O conservadorismo limitador

Nunes

O início da temporada 2013 foi empolgante para o torcedor do União Frederiquense. Em meados de novembro do ano passado, a direção frederiquense já tinha em mãos os 23 pré-contratos assinados.

Antes mesmo da pré-temporada iniciar, os jogadores (alguns deles) receberam uma planilha, com jogadas pré-definidas, para se encaixarem no modelo de jogo pré-estabelecido por Nunes, para estarem e chegarem no dia 23 de janeiro com tudo em mente, sabendo como teriam que jogar, antes de “pré-qualquer” coisa.

Com um bom investimento, o Leão da Colina montou um plantel que conta com Anderson Bill, Barão, Thiago Correa, Itaqui, Michel Lugo, Serjão e um dos artilheiros da Divisão de Acesso 2012, Jajá, e mais dezenas de jogadores. Qualidade em alto nível.

A equipe comandada pelo técnico Tiago Nunes foi exigida ao máximo durante a pré-temporada. Por 52 dias, a maior parte dos treinamentos foram realizados em dois turnos, totalizando mais de 4 horas de treinamentos diários. Devido a intensa preparação, teve semanas que o departamento médico contou com mais de 8 atletas. Mas as exigências continuaram fortes.

O União que tem tudo para deslanchar, depois de dois anos com equipes medianas, em campo não consegue se encontrar no esquema imposto por Nunes. Os jogadores ficam presos as solicitações, e não conseguem jogar. É então que fica claras as limitações devido a forma de jogar imposta.

Neste domingo, 24, diante o Panambi, em Frederico Westphalen, mais uma vez não foi diferente. A semana inteira de treinamentos foi assim. Jogadores presos, poucos gols nos coletivos, e nenhum até agora em duas partidas pela Divisão de Acesso.

A equipe sofreu, ainda mais no primeiro tempo. Zero de criação. Quando os jogadores ultrapassavam o meio de campo rumo ao ataque, retrocediam as jogadas para o campo defensivo. O zagueiro Caçapa partiu para auxiliar no ataque, mas sem precisão nas jogadas, era uma tentativa desesperada de tentar desentravar o jogo. Sem sucesso.

Impostos desde a saída de bola com o goleiro Gallas, a trabalhar com jogadas rasteiras, sem chutão ou balão, as jogadas não ganham velocidade e a equipe fica presa a tocar bola de um lado para o outro, de cá para lá e de lá para cá, isto é, quando conseguem trocar mais de 4 passes, e não são interceptados de cara pelo adversário, que parece adorar a maneira a qual o União joga.

Nunes fala e coordena seus jogadores a todo momento, mas as jogadas não fluem. Parecem empacar sempre. Mas a equipe segue as instruções do comandante, que não consegue esconder o seu descontentamento com o desempenho da sua equipe.

União x Ser Panambi (6)

Até Itaqui, que conseguiu apenas nesta última semana a sua liberação no BID, após uma longa novela com a federação paraguaia, fez uma partida abaixo da média diante o Panambi. Sobrou para Tiago Correa (foto) a obrigação de armar as jogadas, e comandar o meio campo. Foi exigido mais do que pode contribuir, mas se esforçou. Foi o articulador, o camisa 10 do União – não o ideal -, mas fez o que lhe pediram.

Se o primeiro tempo foi horrível, no segundo o improvável aconteceu. Improvável até na cabeça de Nunes, que não imaginava ter que improvisar tão cedo desta forma a sua equipe, e em umas das raras vezes ter que limitar seu próprio conservadorismo, em prol de uma boa causa. Tentar para fazer o União evoluir ofensivamente. E como evoluiu no improviso.

O meia Marcelo Butty e o atacante Jajá entraram no lugar de Itaqui e Murilo. Com isso, o União cresceu, conseguiu criar mais no ataque, e dominou toda a segunda etapa. Pecando apenas nas finalizações, o jogo não saiu do zero a zero.

A dupla inédita no ataque frederiquense, Serjão e Jajá, arrancaram aplausos e suspiros dos torcedores, que viram o melhor desempenho do União até então.

O técnico do União, Tiago Nunes, merece todos os elogios pela sua forma de trabalho, com as alternativas extra-campo que utiliza e afins. Gravações de treinamentos, o árduo estudo que perdura madrugadas sobre as equipes adversárias, de tudo que mobiliza fora das quatro linhas. Apenas as limitações que sua equipe sofre, devido que não conseguiu ainda se achar, que deixam o torcedor mais apreensivo, a espera de resultados.

União x Ser Panambi (8)

Um jogo bonito é legal – às vezes -, um modelo de jogo é essencial, mas a vitória é imprescindível e obrigatória, ainda mais jogando em casa. E assim o União recebe mais um adversário no próximo domingo, 31, desta vez a equipe do São Paulo de Rio Grande, com a obrigação de conquistar a primeira vitória. Nem que seja em um jogo feio, no improviso, mas que a equipe consiga jogar, e acima de tudo, resgatar a confiança do torcedor, que carece de brilho nos olhos, de alegria e de motivação.

Ficha técnica – 2ª rodada – Divisão de Acesso – Série A2

Local: Estádio Vermelhão da Colina, em Frederico Westphalen

Data: 24/03/2013

Horário: 15h30min

Árbitro: Márcio André Schiavo

Auxiliares: Jonas André Carls e Franciel Horn

União Frederiquense (U): Gallas, Barão, Caçapa, Xavier e Tatto; Itaqui (Marcelo Butty), Douglas Rinaldi, Jean Michel (Willian Bones) e Thiago Corrêa; Murilo (Jajá) e Serjão. Técnico: Tiago Nunes.

SER Panambi (P): Diego, Du, Ilson (Marlon), João e Sander (Serginho, depois Adams); Amaral, Rodrigo, Cleberson e Maranhão; Fabiano Veiga e Josimar. Técnico: Nestor Simionatto.

Cartões Amarelos: Barão, Marcelo Butty, Douglas Rinaldi e Caçapa (U); Fabiano Veiga, Adams e Maranhão (P).

Placar Final: União Frederiquense 0 x 0 SER Panambi

Diretamente de Frederico Westphalen

Carola 

(Fotos: Jornal O Alto Uruguai)

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Um comentário em O conservadorismo limitador

  1. União diz:

    Tiago Nunes não concorda com você:

    Tiago Retzlaff Nunes
    Etmologia da palavra IMPROVISO
    Do Latim IN PROMPTU, “em estado de atenção, pronto para agir”, de IN, “em”, mais PROMPTUS, “prontidão”, de PROMERE, “fazer surgir”, formado por PRO-, “à frente”, mais EMERE, “conseguir, obter”.

    do Facebook.

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