Pelo fim da bundamolice

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Assim como outros bravos coloquei a japona e fui ao FARINÃO na quarta-feira. Veranópolis e Canoas em campo, um querendo matar o outro para sobreviver. Antes do jogo uma chuva de praticamente 18 horas ininterruptas deixou o gramado naquela NHACA de lama e buraqueira, não que os times fossem desfilar uma técnica nunca antes vista se o campo estivesse em boas condições, mas time ruim em campo ruim não tem como dar certo.Não creio ser possível traduzir tudo o que o torcedor Pentacolor sentiu nesse jogo, mas tentarei de qualquer forma. Pode-se sintetizar o VEC em uma expressão, “um exército de dois homens”. O primeiro deles é o avante LÊ. Bravo, combativo, fazendo GARBOSAMENTE o trabalho de pivô, matando no peito os piores lançamentos possíveis e devolvendo a redonda redondamente (ns) para os companheiros. Não bastasse isso, Lê ainda busca o jogo, cai pelas pontas, arma e desarma.

Nos primeiros 45 minutos o que se viu foi – de ambos os lados – muitos passes errados, dominadas de canela e chutes ao léu. O primeiro sinal de sanidade saiu de uma jogada armada pela esquerda por Lê, que se desvencilhou de dois zagueiros e cruzou para o meio da área onde Márcio Reis – que podia ter usado QUALQUER outra parte do corpo – usou o joelho para mandar a bola para fora, mesmo que parecesse improvável visto que ele estava a uma distância de um metro e meio da goleira completamente aberta.

Faço aqui uma pausa para um protesto pelo fim da bundamolice. Já reclamei aqui da postura do Márcio Reis em campo e faço de novo. Não é possível que um jogador que já demonstrou que além da soberba inexplicável, é limitadíssimo permaneça na equipe titular. Para piorar ainda mais, Julinho TIO CHICO Camargo escalou este cidadão para jogar de segundo atacante, sim meus caros, um volante improvisado no ataque.

Aos 38 minutos o contestado lateral da equipe LONGEVA Ednei recebeu de presente uma bola afastada da área canoense após escanteio e na ponta direita cortou o marcador e bateu forte, o goleiro Anderson do Canoas na tentativa de se antecipar á ação do lateral pentacolor atirou-se com a intenção de cortar um possível cruzamento, porém recebeu de brinde uma bolada no braço e o gol tomado. Não fosse o desvio em Anderson a bola sairia na lateral do outro lado do campo, mas gol é gol mesmo sendo sem querer. Acaba o primeiro tempo com vitória parcial do time das cinco cores.

Não posso reservar mais que um parágrafo para falar do Canoas. Por vezes até tentou marcar a saída de bola pentacolor, mas na maioria do tempo permaneceu em seu campo esperando um erro do adversário para sair em contra ataque que logo seria desperdiçado. Além disso, só levou algum perigo para o VEC em chutes de fora da área sem muita pretensão.

Começa o segundo tempo e o pavor toma conta dos gatos pingados na torcida pentacolor. Aos 9 minutos Juninho, do Canoas, marca o empate através de uma ROSCA da intermediária e um auxílio monumental do arqueiro João Ricardo. Frango, peru, frangaço! A bola que vinha tranquilamente em direção às mãos do goleiro não parou nelas, pelo contrário, atravessou-as marotamente indo parar no fundo da rede. Enquanto João Ricardo culpava os refletores, a torcida o aplaudia como se previsse o final daquilo tudo. Não havia justiça naquele lance, logo João Ricardo de incontestáveis atuações em todos os jogos! Não!

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Mas como? Como fazer justiça no esporte mais injusto de todos? É a hora de eu lhes contar sobre o segundo homem do exército, EDSON BORGES. Que atuação deste zagueiro, senhoras e senhores, limpando a área com a bravura e destreza de um colono que passa o dia descartoçando panótchas de milho e se aventurando no ataque desferindo perigosas cabeçadas em direção a baliza adversária.

Depois do empate canoense, Julinho TIO CHICO Camargo resolveu acordar pra vida e sacou os ineficientes Márcio Reis e Valdo da equipe para colocar o meia Juninho e o atacante Geison. O time se tornou outro, apareceram jogadas pelas laterais e bolas enfiadas pelo meio, mas ainda não era suficiente, apesar da dinâmica do time ter mudado completamente o gol parecia não querer sair.

Pouco antes dos 40 minutos, bola alçada na área, Edson Borges subiu mais que todo mundo e cabeceou firme, milagre de Anderson. Um minuto depois novo cruzamento e outra cabeçada de Edson Borges e mais um milagre de Anderson. A JUSTIÇA VIRIA DOS CÉUS! E veio! Aos 43’ bola na área novamente através de escanteio pela direita e contagiado pelo companheiro de zaga, Jonas estava lá. Testada firme e objetiva, bola no fundo das redes, GOL! A redenção, o maior momento do futebol, um gol chorado no apagar das luzes, a torcida vibra, grita, esperneia, os reservas invadem o campo.

Bola no centro novamente, a social permanece em pé, gritando pelo final do jogo, 3 minutos de acréscimo, o Canoas tenta, mas é humanamente impossível, do outro lado agora tinha um time jogando uma final, jogando pela sobrevivência, os bunda mole já não estavam mais em campo! Balão pro lado, balão pra frente, o atacante prende a bola junto à bandeirinha de escanteio até o juiz apitar.

Os jogadores se abraçam no centro do gramado e depois correm em direção ao arqueiro João Ricardo, abraçam-se novamente. Não há sentimento maior do que o de dever cumprido. Veranópolis 2 x 1 Canoas.

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Próxima peleia é no domingo contra o São Luiz, novamente no FARINÃO, às 18 horas. Fica aqui o apelo deste que vos escreve, primeiro para Julinho Camargo acordar pra vida e tirar os bunda mole de campo e segundo para os torcedores bunda mole comparecerem à partida.

Ficha técnica: 

Veranópolis 2 x 1 Canoas

Veranópolis: João Ricardo; Ednei, Jonas, Edson Borges e Anderson Luiz; Escobar, Itaqui (Leandro Rodrigues), Márcio Reis (Juninho) e Eduardinho; Valdo (Geison) e Lê. Técnico: Julinho Camargo.

Canoas: Anderson; Ricardo, Muller, Gustavo e Julinho; Nathan, Jonas, Hugo e Hiago (Tiago); Fábio Santos (Felipe Oliveira) e Éderson (Morais). Técnico: Carlos Moraes.

Gols: Ednei (38/1º) e Jonas (43/2º) – VEC; Julinho (9/2º) – Canoas

Arbitragem: André Cieslak, auxiliado por Altemir Hausmann e Charles Lorenzetti

Estádio Antônio David Farina, em Veranópolis (RS).

Do longevo e pentacolor,

Matheus Primieri

(A primeira e a terceira foto são do autor, a segunda é de Bernardo Tedesco)

Publicado em Canoas, Gauchão 2013, Veranópolis com as tags , , , , , , , , , , . ligação permanente.

5 Respostas a Pelo fim da bundamolice

  1. Baita relato Matheus!

    “Que atuação deste zagueiro, senhoras e senhores, limpando a área com a bravura e destreza de um colono que passa o dia descartoçando panótchas de milho e se aventurando no ataque desferindo perigosas cabeçadas em direção a baliza adversária”.

    Maior comparação possível.

  2. Vini Araujo diz:

    Avante VEC!

  3. Kid Sangali (@KidSangali) diz:

    Grande Mateus!!

    Grande VEC!

    GRANDE EDSON BORGES!!!!

    PAVÃO DA SERRA CAMPEÃO DA TAÇA FARROUPILHA!!

  4. Atilio diz:

    Essa das “panótchas” me fez rir muito. Lembrando da POLISSEMIA da palavra: ela também se refere aos bundas-moles. Por exemplo: “Julinho Camargo precisa deixar de ser panótcha”.

  5. leonir antonio bressiani diz:

    crônica perfeita do que foi o jogo. parabéns

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