Deixe que digam, que pensem, que falem

foto aerea

Foto: Luiz Carlos Schneider/ON

Domingo, 31 de Março de 2013, Passo Fundo e Grêmio se enfrentam no vermelhão da serra depois de TREZE ANOS. No último embate o Passo Fundo marcou o seu tento com Paulo Gaúcho (lembra dele? O velhinho bom de bola) mas o grêmio saiu vitorioso com um gol de GAUCHINHO. 2×1 para o tricolor da capital e muito tempo se passou. Não fui a esse jogo, fui a outros jogos contra o grêmio que estão marcados na minha memória (um deles inclusive consta na descrição para o blog deste que vos fala), mas sem uma pesquisa prévia não lembro os anos nem os placares desses jogos.

Por que começar o texto pro blog com esse relato? Para explicar o que vem a seguir. Eu não lembrava mais, e quando poderia lembrar não me fiz presente, de como era o comportamento da torcida e da população antes, durante e depois de um jogo desse nível e dessa grandiosidade. Sim grandiosidade para o Passo Fundo, afinal brigava pela liderança do seu grupo, um grupo que além do Grêmio também tem o Caxias, sem dúvida o tricolor do planalto médio vive hoje seu melhor momento nos últimos anos (alguns mais ousados diriam que é o melhor momento desde que deixou de ser 14 para se tornar Passo Fundo). Comentar que durante a semana do jogo só se falava disso na cidade é um assunto óbvio, afinal o último embate de um time da cidade contra um da capital foi Gaúcho 0x1 Inter no falecido Wolmar Salton (gol de Wellinton, que hoje desfila o seu “talento” pelo interior gaúcho) e jamais será ver a população motivada com um jogo que me deixará triste, mas sim a série de coisas que o jogo derivou.

Primeiro a reclamação pelo preço do ingresso: A direção colocou os ingressos a venda duas semanas antes (40 reais inteiro e 20 para estudante/mulher/idoso e 50/25 nos últimos dias). Ponto para a direção, faturou uma renda absurda e entupiu o estádio de gente. Ponto triste? Pessoas se dizendo torcedores do Passo Fundo reclamando que com esse preço não tinham como apoiar o time. Não tinham como? Contra o cerâmica, uma semana antes o ingresso era DEZ REAIS, em um mesmo domingo, no mesmo horário. Se atreva a perguntar se esses que reclamaram do preço do ingresso foram apoiar o clube nesse jogo. Todo mundo quer comer a picanha, mas a maioria não se presta nem para levar uma cerveja pro assador. Ps: Só o que o Passo Fundo arrecadou nesse jogo foi mais do que a RECEITA PAGA PELA TELEVISÃO pro campeonato todo.

Segunda reclamação e, por favor, caso eu não consiga me expressar corretamente ou fique de difícil entendimento, saibam que eu escrevo isso para uma MINORIA que se fez presente: VELHAS GORDAS (que agem como velhas gordas), patricinhas mais preocupadas em postar fotos no instagram do que ver para que lado corria a bola, mães indignadas com seus filhos pequenos naquele ANTRO DO DEMÔNIO e pessoas com sérias dificuldades para entender que a torcida do grêmio ficada de um lado do estádio e a do Passo Fundo ficava do outro. O jogo virou um espetáculo, e como todo espetáculo muitos dos que estavam ali foram sem nem saber o que exatamente acontece.

Terceira reclamação e essa não é só do jogo contra o Grêmio, é de todo o campeonato: O torcedor passo-fundense tem a triste mania de ir embora antes do apito final do jogo, não importa o placar ou contra quem quer que seja o jogo.

Desabafo feito, falemos de tudo que ocorreu de bom (e sim, foram MUITAS COISAS BOAS). 17 mil pessoas se fizeram presentes no vermelhão, o MAIOR PÚBLICO da competição até o presente momento foram testemunhar um belíssimo espetáculo dentro de campo, com as duas equipes buscando a vitória do primeiro até o último minuto. De um lado um entrosado Passo Fundo se apresentava com a sua tradicional formação 4-4-2 com dois armadores no meio campo e dois volantes de forte contenção. Destaque para mais uma atuação segura de Bruno Grassi, que vem fazendo um campeonato brilhante pelo tricolor do planalto médio e certamente é o melhor jogador da equipe no campeonato (embora meu pai –e possivelmente o seu pai- sempre digam que só se elogia goleiro depois que acaba o campeonato), do bom volante Janderson e do glorioso Chiquinho, que amargou banco para Nego Claiton no primeiro turno e agora, sendo titular, domina o meio campo tricolor. Diego Miranda é um caso a parte, claramente se nota que ele é o “diferenciado” da equipe, é o rapaz do drible curto, que pode decidir o jogo a qualquer momento, mas por ser jovem ainda peca sendo fominha algumas vezes. Nada que a torcida possa reclamar, até porque dificilmente ele continue no clube com a bola que vem jogando.

Do outro lado o tricolor da capital veio com seu time reserva, poupando jogadores para o jogo do dia 10 DE ABRIL, contra o Fluminense, tristeza dos torcedores que vieram de toda a região e tiveram que se contentar com o mistão da capital. O Grêmio entrou com uma formação parecidíssima com a do Passo Fundo, e equilibrava o desentrosamento da equipe com a superioridade técnica dos seus jogadores (tirando o lateral CAMISETA 18 Tony, esse é um rapaz HORROROSO, que só não é o pior lateral direito que pisou no vermelhão da serra porque o lateral Jeferson do Passo Fundo está passando por uma fase difícil –e longa).

A bola rolou e o Passo Fundo partiu para cima junto com o apoio da torcida. Com 1 minuto Xaro surpreendeu a todos, acertando um CANHOTAÇO DE DIREITA (alô Paulo Britto, aquele abraço) que passou tirando tinta do gol de Marcelo Grohe. Aos 3 minutos João Paulo recebeu COMPLETAMENTE LIVRE (o impedimento de uns 2 metros não marcado pelo bandeirinha é um detalhe insignificante) mas não conseguiu dominar a bola direito e acabou perdendo grande oportunidade. Depois disso, o Grêmio se arrumou na cancha e ditou o ritmo da partida, Vargas infernizava a zaga tricolor pelo lado direito de ataque e Kleber ia minando a paciência dos zagueiros com suas “trombadas”. Numa dessas Kleber recebeu na área, girou e deu uma paulada na trave. Na outra recebeu em velocidade, e dentro da área sofreu pênalti cometido pelo zagueiro uruguaio Mário, que tal como um amante latino em um filme pornô de baixo orçamento, não quis saber de conversas, pedir telefone ou pagar um drink para o gladiador, tratou de abraçar-lhe e deitar-se sobre ele nas relvas do Vermelhão, para desespero dos torcedores do time do interior. Vargas deslocou Bruno Grassi e tratou de abrir o placar.

Foto: Fernando Gomes/AgênciaRBS

Intervalo e devo fazer um comentário antes de prosseguir contando do jogo: VOLTOU A TER CARNE NO PASTEL, um viva para o pessoal da copa que parece ter compreendido que pastel de carne deve ser recheado com carne suficiente para mais de 3 mordidas.

Segundo Tempo: O Passo Fundo se jogou para o ataque e permitiu que o Grêmio explorasse os contra ataques. Kleber perdeu chance incrível, cara a cara com o goleiro Bruno Grassi. Esse mesmo Bruno Grassi salvou o Passo Fundo em uma cobrança de falta magnífica do jovem Biteco. Tentando impor uma pressão o Passo Fundo teve uma chance  inacreditável. O centrovante do time, O NOVE, aquele que foi contratado para fazer gols, recebeu sozinho cara a cara com Marcelo Grohe e PIPOCOU, João Paulo pegou errado na bola e desperdiçou uma grande chance para o empate. A indignação foi tamanha, que dois minutos depois ele saiu sob fortes vaias para a entrada de Guto. Aos 31 minutos, o êxtase, Diego Miranda recebe na intermediária, se livra do seu marcador e FORTE BOMBA de canhota em direção ao goleiro Marcelo Grohe, a bola vai fazendo efeito e fugindo da mão do goleiro gremista, indo explodir no ângulo do goleiro da capital. Um GOLAÇO com a marca registrada de Diego Miranda: partir para cima dos seus marcadores. O gol mudou todo o panorama da partida, o Grêmio se perdeu em campo e foi amplamente dominado dos 30 aos 40 minutos. Xaro cobrou falta com força e obrigou Marcelo Grohe a ceder um escanteio. Aos 37 a bola do jogo, BRESSAN falhou e Léo Mineiro entrou sozinho contra o goleiro gremista, baixou a cabeça e arrematou, em cima de Marcelo Grohe que cedeu rebote nos pés de Guto, infelizmente o atacante acabou rematando por cima e deixando o 1×1 no placar.

Fernando Gomes/Agência Rbs

Foto: Fernando Gomes/AgênciaRBS

Fim de jogo, o 1×1 mantém o Passo Fundo INVICTO, como líder do grupo e sonhando com um possível título de campeão do Interior. Já o Grêmio segue em segundo no grupo e reclamando de como o Costelão é feio, bobo e chato.

O Passo Fundo vai até a boca do lobo no próximo domingo enfrentar o Pelotas, num jogo importantíssimo para ambas as equipes. O Passo Fundo querendo voltar classificado e o Pelotas tentando não ser rebaixado.

FICHA TÉCNICA GAUCHÃO 2013 – TAÇA FARROUPILHA – 5ª RODADA

PASSO FUNDO 1 x 1 GRÊMIO

PASSO FUNDO: Bruno Grassi, Jeferson, Mario, Júlio Santos e Xaro; Everton Garroni, Janderson, Chiquinho e Diego Miranda (Marcelão); Branquinho (Guto) e João Paulo (Leo Mineiro). Técnico: Beto Campos

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Tony, Werley, Bressan e André Santos; Adriano, Souza (Matheus Biteco), Marco Antônio e Guilherme Biteco (Fábio Aurélio); Kleber (Welliton REI DO FIFA) e Vargas. Técnico: Vanderlei Luxemburgo

GOLS: Vargas (GRE), aos 42 minutos do primeiro tempo; Diego Miranda (PF), aos 30 minutos do segundo tempo

ARBITRAGEM: Anderson Daronco, auxiliado por Marcelo Barison e Júlio Espinoza de Freitas

Direto da terra do Teixeirinha (ROLANTE É O ESCAMBAL),

Fred Salomão

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Um comentário em Deixe que digam, que pensem, que falem

  1. Matheus diz:

    Baita texto, meu amigo.
    Não, não fui ao jogo porque marcaram no DOMINGO DE PÁSCOA. Fui visitar a família, perdi o jogo.
    Fico curioso pra ler teu texto num duelo Inter x Passo Fundo, porque sei que tu é um baita coloradão, desses que incomodam os amigos que tão quietos hahahaha
    Abraço.

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