle

De volta à caculadora,
Zezinho

Publicado em Cerâmica, Gauchão 2013, Novo Hamburgo com as tags , , , , . ligação permanente.

5 Respostas a Pegou na mão do padre que lhe fazia a extrema-unção e disse: ‘Chá pra lá, jaguara!’

  1. Fred Salomão diz:

    “Me chama de Adrian e vem me Amar”

    dHUSHDUShudhusDHUshduhsUDUSDHUs

  2. Vini Araujo diz:

    Inspiradíssimo o amigo Zezinho.. um relato e tanto!

  3. Giaretta diz:

    Muito sofrimento para o NH para que possamos continuar contando com escrituras desta estirpe!

  4. “ZORRO DE ÉBANO”.

    Alguém me dá um lenço, pois estou chorando aqui. Que obra Zezinho!

  5. Dornelles diz:

    mas o q é isso, companheiro? me lembrou um renomado comentarista de porto alegre, mas não exatamente pelo approach filosófico…

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