Até quando você vai levando?

lajnh

Deus, se existir, pode até ser brasileiro, mas certamente não gosta de guaraná. Entra ano, sai ano, e esse velhinho safado inventa modos cada vez mais CRUÉIS de dilacerar corações lajeadenses. Escorregadas dentro da área, pênaltis perdidos, gols no último segundo… Não há nada mais que explique o que acontece com o Lajeadense sempre que algo grandioso se aproxima. Agora, pelo menos, o sapo enterrado parece ter levou junto consigo o bundamolismo germânico. O mundo acabou, mas ainda há sangue correndo.

O sábado se desenrolou como um dia clássico de Lajeadense. O Juventude, clube mais próximo de roubar o título do interior das mãos frukeñas, abriu 2×0 no rebaixado e sofrível Canoas, e teve as manhas de deixar LOS DEL AVIÓN empatarem em 5 minutos no fim do jogo em Caxias do Sul. Com isso, o Lajeadense dependia apenas de sua própria vitória para garantir a taça simbólica e uma vaga na Série D com uma rodada de antecedência, diante de sua gente. É sempre assim.

Com o estádio praticamente lotado, o primeiro tempo foi mais do mesmo da campanha do clube em 2013. Boa troca de passes, os cinco elementos da defesa chutando bundas, Rudiero comandando o meio-campo e Jandson e Josimar resolvendo na frente, criando meia dúzia de jogadas ofensivas, com o segundo marcando o tento alviazul da partida.

No segundo tempo, novamente, o panorama mudou. Como já havia acontecido contra o Esportivo nas quartas-de-final da Taça Piratini, o treinador adversário – dessa vez, Itamar PELLADO Schulle – leu o jogo e transformou-o. O Nóia, de atuação no máximo SOFRÍVEL na primeira parte, voltou a parecer um time de futebol, enquanto o Lajeadense naufragava. Flávio Campos, sabe-se lá por que, trocou o ótimo volante Reinaldo pelo baixinho meia Léo Franco, tirou o aparentemente machucado Jandson por um atacante Rafael Aidar que já provou há anos que não joga nada, e ainda substituiu Rennan Oliveira por um sempre displiscente Ricardo Maria.

Em campo, o Nóia começou a pressionar, mesmo que sem criar chances claras, enquanto o Lajeadense às vezes dava umas ESTOCADAS no contra-ataque. Na jogada mais LÍMPIDA, já perto dos acréscimos, Ricardo Maria levou a bola por quase todo o campo, com dois companheiros ao seu lado e contra apenas um zagueiro anilado. Conseguiu não passar a bola e dar um chute sem nenhum sentido, facilmente defendida pelo goleiro Max. Poucos minutos depois, no último lance da partida, falta pro NH. Cruzamento pra área, desvio de cabeça e a bola sobrou livre e solta pra Léo Cipriano mandar pro fundo do gol, quando a torcida e o time alviazuis já comemoravam o título do interior. Mais uma vez, a maldita sina. E, como se fosse possível, de uma forma ainda mais DOLOROSA.

Nem tudo foi igual, porém. Dessa vez, finalmente, parecemos ter um mínimo de BRIO. Ao acabar o jogo, instaurou-se o CAOS no Alviazul. Entalados durante a partida inteira com o árbitro Márcio Coruja, que distribua cartões amarelos baseados em, sei lá, MAPAS ASTRAIS, pela completa aleatoriedade dos mesmos, o estádio mais ou menos INTEIRO partiu pro cima do bonitão. Jogadores e direção partiram pras agressões verbais, gandulas atiraram as bolas, a torcida proporcionou a maior vaia já ouvida na curta história do pavilhão do bairro Floresta e até rixas de outras péssimas atuações desse animal nos campeonatos regionais do Vale do Taquari vieram à tona.

Enquanto isso, os jogadores do Novo Hamburgo ensaiavam uma CORNETA nos jogadores e torcedores lajeadenses. Pra quê. Ao mesmo tempo, metade do elenco alviazul desistiu de Coruja e partiu pra cima dos adversários, com direito até, parece, a golpes de artes marciais focados pela TV COMUNITÁRIA. Meia hora após o fim do jogo e os jogadores anilados continuavam dentro do gramado, esperando a poeira baixar pra conseguir chegar aos vestiários.

Quando finalmente conseguiram chegar, escoltados, ainda tiveram que aturar uma pequena onda de IMPROPÉRIOS dentro da zona mista que dá acesso aos BALNEÁRIOS vindas até de jogadores e imprensa. Tirando alguns xingamentos ao REI-SOL DOS TRANSPORTES DO VALE DOS SINOS, nada, porém, aconteceu. A essa altura, as atenções já haviam voltado para Márcio Coruja, que suspendeu uns 4 titulares do Lajeadense com cartões amarelos ou vermelhos. Setenta minutos após o fim do jogo, ele finalmente deixou o vestiário, também escoltado.

É, em geral, uma situação meio ridícula e completamente condenável moralmente, contra tudo o que o Lajeadense prega desde o seu retorno. Não posso dizer que fico triste, porém. Depois de muito tempo, finalmente estouramos. Sofremos calados em situações absurdas em Santa Cruz, Porto Alegre, Caxias… Uma hora havia de ter um fim. Uma coisa é ser bonzinho, outra é ser trouxa. Ontem, até que enfim, o Lajeadense parece ter acordado.

Posso estar errado, e provavelmente estou mesmo, mas fiquei com a nítida impressão de que o DESABAMENTO DO MUNDO acabou por fazer o Lajeadense crescer. No fiasco, finalmente fincamos bases para evitar mais desastres no futuro. Nada mais de “isso acontece”, de apenas tristeza ou até de descaso. Há, finalmente, indignação e sangue quente no Alto Taquari.

Jogamos, talvez, o trabalho todo do ano fora. Metade do time está suspensa, outra metade vai se ferrar no TJD, e enfrentaremos um Passo Fundo embaladíssimo no Vermelhão da Serra com um time com uma média de idade de uns VINTE anos. Milagrosamente passando de fase, provavelmente teremos de achar outro lugar pra jogar se interditarem o Alviazul após a súmula de Coruja. Talvez percamos o título do interior, talvez percamos até a vaga na Série D, dependendo das outras partidas. Talvez tenhamos perdido, também, boa parte dos simpatizantes, que vão aos jogos duas vezes na vida e acabam, sempre, vendo o Lajeadense perder da forma mais bizarra possível.

Talvez, porém, agora não precisemos de nada disso. Em outros momentos, estaria aqui xingando e condenando essa quase SELVAGERIA em que se transformou a partida. Não posso fazer isso. Temos jogadores que sentem o clube, temos diretores e conselheiros com sangue nas veias, temos torcedores que se indignam. Talvez tudo isso, de derrotas ridículas quando não podem acontecer, aconteça de novo. Mas, daqui pra frente, tenho certeza, será bem mais difícil. Demorou, nos custou muito, mas aparentemente acordamos.

Aparentemente, todos os fotógrafos da partida ENTRARAM EM COMA, pois não há foto decente alguma da peleja.

Ainda sem acreditar,
Guilherme Daroit

Publicado em Gauchão 2013, Lajeadense, Novo Hamburgo com as tags , , , , . ligação permanente.

6 Respostas a Até quando você vai levando?

  1. Weber diz:

    O Noia cresceu na hora certa dentro do Gaúchão. Este ponto em Lajeado, conquistado na base da garra, praticamente afasta o tradicional Anilado do inferno da Segundona. Que os erros sirvam de lição e DÁ-LHE NOIA!

  2. Alemão diz:

    Acho que o gol saiu de uma jogada de lateral, se não me engano. Logo após o “showzinho” próprio proporcionado pelo fanfarrão, maldito, safado, mal-intencionado Coruja. Desatenção da defesa! Mas o juiz acirrou os ânimos dos jogadores do alvi-azul e atribuo a ele o descontrole emocional dos jogadores, da torcida e dos dirigentes.

    Um árbitro que que premeditadamente quis incendiar a partida, claramente com o intuito de desestabilizar o jogadores do Lajeadense, conforme o mesmo insinuou à Brigada Militar antes do início da mesma ao declarar que deveriam estar preparados, pois o jogo ia pegar fogo.

    Não há explicação alguma para distribuir cartões à bangu para somente um time e para o adversário fazer vista-grossa. O primeiro cartão da partida para o Reinaldo indica isto. Uma discussão entre o mesmo e um jogador do Nóia gerou um tumulto breve e somente o jogador alvi-azul recebeu a tarjeta amarela, mesmo que a confusão tenha sido causada por ambos os lados.

    É revoltante ter de aceitar uma arbitragem do nível como a de sábado!
    Não é desculpa para mais um resultado frustrante do alvi-azul, que dominou o jogo e poderia ter ampliado, mas o comportamento do árbitro e a “qualidade” do seu trabalho devem ser questionados, pois ele, provavelmente, voltará aos gramados e cometerá mais “crimes” contra o futebol.

    Quanto ao Lajeadense, infelizmente, mais uma vez frustrou a torcida. Mas partilho do pensamento de que ao menos houve algum brio quanto a tudo que aconteceu no sábado a noite. Se tivéssemos mais opções de grupo, talvez a classificação fosse mais tranquila. Temo agora a perda da vaga na Série D, mas se tudo der certo, talvez nem precisemos do resultado em Passo Fundo.
    Seria um crime este time, um dos melhores da história do nosso centenário Alvi-azul, ficar de fora da Série D.

    Um abraço, de um alemão indignado e frustrado, porém ainda esperançoso!

  3. Alemão diz:

    Alguém sabe como ficou a situação do torcedor do Nóia que passou mal depois do jogo?

  4. Weber diz:

    O Geladeira (torcedor do Noia) tá bem. Conheço bem ele. Fomos a jogos por todo estado e ele é muito fanático.
    Quanto ao Coruja, se trata de um juíz ajeitador. Se desta vez aplicou no Lajeadense, foi um milagre, pois aqui em NH, ele já cansou de fuder com o Noia. O nível das arbitragens é constrangedor. Pior que o Coruja, só o Francisco Neto.
    DÁ-LHE NOIA!

  5. Denis diz:

    Pois na próxima rodada torcedores do Lajeadense e do Anilado torcerão pelo mesmo time… Vitória do Nóia contra o Gremio e empate ou vitória do Lajeadense contra o Passo Fundo garantem uma ressurreição meteórica dos Galáticos do Vale. De 90% de chance de rebaixamento para primeiro do grupo no returno..
    É esperar pra ver

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