…E o bem venceu

huauhahu

Enquanto cruzava o estado, dias antes, após o final do período de provas que antecedem as “férias de verão”, só conseguia pensar que havia algo de certo na vitória do Ypiranga no Domingo. Não pela diferença de qualidade das equipes, muito menos pela diferença das estruturas, nem por qualquer outro atributo técnico que separa os do Colosso dos missioneiros do Santo Ângelo. Havia um sentido de justiça naquilo tudo. SE HOUVESSE QUALQUER RESQUÍCIO DE JUSTIÇA NO MUNDO, OS 3 PONTOS PRECISARIAM SER YPIRANGUISTAS!

Sim, este texto não tem receio de se auto-declarar MANIQUEÍSTA! De um lado eram 11 homens que não se importam com dinheiro, a despeito de uma sociedade cada vez mais gananciosa, e que jogam pelo seu amor ao maior clube de todos, comandados pelo mais digno de todos os treinadores e incentivados pelos mais bravos torcedores. É tudo mentira, menos a parte dos jogadores, do treinador e dos torcedores. Do outro haviam 11 mercenários que, a medida que a bola ia em direção ao gol defendido por Júlio Cesar, o mais mercenário deles, usavam todos os artifícios conhecidos e desconhecidos pela ciência para evitar o tento que daria a mais legítima de todas as vitórias. Sim, estamos falando de MACUMBA!

Se tu quiseres desconsiderar tudo o que se escreveu até aqui, faça-o, só não ignore a parte da macumba. Havia algo de sobrenatural rondando as traves defendidas por este sacerdote de tudo o que há de macabro e obscuro no globo. Os canários, céticos, buscavam levar a bola por meios físicos até a rede. Leocir, o mais virtuoso dentre todos os seres vivos abaixo do sol, insistia em fazer substituições, mudar formações, gastar sua voz. Nada deste mundo parecia suficiente para fazer a bola cruzar aquela maldita linha. Nem Aílton, nem Kuki, nem Sotilli, muito menos o grande Sharlei.

Vivemos em um mundo de injustiças. Desde a professora que roda quase todos os alunos que vão para exame até a direção que cobra R$ 15 para que o torcedor possa se cobrir da chuva em um estádio onde todos poderiam confortavelmente estar protegidos da precipitação. Seria só mais uma, e somos acostumados com elas.

Mas não dia 24/03/2013. Neste dia, em Erechim, passados 47 minutos da segunda etapa, a bola sobrou para Marquinhos. Minha memória, humana que é, falha. Não sei se foi um chute, uma cabeçada, um corte ou uma Genki Dama, mas foi um golpe com magnitude suficiente para transpor todas as malezas do mundo que impediam que a mais sagrada e merecida de todas as festas tomasse conta do Colosso. Sim, neste dia, em Erechim pelo menos, a Justiça se fez presente. As constelações se alinharam e ocasionaram a vitória do que é do bem, do que é justo. Pelo menos uma vez, pelo menos hoje, pelo menos em Erechim.

YPIRANGA – Roger, Roney, Cantareli, Gonçalves e Kaiser (Castiano), Tiago Costa, Evandro, Tiago Rocha (Marquinhos) e Jean, Rodolfo e Adriano (Nicolas). Téc: Leocir Dall’Astra.

SANTO ÂNGELO – Julio Cesar, Diego Mader, Carlão, Miranda e Marcio, Douglas Tirex, David, Alex Espindola (Rodrigo) e Rafinha (Lauri), Filipinho e Felipe Garcia (Tiago Maestri). Téc: Luciano Corrêa.

LOCAL: Estádio Colosso da Lagoa, Erechim.

GOLS: Marquinhos aos 47′ do 2T.

Álisson Giaretta

(A foto é site oficial do Ypiranga)

Publicado em Santo Ângelo, Série A2, Série A2 2013, Ypiranga com as tags , , , . ligação permanente.

2 Respostas a …E o bem venceu

  1. Dino Sta Isabel FC diz:

    ” GANHAMOS A PRIMEIRA DAS MUITAS BATALHAS QUE TEREMOS PELA FRENTE P/RETORNARMOS A PRIMEIRA DIVISÃO DO FUTEBOL GAÚCHO(YPIRANGA 1 x 0 no Santo Ângelo)…”

    ” E EU ESTIVE LÁ’!!”

    #VAMOVAMOMEUCANARINHOOO

  2. Balejos diz:

    Chamar um time quase mendicante de mercenário foi pouco sensato.
    Nomear uma antiga redução jesuítica-guarani de macumbeira não foi responsável, mas pode ter alguma licença-poética-exotérica.
    E mais, um gol nos acréscimos suspende a ideia de justiça.
    Agora, a professora. Ahhh, a professora! Ela teve razão, suponho… rsrs

    Abraçaço!

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