Por um regresso ao interior

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Viajar para o INTERIOR nos últimos seis anos tem sido um completo exercício da nostalgia. Os três ou quatro dias geralmente passam rápido e a vontade de voltar para a CAPITAL é cada vez menor. O movimento JUVENIL em direção a Porto Alegre me parece, hoje, uma das coisas mais BESTAS da cultura interiorana. Meu PROVINCIANISMO ROMÂNTICO – conceito agora tão caro a esse blog – volta de Erechim completamente EXACERBADO pela simplicidade de poder caminhar pelo pátio e colher um ARITICUM direto do PÉ após o almoço. O APÍCE, entretanto, se deu em um sábado ensolarado, torrando a nuca ao lado do meu pai nas arquibancadas do Colosso da Lagoa, onde Ypiranga e Avenida se EMBRETAVAM pela terceira rodada da SEGUNDONA GAÚCHA.

Em campo, Leocir Dall´astra montou, novamente, o Ypiranga no 4-4-2, com um losango no meio campo. O time manteve-se bem postado, tocando a bola de uma forma LENTA E CONSTANTE. Por um momento, inclusive, cheguei a pensar que CARLOS ALBERTO PARREIRA caminhava pela casamata do canarinho. Éramos, entretanto, muito mais OBJETIVOS do que aquela seleção de 2006. Dominando o Avenida, a equipe de Erechim USAVA E ABUSAVA das jogadas pelas laterais, com Kaiser e Roney. Tanto assim foi que, lá pelos 15 minutos do primeiro tempo, bola alçada na área,  TESTADA de Tiago Rocha para o chão e depois para as redes. Belo gol.

Naturalmente, o canarinho se IMPUNHA jogando em casa e a vitória parecia questão de tempo, não fosse aquela típica BROXADA pós-gol. O Ypiranga deu campo para o Avenida – e as dimensões do bonito gramado do Colosso da Lagoa permitem isso. Por vezes, a cobertura dos zagueiros foi DEFEITUOSA, permitindo confrontos DE MANO entre os atacantes e a defesa de Erechim. Então, comandados por um BRUCUTU camisa 4, conhecido por todos vocês como NUNES, os de Santa Cruz acharam o gol de empate no último lance do primeiro tempo após BATE-REBATE na área. Ele mesmo, NUNES, marcou.

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Durante a segunda etapa, eu e meu pai percorreríamos toda a extensão das arquibancadas do Colosso da Lagoa – já a havíamos cruzado no primeiro tempo, agora íamos no sentido contrário. Esse sempre foi um movimento natural no estádio, com a torcida deslocando-se para o lado em que o Ypiranga ataca. Temi, por algum tempo, que as cadeiras BRANCAS E SEGREGADORAS evitassem a migração canarinha pelo cimento. Fato desmentido depois. Afinal, apesar de custar cinco reais a mais, o espaço foi mantido aberto para circulação durante todo o jogo. Optamos, apesar disso, pelo lado oposto, onde FLAMEJA a bandeira verde e amarela.

O que vimos foi um segundo tempo movimentado, com boas chances de gol. Nícolas quase colocou seu nome ao lado do de Pelé, em uma placa na entrada do estádio, após belíssimo VOLEIO. Enquanto isso, Rodolfo e Adriano – esse cidadão, aliás, vem se mostrando um centroavante muito limitado; CLAMAMOS por melhoras, meu filho – perderam seus golzinhos. Com o Ypiranga ESCANCARADO na busca pela vitória, jogando novamente com três atacantes, o Avenida assustava nos CONTRAGOLPES. Mas o goleiro Roger foi sempre muito seguro, sendo escolhido o melhor em campo por rádios da cidade.

Nos despedimos do interior com um empate, mas com a certeza de que o futebol ainda vive por aquelas bandas. É possível caminhar por um estádio MUY DIGNO, gritar, xingar, torcer, comer amendoim, encontrar amigos, trocar uma prosa no intervalo e ainda ver um bom JOGO DE BOLA. Tudo por um preço justo: 10 reais. Aliás, cabe o elogio a política de ingressos imposta pela direção do Ypiranga. TIQUETES por 10 e 15 reais nas arquibancadas; mulheres não pagam; estudantes e idosos tem direito a meia entrada; empresas da região estão recebendo cargas de ingressos. Resta baixar o valor de 50 reais para as cadeiras, ainda elevado, e divulgar melhor os planos para sócios. E que a população SE ACOMETA do nosso PROVINCIANISMO ROMÂNTICO ou, para aqueles que MIGRARAM, que um SURTO NOSTÁLGICO tome conta de seus corpos, e o Ypiranga passe a ser uma possibilidade futebolística nas suas vidas. A próxima parada é em Pelotas. Aguante!

Luiz Eduardo Kochhann

A primeira foto é do Rodrigo Finardi, do jornal Boa Vista. A segunda é do torcedor canarinho Everton Nehring.

Publicado em Avenida, Divisão de Acesso 2013, Ypiranga com as tags , , , , . ligação permanente.

5 Respostas a Por um regresso ao interior

  1. Dino Sta Isabel FC diz:

    ” ESTÁS DE PARABÉNS. UM EXCELENTE TEXTO, SEM MUITOS RODEIOS… (SEM MUITOS RODEIOS/MUITO PRÓXIMO DA REALIDADE), VIVIDA DENTRO DO COLOSSO DA LAGOA… NO DOMINGO PASSADO.”

    * A MELHOR PARTE(SEM DÚVIDAS)… SEGUE ABAIXO DESTACADA…

    ” E que a população SE ACOMETA do nosso PROVINCIANISMO ROMÂNTICO ou, para aqueles que MIGRARAM, que um SURTO NOSTÁLGICO tome conta de seus corpos, e o Ypiranga passe a ser uma possibilidade futebolística nas suas vidas.”

    ATÉ A PRÓXIMA PELEIA. FLW/FICA COM DEUS/ABRAÇO’ss!!

    #VAMOVAMOMEUCANARINHOOO

  2. Daroit diz:

    Grande Luiz. Maior primeiro parágrafo da vida.

  3. Giaretta diz:

    Hoje tentamos trafegar em Porto Alegre perto das 6 da tarde.
    Nem um Colosso todo para se trafegar, com milhões de bergamotas para se degustar ao sol, podem arrefecer o ódio no coração de quem vive numa cidade destas.
    Quem vaio o Ypiranga ao cabo do primeiro tempo o fez porque não sabe dos privilégios de viver em uma cidade como Erechim e consequentemente poder ver um jogo do Ypiranga.

  4. Giaretta diz:

    Outra coisa, incrível como os fotógrafos gostam de capturar o Luiz.
    Segunda foto que ele aparece.

  5. Vicente diz:

    Eu cresci em porto alegre e sempre esperava ansioso o dia de visitar meus avós, ora em rio pardo ora em santa maria. Eu queria me mudar, mas no nosso interior, como diria o Mário Quintana, quem não é fazendeiro, é boi.

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